sábado, 19 de junho de 2021

NECESSIDADES DOS CLIENTES

 

Cleiton Sanches

Especialista em tecnologia do Magazord

Um negócio não é nada sem os seus clientes! Tal afirmação pode ser dita tanto no comércio online, quanto no físico. Apesar de ser um fato confirmado, muitas empresas ainda não prestaram atenção nas necessidades do cliente e sofrem com isso.

Algumas empresas se concentram apenas nas suas próprias ideias e suposições, não parando para ouvir o quanto a opinião dos consumidores é relevante e eficaz para o seu negócio.

Estar atento às necessidades do cliente é ainda mais importante dentro do comércio online, onde os consumidores estão dispostos a abandonar o navio com empresas que não atendem às suas necessidades.

Pode-se afirmar que, muitas vezes, essas necessidades são apenas desejos, mas o cliente não sabe distinguir muito esse tipo de situação. Portanto, você também não precisa parar diferenciar muito uma coisa da outra.

Então, é necessário ofertar além de preço baixo. É necessário atender o cliente em todas as suas necessidades, porque se você não o fazer, certamente outra marca irá deixar seu potencial cliente satisfeito!

Num estudo realizado pela PricewaterhouseCoopers, uma das maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo, apontou que 1 em cada três clientes estão dispostos a deixar de comprar com uma empresa após uma experiência ruim.

Quem já teve uma experiência ruim com determinada empresa por causa do atendimento? Quase todos nós.

O perfil do cliente online vem mudando constantemente, querendo não apenas comprar em qualquer lugar, mas ter uma experiência completa ao adquirir determinado produto.

Neste artigo, você irá entender melhor como é a necessidade do cliente. Veremos o que esse termo realmente significa, a explicação psicológica por trás dela. Também veremos exemplos de necessidades do cliente e como você pode atendê-las junto com seu público-alvo.

O que são as necessidades do cliente?

Basicamente, o termo necessidade do cliente não é algo muito difícil de ser explicado. Essas necessidades são os motivadores físicos e psicológicos que levam os clientes a comprar um produto ou serviço em específico.

Entretanto, ao aprofundar-se um pouco mais nesse campo, você descobrirá que a resposta para o que é a necessidade do cliente acaba sendo um pouco mais complexa.

Isso ocorre principalmente porque os motivadores físicos e psicológicos estão presentes em camadas que se encontram uma sobre as outras. Os motivadores mais fáceis de identificar são os físicos, pois estão mais visíveis e palpáveis.

Já os motivadores psicológicos são bem mais difíceis de serem identificados. Afinal, eles são mais abstratos e como cada pessoas é diferente uma da outra, assim a complexidade se torna maior ainda.

Os motivadores psicológicos são moldados através das nossas crenças, opiniões, desejos e preferências.

Também há uma camada psicológica extra, com motivações que levam a pessoa a comprar em um determinado lugar.

É nessa parte específica que vemos as necessidades do cliente, fazendo como conveniência na hora de comprar, confiabilidade, preço acessível e bom rendimento.

Vamos agora entender um pouco mais sobre as necessidades do cliente, tanto as físicas quanto as psicológicas.

Tipos de necessidade dos clientes: físicas e psicológicas

Como já mencionamos anteriormente, as necessidades físicas são muito mais fáceis de achar do que as necessidades psicológicas. A necessidade física é mais identificável porque elas surgem com base em causas mais diretas, mensuráveis e tangíveis.

Por exemplo: se as suas mãos estão frias, você obviamente precisa de uma luva. Esse é um claro exemplo de necessidade física.

Em alguns casos, é importante ressaltar, que o cliente compra produtos que ele realmente não precisa. As compras por impulso são um ótimo exemplo disso, já que muitas vezes o consumidor adquire determinado produto no calor da emoção.

Aqui já estamos lidando com as necessidades psicológicas, que já são bem mais difíceis de serem identificadas. Afinal, não é possível saber com exatidão porque o consumidor comprou determinado produto.

Independente de haver ou não uma necessidade física, as necessidades psicológicas são as principais forças na tomada de decisão. Elas são as responsáveis para a tomada de decisão do consumidor, em escolher uma marca em relação às outras.

Nas necessidades psicológicas, as coisas ficam mais complicadas para os empreendedores e profissionais de marketing. A única maneira de identificar e saber quais são as necessidades psicológicas dos seus clientes é perguntar diretamente.

Outra maneira de identificar as necessidades dos clientes é a partir de pesquisas e analisar dados da sua loja virtual. Através do Google Analytics, por exemplo, você consegue identificar vários padrões de comportamento e otimizar sua loja virtual para estar mais adequada aos seus clientes.

Alguns exemplos de necessidades do cliente

Compreender quais são as necessidades do cliente é essencial para garantir o sucesso do seu negócio. Essa compreensão permite a você oferecer experiências cada vez mais positivas para seus consumidores.

Com essas boas experiências, seus clientes se tornam cada vez mais fiéis a sua marca. Assim, já não será preciso investir tempo e dinheiro para trazer esse cliente novamente.

Além disso, suas margens de lucro e taxa de conversão tendem a crescer de forma considerável.

Sem se aprofundar muito na psicologia de cada pessoa, é possível afirmar que os clientes tendem a muitas vezes querer a mesma coisa, como:

  • Um bom equilíbrio entre custo e a utilidade do produto;
  • Experiências de compras convenientes, que não fazem o cliente perder tempo. Pesquisas apontam que os clientes até mesmo estão dispostos a pagar mais caro por um aumento de conveniência;
  • Transações seguras e confiáveis, em que as marcas ou produtos cumprem aquilo que prometem;
  • O consumidor deseja ser ouvido e apoiada pela loja virtual caso alguma coisa dê errado durante o processo de compra.

