quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

BRASIL PRECISA VACINAR 100% DA POPULAÇÃO PARA A VACINA TER EFICÁCIA COMPROVADA

 

Com eficácia da Coronavac, Brasil precisa vacinar 99% do público-alvo para ter imunidade coletiva

Seriam necessários dez meses para que todos recebam a primeira dose do imunizante, calcula especialista da USP

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

 

 

RIO - O Brasil precisará aplicar a Coronavac em praticamente toda a sua população apta a recebê-la (99%) para alcançar a imunidade coletiva – e deter a circulação do novo coronavírus no País. O cálculo é do microbiologista Luiz Gustavo de Almeida, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Questão de Ciência. Segundo Almeida, seriam necessários dez meses para que todos recebessem a primeira dose. Ou seja, se tudo der certo, a vacinação, considerando que são necessárias duas doses para imunização, só terá detido totalmente o vírus no 2º semestre de 2022.

A eficácia global da vacina produzida pelo Instituto Butantã e pelo laboratório chinês Sinovac é de 50,4%, como anunciado nessa terça-feira. Por isso, para alcançar a imunidade de rebanho, será necessário imunizar 160 milhões de brasileiros (dos 162 milhões que podem receber a vacina). Segundo o IBGE, o País tem 211 milhões de habitantes. No entanto, os menores de 18 anos, inicialmente, não receberão a vacina.

 


Coronavac, vacina desenvolvida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Foto: Alex Silva/Estadão

Especialistas consideram que a imunidade coletiva é obtida quando entre 60% e 70% da população está imunizada. O porcentual da população vacinada e o tempo para atingir a meta seriam menores com vacinas de eficácia mais alta.

Almeida calcula ainda que, no caso da vacina da Pfizer/BioNtech, cuja eficácia é de 95%, seria necessário imunizar metade do público, 81 milhões, em aproximadamente cinco meses. No caso da vacina de Oxford (produzida no País pela Fiocruz e que também deve estar disponível no Brasil), com uma eficácia de 62,1%, o porcentual teria de chegar a 80%. Seriam 129 milhões vacinados em aproximadamente oito meses.

Ele lembra também que, dependendo da disponibilidade de imunizantes e do tipo de campanha criada pelo Ministério da Saúde, os períodos de vacinação poderiam ser abreviados. “Fiz o cálculo com base na estrutura de vacinação que temos, usada na vacinação da gripe do ano passado”, explica. “Mas com certeza isso pode ser acelerado, se o governo capacitar mais técnicos de saúde e abrir postos de vacinação em estádios e escolas", defende o pesquisador. Até agora, o governo federal não confirmou o calendário para a vacinação no País.

“Uma campanha de vacinação tem dois objetivos muito claros: gerar a imunidade de rebanho e a proteção individual”, disse Flávio Guimarães, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia. “A Coronavac não consegue cumprir muito bem o primeiro objetivo, mas o segundo objetivo se cumpre muito bem. Diante da emergência e das circunstâncias, é uma ferramenta muito importante.”

A epidemiologista Cristiana Toscano, que integra o comitê de vacinação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a câmara técnica que assessora o Ministério da Saúde, concorda com o colega. “Neste momento, o objetivo não é evitar a transmissão viral na população. Isso vai vir depois”, explica Cristiana. “O objetivo de saúde pública agora é reduzir o número de óbitos e os casos de doença grave; tanto é assim, que estamos priorizando os grupos mais vulneráveis.”

Segundo ela, reduzir a circulação do vírus é um objetivo de saúde pública que virá mais para frente quando, inclusive, já haverá outras vacinas disponíveis. O maior desafio agora, conforme cientistas, é planejar bem a campanha de imunização (sobretudo se o Brasil dispuser de duas ou mais vacinas diferentes ao mesmo tempo). Será necessário estabelecer critérios rígidos sobre a distribuição das vacinas por grupos vulneráveis ou região do País, por exemplo.

