sexta-feira, 28 de maio de 2021

A PRIVATIZAÇÃO DOS CORREIOS DEVE SER URGENTE

 

Máquina pública
Por
Luan Sperandio, especial para a Gazeta do Povo

Guilherme Campos (PSD), ex-presidente dos Correios, admitiu que para acabar com a politização da empresa seria necessária sua privatização.| Foto:

Em entrevista coletiva na noite de terça-feira (11), o Ministro da Economia Paulo Guedes apontou quais são as estatais que devem ser privatizadas em breve, entre elas os Correios. Apesar da saída de Salim Mattar, Secretário de Desestatização, a agenda de privatizações anunciada por Guedes em julho continua. Além dos Correios, o governo pretende privatizar ainda a Eletrobras, a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) e a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Docas de Santos).

Em levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas, contando com as empresas de estados e municípios o número de estatais brasileiras passa de 400, empregando cerca de 800 mil pessoas. O país, sozinho, tem mais estatais do que a soma de dez países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) — um grupo composto por economias desenvolvidas. Atualmente, 130 pertencem à União e, portanto, podem ser alvo de programas de desestatização do governo federal.

Como é inerente às estatais, que operam sem ter de sujeitar ao sistema de lucros e prejuízos, falta um sistema de incentivos adequado, que estimule a produtividade. Por exemplo, entre 2012 e 2016, elas tiveram receitas de R$ 89 bilhões e despesas de R$ 122 bilhões. Isso significa que houve um prejuízo da ordem de 33 bilhões de reais, que foram arcados com dinheiro do Tesouro Nacional.

Os Correios se destacam como uma das piores entre todas as estatais. Selecionamos quatro motivos pelos quais o governo deveria privatizar a empresa o mais breve possível.

  1. Escândalos de corrupção
    Os Correios protagonizaram diversos escândalos de corrupção na última década e meia. O próprio Mensalão foi descoberto em decorrência da estatal, a partir de um vídeo que mostrava um ex-funcionário dos Correios negociando propina com um empresário e mencionando o aval do então deputado federal Roberto Jefferson. Foi o início de um processo que resultou na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar as denúncias, descobrindo-se posteriormente que se tratava de um esquema de compra de apoio parlamentar por parte do Partido dos Trabalhadores.

Outro caso ocorreu durante as eleições de 2014, em que os Correios distribuíram material de campanha de Dilma Rousseff sem registros de cobrança. Foram mais de 4,8 milhões de panfletos da petista distribuídos na Grande São Paulo e cidades do interior paulista.

Além disso, a Operação Mala Direta, deflagrada em 2016, verificou uma fraude de R$ 647 milhões em um esquema de envio de mercadorias de forma clandestina. A estrutura dos Correios era utilizada a fim de desviar valores para outras empresas prestadoras de serviço semelhante.

Outro escândalo, mais recente, ocorreu no Fundo de Pensões dos Correios, o Postalis, que registrou R$ 7 bilhões em prejuízos. Boa parte disso por causa de investimentos fraudulentos, negligentes e em desacordo com a própria política interna de investimentos do fundo. A orientação dos investimentos era política e ideológica, com aportes em bancos liquidados, empresas do grupo EBX, de Eike Batista, e até em títulos públicos da Argentina e Venezuela. Os casos são inúmeros.

Na visão do advogado Carlos Henrique Barbosa, mestre em Corrupção e Governança pela Universidade de Sussex, tantos escândalos dificultam até mesmo o processo de venda da empresa.

A Lei Anticorrupção faz com que possíveis investidores passem a levar em consideração também a possibilidade de corrupção na empresa. Isso porque a pessoa jurídica que está sendo adquirida será responsabilizada em caso de descobertas posteriores de esquemas de corrupção, independentemente se esses esquemas tenham acontecido antes da venda da estatal.

Isso significa que, em uma eventual venda, o valor tende a ser aquém do que seria possível — ou mesmo não aparecerão interessados diante dos riscos decorrentes da ausência completa de um mínimo sistema de compliance em uma estatal como os Correios.

“O passivo — medo de se comprar os Correios — é enorme: em virtude de tantos escândalos em que a empresa se envolveu, nenhum investidor sério vai se interessar em comprar”, alerta Barbosa.

  1. Ingerência Política
    A influência política nos Correios é muito alta. Levantamento da revista Exame feito em 2016 demonstrou que todos os 25 cargos de direção da empresa eram ocupadas, à época, por indicados políticos. Todas as 8 vice-presidências eram ocupadas por apadrinhados do PDT, PSD, PTB e MDB, sendo considerada “a mais politizada de todas as estatais”.

O então presidente da empresa, Guilherme Campos (PSD), admitiu que para acabar com a politização da empresa seria necessária sua privatização. O governo Temer cogitou a venda, mas acabou por não levar a ideia à frente. Além disso, há na empresa cerca de 700 cargos reservados apenas para sindicalistas, que exercem lobby para a manutenção da empresa no seio do Estado.

Barbosa afirma que há entraves políticos para despolitizar os Correios: “Como já há muita gente influenciando na empresa, é muito difícil os políticos abrirem mão dessa esfera de influência. Todos os partidos, ou boa parte de partidos grandes, dominam os Correios, e é preciso o apoio deles para conseguir a aprovação de uma privatização dessas”.

Ele afirma ainda que a privatização pode ser o primeiro passo para diminuir a ingerência política, mas que é essencial haver uma abertura no mercado de correspondências para que não se estabeleça um monopólio privado.