Estas são necessidades simples e compartilhadas pela grande maioria dos clientes. Para ir além dessas situações mais simplificadas, o ideal é pensar no que o seu público-alvo gostaria de encontrar ao comprar seus produtos.

Para isso, é necessário entender qual é a persona do seu negócio. Saber seus gostos, quais redes sociais mais acessa e seus hobbies. Ao juntar essas informações com dados de tráfego, por exemplo, você tem uma base para entender as necessidades psicológicas de seus consumidores.

Outros exemplos mais complexos

Vamos agora demonstrar algumas necessidades psicológicas e também o comportamento observável com cada uma delas:

1 – Tornar o trabalho ou a vida do cliente o mais otimizada possível. O principal comportamento observável nessa questão é a compra de produtos com características e funcionalidades específicas para esse cliente.

2 – Para economizar dinheiro e sentir-se mais confortável financeiramente, o cliente se dedica incansavelmente em encontrar o “melhor negócio”.

3 – Com o intuito de economizar tempo e minimizar o estresse, o cliente acaba optando por marcas com processos de compras mais convenientes.

4 – Sentir que sempre pode confiar nas empresas com que faz negócio. Por consequência, o cliente acaba optando por marcas conhecidas por oferecer uma ótima experiência de compra ao seu consumidor.

5 – Clientes que buscam um estilo de vida minimalista. Os clientes com esse perfil tendem a buscar produtos que atendem às suas necessidades físicas, em vez de gastar com coisas desnecessárias.

Como atender às necessidades do cliente?

Até esse momento, você conheceu os aspectos gerais relacionados às necessidades do cliente e alguns exemplos. Agora é a hora de colocar esse conhecimento em prática e saber como atender às necessidades dos SEUS clientes.

Colete o feedback direto dos seus clientes

feedback do cliente é uma das maneiras mais fáceis de descobrir o que eles gostam, desejam e não gostam.

Grandes nomes do mercado utilizam esse tipo de abordagem para entender melhor os seus clientes e compreender as suas necessidades.

Exemplo: parte do sucesso da Apple, a marca mais valiosa do mundo, veio do entendimento do que os seus clientes almejavam. O perfil do consumidor da Apple é buscar por um produto Premium e mais exclusivos.

Os usuários de iPhones, iPads, Macbooks e Apple Watches desejam ter à disposição produtos cujo design é mais exclusivo e que seja único no mercado.

A Apple conseguir a chegar nesta constatação a partir do feedback dos seus clientes, passando a ouvir seus anseios e vontades.

Existem algumas maneiras de obter um feedback dos seus clientes. Vamos conhecer algumas delas.

Pesquisas

É possível realizar uma pesquisa pessoalmente, por telefone, usando um formulário do Google ou também utilizando uma ferramenta específica.

O mais recomendado é você utilizar perguntas abertas, para que assim, as pessoas não sejam influenciadas em alguma lista de opções.

Entrevistas

Entreviste alguns dos seus clientes, para obter um feedback mais preciso. Uma conversa individual pode lhe ajudar a obter respostas mais detalhadas em relação à uma pesquisa mais ampla.

“O que você acha que falta em nosso produto? O que você deseja alcançar ao utilizar nossos serviços?”

Perguntas como essa podem e devem ser feitas. Elas são fundamentais para identificar as necessidades do cliente e atendê-lo de maneira inteligente.

Audição social

Acompanhar as menções sociais é uma ótima maneira de saber o que o cliente deseja ao comprar o seu produto ou adquirir seu serviço.

Muitas pessoas utilizam as redes sociais (como Facebook, Twitter e Instagram) para falar de um determinado produto. Monitorar as opiniões de seus clientes é extremamente importante

Isso ajudará a você identificar quais são as necessidades do cliente, a partir de experiências com a sua marca.

Dados Pesquisa do Cliente

Esteja atento à sua concorrência

A concorrência pode ter um papel fundamental nas expectativas com o seu produto e nas necessidades dos seus clientes.

O aumento do comércio online é estrondoso, assim a competição do setor se mostra cada vez mais acirrada. Você não estará apenas competindo com empresas geograficamente próximas a você. Na verdade, a competição do comércio online é global.

Por conta disso, é extremamente importante se manter antenado e saber como seus concorrentes estão se comportando e atuando no mercado. Também é importante saber qual é a opinião do cliente em relação ao comportamento das outras empresas.

Crie uma “Declaração de necessidade do cliente”

A chamada declaração de necessidades do cliente é uma técnica utilizada em iniciativas de atendimento ao cliente, marketing e desenvolvimento de produtos. As informações que compõem essa declaração são primordiais para oferecer uma visão mais detalhada do cliente.

Essa declaração também ajuda a sua loja virtual, em todos os seus departamentos, a garantir que o produto final ofereça realmente aquilo que o cliente deseja.

A chamada declaração de necessidade do cliente ajuda a identificar e atender as necessidades do cliente, oferecendo tudo aquilo que ele exige ao comprar o seu produto.

Declaração Necessidades do Cliente

Não existem regras estritamente estabelecidas para a criação desse tipo de declaração, mas você pode ser basear com alguns pontos, para saber por onde começar, como:

  • Quem são: é bom conhecer os detalhes do seu cliente, como idade, sexo, estado civil e a sua localização;
  • Por que eles compram: entender as motivações do cliente para ele comprar o seu produto. Assim, as necessidades do consumidor ficam mais claras, podendo vinculá-las aos benefícios oferecidos pela sua empresa;
  • Como eles compram: alguns clientes compram no site da empresa, outros compram em marketplace como o da Startup Valeon e outros ainda só compram apenas em loja física Saber quais os perfis desse tipo de cliente é essencial para entender o perfil do seu público-alvo;
  • O que eles esperam de você: por exemplo, se os seus clientes esperam entrega rápida e se você faz essa entrega rápida, é muito provável que eles voltem a comprar no seu E-commerce novamente.

