domingo, 28 de fevereiro de 2021

BRASILEIROS IMIGRANTES NOS EUA PODEM SE BENEFICAR DE NOVA LEI DE IMIGRAÇÃO

 

Reforma de Biden pode beneficiar milhares de imigrantes brasileiros

Com proposta elaborada pelo presidente americano, maioria dos 11 milhões de indocumentados que vive nos EUA ganharia um caminho para cidadania; obtenção de visto de trabalho e de green card também poderia ser facilitada

Thaís Ferraz, Beatriz Bulla e João Paulo dos Santos, especial para o Estadão

Apresentada ao Congresso na semana passada, a ambiciosa proposta de reforma migratória do presidente Joe Biden pode beneficiar milhares de imigrantes brasileiros, legais ou indocumentados, que já estão nos EUA ou ainda pretendem ir. A nova legislação, chamada de “Ato de Cidadania dos EUA de 2021”, propõe um caminho de oito anos para a legalização de imigrantes que vivem no país.

A proposta também facilitaria a obtenção de green card e reduziria o caminho para a cidadania para os “dreamers”, como são chamados os imigrantes sem documentos que chegaram aos EUA ainda crianças, acompanhando os pais.

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Solicitante de asilo abraça voluntária de igreja ao chegar a Brownsville, no Texas; muitos imigrantes aguardavam no México para pode entrar Foto: John Moore/Getty Images/AFP

O governo americano estima que ao menos 11 milhões de pessoas vivam ilegalmente no país. Dados mais recentes do Pew Research Center indicam que, em 2017, pelo menos 160 mil brasileiros estavam ilegais. Gabriela Ribeiro, de 28 anos, chegou a Newark, em New Jersey, em 2019. Formada em administração, vendeu a empresa que tinha com o marido e viajou para os EUA. “Não viemos para cá pensando em ficar ilegalmente. Queríamos ficar seis meses, estender nosso visto por mais seis meses e ver como seria”, conta. Mas, uma vez no país, o casal avaliou que não era vantajoso voltar.

Moradores de uma “cidade-santuário”, onde a legislação local protege a comunidade de imigrantes ao bloquear o repasse de informações de agências locais ao ICE, o serviço de imigração federal, Gabriela e o marido levam uma vida normal, trabalham e pagam impostos. Ainda assim, ela vê uma mudança significativa. 

“Com Trump, não havia esperança de legalização, pois não existia nenhuma medida a ser votada que fosse a favor dos imigrantes. E era difícil conviver com isso, porque tenho família no Brasil que desejo muito rever”, conta. 

Embora os critérios de elegibilidade para o processo de legalização ainda não estejam claros, ela pretende se candidatar. “Desde que Biden assumiu a presidência, já venho me preparando para tentar a legalização assim que a reforma for aprovada”, diz. “Minha documentação está toda atualizada, as taxas estão em dia e já tenho uma reserva financeira para este fim, como me orientou um advogado de imigração.”

Heloísa Pereira, que também vive em New Jersey, tinha 42 anos quando foi demitida de um cargo administrativo na Fiat, em 2002, e se mudou para os EUA. “A única forma de me legalizar seria através de um casamento com um cidadão americano. Mas não aconteceu de eu me casar de verdade e não me caso se for de mentira. Em New Jersey, se paga US$ 20 mil por um casamento falso. Eu não tenho coragem de mentir para o juiz”, diz.

Em Newark, onde vive, e em Nova York, onde trabalha, ambas cidades-santuário, Heloísa diz que a rotina de imigrante indocumentada é como qualquer outra. Trabalha de baby-sitter de famílias ricas, paga impostos, tem crédito no banco e vai ao hospital quando precisa sem medo de deportação. 

A maior mudança que a legalização de status deve trazer será a chance de sair e entrar nos EUA livremente. Há 18 anos, desde que chegou, ela nunca mais voltou a Minas Gerais para visitar a família. “A legalização será nosso passaporte para a liberdade de ir e vir para outros países. Minha situação é privilegiada, porque tenho irmãs e sobrinhos que têm visto americano e podem me visitar. Mas a maioria dos imigrantes deixou filho, pai e mãe para trás, de famílias mais pobres, e não podem nunca mais ver a família. Para eles, é um desespero.” 

Desde que chegou, Heloísa disse já ter visto outros governos, como o do republicano George W. Bush, tentarem reformar o sistema de imigração e legalizar a vida dos imigrantes. Por isso, tem um otimismo moderado com a proposta de Biden. 

“Honestamente? Acredito que alguma coisa vai ser feita, mas a proposta é muito ambiciosa. É preciso de apoio no Congresso. Sei que ele tem de propor um plano bem ambicioso para aprovar algo menor, porque é assim a política. Mas acho difícil que seja uma anistia tão ampla quanto prometem.”

Se a reforma for aprovada, imigrantes na situação de Gabriela e Heloísa poderão receber um green card após cinco anos, se cumprirem alguns requisitos, como verificação de antecedentes. Após esta etapa, terão direito a solicitar a cidadania em três anos.

Beneficiários do Daca participam de evento no Congresso dos EUA para pedir a aprovação de lei para evitar a deportação de cerca de 800 mil jovens beneficiados pelo programa
Beneficiários do Daca participam de evento no Congresso dos EUA para pedir a aprovação de lei para evitar a deportação de cerca de 800 mil jovens beneficiados pelo programa Foto: EFE/SHAWN THEW

Imigrantes sob a proteção do Daca (Ação Adiada para Chegadas na Infância) também seriam beneficiados com a reforma. Implementado em 2012 pelo então presidente Barack Obama, o programa regulariza temporariamente imigrantes em situação ilegal que chegaram aos EUA quando eram menores, concedendo vistos de estadia e trabalho por dois anos, que podem ser renovados. De acordo com o governo americano, 5.780 brasileiros estão sob status de proteção Daca.