Para melhorar a gestão e reduzir a ingerência política nas estatais, foi criada em 2016 a chamada Lei das Estatais, com regras específicas para nomeação de diretores, membros do conselho e um rígido programa de regras de conduta. Barbosa elogia a legislação, mas alerta sobre o período necessário para que ela possa gerar efeitos positivos:

“A Lei das Estatais evidenciou a necessidade de gestão, separando-a de política pública: por muito tempo o discurso foi de que essas empresas estatais existiam para fazer uma série de políticas públicas, e não com uma questão de produzir bons serviços e ter lucro. A partir do momento da edição desta lei, cuja mensagem é de que é preciso gestão empresarial e integrantes com capacidade técnica, parou-se de enxergar estatais como fomentadora de políticas públicas e passasse a vê-la como um objeto a perseguir o lucro, que é a função de qualquer atividade empresarial. Então há a despolitização deste sentido. A aplicação rigorosa da legislação pode ajudar a limpar a empresa. Todavia, a aplicabilidade de qualquer regime de compliance leva tempo, em média ao menos 2 ciclos.”

  1. Ineficiência
    Entre as justificativas comuns feitas por quem se opõe à quebra de monopólio da empresa, consta a de que algumas áreas mais afastadas e que possuem menor demanda não despertariam interesse da iniciativa privada, sendo estratégico manter a prestação do serviço postal sob controle da Administração Pública.

No entanto, do ponto de vista da universalização do serviço — que deveria ser o objetivo —, a concessão do monopólio aos Correios pode ter resultado no exato oposto: ele restringe a universalização ao sufocar qualquer forma de concorrência.

Gesner Oliveira, da Fundação Getúlio Vargas, calcula que a falta de competição dos Correios custa R$ 766 milhões por ano aos consumidores: é o custo de oportunidade do monopólio legal, que vigora desde 1978 no Brasil. Ele estabelece a exclusividade no território nacional da União pelo recebimento, transporte, entrega e expedição de cartas.

Os resultados práticos e a crise enfrentada pela empresa trazem questionamentos acerca de seu modelo de negócios. Além das frequentes greves com pedidos de reajustes salariais, os atrasos e perdas de itens são rotineiros. Em apenas seis anos, a quantidade de indenizações pagas pela estatal por atrasos, extravios e roubos aumentou 1.054%, chegando a um prejuízo de R$ 201,7 milhões somente com perdas de encomendas em 2016.

A cada sete minutos, em média, uma remessa é roubada ou furtada de veículos ou de funcionários dos Correios no Rio de Janeiro. De janeiro a outubro de 2017, 62.577 casos foram registrados no território fluminense.

Tudo isso custa muito não apenas à União, mas aos consumidores, sendo que boa parte deles são empresas que dependem da companhia para entregar e/ou receber seus produtos.

A economista Elena Landau, conhecida por coordenar o processo de privatizações do Governo Fernando Henrique Cardoso, manifesta preocupação em caso de estabelecimento de um monopólio privado: “Não se pode sair do monopólio estatal para se criar um monopólio privado, pois ambos são ruins. O processo de venda de uma estatal cria a possibilidade de redesenhar a atuação da empresa, e isso precisa ser feito: além de privatizar, garantir a concorrência”.

Ela chama atenção também para o fato de que a pressão popular é menor quando quem presta o serviço é o poder público: “Quando o serviço é exercido pelo Estado, há uma maior complacência do público, quase como se não fosse um problema o serviço ser mal prestado. Talvez seja por causa da cultura patrimonialista do brasileiro. Mas, quando se passa para o setor privado, há uma cobrança maior, além de competição, porque se criam maiores canais de reclamação, como houve no setor das telecomunicações”.

Apenas entre 2012 e 2016, foram registrados R$ 4,4 bilhões em prejuízo na estatal. De 2000 a 2016, os Correios conseguiram fechar as contas anuais com lucro em somente 5 oportunidades. Isso mesmo diante do fato de que parte do portfólio de serviços prestados pela estatal detém monopólio legal.

Diante do dramático quadro da empresa, diversas medidas foram tomadas, como o fechamento de mais de 500 agências pelo país, entre as mais de 6 mil existentes. Houve ainda a demissão de 5 mil funcionários, entre os mais de 100 mil empregados pela empresa. Vale salientar que os Correios são a maior empregadora do país.

Em virtude dos prejuízos acumulados, também foi estipulada uma nova taxa para as encomendas internacionais, equivalente a R$ 15. Esse valor se dá independentemente de peso, tamanho ou quaisquer outras características do pedido, sendo cobrado em todos os produtos. Estima-se que, com a medida, a estatal fature mais R$ 90 milhões mensais, já que diariamente recebe entre 100 e 300 mil encomendas internacionais por dia. Isto é, mais de 1 bilhão de reais por ano. Diante da nova taxa, o PROCON do Rio de Janeiro abriu um inquérito para investigar um possível abuso por parte da empresa pública.

Não há quaisquer justificativas para tamanha arbitrariedade, exceto pelo fato de que os Correios podem aplicar esta medida. E elas continuarão acontecendo enquanto boa parte dos brasileiros se recusarem a apoiar a privatização dos Correios, bem como a completa desestatização e abertura deste mercado.