Você poderá coletar essas informações consultando dados sobre o histórico de compras. Também é possível realizar pesquisas para criar sua declaração de necessidades do cliente.

Ao agrupar essas informações, você terá uma boa base de dados para otimizar a sua empresa de acordo com os gostos do seu cliente.

Planeje como implementar as necessidades do cliente nas suas operações

Ao ter todas as informações sobre seus clientes, chegou a hora de tomar as ações necessárias.

É necessário ver como você pode melhorar as operações da sua empresa, fazendo com que ela se adeque completamente aos gostos do seu cliente.

Vamos a um exemplo: se o seu cliente deseja saber informações específicas sobre o seu produto e não consegue essas informações, é muito provável que ele mostre insatisfação com essa situação.

Nesse caso, será necessário tomar algumas atitudes para mudar essa situação. Ferramentas de atendimento como: “envie sua mensagem” constante nas página de cada empresa no site da Valeon, ajudam muito nesse aspecto de comunicação do cliente com a empresa. Preparar melhor a sua equipe de atendimento também é uma opção acertada.

Conclusão

No passado, era uma ótima ideia para as empresas colocar os clientes em primeiro lugar. Nos dias atuais, o seu negócio não sobreviverá se esse tipo de estratégia não for tomado.

As empresas mais lucrativas e produtivas são baseadas em culturas que são centradas no cliente. Nesse caso, as necessidades, desejos e comportamentos são o que guiam o modelo de negócios dessas empresas.

Coletar feedbacks, compartilhar informações com todos os setores da sua empresa e fazer brainstormings fará com que os processos para atender as necessidades do cliente sejam melhor implementados.

DESCRIÇÃO DA STARTUP VALEON

A Plataforma Comercial da Valeon é um site moderno, responsivo, profissional, projetado para atender às necessidades dos serviços da região onde existem várias formas de busca: por cidades, por empresas, por produtos, por atividades, por município e por procura.

Detalhe interessante dessa inovação da Valeon é que os lojistas/prestadores de serviços/profissionais autônomos inscritos na Plataforma não precisarão fazer nenhuma publicidade ou propaganda, quem o fará é a equipe da Valeon responsável pela plataforma.

Sobre a publicidade de divulgação dos nossos clientes será feita em todas as redes sociais: Facebook, Instagran, WhatsApp, Google, Linkedin, Rádios locais, Jornais locais e onde for possível fazê-la.

Ao entrar no nosso site você empresário e consumidor terá a oportunidade de verificar que se trata de um projeto de site diferenciado dos demais, pois, “tem tudo no mesmo lugar” e você poderá compartilhar além dos conteúdos das empresas, encontrará também: notícias, músicas e uma compilação excelente das diversas atrações do turismo da região.

EQUIPE DA VALEON

Somos PROFISSIONAIS ao extremo o nosso objetivo é oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes e respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Temos EXPERIÊNCIA suficiente para resolver as necessidades dos nossos clientes de forma simples e direta tendo como base a alta tecnologia dos nossos serviços e graças à nossa equipe técnica altamente especializada.

A criação da startup Valeon adveio de uma situação de GESTÃO ESTRATÉGICA apropriada para atender a todos os nichos de mercado da região e especialmente os pequenos empresários que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.

Temos CONHECIMENTO do que estamos fazendo e viemos com o propósito de solucionar e otimizar o problema de divulgação das empresas da região de maneira inovadora e disruptiva através da criatividade e estudos constantes aliados a métodos de trabalho diferenciados dos nossos serviços e estamos desenvolvendo soluções estratégicas conectadas à constante evolução do mercado.

9 – CONTATOS

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

BOLSONARO NÃO É AMEAÇA À DEMOCRACIA E SIM A OPOSIÇÃO AO GOVERNO

 

Diz presidente do Superior Tribunal Militar

 Poder360 

Em entrevista para a Veja, publicada nesta 6ª feira (18.jun.2021), o presidente do STM (Superior Tribunal Militar), general Luis Carlos Gomes Mattos, disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não é uma ameaça à democracia e fez críticas a oposição, afirmando que quem está contra o governo vai “esticar essa corda, como se diz, até que ela arrebente”.General Luis Carlos Gomes Mattos afirmou que oposição não deixa o presidente Bolsonaro trabalhar© Reprodução/Superior Tribunal Militar General Luis Carlos Gomes Mattos afirmou que oposição não deixa o presidente Bolsonaro trabalhar

O presidente Bolsonaro é um democrata, fala com o palavreado do povo, mas nada disso com a intenção de quebrar as estruturas, destruir as instituições, dar um golpe”, afirma. “Quem critica Bolsonaro faz isso de manhã, de tarde, de noite. Tudo atribuem ao presidente. Tudo de errado. Será que você aguentaria isso? Que reação eu teria? Não sei. E alguma coisa boa atribuem? O Brasil está crescendo, a economia está crescendo, mesmo com todas as dificuldades”.

Para o general, os opositores “estão esticando demais a corda”. O que para ele, significa tomar medidas fora da Constituição. “Não tenho dúvida de que estão esticando, para ver até onde se pode ir. Tenho a certeza de que nós já suportamos muito. Nós saímos dos governos militares com a maior credibilidade institucional no país. Por quê? Porque aplicamos e não desviamos o pouco que recebemos”.