João Paulo Machado Silva, de 25 anos, é um deles. Ele chegou aos EUA quando tinha 8 anos. “Ser dreamer me ajudou muito, porque me permitiu estudar no país e dirigir, mas há um lado negativo: não posso trabalhar em cargos públicos nem viajar para fora dos EUA”, disse.

Se a reforma for aprovada, João Paulo e outros dreamers serão imediatamente elegíveis para solicitar um green card e terão um caminho de três anos para a cidadania.

Estudante de direito, João Paulo está otimista com a perspectiva. “Muitas pessoas, como meus pais, estão aqui há muitos anos e não conseguem nem ver a família há muito tempo”, conta. “Todos os imigrantes estão contando (com o novo governo) para se tornarem cidadãos do país”.

Especialistas ouvidos pelo Estadão dizem acreditar que a reforma também possa facilitar a obtenção de vistos de trabalho e de investidor. “Mesmo as pessoas que são reconhecidas como portadoras de alto conhecimento técnico vinham encontrando muitas dificuldades para imigrar nos últimos quatro anos”, afirma Carolina Carnaúba, diretora da PwC Brasil, acrescentando que a pandemia tornou o processo ainda mais difícil.

Hoje, o número de vistos de imigração com base em emprego é limitado a 140 mil por ano. A proposta de Biden, que havia sinalizado durante a campanha o desejo de expandir o número de vistos de alta qualificação e acabar com os limites vigentes no país, abre caminho para recuperar vistos não utilizados, reduzir longas filas de espera e eliminar limites de visto por país.

Biden também indicou a possibilidade de facilitar o caminho de recém-formados em programas de doutorado STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) nos EUA, e de fornecer autorização de trabalho para os dependentes de portadores de vistos H-1B, que permite que empregadores americanos contratem temporariamente trabalhadores estrangeiros em ocupações especializadas.

“Ainda não sabemos se existirão outras regras que facilitam investimentos estrangeiros nos EUA ou um status diferencial para mão de obra qualificada, mas há uma predisposição mais favorável ao imigrante do que nos últimos quatro anos”, afirma Carnaúba.

Longo caminho

Com a proposta, Biden dá um passo em direção a uma de suas promessas mais importantes, a modernização do sistema de imigração americano. Se aprovado, o projeto fará a maior mudança na lei de imigração em mais de três décadas – a última, que beneficiou 3 milhões de imigrantes ilegais, aconteceu em 1986, durante o mandato de Ronald Reagan.

A proposta sinaliza uma mudança radical em relação a Trump – que, em quatro anos de mandato, assinou mais de 400 ações executivas que endureceram as regras de imigração.  Também é um contraste significativo com o governo Obama, do qual Biden foi vice, duramente criticado por deportar mais de 3 milhões de imigrantes e não abordar a imigração quando os democratas controlavam a Câmara dos Deputados, o Senado e a Casa Branca.

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Criança em centro de detenção de imigrantes em Tucson, Arizona  Foto: Mandel Ngan/AFP

“Os governos Obama e Trump não foram governos de extrema ruptura, como muita gente pensa”, explica o professor de Relações Internacionais da PUC-SP Arthur Murta. “Com Trump vimos recrudescimento, mas a administração de Obama não foi pró-imigração. Nunca tantas deportações foram feitas como naquele período”, afirma.

Para Murta,  uma das principais diferenças entre Obama e Trump era o discurso. “Obama não tinha retórica anti-imigração, mas tinha políticas anti-imigração. Já Trump tinha os dois”, afirma. Nesse sentido, a mensagem de Biden é clara. “Com as medidas tomadas até agora, Biden quer mostrar que sua retórica – 100% a favor da imigração – terá lastro”, afirma. “Se essa mensagem vai se converter em uma política de fato, ainda é cedo para dizer”.

A reforma não tem um caminho tão fácil pela frente. Embora os democratas tenham maioria na Câmara e o Senado esteja dividido em 50-50 com desempate nas mãos da vice-presidente, Kamala Harris, a aprovação do projeto exige a conversão de 10 republicanos.

Para Carolina Carnaúba, diretora da PwC Brasil, medidas focadas em vistos de emprego podem dar aos democratas poder de barganha no Congresso. “O Senado tem uma posição diferente da Câmara, onde Biden tem uma maioria ampla. Se por um lado a Câmara tem uma visão mais humanitária, por outro o Senado deve trazer a questão de reconhecimento de obra qualificada”, afirma. “Os senadores devem olhar com perspectiva mais favorável às políticas migratórias que visam vistos de trabalho”

Para o advogado Felipe Alexandre, fundador da AG Immigration, alguns pontos são mais complexos. “Hoje, se um imigrante tem registro criminal, mesmo que ele tenha feito tudo para se reabilitar, isso continua constando na ficha e pode resultar em deportação”, explica. “A proposta de lei, por outro lado, prevê que se a pessoa é condenada, mas passa por um programa de reabilitação, esse registro seria anulado. É uma medida política, e com certeza a oposição vai lutar contra ela”.