Landau rebate as afirmações de quem defende que a empresa não deveria ser vendida, já que registrou lucro em 2017: “É preciso olhar para o longo prazo. Com passivos trabalhistas e rombos no fundo de pensão, além da necessidade de se reinventar para competir no mundo moderno e em outras áreas que não possui monopólio legal, a operação dos Correios tende a ser inviável”.

  1. A tendência mundial é a da quebra de monopólio
    A despeito da crítica à privatização dos Correios se dever à suposta incapacidade do setor privado de atuar em áreas de baixo retorno financeiro, essa dificuldade não impediu que 56 países integrantes da União Postal Universal — composta por 192 países — quebrassem o monopólio, ainda existente no Brasil. Destes, há 18 países que possuem uma estatal de capital misto ou mercado totalmente privado.

Em alguns países europeus, criou-se um fundo que compensa as perdas nas regiões menos rentáveis. Outra saída seria uma abertura gradual no mercado, atraindo competição aos poucos.

Um exemplo foi o do serviço postal alemão, privatizado em 1995. Ele se reinventou por meio da prestação de outros serviços, como financeiros, parcerias, lojas de conveniência e etc. No ano de 2002, o Deutsche Post adquiriu a DHL e hoje atua em cerca de 200 países. O monopólio do envio de cartas de até 50g, o único que ainda perdurava, acabou em 2007.

Já a estatal do setor que havia em Portugal, a Correios, Telégrafos e Telefones (CTT), também foi privatizada em 2014.

A intenção nesses casos foi a busca tanto da geração de caixa quanto da maximização da eficiência na prestação do serviço. Isto é: a privatização do setor buscou melhorar a qualidade dos serviços e evitar preços excessivos. É um processo que deve começar a ser observado e perseguido no Brasil.

Privatização enfrenta resistência interna
Em entrevista à Revista Veja, Salim Mattar afirmou estar frustrado com a resistência interna encontrada por integrantes do próprio governo para que seja possível às privatizações.

O Ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, por exemplo, é uma das vozes contrárias à privatização: ele não quer a venda de nenhuma das empresas sob sua influência. Entre elas, constam os Correios, em que ele defende cautela.

“É uma decisão importante que afeta dezenas de milhares de famílias e precisa ser feita de forma responsável e lógica, sem precipitação”, afirmou ao Estadão.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, também manifestou oposição à ideia de privatizar a empresa: “por enquanto, não”, respondeu, ao ser questionado a respeito em um evento em comemoração aos 365 anos da empresa.

Finalmente à venda
O governo deve anunciar nesta quarta-feira (21) a privatização de 17 empresas estatais. Foi o que disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, na noite de terça (20), sem dar mais detalhes. “E nós achamos que vamos surpreender. Tem gente grande aí que acha que não será privatizado e vai entrar na faca”, afirmou. E “ano que vem tem mais”, acrescentou.

O site Poder360 divulgou uma lista de quais seriam as 17 companhias privatizadas: Emgea, ABGF, Serpro, Dataprev, Casa da Moeda, Ceagesp, Ceasaminas, CBTU, Trensurb, Codesa, EBC, Ceitec, Telebras, Correios, Eletrobras, Lotex, Codesp.

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BOLSONARO CRITICA A CPI DA COVID E PEDE PARA ACABAR

 

  1. Política 

Presidente manda comissão ‘plantar batata’ e diz que ali tem senador ‘saltitante’

Daniel Galvão, Pedro Caramuru e Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA E SÃO PAULO – O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quinta-feira, 27, o presidente do CPI da CovidOmar Aziz (PSD-AM), e pediu “pelo amor de Deus” que ele encerre logo os trabalhos da comissão. “Vai plantar batata, ô CPI!”, reclamou Bolsonaro. Em transmissão ao vivo pelas redes sociais, desta vez de Matucará (AM), o presidente também atacou Aziz pela apresentação de um projeto de lei que tipificava como crime a prescrição de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais, sem comprovação científica.

“Ou seja, aquilo que eu mostrei para a ema (cloroquina), se um médico prescrevesse aquilo para mim (seria condenado a) três anos de cadeia”, afirmou o presidente, lembrando o episódio no qual apareceu com uma caixa de cloroquina diante das emas que ficam no jardim do Palácio da Alvorada.

Bolsonaro disse que o projeto de Aziz não era apenas destinado aos médicos, mas tinha o objetivo de atingi-lo. “Se eu voltasse a mostrar aquilo (cloroquina) para a ema, eu pegaria três anos de cadeia. Parabéns, Aziz! Que vergonha, hein?”, ironizou. “Pelo amor de Deus, encerra logo essa CPI e vem aqui fazer outra coisa. Ficar no Senado? Pelo amor de Deus…”

Bolsonaro
Jair Bolsonaro, presidente da República Foto: Evaristo Sá/ AFP

O presidente afirmou que 30 minutos após ter criticado a proposta nas redes sociais, Aziz a retirou. “Esse é o presidente da CPI”, desdenhou Bolsonaro ao dizer que, se o projeto fosse aprovado, vetaria. “Omar Aziz, não quero entrar em detalhes sobre como era a saúde do seu Estado quando você era governador”, provocou.

Ao criticar a CPI, criada para investigar ações e omissões do governo no combate à pandemia, Bolsonaro defendeu a convocação do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. “Por que não convocam o Malafaia? É uma das pessoas com quem eu mais converso. Estão com medo dele? Ou dos evangélicos?, perguntou o presidente.