Questionado sobre se incomodar com a forma com que Pazuello vem sendo interrogado pelo Congresso na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid e a possibilidade de o ex-ministro ter seu sigilo quebrado, Mattos respondeu que acha o tratamento desrespeitoso e defendeu o general.

Eu conheço o general Pazuello. Não tenho dúvidas da competência e honestidade dele. foi muito preciso e objetivo nas respostas. Não sei se eu seria. Na minha opinião, ele não vai ser acusado de nada. E, se acontecer, isso não vai abalar as Forças Armadas”, disse.

Mattos disse considerar a Lava-Jato um avanço para o país, mas que o brasileiro precisa “saber votar”. O general negou que as Forças Armadas tenham sido “capturadas pelo governo”. “Não fomos capturados por ninguém. Nós passamos quantos anos em governos de esquerda? As Forças Armadas se mantiveram fiéis ao presidente, que é o comandante em chefe das forças, seja ele de que ideologia for”, concluiu.

O STF E SEUS MANDOS E DESMANDOS

 

Artigo
Como “O Senhor dos Anéis” explica a sede de poder do Supremo Tribunal Federal
Por
Rafael Ruiz, especial para a Gazeta do Povo

Turin Italy March 8 2013: reproduction a Moria goblin orc from the Lord of the Ring movie exhibited inside the National Museum of Cinema

O único problema é que o poder é mais poderoso que o próprio homem que o detém.| Foto: Bigstock

Li um artigo publicado pelo Prof. Carlos Alberto Di Franco sobre os sucessivos e preocupantes desvios do Supremo Tribunal Federal. Ao mesmo tempo que acompanhava a argumentação de Di Franco sobre a arrogância e a falta de bom senso que parece ser predominante na instituição máxima da justiça brasileira, lembrava-me de O Senhor dos Anéis e, antes de continuar, gostaria de fazer um parêntese. Ei-lo aqui: (qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência fortuita. Este texto é um texto de ficção).

Como dizia, lembrei-me da obra de Tolkien e da força misteriosa e dominadora do Anel. O Anel, ao mesmo tempo que dá poder, subjuga a vontade das pessoas de tal maneira que não se trata apenas do fato de que os que usam o Anel se tornarem escravos e subservientes ao Senhor dos Anéis. O problema é que eles chegam inclusive a perderem sua identidade, sua essência, seu ser. Aqueles que utilizam o Anel para o seu próprio benefício acabam se tornando espectros do Anel.

No livro, há um momento em que Gandalf explica que o Anel é um poder maligno que corrompe os corações, porque esse anel foi feito por Sauron e “a única medida que Sauron conhece é o desejo de poder, e assim julga que são todos os corações”.

É claro que não conheço o coração dos ministros e nem quero conhecer, Deus me livre! Mas quando leio sobre esse desejo do poder que não é um desejo abstrato, e sim bem concreto, porque é um poder que dispõe, determina, consagra, estabelece, muda, tira de aqui e coloca acolá… É um poder que pode. Pode fazer e desfazer, construir e destruir, fazer o bem ou instaurar o mal, estabelecer a justiça ou a injustiça. Então, quando leio esse desejo de poder de que nos fala Tolkien, é difícil não pensar no poder do Judiciário, poder que foi dado aos ministros pelo povo, por meio da Constituição, e não por uma instância diferente, nem por algum Sauron perdido. O que será que eles pensam?, me pergunto. O que será que cada um deles tem nesse seu coração?

Acredito que a grandeza da obra de Tolkien está em não ter falado de um reino do bem e outro do mal. Sua grandeza está em insistir na ideia de que a única coisa que poderá salvar o mundo é se descobrirmos o valor da pena, da misericórdia e da generosidade. É claro que nos tempos que vivemos isso parece muito além de qualquer utopia, mas, por outro lado, não esqueçamos que a obra de Tolkien foi escrita precisamente durante os trágicos eventos da Segunda Guerra Mundial. É como se Tolkien, olhando para todos os destroços do mundo, reafirmasse que o único que pode trazer uma nova aurora é a consciência de que, nesta Terra Média em que vivemos, não há ninguém absolutamente bom nem ninguém absolutamente mau, e que, precisamente por isso, temos de ter pena, misericórdia e generosidade.

Não há ninguém (nem Gollum, nem Saruman, nem Sauron, nem mesmo os espectros do Anel) que não tenha mais jeito. Ninguém, absolutamente ninguém é ou será tão perverso e cruel que precise ser eliminado. A única certeza que poderá salvar o mundo, como também diria Dostoiévski, é que todos somos culpados, que todos tivemos nossa parte de bondade e de maldade neste mundo em que vivemos e que todos poderemos nos salvar juntos. Todos contribuímos, de uma ou outra forma, para tornar esse mundo um pouco melhor e também um pouco pior. Todos somos mesmo responsáveis pelo bem e pelo mal que há no mundo.

Tolkien nos fala de um mundo de seres criados, e não um mundo de ministros super-poderosos. Um mundo de seres com imperfeições, mesmo que sejam magos ou elfos ou hobbits ou árvores que andem e falem. Seres que não são nem a encarnação do bem nem a encarnação do mal. Seres que fazem coisas boas e coisas más, dependendo do caráter de cada um e da capacidade de cada um, porque nem todos são iguais nisto de resistir à força destrutiva, corruptora e dominante do Poder do Anel.