Outra medida que pode gerar polêmica, acredita Felipe Alexandre, diz respeito à ampliação de fatores que serão analisados na hora de uma decisão. “A proposta quer dar mais discrição para que oficiais e juízes de imigração considerem mais circunstâncias”, explica. “Se aprovada, eles devem considerar fatores como a ausência de registro criminal ou a gravidade do crime cometido, quais são os laços do imigrante com a comunidade, se ele trabalha e paga impostos, se tem família nos EUA”.

Para o advogado, o tempo necessário para a aprovação da reforma vai depender “do espírito de cooperação”. “Têm sido quatro anos bem polarizados. Se esse espírito continuar, nada passará”, afirma. “Os dois lados terão de conversar e perceber que a reforma vai beneficiar tanto democratas quanto republicanos. Não é impossível, não é super difícil – se formos analisar, o impeachment, que era muito mais polêmico, mostrou que é possível ter diálogo – mas é um desafio”.

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Homem cruza o Rio Suchiate, que divide México e Guatemala. Foto: Isaac Guzman/ AFP

Três perguntas para…

Arthur Murta, professor de Relações Internacionais da PUC-SP

1. Qual foi o tamanho do impacto da transição do governo Obama para o governo Trump, em termos de políticas migratórias? E qual está deve ser o impacto dessa transição entre Trump e Biden?

A transição entre os governos Obama e Trump não foi de extrema ruptura, como muita gente pensa. Durante o governo Trump, é claro, houve recrudescimento de políticas contra imigração, muitas violações de direitos humanos, mas o governo de Obama também não foi um governo pró-imigração. Nunca tantas deportações foram feitas como durante o governo Obama.

Com a repercussão negativa, Obama iniciou uma política de ajuda internacional para os países da América Central, com foco nos países do triângulo norte, Honduras, Guatemala e El Salvador, depois de muito tempo sem nenhuma política voltada às causas raízes da imigarção, como a violência, a desigualdade e a corrupção que levam as pessoas a saírem desses países. E é importante lembrar que é desses países do triângulo norte, que foram profundamente explorados pelas empresas norte-americanas no início do século XX, que saem a maioria dos imigrantes para os EUA. Essa estrutura toda é derivada de outras ações históricas dos EUA na região.

2. A administração Obama, com Biden como vice, adotou algumas medidas duras – como a deportação de 3 milhões de pessoas, a abertura de processos contra milhares de imigrantes e o aumento no número de detenções de famílias na fronteira sul. Como presidente, Biden conseguirá se livrar desse legado?

A política do governo Obama era também uma política de deportação, que ele tentou reverter com o pacote de ajuda externa. O governo Trump endureceu o que já vinha acontecendo, principalmente porque adotou uma retórica anti-imigração. A retórica de Obama não era anti-imigração, mas as políticas eram. Trump tinha as duas.

O governo Biden, por sua vez, já apresentou uma mudança: a retórica, que agora é 100% pró-migrante. No entanto, ainda é muito cedo para falar sobre mudança de política.

As políticas de Trump também deixaram um legado muito negativo. Biden já reverteu as medidas mais duras, mas muitos imigrantes ficarão num limbo jurídico. Biden terá trabalho para resolver todos os problemas que foram criados pela administração Trump.

3. Quais mensagens passam as primeiras decisões de Biden sobre a imigração – principalmente a assinatura das ações executivas em janeiro e a proposta apresentada ao Congresso na semana passada?

Vejo o governo Biden como um governo que teve uma mudança retórica importante, positiva, porque hoje o discurso é muito mais pró-imigração. Mas ainda não podemos chamar o governo Biden de pró-imigração. É cedo. 

Algo que Biden ainda não deixou claro é qual será o papel do México nisso. O governo Trump teve uma postura devastadora em relação ao México, ameaçando aumentar tarifas se o país não freasse caravanas de migrantes antes da fronteira com os EUA. Era quase um sistema de retaliação cruzada, e o México se tornou um país-chave durante toda essa crise migratória, principalmente em 2019. É importante esperar para ver qual será a posição do governo Biden em relação ao México. São muitas questões em aberto.

INFRAESTRUTURA NÃO TEM AS VERBAS QUE PRECISA TER PARA TOCAR AS OBRAS

 

‘Prestígio’ de Tarcísio de Freitas não leva verba à infraestrutura

Ministro costuma ciceronear o presidente Jair Bolsonaro em agendas de obras de rodovias, mas montante para investimentos da pasta segue estagnado

André Shalders, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, é figura frequente ao lado do presidente Jair Bolsonaro em eventos presenciais e lives nas redes sociais. Com a fama de “rei do asfalto”, costuma ciceronear o chefe em inaugurações de obras de rodovias. Em janeiro, no interior da Bahia, Bolsonaro disse que Tarcísio era “a figura mais importante” da administração. As contas da pasta, no entanto, mostram que a Infraestrutura não é a prioridade na hora de liberar verbas do Orçamento e o ministro se sobressai na equipe de governo pelas obras de pavimentação de estradas.

O montante disponível para investimentos no Ministério da Infraestrutura segue estagnado desde o começo da gestão Bolsonaro. Tanto em comparação com o disponível para a área no governo anterior, de Michel Temer (MDB), quanto em proporção do total investido pelo Executivo. Enquanto bilhões de reais de fundos ligados ao ministério são retidos (contingenciados) para diminuir o déficit da União, áreas como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), autarquia ligada ao ministério, reclamam de falta de verbas para pagar fornecedores.