Aziz se negou a pôr em votação um requerimento do senador Marcos Rogério (DEM-RO), vice-líder do governo, que pretendia convidar Malafaia a depor. “Vem com papinho (que não dá para convocar) porque é um assessor espiritual. Ah, vai plantar batata, ô CPI, vai plantar batata!”, esbravejou. “Ele fala sobre muita coisa comigo”.

Saltitante

Logo em seguida, Bolsonaro disse ter visto um senador “saltitante” na CPI querendo convocá-lo. “Ô, saltitante, ‘tá’ de brincadeira, né? Não tem o que fazer não, ô, saltitante?”. Apesar de não citar o nome do parlamentar, mas, sim, o seu Estado (Amapá), a ironia tinha endereço certo: quem protocolou pedido para convocar Bolsonaro foi o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O requerimento, porém, não chegou a ser votado.

Na live transmitida diretamente de Matucará, Bolsonaro afirmou ter encontrado índios no Amazonas que “detestam” o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e outros que gostam.

“Fico do lado daquele pessoal que não é muito chegado em ICMBio para deixar bem claro”, disse ele, que exibia adereços indígenas no braço. “Nós devemos redirecionar esse instituto para aquilo que os índios querem de verdade. A gente sente na região que algumas comunidades sofrem uma influência, uma verdadeira massificação por parte de ‘brancos’, vamos assim dizer, e por parte de instituições”.

Bolsonaro visitou a região nesta quinta-feira (27) e vai pernoitar em Santa Isabel do Rio Negro (AM), só retornando a Brasília na sexta. Ele relatou que, em uma das comunidades, alguns índios contraíram coronavírus e se curaram. “Eu perguntei: ‘Foi antes da vacina?’. (E eles responderam que) foi antes da vacina. Eles já foram vacinados também. E não morreram por que, né?”, questionou o presidente. “Pessoal, anota aí: segundo eles, os tais índios tomaram chá de carapanaúba, saracura ou jambu”.

O presidente disse também ter visitado outra comunidade indígena na qual três pessoas morreram em decorrência de covid. Irônico, afirmou que, como o tratamento com chá não tem comprovação científica, a CPI poderia convidar índios para prestar depoimento. “E levar, quem sabe, o chá”. / Colaborou Rafael Beppu

FRANQUIA OU LICENCIAMENTO DE MARCAS

 

Licenciar marcas não significa que seja mais fácil nem mais livre de normas e cuidados que uma franquia; veja comparação de especialista em franchising

Ana Vecchi – Jornal Estadão

Essas perguntas do título continuam povoando as mentes de quem pensa em empreender, mas não sabe qual o melhor modelo de negócio para si. Soa estranho comparar sistemas contratuais a canais de vendas, mas tais questões chegam diariamente. O desconhecimento do caminho a seguir e o que envolve esta escolha dói.

Vamos aos modelos de negócio, contratos e o que cabe ao empreendedor.

Os três pilares do licenciamento são marcas, fabricantes e varejo. Licenciamento de marcas, produtos e personagens favorece o licenciador permitir o licenciado a fazer o uso da marca, registrada no INPI, e comercializar produtos e serviços em redes de varejo.

Envolve questões técnicas, contratuais e, no que compete personagens, a renovação de estoque conforme novo modelo, o licenciado deve acompanhar sempre. Caso contrário, infringe normas de contrato e perde o valor perante os clientes que não encontram a última versão anunciada.

Franquia

A Lei nº 13.966, de 26 de dezembro de 2019, disciplina o sistema de franquia empresarial, pelo qual um franqueador autoriza, por meio de contrato, um franqueado a usar marcas e outros objetos de propriedade intelectual. Isso se dá sempre associado ao direito de produção ou distribuição exclusiva, ou não exclusiva, de produtos ou serviços e também ao direito de uso de métodos e sistemas de implantação e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvido ou detido pelo franqueador.

Por fim, o processo é feito mediante remuneração direta ou indireta, sem caracterizar relação de consumo ou vínculo empregatício em relação ao franqueado ou a seus empregados, ainda que durante o período de treinamento.

Em ambos os modelos de negócios acima, existe a remuneração por meio de royalties, pelo uso da marca, comercialização de produtos e/ou serviços autorizados e, complementando no franchising, pela implantação e uso do modelo de gestão completa e sistema operacional do negócio. Ou seja, há uma transferência do know how de como tocar este negócio, como um todo. Um franqueado adquire o direito de operacionalizar um negócio, embasado no domínio de gestão e operação do mesmo, desenvolvido pelo franqueador.

Franquear uma marca é também confiar no know how do franqueador. Foto: Pixabay

Daí sempre surgem questões como essa:

“Ana, estou em dúvida entre montar uma franquia ou montar um e-commerce e não tenho ideia de qual dos dois é melhor para mim”

E-commerce é o comércio eletrônico para vendas pela internet, de uma única empresa – fabricante ou revendedor, por meio de uma plataforma virtual própria. A loja virtual é uma parte do e-commerce. E posso estender o assunto ao marketplace que oferece uma plataforma comum para que várias empresas vendam seus produtos, onde toda uma estrutura já está pronta, cabendo ao empreendedor fazer um cadastro e catalogar produtos.

Sendo assim, franquia e licença são modelos de negócios que podem se utilizar de e-commerce, marketplaces e/ou lojas físicas para venderem seus produtos diretamente aos consumidores finais.