O lado certo da história
Infelizmente, na Terra Média nem todos conseguem enxergar as pequenas réstias de luz no meio da escuridão humana. Esses são aqueles que, como o próprio Saruman, olham para o mundo e o definem e o classificam: onde eles estão, seu lugar na História é o “do bem” e, por contraste, onde os outros estão é precisamente o “lugar do mal”.

É irônico tudo isso a que estamos assistindo. O primeiro a falar do eixo do bem e do eixo do mal, nos últimos tempos, foi George W. Bush, logo depois do atentado do 11 de Setembro. Naquele tempo, a fala de Bush era vista como a coisa mais insensata e mais ultradireita que poderia ser dita. E agora, olha só, agora esse lugar da fala do bem é ocupado por aqueles que eram do mal.

O lugar certo da história é onde tudo é bom e tudo é justiça e tudo é bondade. Do outro lado, só tem horror e trevas. A maldade pura. Esse é precisamente o diálogo entre os dois magos, Saruman e Gandalf. Saruman – que, para quem não sabe, já foi mago, mas acabou se estragando precisamente pelo Poder do Anel – pretende consertar a Terra Média. Ele sabe até que as medidas que pretende adotar não serão tão boas assim, tão éticas assim, tão puras assim. Mas compensarão porque, no fim, os motivos são nobres: consertar o mundo, fazer da Terra Média um lugar melhor, eliminar a erva daninha… O remédio será amargo e terá alguns efeitos colaterais perversos, mas, como ele mesmo diz, serão incidentais e “o que vem a ser isso diante dos altos propósitos que temos?!”.

Realmente é muita bondade. Tanta que a gente desconfia. Será mesmo que depois de consertar o mundo todo, deixando uma “pequena e inevitável” trilha de sangue e de truculências e de injustiças, Saruman e Sauron vão parar por aí? Depois que a Constituição for interpretada de todas as formas possíveis, “porque todas as formas de amor valem a pena”, como já disse o artista, será que vai ficar por isso mesmo?

Galadriel, a rainha dos elfos, tomou uma atitude diferente. Quando Frodo lhe ofereceu o Anel e lhe propôs que, sendo ela “do bem”, poderia usar o poder do Anel para colocar as coisas no lugar certo e fazer com que algumas pessoas pagassem pelo trabalho sujo que fizeram, Galadriel se recusa, não sem antes ter ficado um uma dúvida tensa e expectante. Por fim, ela diz de forma definitiva: “Sim, eu poderia fazer isso. Mas isso seria apenas o começo. Infelizmente, as coisas não parariam aí”.

É fácil criar a “necessidade de fazer alguma coisa”. É fácil encontrar argumentos que provem à opinião pública e a nós mesmos que é preciso, que é inevitável, por exemplo, que o acusado de um possível delito seja ao mesmo tempo o seu próprio juiz. E mais, voltando ao artigo de Di Franco, é fácil dizer que em outro caso isso já não pode porque aí é suspeição mesmo. Até porque num caso o juiz está do “lado certo da história” e no outro, não.

O poder é forte. O desejo de poder é mais forte ainda. E quem tem muito poder é muito poderoso. O único problema é que o poder é mais poderoso que o próprio homem que o detém. Quem tem o Anel do Poder acaba sendo possuído pelo Anel. E, então, não se trata mais de ter ou não poder, e sim de ser ou não possuído por ele. E, infelizmente, na maior parte dos casos, muitos acabam perdendo a sua própria essência e se tornam incapazes de resistir ao domínio maligno do Anel. Muitos acabam sendo apenas espectros, os espectros do Anel.


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MÉDICOS CRITICAM A POLITIZAÇÃO DA MEDICINA NA CPI

 

CPI da Covid – Gazeta do Povo

Por
Jean Pecharki

Médico infectologista Francisco Eduardo Cardoso Alves, diretor-presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social (ANMP).| Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A CPI da Covid no Senado recebeu nesta sexta-feira (18) dois médicos favoráveis aos uso de medicamentos do chamado “tratamento precoce” contra a Covid-19. Em depoimento aos senadores, Francisco Cardoso Alves e Ricardo Ariel Zimerman criticaram a politização do tema e o uso do termo “kit-covid” para se referir a remédios como ivermectina e hidroxicloroquina.

Eles deram testemunhos da suposta eficácia dos medicamentos, que não são recomendados pela comunidade científica para tratar o coronavírus, e defenderam a autonomia médica para prescrever o tratamento que o profissional de Medicina achar mais apropriado ao paciente.

Francisco Cardoso Alves é médico especialista em Infectologia pelo Instituto Emílio Ribas e diretor-presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social (ANMP). É apontado como um dos coautores da nota informativa do Ministério da Saúde que dava orientações para o tratamento precoce da Covid-19.

Ricardo Zimerman é médico infectologista e ex-presidente da Associação Gaúcha de Profissionais em Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar.

Profissionais defendem autonomia médica
Em sua apresentação inicial, os especialistas defenderam a autonomia médica para a prescrição de tratamentos ao paciente, seja contra a Covid ou qualquer outra doença, afirmando que essa é uma atribuição que não pode ser regulada por nenhum ente federativo. “Se permitirmos que isso ocorra, será o fim da civilização e o início da barbárie em saúde”, enfatizou o médico Francisco Cardoso Alves, relatando que suas experiências pessoais com pacientes têm se mostrado bem sucedida.

“Em minha vivência em Covid-19, já atendi mais de mil casos, muitos graves, mas com poucos óbitos graças a Deus. A equipe com a qual trabalhamos em São Paulo já atendeu a mais de 4 mil casos com pouquíssimos desfechos fatais. Nós temos resultados. Não é opinião. Se o remédio funciona, se ele deve ser aplicado ou não de acordo com o caso clínico, dentro da autonomia médica, compete aos médicos, sob a guarda do CFM e dos conselhos regionais de Medicina”, disse.