 

 

MONTADORAS QUE FECHAM DEIXAM MUITOS DESEMPREGADOS

 

'O grande problema são os 5 mil empregos que serão perdidos', diz secretário

Segundo Gustavo Ene, governo avalia programa de requalificação para metalúrgicos que vão ser dispensados pela Ford

 

Entrevista com

Gustavo Ene, secretário de Desenvolvimento, Indústria e Comércio

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

 

 


BRASÍLIA - Com a saída da Ford do Brasil, o governo vai concentrar o foco na requalificação dos trabalhadores que devem perder seu emprego, segundo o secretário de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Gustavo Ene. Ele afirma que as secretarias de Trabalho e de Políticas Públicas para o Emprego do Ministério da Economia já estão trabalhando para fazer o planejamento das medidas.

Será feito um perfil de cada trabalhador para ajudar na realocação desses funcionários da Ford. “Nosso objetivo também é chamar o Sistema S, principalmente as federações das indústrias, para colaborar nesse processo de qualificação técnica”, diz ele. A seguir, os principais trechos da entrevista.

 


Governo já conversa com federações de indústrias para recolocar funcionários. Foto: Sepec/ME

 

O que pode ser feito?

Chamamos a Secretaria do Trabalho e a Secretaria da Política Pública do Emprego do Ministério da Economia para ajudar. Agora, vem um processo de desligamento, negociação da empresa com os sindicatos. E, a partir daí, acompanhar os resultados e buscar, primeiro, uma requalificação destes trabalhadores para que possam ser aproveitados em outras indústrias. As pessoas são muito focadas em fazer veículos, precisamos analisar e planejar alternativas de como elas se adaptarão para outros mercados. Nosso objetivo também é chamar o Sistema S, principalmente as federações das indústrias, para colaborar nesse processo de qualificação técnica. Conversaremos com as federações das indústrias de cada Estado. Já iniciamos contato com a do Ceará.

Qual é a extensão dessa cadeia de trabalhadores?

Vamos precisar entender com a Ford qual o tamanho da redução dessa produção, desses sistemistas (fornecedores). Uma coisa é produzir diariamente para atender produção e mais reposição. É preciso entender o reflexo que terá na cadeia.

Qual o diagnóstico do governo para a saída da Ford do País?

A Ford já vinha há alguns anos revendo os seus modelos de negócios, nos EUA e Europa. O Brasil era ainda um dos países em que se fazia sentido apostar em volume e carros populares. Porém, nos últimos anos, com os prejuízos acumulados devido à crise no setor automotivo que se iniciou em 2014, veio retomando aos poucos. Entrou a pandemia e, fora prejudicar os negócios no Brasil e mundo, causou um efeito negativo. E aí não é com a Ford, mas com todas as montadoras, muito atípico. As crises geralmente eram muito pontuais, sempre regionais. E, nesse caso, com a crise global, todas as matrizes, além de não ter caixa para as subsidiárias, tiverem a necessidade de recolher caixa.

Como ficará o mercado?

Obviamente, o mercado se acomoda. Vai ter problemas de fornecimento de veículos? Não. FiatGMHyundaiVolks, entre outras, irão aproveitar o momento. Vão ter oportunidade de melhoria não prevista. GM anunciou investimento de R$ 10 bilhões, FCA, de R$ 5 bilhões, BMW, R$ 221 milhões, nos próximos 4, 5 anos, entre outros. Agora, o grande problema são os 5 mil empregos perdidos. Esse é o nosso principal foco. No mesmo dia em que recebemos a notícia, pelo CEO da companhia, montamos um grupo, temos um time automotivo, o Rota 2030. E começamos a articular com três empresas. Temos contato com todas as montadoras, logo vamos discutir todas as possibilidades sobre aproveitamento das plantas.

Qual avançou?

Das três, eu diria que tem uma que já avançou em nível global na discussão. Não vou citar o nome de nenhuma empresa porque tem confidencialidade. São intenções.

É difícil ter comprador?

Sabe por quê? É fábrica de 250 mil veículos por ano. É fabricão.

A empresa pediu mais subsídios?

Toda a indústria automotiva sempre, como nos últimos governos, propôs essa alternativa, de subsídios. A Ford tomou a decisão de mudar a sua estrutura de negócio. Parar de fazer carros pequenos, de baixa rentabilidade. O que adianta mais subsídio? Precisamos acelerar as reformas e medidas que impactem diretamente nos custos de se fazer negócio no País para garantia dos atuais e novos investimentos e mais trabalho e renda por consequência.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...