Escolher ser franqueado pode caber a quem precisa do know how de um franqueador e sente-se mais seguro com esta proposta. Porém, a sua parte é pôr em prática as regras e orientações pré-definidas. Franqueadores ensinam a pescar.

O licenciado foca mais na marca e na comercialização dos produtos, seguindo regras também, mas o sistema de gestão e operação do negócio é, geralmente, por sua conta e risco. Não significa que é mais fácil nem mais livre de normas e cuidados.

Há modelos de negócios para todos os perfis, capital disponível e conforme expectativas e momento de vida, cabe uma escolha e outra depois, como um processo empreendedor evolutivo. E não de arrependimento, preferencialmente.

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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MARKETING DIGITAL VERSUS MARKETING TRADICIONAL

 

Site On Criações

Muitas pequenas empresas lutam em decidir que tipo de marketing farão, porque o seu orçamento só suprirá um ou outro, não ambos.

As decisões que devem ser tomadas não são fáceis: qual método de marketing vai me dar melhor resultado para o meu dinheiro? Como posso saber se meu marketing está funcionando? Quem devo confiar no meu marketing? Devo fazer isso sozinho?

Para esclarecer os termos, o uso de anúncios impressos em jornais e revistas é um exemplo simples de marketing tradicional. Outros exemplos incluem panfletos que são colocados em caixas de correio, comerciais tanto na TV e rádio e outdoors.

Por outro lado, quando uma empresa investe na construção de um site, SEO, ou na publicidade da marca através de diferentes mídias sociais como Facebook, Twitter e YouTube e Marketplaces,  essas estratégias são marketing digital.

Benefícios do Marketing Tradicional

Você pode facilmente alcançar seu público-alvo local. Por exemplo, um anúncio de rádio pode passar na sua cidade ou região. Ou os folhetos da caixa postal serão enviados para as pessoas certas. Ou se for o caso, para todos os moradores da região.

Os materiais podem ser mantidos. A audiência pode ter uma cópia impressa de materiais de que eles podem ler ou navegar através de uma e outra vez. É fácil de entender. Ele pode ser facilmente compreendido pela maioria das pessoas porque eles já estão expostos a esse tipo de estratégia.

A neurociência parece apoiar os benefícios do marketing de cópia impressa. Um estudo patrocinado pela Canada Post e realizado pela empresa canadense de neuromarketing TrueImpact comparou os efeitos do marketing de papel (mala direta, neste caso) com mídia digital (email e anúncios gráficos).

As tecnologias utilizadas neste estudo foram rastreamento de olho e medição de onda cerebral EEG de alta resolução. As três principais métricas avaliadas no estudo foram: carga cognitiva (facilidade de compreensão), motivação (persuasão) e atenção (quanto tempo os sujeitos analisaram o conteúdo).

Mala direta foi mais fácil de processar mentalmente e melhor desempenho no recall da marca (conexão de marca com produto). De acordo com o relatório:

Mala direta exige um esforço cognitivo de menos 21% do que a mídia digital (5,15 vs. 6,37), sugerindo que é mais fácil de entender e mais memorável.

Os testes de memória pós-exposição validaram o que o teste de carga cognitiva revelou sobre as capacidades de codificação de memória da mala direta.

Quando solicitado a citar a marca de um anúncio que eles acabavam de assistir, o recall foi 70% maior entre os participantes que foram expostos a uma mala direta (75%) enquanto o anúncio digital (44%).

A desvantagem do marketing tradicional

Há pouca interação entre o meio utilizado e os clientes. É mais para fornecer informações ao público que a marca existe com a esperança de que essas pessoas reconheçam a marca.

Os anúncios impressos ou de rádio podem ser muito onerosos. Os materiais de impressão podem ser caros e você precisa contratar pessoas para distribuí-los.

Os resultados desta estratégia de marketing não podem ser facilmente medidos. A campanha foi bem-sucedida?

Os benefícios do marketing digital

Você pode segmentar um público local, mas também um público internacional. Além disso, você pode personalizar uma campanha para determinados públicos demográficos, como sexo, localização, idade e interesses. Isso significa que sua campanha será mais eficaz.

Seu público pode escolher como eles querem receber seu conteúdo. Enquanto uma pessoa gosta de ler uma postagem no blog, outra pessoa gosta de assistir a um vídeo do YouTube. O marketing tradicional não dá ao público uma escolha.

A maioria das pessoas odeiam receber panfletos de vendas em sua caixa de correio ou telefonemas em momentos inconvenientes em coisas que eles têm pouco interesse.

Online as pessoas têm a escolha de optar em entrar ou sair das comunicações e muitas vezes é relevante porque eles foram os que procuram por ele anteriormente. Não subestime o poder de segmentação de mercado e marketing sob medida.

A interação com seu público é possível com o uso de redes de mídia social. Na verdade, a interação é encorajada, enquanto nos métodos de marketing tradicionais não são permitidos a interação do público.

Você pode incentivar seus prospects, clientes e seguidores a interagir, visitar seu site, ler sobre seus produtos e serviços, avaliá-los, comprá-los e fornecer o feedback que é visível a seu mercado.

O marketing digital é altamente eficiente em custos. Mesmo quando se investe em anúncios pagos online (PPC); já que o custo ainda é mais barato em comparação com o marketing tradicional e os resultados são ainda melhores quando se investe adequadamente em otimização SEO de sites.