“Se nesse momento eu não consigo descrever com precisão o mecanismo de ação, isso é secundário. Que os cientistas pesquisem e publiquem. Nós médicos estamos aqui para atender as pessoas e salvar vidas”, enfatizou.

Medicina baseada em evidências
Já o médico Ricardo Zimerman afirmou que quem tem que dar satisfação para os familiares dos pacientes são os próprios médicos, portanto, cabe eles prescrever a medicação adequada.

“Fazemos isso com base na nossa autonomia na prescrição de medicações off-label que nos é garantida pela nossa autarquia. Quem garante a nossa prática está nos defendendo e nos permitindo que nesse momento de extrema coerção que alguns colegas estão sofrendo ainda possamos tratar a nossa população”, disse.

Zimeman afirmou ainda que os profissionais devem seguir a medicina baseada em evidências, não apenas em ensaios clínicos. Para ele, estudos observacionais mostraram a eficácia de medicamentos como ivermectina contra a doença e não podem ser descartados. “Dizer que estudo observacional não serve não é baseado em evidência.”

Atendimento precoce e automedicação
Perguntados pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS) sobre a “abordagem precoce”, os dois médicos afirmaram que as pessoas que apresentem sintomas da Covid-19 devem buscar tratamento imediato e que esse precisa ser individualizado.

Zimerman afirmou ainda que a automedicação por cloroquina não deve ser usada de forma indiscriminada pela população e defendeu novamente que seu uso seja prescrito por um médico, destacando os riscos do seu uso de forma descontrolada.

“É fundamental que os fármacos sejam prescritos por um médico e haja o acompanhamento porque algumas dessas drogas têm doses letais. E a cloroquina é um exemplo clássico. As pessoas podem morrer envenenadas pela cloroquina e infelizmente isso não é difícil de acontecer”, enfatizou. “É uma catástrofe a administração de uma dose errada. Não pode. E isso tem que ficar claro.”

De acordo com ele, o uso desses medicamentos não pode ser feito por um kit fixo, sem a prescrição de um médico e sem a individualização para avaliar possíveis contraindicações.


Coerção contra o tratamento precoce
Ao ser questionado pelo senador Jorginho Mello (PSL-SC) a respeito da pressão sobre os médicos que indicam o uso de medicamentos do chamado tratamento precoce contra a Covid-19, Francisco Alves afirmou que tem sido alvo de ataques com matérias inverídicas desde que se posicionou publicamente a favor do uso de tratamentos contra a Covid.

Segundo ele, o uso do termo “tratamento precoce” é um erro. “Não existe tratamento precoce. Existe tratamento. Nenhum médico espera um câncer ficar do tamanho de um abacate para propor um tratamento para o cidadão. Então esse termo que acabou surgindo para tentar indicar que o tratamento deveria começar o mais cedo possível diante dos sinais de sintomas acabou estigmatizado. Custa a quem o defende vários ataques, dentro e fora das instituições onde a gente trabalha”, diz.

“Mas a gente não liga. Estamos com a razão. Estamos salvando vidas dentro da nossa experiência e observação, são milhares de vidas salvas com o tratamento.

Para Ricardo Zimerman, essa divisão na comunidade médica de especialistas que defendem ou rechaçam o tratamento inicial contra a Covid-19 é causada pela politização no uso do medicamento e o chamado “viés de confirmação”.

“Acho que isso é explicado pela politização que aconteceu, o que para mim causa surpresa, pois não sou filiado a nenhum partido político e o próprio juramento do médico é apolítico e apartidário”, disse Zimerman. “Não há dúvida de que ocorre é uma espécie de viés de confirmação. Ou seja, se você já decidiu qual é o seu lado, você só vai ler aquilo que reforça o que você diz e não vai querer ler aquilo que diz o contrário”, reforçou.

Questionado pelo senador Styvenson Valentim (Podemos-​AC) se a propaganda da hidroxicloroquina feita pelo presidente Jair Bolsonaro contaminou o debate sobre o medicamento, o médico afirmou que a promoção pode sim ter atrapalhado: “Talvez tenha atrapalhado. A gente deveria deixar o assunto despolitizado”, disse Zimerman.

Relator da CPI anuncia lista com 14 investigados
O início dos trabalhos da CPI da Covid foi marcado por um bate-boca entre senadores, debandada da oposição e até pedido de convocação dos representantes do Facebook e do Youtube no Brasil para explicarem as lives conduzidas toda quinta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro.

Ainda pela manhã, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), anunciou uma lista de 14 testemunhas que passaram para a condição de investigados. Entre elas, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga; os ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores); e o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fábio Wajngarten.

Próximos depoimentos
Na próxima semana a CPI da Covid deve ouvir os depoimentos do ex-ministro da Cidadania do governo Bolsonaro, deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), e do assessor internacional da Presidência da República Filipe Martins.

Os dois são apontados como integrantes de um gabinete paralelo de aconselhamento do presidente da República no combate à pandemia. O depoimento de Terra está marcado para acontecer na terça-feira (22). Já Martins deve falar na quinta-feira (24).


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BOLSONARO NÃO QUER INTERMEDIÁRIOS NA SUA AÇÃO E FALA

 

Presidente da República

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Presidente Jair Bolsonaro durante a motociata Acelera pra Jesus.| Foto: Alan Santos/PR

A passeata de motos em São Paulo, no último sábado, revela uma caraterística do atual presidente da República: a de não perder contato com a população. Ele tem saído de Brasília praticamente todas as semanas, para todos os cantos do país, em viagens de inauguração, inspeção, celebração, confraternização – enfim, por vários motivos, mas o principal é sentir o povo. Onde quer que vá, causa demonstrações. A de sábado foi uma reunião de motociclistas e motos como nunca se viu neste planeta.