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Tarcísio de Freitas, da Infraestrurtura; a ‘figura mais importante’ da administração, segundo Bolsonaro Foto: Ricardo Botelho/MInfra

Desde que Tarcísio de Freitas assumiu a Infraestrutura, a pasta nunca recuperou completamente o volume de recursos que teve durante as gestões de seus antecessores, Maurício Quintella Lessa (2016-2018) e Valter Casimiro Silveira (2018-2019), quando o órgão se chamava Ministério dos Transportes.

Em 2020, a pasta empenhou R$ 8,1 bilhões em investimentos. A despeito da pandemia do novo coronavírus, é um valor maior que o empenhado em 2019 (R$ 7,8 bilhões). É menos, porém, do que os valores empenhados antes da chegada de Jair Bolsonaro ao poder: em 2018, foram R$ 10,6 bilhões em investimentos; e R$ 13,1 bilhões em 2017. Em 2016, ano marcado pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT) e pela troca de comando no governo, o montante fechou em R$ 9,9 bilhões.

Os valores foram levantados pela reportagem usando a ferramenta Siga Brasil, do Senado, e corrigidos pela inflação. Esses índices e valores foram apresentados ao ministério para comentários. A pasta não questionou os dados e destacou que tem buscado “otimizar” o uso dos recursos públicos.

Assim como no Ministério da Infraestrutura, o total destinado aos investimentos no Executivo como um todo vem caindo desde 2016 em valores reais. Mesmo assim, sob Bolsonaro, a pasta foi responsável por uma fatia menor desse dinheiro. Em 2017 e 2018, o orçamento autorizado para investimentos no antigo Ministério dos Transportes correspondeu a 19% do total do Poder Executivo. Já na gestão atual, em 2019 e 2020, o porcentual ficou em 17,5% e 18,1%, respectivamente.

O Ministério da Infraestrutura só assumiu este nome em 2019 – antes, era chamado de Ministério dos Transportes. A configuração atual da pasta surgiu em 2016, já sob Temer, quando ela absorveu as antigas secretarias de Portos e de Aviação Civil (a reportagem analisou números a partir daquele ano, quando estava consolidada a estrutura atual da pasta). No governo Dilma, as duas secretarias tinham status de ministério.

Na hora de usar os recursos disponíveis, Tarcísio de Freitas se sai bem: em 2020, a pasta empenhou 96,5% da verba disponível para investimentos. No ano anterior, foi de 96%. A marca, entretanto, não difere tanto daquela dos antecessores, que poderiam reivindicar o título de “rei do asfalto”. Em 2018, foram empenhados 96% do total disponível. Em 2017 e 2016, o porcentual ficou em 91,9% e 83,5%, respectivamente.

O índice que o ministério costuma apresentar é de 99,8% de execução em 2020. A diferença de números se deve ao fato de a pasta considerar todas as verbas discricionárias, enquanto a reportagem levou em conta apenas as verbas discricionárias de investimentos, que são identificadas com o código GND 4.

Pavimentação

Em tom de brincadeira e elogio, Bolsonaro disse, em lives, que, se deixar, Tarcísio asfalta até o gramado do Palácio da Alvorada. A capacidade de “tocador de obras” e a fama de “entregar muito” se limitam a obras de pavimentação. Além da estagnação nas verbas, a pasta da Infraestrutura viu fundos públicos ligados ao órgão sofrerem uma grande redução nos recursos aplicados em 2020 – caso do Fundo Nacional de Aviação Civil e do Fundo da Marinha Mercante. A redução ocorreu por causa da decisão da equipe comandada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de reter o dinheiro para a chamada “reserva de contingência”, isto é, para amenizar o rombo nas contas públicas.

Em 2020, o Fundo Nacional da Aviação Civil teve uma queda de 93% no volume empenhado, em relação a 2019. O valor caiu de R$ 1,85 bilhão para R$ 126 milhões, 93% a menos. O mesmo aconteceu com o Fundo da Marinha Mercante, que financia projetos da indústria naval. No FMM, a redução foi de 71% em relação a 2019. No Fundo da Aviação Civil, ficaram “guardados” R$ 5,24 bilhões em 2020, ante R$ 1,9 bilhão em 2019. Ainda no FMM, R$ 1,3 bilhão foi para a reserva de contingência em 2020. O dinheiro ajudou a amenizar o déficit de R$ 702 bilhões do governo do ano passado (esses recursos dos fundos não estão nos porcentuais acima).

O Fundo da Aviação Civil, especialmente, é alvo de reclamações constantes de Guedes, que o considera “engessado”. A reportagem do Estadão apurou que o próprio Tarcísio se queixa de não poder usar os recursos do fundo para outras áreas, como reparos em estradas. A limitação é determinada em lei.

Recursos

Ao mesmo tempo em que há dinheiro represado nos fundos, outras áreas do ministério reclamam de falta de recursos. No dia 3 de fevereiro, a diretora substituta de administração de finanças do Dnit, Fernanda Gimenez Machado Faé, enviou ofício ao ministério alertando sobre a “situação constrangedora de inadimplência” da autarquia.

Naquele momento, a dívida acumulada pelo órgão com empresas somava R$ 499 milhões, segundo um ofício publicado pela agência Infra cuja autenticidade foi confirmada pelo Estadão. Embora esta parcela tenha sido paga, o risco de paralisação nas obras não foi afastado totalmente: no documento, a diretora do Dnit estima que precisará de R$ 1,5 bilhão até março “para que se evitem paralisações de obras e futuras ações judiciais”.