Dados e resultados são facilmente registrados. Com o Google Analytics e as ferramentas de insights oferecidas pela maioria dos canais de mídia social, você pode verificar suas campanhas a qualquer momento.

Ao contrário dos métodos de marketing tradicionais, você pode ver em tempo real o que está, ou não está funcionando para o seu negócio on-line e você pode se adaptar muito rapidamente para melhorar seus resultados.

Campo de atuação: qualquer empresa pode competir com qualquer concorrente, independentemente do tamanho, com uma sólida estratégia de marketing digital.

Tradicionalmente, um varejista menor lutava para igualar a sutileza nos detalhes de seus concorrentes maiores. Online, um nítido e bem pensado site, proporcionava uma boa experiência para o cliente, além de um serviço fantástico, isso é o que importa e não o tamanho.

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FALA DO PAPA E BARRACO NA CPI

 

“Muita cachaça”

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

This photo taken and handout on March 24, 2021 by the Vatican media shows Pope Francis holding a live streamed weekly private audience in the library of the apostolic palace in The Vatican, during the Covid-19 coronavirus pandemic. (Photo by Handout / VATICAN MEDIA / AFP) / RESTRICTED TO EDITORIAL USE – MANDATORY CREDIT “AFP PHOTO /VATICAN MEDIA / HANDOUT ” – NO MARKETING – NO ADVERTISING CAMPAIGNS – DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS

Papa brincou com um padre que pediu uma mensagem aos brasileiros: não tem salvação, é muita cachaça e pouca oração, disse Francisco| Foto: Divulgação/Imprensa do Vaticano/AFP

Vocês viram a brincadeira do papa em relação ao Brasil? Ele foi abordado por um padre brasileiro, no Vaticano, e pediu a Francisco uma mensagem ao nosso povo. E o papa disse que o Brasil não tem salvação, “é muita cachaça e pouca oração”.

Francisco sabia que estava sendo gravado e mostrou o seu lado argentino brincalhão. Eu não sei se ele estava pensando em algum político brasileiro. Eu achei a brincadeira de mau gosto, mas do papa a gente aceita.

Irmã de Bolsonaro curada
A irmã do presidente Jair Bolsonaro, que mora em Registro (SP), teve Covid-19 e ficou hospitalizada por uma semana. Ela já está curada e provavelmente deve ter sido bem tratada, apesar de não ter ido nem ao Hospital Albert Einstein e nem no Hospital Sírio Libanes. Foi lá no hospital da cidade dela mesmo.

STF livra Toffoli de investigação
O STF não aceitou a delação premiada do ex-governador Sérgio Cabral em que ele afirma que o ex-presidente da Corte Dias Toffoli recebeu dinheiro em troca de sentenças no Tribunal Superior Eleitoral. A votação está em 7 a 4, portanto, já tem maioria.

O acordo que a Polícia Federal fez com o ex-governador não é válido. Uma delação que já havia sido homologada por Edson Fachin, mas talvez ele não tivesse lido o conteúdo.

Sem aval da Anvisa, não tem vacina
Os senadores estavam discutindo, durante a sessão da CPI da Covid, que o Instituto Butantan ofereceu a compra de vacinas em 2020 e que as vacinas poderiam ter sido entregues em novembro, mas segundo o presidente do Butantan, Dimas Covas, não houve interesse do governo federal.

Mas o senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS), com somente uma fala, colocou tudo no lugar. Ele disse que o Butantan entrou com as primeiras consultas na Anvisa no dia 30 de novembro de 2020 e o pedido de uso emergencial só foi enviado no dia 8 de janeiro deste ano, tendo sido aprovado só no dia 17 de janeiro. Portanto, a vacina só passou a existir enquanto medicamento aprovado pela Anvisa em janeiro. Não haveria vacina em 2020.

Ainda deu boas notícias a quem assistia à comissão. Segundo ele, 16 laboratórios brasileiros estão se adaptando para produzir as vacinas contra o coronavírus nos próximos anos.

Mas tudo bem porque o governo já comprou mais de 600 milhões de doses dos imunizantes que chegarão até o final do ano. É bom que tenha laboratório capaz de produzir nos próximos anos porque será necessário vacinar a população nas próximas campanhas já que o vírus não irá desaparecer.

De médico para paciente
Um ponto divertido da sessão da CPI foi quando o senador Marcos do Val (Podemos-ES) afirmou que quando testou positivo para coronavírus, em maio do ano passado, o colega dele, senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico, recomendou o uso de hidroxicloroquina e ele usou o medicamento. Mas hoje Otto Alencar combate o uso e questiona a eficácia do remédio.

“Contenha a sanha”
O presidente do Butantan, Dimas Covas, foi tratado como uma dama durante o depoimento na CPI, o que não aconteceu com a secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiros. Os senadores decidiram ser civilizados com ele.

O único barraco do dia foi quando Omar Aziz (PSD-AM) interrompeu, novamente, uma pergunta do senador Marcos Rogério (DEM-RO) ao que ele retrucou com “contenha a sanha de vossa excelência um pouquinho”.