A região mais visitada tem sido a do Nordeste. Esteve, há duas semanas, nos confins do noroeste brasileiro, na região da Cabeça do Cachorro, onde conviveu com brasileiros cujos ancestrais já estavam aqui quando Cabral chegou, e inaugurou uma ponte de madeira, recém refeita. Tem feito isso às quintas e sextas-feiras e alguns domingos ainda aproveita para visitar de moto a periferia de Brasília.

Outro dia escrevi aqui sobre os males de quem se isola na bolha de sua atividade e fica alienado do Brasil real. Não é o caso do presidente, que em campanha eleitoral percorreu o país inteiro. E depois de eleito, não se recolheu aos palácios da Alvorada e do Planalto. Continua percorrendo o país, sondando, ouvindo, aprendendo, sentindo. Costuma entrar no boteco, na padaria, na sinuca, pede licença para entrar nas residências – onde gosta de conferir o abastecimento da geladeira.

Aí se entende porque o porta-voz ficou ocioso e acabou tendo o cargo extinto. O presidente não tem intermediários. Nunca teve. Ganhou a eleição sem marqueteiro. E continua porta-voz de si próprio, se expressando e deixando seus recados nos encontros quase diários com as pessoas que vão esperá-lo à saída ou entrada do Palácio Alvorada, residência oficial. Sem demagogia e muito menos paternalismo. Contato direto, espontâneo, com todos, inclusive com essa multidão recordista de motociclistas que foi por conta própria. Por isso, seu gabinete no palácio não é ilha da fantasia. E o contato com o povo, sem intermediários, o imuniza dos áulicos de corte.


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POLÍTICOS QUEREM FAZER A REFORMA POLÍTICA CRIANDO A FEDERAÇÃO PARTIDÁRIA

 

Reforma política
Por
Olavo Soares – Gazeta do Povo
Brasília

Com federação, partidos poderão continuar tendo acesso a recursos públicos e representação no Congresso Nacional.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou no último dia 9 o regime de urgência de tramitação para um projeto que cria a federação partidária — um dispositivo que, se aprovado, pode salvar partidos pequenos que correm risco de extinção por causa da chamada “cláusula de barreira”.

A aprovação do regime de urgência na tramitação ocorreu com larga vantagem: 429 votos a favor e apenas 18 contrários. O amplo placar, porém, não garante que o mérito do texto terá vida fácil entre os deputados. A federação de partidos é uma proposta controversa.

A federação partidária prevê, em linhas gerais, que duas ou mais legendas se unam durante o período eleitoral e mantenham a parceria por no mínimo quatro anos. Com isso, as siglas parceiras passam a ser tratadas como uma só. Precisam, por exemplo, estar juntas na disputa presidencial, em todas as candidaturas estaduais e também nas atuações na Câmara dos Deputados e no Senado.

O sistema é visto como uma possibilidade de os partidos menores sobreviverem ao dispositivo da lei eleitoral conhecido como cláusula de barreira ou desempenho, que, a cada eleição, torna mais difícil o acesso de siglas com pouco voto nas urnas a benefícios como tempo de TV e recursos do fundo partidário. Na prática, essas restrições podem determinar o fim de uma sigla, que ficaria sem condições de desenvolver suas atividades.

Na eleição de 2022, os partidos precisarão ter 2% dos votos válidos para deputado federal, distribuídos por ao menos nove estados, para não serem atingidos pela cláusula de barreira. A votação corresponde a eleger 11 deputados. As exigências aumentarão nos pleitos seguintes até chegarem aos 3% dos votos em 2030.

A ideia da cláusula de barreira é reduzir o número de partidos existentes no Brasil. Hoje, são 33 as siglas com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


Quem quer a federação partidária
O projeto que recebeu o aval para tramitar em regime de urgência na Câmara já passou no Senado; e é de autoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Seus maiores defensores na Câmara são representantes de partidos de esquerda e centro-esquerda que temem a cláusula de barreira. Dentre eles, estão legendas como PCdoB, PV e Rede. Líderes dessas siglas têm falado em fusões partidárias. Mas a federação partidária aparece como uma alternativa, por permitir que as legendas sobrevivam com suas identidades próprias, ainda que devendo seguir as regras da parceria com outras legendas por ao menos quatro anos.

Foi do PCdoB, mais especificamente do líder do partido na Câmara, Renildo Calheiros (PE), o requerimento que pediu a urgência do projeto atual. O Partido Comunista, embora seja um dos mais antigos do Brasil, registra historicamente votações pequenas. Nunca lançou um candidato a presidente e elegeu seu primeiro governador — Flávio Dino, do Maranhão — apenas em 2014 (Dino, porém, acaba de deixar o partido). Atualmente, o PCdoB conta somente com sete deputados federais.

Representante de uma legenda mais posicionada ao centro, mas também “ameaçada” pela cláusula de barreira, o deputado Alex Manente (Cidadania-SP) disse considerar “valoroso” o projeto da federação partidária. “Isso pode ser válido para ajudar na diminuição de partidos”, diz.

O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) também vê méritos no projeto. “Se for algo que estabeleça compromissos e reciprocidade, e não uma questão meramente eleitoral, tem valor. Tem que ser uma união [de partidos] programática e com prazo de validade”, afirma.