Cenário é de restrição orçamentária, diz pasta 

O Ministério da Infraestrutura afirmou em nota que o País vive um “cenário de restrições orçamentárias” e, por isso, tem tentado otimizar o uso do dinheiro público. Segundo a pasta, isto é feito priorizando obras consideradas estratégicas, a conclusão de projetos inacabados e aquelas que precisam de manutenção para que o patrimônio público seja preservado.

A pasta ressaltou que o ministro Tarcísio de Freitas tem se reunido com congressistas para direcionar emendas às obras tocadas pelo ministério – o que significou R$ 2,3 bilhões no ano passado, e o dinheiro, segundo a pasta, ajudou a viabilizar “a entrega de 92 obras, incluindo 1.430 km de rodovias recuperadas nas cinco regiões do País”.

O ministério afirmou ainda que o objetivo do governo é “transferir o máximo de ativos para a iniciativa privada, para que os investimentos aconteçam de forma mais rápida”. “De 2019 até aqui, foram concedidos 40 ativos, que estão resultando em R$ 44,33 bilhões em investimentos privados para qualificar os aeroportos, ferrovias, portos e rodovias brasileiros.” Segundo a pasta, a meta é fechar mais de R$ 250 bilhões em contratos para investimentos privados até 2022.

Sobre o Dnit, o ministério destacou a liberação de R$ 538 milhões para a autarquia em fevereiro, o que evitou a paralisação de obras e serviços. “Com a aprovação da LOA (Lei Orçamentária Anual, em discussão no Congresso), o Dnit poderá realizar novos empenhos. Cabe ressaltar que a Infraestrutura mantém diálogo permanente com o Ministério da Economia para a liberação de recursos para garantir a execução dos cronogramas planejados.”

sábado, 27 de fevereiro de 2021

MEDIDAS ECONÔMICAS A FAVOR DO TRABALHADOR

 

Com ampliação de restrições, governo deve retomar medida que permite antecipar férias de trabalhador

Texto deve ser feito nos mesmos moldes da MP 927, que permitiu às companhias adiantar feriados, conceder férias coletivas e adotar o teletrabalho no ano passado; com medida, governo espera evitar uma avalanche de demissões

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – Com a explosão de casos e internações por covid-19 em vários Estados e a decisão de governadores de endurecer as medidas restritivas à circulação de pessoas, o governo federal deve reeditar a Medida Provisória (MP) que dá às empresas instrumentos para enfrentar a crise, segundo apurou o Estadão/Broadcast.

O texto deve ser feito nos mesmos moldes da MP 927, que no ano passado permitiu às companhias antecipar férias e feriados, conceder férias coletivas e adotar o teletrabalho.

Palácio do Planalto
Na equipe econômica do governo, pode haver pressão para recriação do programa que reduz jornada e salários. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A nova MP já está engatilhada e terá vigência imediata. Sua edição é considerada importante porque estados como o Rio Grande do Sul e o Distrito Federal já anunciaram que apenas serviços essenciais continuarão abertos.

No Rio Grande do Sul, estabelecimentos como academias, teatros e cinemas serão fechados, e restaurantes poderão funcionar apenas por meio de tele-entrega ou retirada, com 25% da capacidade e do número de trabalhadores. O DF deve seguir esquema semelhante.

Para evitar um desfalque grande no caixa das empresas ou uma avalanche de demissões, o governo vai lançar mão da MP com as medidas trabalhistas. O texto deve permitir antecipar férias de forma individual (com pagamento postergado do terço de férias como medida de alívio às companhias), conceder férias coletivas, antecipar feriados, constituir regime especial de banco de horas, entre outras iniciativas.

A MP 927 de 2020 previa ainda a possibilidade de os empregadores adiarem os depósitos do FGTS sobre o salário dos trabalhadores, mediante reembolso posterior. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, essa medida está em estudo e pode ser incluída na MP, mas ainda depende de cálculos sobre as condições de liquidez do fundo de garantia, isto é, se esse diferimento não compromete sua capacidade de honrar todos os desembolsos e saques previstos para o período.

Fluxo do FGTS

Segundo uma fonte, a suspensão temporária do pagamento traz um problema momentâneo de fluxo de receitas ao FGTS, mas isso poderia ser recuperado no segundo semestre. Caso haja disponibilidade para amortecer o impacto, o adiamento pode ser adotado.

Dentro da equipe econômica, também é esperada uma maior pressão pela recriação do programa que permite a redução de jornada e salário dos trabalhadores, ou suspensão de contratos. Essa medida continua em estudo, mas deve ficar para uma segunda etapa, pois depende de uma decisão final sobre o desenho do programa.

No ano passado, o governo pagou um benefício emergencial (BEm) equivalente a parte do seguro-desemprego a que o trabalhador teria direito se demitido, como forma de compensação pela perda de remuneração. Agora, porém, a equipe econômica dispõe de menos espaço no Orçamento para acomodar um desenho semelhante.

Por isso, os técnicos têm estudado maneiras diferentes de financiar o BEm, fazendo dele uma antecipação do próprio seguro-desemprego ou utilizando recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que paga o abono e o seguro. Segundo apurou a reportagem, a avaliação hoje é que o BEm pode ser reeditado sem necessidade de aprovação da PEC emergencial ou de um novo decreto de calamidade, e a tendência é que ele seja sozinho equilibrado, sem necessidade de recursos adicionais.

A PEC emergencial, porém, é essencial para destravar a nova rodada de auxílio emergencial a vulneráveis. O presidente Jair Bolsonaro já informou que o governo vai pagar mais quatro parcelas de R$ 250, como já havia mostrado o Estadão/Broadcast.