Aziz, talvez sem conhecer o significado da palavra, retrucou com um “quem tem sanha é a tua mãe”. Marcos Rogério pediu que Aziz tivesse compostura enquanto presidente da Comissão.
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JARARACA LULA QUER PASSAR IMAGEM DE CENTRO QUE NUNCA FOI

Encontro de ex-presidente

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo

FHC e Lula almoçaram juntos na casa do ex-ministro Nelson Jobim.| Foto: Reprodução/ Twitter

Parece que está se tornando um hábito, quando a campanha eleitoral chega mais perto. Tempos atrás, necessitado de uma imagem de “homem de centro” (ele sempre está atrás de uma imagem de “homem de centro”), o ex-presidente Lula fez o impensável: foi à casa do ex-governador paulista Paulo Maluf e ali, na frente de testemunhas e do seu então candidato à prefeitura, praticou o beija-mão completo do monstro mais horrível que o PT e a esquerda brasileira tinham criado na época. Lula apertou a mão de Maluf, deu abraço, tirou foto, como se não tivesse passado anos a fio dizendo sobre o novo amigo as piores coisas que alguém poderia dizer a um adversário.

Lula repete a dose agora, mas com Fernando Henrique. O petista é candidato de novo à presidência da República, e seu instinto, mais as lembranças das lições de marketing que teve no passado, o conduzem a vender outra vez a imagem de político “moderado”. Quem melhor que Fernando Henrique, nesse mundinho da elite, para lhe dar uma certidão de centrista, civilizado e bondoso para todos os que estão com a vida ganha? Lá se foi Lula, então, apertar a mão, trocar altas ideias e aparecer na foto com um dos políticos brasileiros que mais desprezou, insultou e cuspiu em cima durante toda a sua carreira. Levou, até mesmo, a promessa de que FHC vai votar nele no segundo turno.

Ficou tudo extremamente barato para Lula. Não foi preciso, para embarcar FHC no seu bonde, retirar uma única sílaba da ofensa mais perversa que fez ao novo aliado — a de que recebeu dele uma “herança maldita”, na passagem da presidência em 2002. Também não há informação de que tenha feito qualquer reparo à principal palavra e ordem do PT durante o governo do ex-inimigo: “Fora FHC”. Foram esquecidos, na mesma balada, as sucessivas exigências de impeachment feitas contra ele, sua demonização como líder da “direita” brasileira e mais do mesmo.

Se o próprio FHC engole tudo isso quieto e declara o seu apoio público a Lula, o que se pode fazer? Fernando Henrique está dizendo — quando se deixa de lado o discursório marca barbante que acompanha a explicação dessas “estratégias” — o seguinte: vai votar para presidente da República num político condenado legalmente como ladrão pela Justiça brasileira, em terceira e última instância, e pelas sentenças de nove magistrados diferentes. É isso, em português claro; o resto é conversa. Obviamente, quando as coisas ficam assim, o melhor é não perguntar nada.
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BOLSONARO QUER SUSPENDER MEDIDAS RESTRITIVAS IMPOSTAS PLEO STF PARA ALGUNS ESTADOS

 


Por Gazeta do Povo

O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia para o anúncio de investimentos para o Programa Águas Brasileiras.

O presidente Jair Bolsonaro entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender as medidas restritivas contra a Covid-19 adotadas recentemente nos estados do Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Norte.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender as medidas restritivas contra a Covid-19 adotadas recentemente nos estados do Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Norte. No processo, apresentado por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), o presidente afirma que o toque de recolher foi unilateralmente imposto por alguns Estados. “O intuito da ação é garantir a coexistência de direitos e garantias fundamentais do cidadão, como as liberdades de ir e vir, os direitos ao trabalho e à subsistência, em conjunto com os direitos à vida e à saúde de todo cidadão, mediante a aplicação dos princípios constitucionais da legalidade, da proporcionalidade, da democracia e do Estado de Direito.”, diz a AGU em nota.

Segundo o órgão, a ação de Bolsonaro não questiona decisões anteriores do STF, mas considera que algumas dessas medidas adotadas “não se compatibilizam com preceitos constitucionais inafastáveis, como a necessidade de supervisão parlamentar, a impossibilidade de supressão de outros direitos fundamentais igualmente protegidos pela Constituição e a demonstração concreta e motivada de que tais medidas atendem ao princípio da proporcionalidade”.

“A iniciativa presidencial defende que a necessária proteção à saúde deve ser conjugada com a proteção mínima das demais liberdades fundamentais e, ainda, deve considerar os devastadores efeitos que medidas extremas e prolongadas trazem para a subsistência das pessoas, para a educação, para as relações familiares e sociais, e para a própria saúde – física e emocional – da população, especialmente a mais vulnerável, conforme demonstram publicações científicas que acompanham a petição inicial.”, diz a AGU.
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O LUCRO DOS CORREIOS É FICTÍCIO

 

Imunidade tributária
Por
Luan Sperandio, especial para a Gazeta do Povo

Brasília – Funcionários dos Corrreios entram em greve em todo o país (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Correios: isenção de impostos gera distorção na competitividade da estatal| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Impulsionado pelo aumento do e-commerce em ano de pandemia, os Correios reportaram lucro de R$ 1,53 bilhão em 2020 ao Ministério da Economia. Isso fez com que a velha narrativa de que uma estatal lucrativa não precisa ser privatizada voltasse a circular a fim de se opor ao processo de desestatização da empresa. Contudo há um detalhe negligenciado chamado imunidade tributária, que supera todo o lucro líquido da estatal no ano.

A questão é muito mais complexa do que parece, e pode ter, inclusive, efeitos sobre o processo de privatização dos Correios.