Quem não quer a federação partidária
Dentro da Câmara, as principais objeções à iniciativa vêm por parte das forças de direita e centro-direita. Para esses grupos, a federação dá chances de partidos menores escaparem do corte promovido pela cláusula de barreira e, assim, continuarem tendo acesso aos benefícios custeados com dinheiro público, como o fundo partidário.

A operacionalização da federação é também alvo de críticas. Parlamentares questionam a real capacidade de partidos conseguirem replicar em todos os estados do Brasil uma aliança idealizada no plano nacional. É comum que partidos que são parceiros na esfera federal sejam rivais locais, e vice-versa. Um exemplo ocorre com o PCdoB e Flávio Dino. O vice dele no Maranhão é Carlos Brandão, membro do PSDB. Em âmbito nacional, PSDB e PCdoB são adversários.

“Eu acho muito difícil uma federação, uma coligação em nível nacional que se repita nos estados, que seja única, que perdure todo o mandato parlamentar. Acho que a democracia ainda não comporta esse tipo de aliança, que é muito engessada, muito difícil. As composições locais e nos estados transcendem os arranjos nacionais”, afirma o deputado federal Aluisio Mendes (PSC-MA).

Mendes é líder de um bloco na Câmara que une três partidos: além do seu, estão no grupo o Pros e o PTB. Segundo ele, não há comparativo entre os blocos partidários do Congresso e a proposta da federação. “O bloco funciona apenas no Congresso. A ideia da federação é se repetir por todo o país. E, no Congresso, se um partido discordar da condução, pode sair do bloco na mesma hora, sem punição. Na federação, não. As penalizações são muito duras.”


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sexta-feira, 18 de junho de 2021

JUSTIÇA DÁ LICENÇA PARA ROUBAR

 

  1. Política 

‘Condenações obtidas com base em provas materiais, confissões dos criminosos, delações de comparsas e outros elementos óbvios de culpa, estão sendo anulados para se adaptarem a decisão do STF’

J. R. Guzzo, O Estado de S.Paulo

O assassinato em público da Operação Lava Jato, o maior e mais bem sucedido esforço de combate à corrupção jamais feito na história da justiça penal brasileira, é o pior crime contra o respeito às leis, o regime democrático e as instituições que está sendo cometido no Brasil dos nossos dias. O Supremo Tribunal Federal, os chefes da vida política e as elites, com a participação ativa da esquerda e o apoio da mídia, escandalizam-se todos os dias contra os “atos antidemocráticos”, os riscos de “ditadura” e todos os demais fantasmas do gênero; fazem até processos e jogam gente na cadeia por conta disso. 

Não dizem uma sílaba, porém, diante da licença praticamente oficial para roubar o erário público que foi dada pelo próprio STF e as camadas seguintes do Judiciário. É isso, em português claro, que resultou da liquidação da Lava Jato. E isso – a decisão superior da justiça estabelecendo que as leis não valem para os casos de corrupção – é a própria negação da ideia de democracia. Não existe Estado de Direito onde o crime seja aceito, aprovado e incentivado, como acontece hoje no Brasil – e por determinação da própria Justiça. Fim de conversa.

Lava Jato
Agentes da PF fazem operação de busca e apreensão na Lava Jato; ministros do STF têm imposto derrotas à operação  Foto: Werther Santana/Estadão (21/7/2020)

Foi uma ilusão, ou um momento de estupidez, achar que a decisão do STF que anulou todas as ações penais contra Lula, e sua condenação em três instâncias pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, iria parar nele. É claro que não iria parar – e não parou. Como na história da árvore envenenada, que só pode produzir frutos venenosos, o presente dado a Lula contaminou imediatamente os processos de ladroagem que existem debaixo dele. Resultado: condenações obtidas com base em provas materiais, confissões dos criminosos, delações de comparsas e outros elementos óbvios de culpa, estão sendo anulados para se adaptarem à decisão do STF que desobrigou Lula de pagar pelos delitos que cometeu, segundo a Justiça brasileira.

O Superior Tribunal de Justiça, e o resto do mecanismo Judiciário que se pendura embaixo do STF, acaba de dar ao País um exemplo perfeito deste processo de degeneração. Em setembro último, antes da supressão da Lava Jato pela ação combinada dos ministros Edson Fachin e Gilmar Mendes, executivos da empreiteira de obras Queiroz Galvão foram condenados na 13ª. Vara Federal de Curitiba por corrupção, lavagem de dinheiro, cartel, fraude e organização criminosa, no assalto em massa contra a Petrobras. Não houve como escapar: a empresa tinha dado mais de 5 milhões de reais a políticos nomeados pelo doleiro Alberto Youssef, figura central da Lava Jato. Mas a exemplo de Lula, que teve seus processos anulados porque o STF decidiu que ele tinha sido julgado no lugar errado – Curitiba, em vez de São Paulo, segundo descobriu o ministro Fachin – a Queiroz Galvão se safou porque o STJ decidiu que seu caso deveria ser julgado na Justiça Eleitoral, e não na Justiça Penal de Curitiba. Pronto: zera tudo. É óbvio que continuará havendo histórias assim.

A mensagem não poderia ser mais clara: seja lá qual for o governo, ou quem estiver na Presidência da República, contrate um time de advogados caros, separe uns bons milhões para os honorários (e outras despesas), e roube à vontade. Não tem a menor importância o fato de existir uma montanha de provas contra o ladrão. É só dizer à Justiça, depois da condenação, que você deveria ter sido processado na vara “A”, em vez da vara “B”, e correr para o abraço.

O melhor de tudo é que os militantes das instituições democráticas não acham absolutamente nada de errado com isso.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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