PRIVATIZAÇÃO DOS CORREIOS

 

O que sabemos sobre a privatização dos Correios?

O governo entregou ao Congresso projeto que permite que a iniciativa privada assuma operações hoje tocadas pela estatal, que tem o monopólio dos serviços postais (cartas e impressos) assegurado pela Constituição

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro entregou nesta semana ao Congresso Nacional o projeto de lei que abre caminho para a privatização dos Correios.

O texto permite que a iniciativa privada assuma operações hoje tocadas pela estatal, que tem o monopólio dos serviços postais (cartas e impressos) assegurado pela Constituição. Prevê a transformação da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), fundada em 1969, durante a ditadura militar, em sociedade de economia mista. 

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Bolsonaro entregou nesta semana ao Congresso Nacional o projeto de lei que abre caminho para a privatização dos Correios.  Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O governo pode abrir caminho para a privatização sem mudar a Constituição?

O entendimento da área jurídica do governo é que sim. A avaliação é de que o artigo da Constituição segundo o qual compete à União “manter” o serviço postal não obriga a prestação direta pelo poder público. Por isso, um dos objetivos do projeto é regulamentar esse trecho da Constituição e assim permitir que a iniciativa privada assuma as atividades hoje operadas pelos Correios.

Aprovar uma mudança na Constituição exigiria quórum maior de apoio: três quintos na Câmara (308 de 513 votos) e no Senado (49 de 81 senadores).

O projeto, que precisa apenas de maioria simples para ser aprovado, prevê “a obrigatoriedade, por parte da União, de garantia da prestação do Serviço Postal Universal por meio de empresa estatal”, mas “permite que os serviços prestados no âmbito do Sistema Nacional de Serviços Postais sejam explorados em regime privado.”

Qual modelo de privatização o governo vai seguir?

Ainda não está definido. Segundo a Secretaria-Geral da Presidência, ainda depende de estudos econômicos e setoriais. Pode ser venda direta, venda do controle majoritário (ou seja, o governo deixa de ser o principal dono da empresa), ou abertura no mercado de ações (o governo lança ações na Bolsa da empresa). A proposta escolhida ainda precisará do aval do Tribunal de Contas da União (TCU).

Paralelamente ao futuro da estrutura dos Correios como empresa, a iniciativa privada deve entrar na prestação de serviços por meio de concessões. Ou seja, o poder público realiza um leilão para que empresas privadas arrematem operações que hoje são tocadas pelos Correios.

Como fica o atendimento à população?

Hoje, 95% da população brasileira tem acesso aos Correios. De acordo com a secretária do Programa de Parcerias de Investimento (PPI)Martha Seillier, em qualquer alternativa de desestatização adotada pelo governo não haverá desatendimento de cidades. A ideia, segundo ela, é trabalhar com o modelo “filé com osso”: quem levar municípios mais rentáveis também terá que atender os que não dão lucro.

Quem tem interesse nos Correios?

No ano passado, o ministro das ComunicaçõesFábio Faria, disse, sem dar detalhes, que a varejista Magazine Luiza, a gigante americana do e-commerce Amazon e as empresas de logística estrangeiras DHL e FedEx estão interessadas na compra da estatal. Embora tenha dito cinco interessadas, o ministro citou nominalmente apenas quatro empresas. Mas não há nenhuma manifestação formal por parte dessas companhias sobre o negócio.

Qual é a situação financeira dos Correios?

A estatal acumulou prejuízo de R$ 3,943 bilhões entre 2013 e 2016, mas desde 2017 vem registrando resultados positivos nos balanços anuais. Boa parte do passivo da estatal se deve aos planos de Previdência, o Postalis, e saúde, o CorreioSaúde, dos funcionários. Ambos já foram alvo de denúncias de corrupção. O Postalis acumula quatro operações da Polícia Federal: Positus, Greenfield, Pausare e Rizoma que investigaram fraudes na gestão dos recursos.https://arte.estadao.com.br/uva/?id=QnXooz

Em 2019 (último dado disponível), os Correios tiveram receita bruta de R$ 19,1 bilhões. A maior parte do faturamento vem de quatro serviços: o Sedex, PAC (encomendas), o FAC (serviço para empresas que postam grande volume de cartas) e o envio de carta.

A empresa fechou 2019 com 99.443 funcionários. São 11.124 unidades de atendimento, sendo 6.071 agências próprias e 5.053 terceirizadas.

Em outros países, os Correios são privatizados?

Além do Brasil, outros países como Estados Unidos, mantêm o monopólio dos Correios. O United States Postal Service (USPS) está entre os maiores empregadores dos Estados Unidos e goza de prestígio entre os americanos. O governo Donald Trump chegou a defender a privatização, mas não levou adiante. 

Na Alemanha, o Deutsche Bundespost, ex-estatal do setor de correspondência, levou mais de uma década para ser privatizado. A venda, que começou na década de 1990, foi dividida em fases. Para garantir que a empresa se tornasse competitiva e que a oferta dos serviços fosse mantida em todo o país, foi feita uma liberalização regulada do mercado.

Por que o governo quer privatizar os Correios?

Para o Executivo, a necessidade de a iniciativa privada entrar na área se justifica pela rápida transformação digital do setor, que demanda elevados investimentos para que a empresa permaneça competitiva e melhore a qualidade dos serviços. Na visão do governo, por ser uma empresa pública, a estatal não conta com o dinamismo que o setor precisa atualmente, muito menos tem a União capacidade fiscal para suportar os investimentos por meio de aportes.