Em 2013 o Supremo Tribunal Federal decidiu que os serviços prestados pelos Correios, inclusive aqueles em que a empresa não age em regime de monopólio, estão abrangidos pela imunidade tributária recíproca. Em 2014, também foi decidido que “não incide o ICMS sobre o serviço de transporte de encomendas” e que o privilégio tributário também inclui o IPTU sobre imóveis de sua propriedade e por ela utilizados.

Na prática, isso significa que a estatal não precisa recolher nenhum imposto relacionado à prestação de seus serviços, incluindo os que não fazem parte de sua atividade-fim — a entrega de cartas.

O advogado societário e tributarista Marcelo Mendonça, do Mendonça & Machado Advogados, explica que, para existir um tributo, é preciso haver um ato que gere o pagamento do tributo, isto é, o fato gerador.

“O fato gerador para se pagar IPTU, por exemplo, é ser proprietário de um imóvel, por exemplo. Mas no caso da imunidade tributária, trata-se de um ato jurídico que ‘mata’ a ocorrência deste fato, isto é, o fato gerador simplesmente não ocorre nesses casos”, explica.

“A razão para os Correios terem imunidade tributária é garantir o acesso a toda a população brasileira daquele serviço. Os entendimentos dos julgados do STF não discutiram apenas a extensão desta imunidade, isto é, se ela se aplica exclusivamente para a questão postal”, diz. “No caso, o entendimento do Ministro Dias Toffoli prevaleceu, e a imunidade passou a ser extensiva a todos os atos dos Correios porque entendeu-se que se trata de uma instituição importante para a disseminação da cultura de comunicação”, complementa.

Isso gera uma economia à estatal da ordem anual de R$ 1,6 bilhão, um valor que supera todo o lucro líquido reportado em 2020. Embora haja discussão tanto no Executivo quanto no Legislativo a respeito da privatização da empresa, não há qualquer discussão de mudança em relação à imunidade tributária dos Correios.

Na prática, diante da liberação dos encargos tributários, há diminuição do risco da atividade empresarial, com uma das consequências possíveis de disfarçar eventuais ineficiências da estatal.

Se não houvesse imunidade tributária total, a tendência é que os preços dos produtos ofertados fossem diferentes, o que também poderia afetar a demanda e o próprio resultado da empresa.

Consequências da imunidade tributária
O consultor político Matheus Schilling analisa que há diversos incentivos perversos da chamada “autarquização das estatais”, criada pelas decisões do STF e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

“Na prática, isso estimula um processo menos rigoroso na tomada de decisão a respeito da criação de agências, que, consequentemente, pode acabar por criar agências em cidades pequenas, sem qualquer perspectiva de retorno financeiro, nem entrega relevante para a sociedade”, critica.

“Cria-se até uma conveniente narrativa para que empresas públicas desvirtuem a própria atuação a fim de tentar se vincular à autarquias de olho em usufruir benefícios garantidos às estatais. Hoje os Correios já contam com a imunidade tributária total e a impenhorabilidade dos bens. Contudo, receio que a corte abrace interpretações extensivas e opte em algum momento por aumentar o leque de benefícios, como privilégios processuais que são garantidos à autarquias”, explica.

Os Correios detêm monopólio para a exploração dos serviços postais e de telegrama, mas diversas ações de seu portfólio estão abertas à concorrência, o que também é criticado por Schilling. “Com a imunidade, cria-se uma larga desvantagem competitiva, é injusto com as outras organizações empresariais que atuam no mesmo segmento”, critica.

Por fim, ele destaca o impacto arrecadatório para estados e municípios. “Em uma canetada do STF, esses entes federativos deixaram de arrecadar impostos onde achavam que iriam, em um momento em que a maioria dessas regiões vive grave crise fiscal”, conclui.

Privatização
O projeto de lei 591/21, que está tramitando na Câmara dos Deputados, autoriza a exploração de serviços postais pela iniciativa privada, e é considerada o ponto de partida legislativo para viabilizar a privatização dos Correios. Em entrevista à Gazeta do Povo, o relator da matéria, Gil Cutrim (Republicanos-MA), afirmou que os lucros recentes da estatal não devem dificultar o avanço da desestatização dos Correios. “O projeto tem tudo para avançar. Mesmo com a crescente dos lucros, acreditamos que a empresa pode melhorar em muito sua atuação no mercado nacional, recebendo investimentos e expandindo sua atuação, em benefício de toda sociedade”, afirmou.

A opinião foi corroborada por Cristiano Noronha, vice-presidente da consultoria política Arko Advice. “Não acredito que isso retire o peso do PL. A Eletrobras teve lucro de R$ 6,4 bilhões em 2020, por exemplo, e mesmo assim a MP [que viabiliza sua privatização] está avançando”, analisou.

Apesar do otimismo, não há previsão para a votação do projeto. “A prioridade é ouvir as entidades de classe, sociedade civil, setor produtivo, os servidores, funcionários dos Correios e os líderes partidários. Após essa fase, podemos falar em votação do mérito, pois já teremos coletado dados essenciais para a construção do relatório”, diz. Segundo o parlamentar, há expectativa de que o projeto seja votado nas duas casas ainda em 2021.

Ao reportar os resultados ao Ministério da Economia, o próprio presidente da estatal, Floriano Peixoto Vieira Neto afirmou que o desempenho ajuda na imagem institucional da empresa e a deixa “em condições bastante favoráveis no contexto dos estudos de desestatização que estão sendo conduzidos a seu respeito”.
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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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