Para o governo, essas dificuldades, aliadas ao alto nível de comprometimento das receitas dos Correios com despesas correntes, podem levar a empresa a uma situação de dependência de recursos do Tesouro Nacional, algo que a equipe econômica busca evitar com o projeto.

OPÇÕES MAIS BARATAS DE PLANOS DE SAÚDE

 

Em meio ao aperto na renda, setor de saúde lança opções de baixo custo

Formatos como assinatura de saúde, que oferece descontos em consultas – em vez do serviço em si –, crescem no País; especialistas, porém, alertam que cliente deve ficar atento: alternativas têm oferta limitada e não são regulamentadas pela ANS

Evandro Almeida Jr. , Especial para o Estadão

Em meio à alta na demanda por serviços de saúde, a escalada nos preços dos planos privados e o aperto na renda em meio à pandemia de covid-19, as empresas do setor têm criado opções de baixo custo para tentar ampliar a cobertura e chegar a quem não tem condições de bancar os valores de um contrato tradicional. Segundo especialistas, o movimento suscita atenção dos consumidores, pois pode envolver produtos com uma oferta limitada de serviços.

Dentro dessa tendência, um dos formatos que vem ganhando força é o serviço de assinatura de saúde. Ele difere dos planos porque não costuma oferecer consultas médicas, mas descontos nesse serviço. 

SUS
Assinaturas são forma de consumidor que perdeu renda manter algum serviço privado. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Sócia diretora da área de saúde da KPMG, Sheila Mittelstaedt alerta que esse modelo não é regulamentado pela Agência Nacional de Saúde (ANS). “São serviços sem qualquer regulamentação e que oferecem coisas básicas. Pessoas que carecem de serviços mais especializados não devem buscar uma alternativa nessas assinaturas. Elas são para atendimentos simples e a previsão é de que cresçam rápido no Brasil”, ressalta.

Segundo a sócia da KPMG, a perda de renda fez muitas pessoas desistirem do plano de saúde, despertando a atenção das empresas do setor. “No fim, a carga volta para o setor público. É um ‘me engana que eu gosto’”, afirma.

A redução no número de usuários de planos de saúde se concentrou no auge da pandemia. De março a junho do ano passado, foram quase 400 mil pessoas. A tendência se reverteu no segundo semestre, e o Brasil fechou com um incremento de 1,2% no ano, com pouco mais de 47,5 milhões de beneficiários.

Opção ao SUS

Grupo Alliar, empresa de diagnóstico de imagens, lançou seu marketplace de assinatura em março de 2020, com preços a partir de R$ 19,90. Chamado de cartão Aliança, o serviço inclui descontos em farmácias e consultas médicas, além de opções de odontologia e oftalmologia. A plataforma já tem 120 mil usuários cadastrados, entre titulares e dependentes.

O grupo lançou um seguro adicional, que contempla serviços como dia de internação hospitalar, morte acidental e assistência funerária. O produto pode ser adquirido a partir de R$ 5,90 mensais, adicionais ao custo da assinatura do cartão Aliança Saúde.   

De acordo com Sami Foguel, presidente da Alliar, a empresa não pretende concorrer com planos de saúde. “Nosso produto é totalmente diferente. Queremos dar um suporte para o público que busca alternativas aos serviços de medicina privada e de qualidade com preço justo e que antes iria ficar esperando no SUS.”

Grupo Fleury também decidiu apostar na modalidade. Lançou no início deste mês o Saúde iD, marketplace de serviços de saúde, com preços que variam de R$ 29,90 e R$ 59,90. 

Diferentemente da Alliar, o cliente ganha direito a uma consulta mensal, que pode ser online ou presencial, além de acesso a exames e descontos para serviços mais específicos. O programa atenderá 5 mil usuários do aplicativo Saúde iD na cidade de São Paulo nessa primeira fase de lançamento.

Aprimoramento

Segundo Eduardo Oliveira, presidente da Saúde iD, o objetivo inicial é entender como vai funcionar o serviço, para depois aprimorá-lo. Um dos motivos que tornam o plano mais em conta é o acompanhamento do histórico de atendimentos no próprio grupo, num modelo que funciona com base na ideia do médico de família. “É criado um plano de cuidado e consulta, o que permite um acompanhamento com qualidade e planejamento terapêutico.”

Assim como Foguel, Oliveira também reforça a diferença em relação ao modelo tradicional. “Não somos planos de saúde e não nos interessa ser. Queremos ajudar ali na ponta da melhor forma para prevenir doenças crônicas no futuro.”

Mais baratos

O avanço de opções mais baratas que permitam ampliar a cobertura também se dá com apostas à moda tradicional. Uma delas é a de planos individuais, que são regulados pela Agência Nacional de Saúde (ANS) e têm seus reajustes definidos pelo órgão regulador, diferentemente dos planos comunitários, hoje mais comuns no mercado.

Segundo o vice-presidente executivo da QSaúde, Anderson do Nascimento, esse é um fator primordial para que os planos individuais possam ganhar força, inclusive diminuindo os preços de seus planos, fazendo parcerias com clínicas especializadas. O QSaúde foi lançado em outubro do ano passado.

“O reajuste menor do que de planos nos dá vantagem em atrair novos clientes. Outro fator é que damos acesso a hospitais de renome e de desejo da população e acompanhamento constante com um médico de família que segue toda a jornada de nosso cliente.”

COMO FUNCIONAM OS MARKETPLACES

 

Você sabe qual é o melhor marketplace para vender no Vale do Aço?

Vinicius Guimarães / Moysés Peruhype Carlech

Imagine ter seus produtos expostos em uma grande loja como o marketplace Valeon da Região do Valeo do Aço. Vê vantagem nessa ideia? Pois é, muita gente […]

Neste artigo, vamos mostrar como funcionam os marketplaces, indo bem além daquela definição de que eles são como um shopping center na internet. Apesar de a explicação ser coerente, há muito mais que você precisa saber se quiser ter sucesso no seu empreendimento online.

Parte inferior do formulário

O que é marketplace?

O marketplace pode ser definido como uma plataforma que reúne diversas lojas virtuais em seu espaço. Como esse site costuma pertencer a uma grande empresa digital, ela “empresta” seu nome e seu espaço para o lojista — também chamado de seller — em troca de uma mensalidade a preços razoáveis para os lojistas. .

Essa forma de negócio tem atraído muitos empreendedores digitais, já que é extremamente versátil e pode ser combinada com outras formas de comércio eletrônico. Em geral, os markets também contam com um design muito intuitivo e de fácil manuseio, conquistando quem ainda está iniciando na área e tem pouca afinidade com programação de sites.

Uma pesquisa realizada pelo Sebrae em 2016 mostrou que 24% dos microempreendedores digitais usavam um marketplace para divulgar seus produtos.

Como funciona o marketplace?

Basicamente, o marketplace funciona como uma vitrine online onde vendedores se cadastram para exibir seus produtos. O processo começa com o lojista fornecendo dados como CPF ou CNPJ, endereço e nome da loja.

Depois de feito o cadastramento, um painel vai ser disponibilizado para que os produtos sejam organizados, precificados e colocados em categorias já preestabelecidas. É importante usar fotos de qualidade e nomear corretamente os itens para que eles apareçam junto aos seus similares.

Além da parte de catálogo, o marketplace também oferece espaços específicos que mostram os status das vendas, o faturamento da loja, os produtos a serem enviados e as métricas.

Quais são as vantagens do marketplace?

É claro que vender nos melhores marketplaces pode trazer muitas vantagens aos empreendedores digitais, tanto que muitos têm aderido a essa ferramenta. Vamos ver algumas?

Visibilidade

Diferentemente do e-commerce, onde você precisa trabalhar bastante sua divulgação, atuar em um marketplace permite que os clientes cheguem até você de diversas formas. Uma delas será procurando um produto em uma grande loja online e chegando até a sua marca. A partir daí, ele pode se interessar por seus produtos e aumentar sua recompra.

Legitimidade

Uma das grandes questões em torno das compras online é a segurança da loja onde está o produto. Se você é novo no mercado, talvez esteja perdendo vendas porque alguns visitantes ainda não confiam na sua marca. Por isso, contar com a legitimação de uma grande empresa em um marketplace é vantajoso.

Custo-benefício

É claro que você vai precisar pagar mensalidades para fazer suas vendas, mas elas podem compensar bastante, considerando o número de clientes que você atrair por mês, seu lucro e a tranquilidade de não precisar se preocupar com a compra de uma plataforma independente.

Quais são as boas práticas do marketplace?

Para começar a vender seus produtos em um marketplace, o ideal é adotar algumas boas práticas que vão facilitar que seus objetivos de conversão sejam alcançados. Tendo elas em mente, você já sai na frente de muitos concorrentes.

Fotos de qualidade

As fotos, em geral, são o primeiro contato que o visitante de um marketplace tem com seu produto. Por isso, invista em imagens de qualidade e que explorem todo o potencial dele. Não deixe de apresentar cada item em vários ângulos e cores; quanto mais detalhes, melhor. É desse jeito que seu catálogo pode se destacar e ganhar mais visibilidade.

Descrições fiéis

Comprar na internet ainda pode ser um desafio para muita gente que não sente segurança nesse processo. É preciso ganhar a confiança do consumidor e uma estratégia para isso é fornecer o máximo possível de informações sobre cada produto. Assim, o visitante da sua loja não vai ficar em dúvida sobre o item que está adquirindo e nem vai desistir da compra por falta de detalhes.

Títulos estratégicos

Pensar e pesquisar os melhores títulos para os seus produtos pode fazer muita diferença na hora de atrair visitantes à sua loja. Use técnicas de SEO para descobrir quais são as palavras e termos mais estratégicos que vão ranquear melhor seu catálogo e fazer seu marketplace ser mais acessado.

Atendimento eficiente

O que muito se vê no comércio eletrônico são clientes insatisfeitos com o atendimento online das lojas onde realizaram suas compras. Muitas empresas deixam sua clientela praticamente desamparada, sem informação, satisfação e contato. Oferecer um atendimento de qualidade e personalizado fará com que você conquiste seu público e ganhe pontos no mercado digital.

Quais é a sua melhor opção?

Se você quer alavancar seu negócio virtual, já sabe que pode contar com um shopping center virtual. Mas o sucesso como seller também vai depender do local que você escolher para anunciar. Por isso, vamos falar um pouco sobre a Startup Marketplace Valeon da Região de Ipatinga:

QUEM SOMOS

A Plataforma Comercial da Startup Valeon é uma empresa nacional, desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade, ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como vantagem competitiva.

Nosso principal produto é a Plataforma Comercial Valeon um marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das empresas da região e alavancar as suas vendas.

A Plataforma Comercial Valeon veio para suprir as demandas da região no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma proposta diferenciada nos seus serviços para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (WP)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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