terça-feira, 12 de janeiro de 2021

DIA E HORA DA VACINA

 

‘Dia D e hora H’

Como Dilma, Pazuello não tem meta nem vacina, mas vai dobrar meta e vacina, um dia, talvez

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

 

 

 


papa Francisco, o próximo presidente americano, Joe Biden, a rainha da Inglaterra, Elizabeth II, o seu marido, príncipe Phillips, e até o vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, que já teve a doença, estão se vacinando ou já anunciaram que vão se vacinar contra a covid-19, dando exemplo para os cidadãos de seus países e para o mundo. E o presidente Jair Bolsonaro?

A pandemia não está no “finalzinho”, como ele chegou a dizer quando o vírus voltou a disparar em dezembro, e as vacinas são a única salvação contra seus efeitos assustadores no número de mortos, contaminados, desempregados e empresas quebradas. A última vítima, muito doída, foi a montadora norte-americana Ford, que foi a primeira indústria automobilística a se instalar no Brasil, em 1919, e abandona o País depois de mais de cem anos.

 

Em comunicado, a empresa alegou que a covid-19 “amplia a persistente capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas”. Ou seja: a covid-19 não é a única causa da debandada, mas potencializa o custo Brasil, a falta de segurança jurídica, a desordem tributária, as reformas estruturais que nunca vêm, a crise fiscal que se eterniza, as promessas que não são cumpridas e, como frisou o deputado Rodrigo Maia pelas redes, “a falta de credibilidade do governo brasileiro”. E a Ford joga a toalha justamente quando o Brasil se debate na turbulência das vacinas.

Nem mesmo a ex-presidente Dilma Rousseff, campeã de pérolas, como a mandioca, o cachorro, a “mulher sapiens”, a estocagem do vento e dobrar uma meta sem meta, faria melhor que o general Eduardo Pazuello. Dilma anunciou um programa sem meta e prometeu que, assim que tivesse meta, dobraria essa meta. Pazuello faz tudo o que seu mestre mandar, ataca a mídia e, firme, resoluto, define com precisão que as vacinas vão começar “no dia D, na hora H”. Puxa!

Enquanto EUA, Reino Unido, Canadá, Alemanha, México, Chile, Argentina, Costa Rica e uma fila enorme de países vão vacinando suas populações, no Brasil estamos empacados tanto no “dia D”, que já foi em março, depois fevereiro, depois dezembro e agora pode ser janeiro, ou fevereiro, quanto na “hora H”, que pode ser qualquer uma, desde que Bolsonaro e o ministro da Saúde vacinem o primeiro brasileiro antes do governador João Doria. Para Bolsonaro, que manda, e Pazuello, que obedece, o importante não é vacinar, é vacinar primeiro; não é ter doses para todos, basta uma única dose para a foto.

O problema é que até agora, meados de janeiro, só há uma vacina disponível para ser aplicada no Brasil: a Coronavac. Parte chegou em lotes já prontos da China, outra parte em forma de insumos para o nosso Butantã processar. Assim, a guerra entre Bolsonaro e Doria desabou numa corrida desenfreada entre a Coronavac e a Oxford-AstraZeneca, que, para driblar a falta de doses no Brasil, encomendou às pressas dois milhões à Índia. Não faz nem cosquinha numa população de 210 milhões de habitantes, mas é o suficiente para atropelar a “vacina do Doria”, ou “da China”. E a Anvisa dita o ritmo da corrida...

Bolsonaro olha ao redor, pressiona pelo “dia D”, fica de olho na “hora H” e avalia em que momento vai jogar suas culpas macabras em Pazuello, na mídia, na indústria, nos governadores e no Doria. Ele não quer saber de eficácia de vacina, só do efeito dos atrasos e da incompetência na sua imagem, popularidade e reeleição.

Logo, o importante não é vacinar para salvar vidas e conter a pandemia. É ter uma vacina para se imunizar contra a própria culpa e responsabilidade e continuar contaminando aquele terço da população que pode até não tomar vacina, mas engole tudo o que Bolsonaro fala e faz.

*COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA

 

A CIÊNCIA LUTA PELA PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

 

A ciência pelo nosso planeta

Luta pela preservação ambiental é urgente e demanda ações concretas também do setor privado

Cristiano Teixeira*, O Estado de S.Paulo

 

 

A luta pela preservação ambiental é urgente e demanda ações concretas. Não apenas de governos e da sociedade civil organizada, mas também do setor privado, que tem assumido protagonismo importante para provar que negócios e meio ambiente andam juntos.

Por essa visão, já adotada pela Klabin há anos, recentemente fomos convidados a integrar o COP26 Business Leaders e somos a única empresa brasileira no grupo que reúne executivos da iniciativa privada para ajudar na construção de pautas relevantes para a Conferência do Clima – COP26, a ser realizada em novembro de 2021.

A urgência deste debate é de conhecimento mundial. A temperatura média global em 2019 foi 1,1 grau Celsius acima do período pré-industrial por causa das altas emissões, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o suficiente para causar problemas ambientais.

A Klabin tem muito a contribuir no debate, com nossos compromissos de redução de emissão pautados pelo Science Based Targets initiative (SBTi), que fornece caminhos para que empresas reduzam as emissões de gases de efeito estufa com base na ciência do clima. Ou seja, em estratégias e soluções que tenham resultados concretos e comprovados.

 


Unindo sustentabilidade e ciência, é possível criar condições adequadas para melhorar a vida no planeta. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

A empresa, para citar um movimento recente, aderiu à Força-Tarefa para Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD, na sigla em inglês), que recomenda a inclusão, em projetos e relatórios financeiros, de riscos e oportunidades relacionados ao clima.

E agora queremos, e vamos, contribuir para a criação de nova trilha sustentável para a COP26. Esse movimento se faz ainda mais urgente diante da pandemia de covid-19, que tem aumentado a desigualdade social, sobretudo nas economias menos desenvolvidas.

A história da Klabin com a COP é antiga. Começou no século passado, com a ECO-92, no início da década de 1990, quando o ex-ministro das Relações Exteriores e vice-presidente ex-officio da Conferência foi Celso Lafer, membro do Conselho de Administração da Klabin. E Israel Klabin, fundador e presidente do Conselho Curador da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), presidiu o comitê nacional de organização da ECO-92.

Também destaco outros passos importantes da Klabin: em 2003, torna-se signatária do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2016, adere voluntariamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e, em 2019, oficializa seu compromisso com a Business Ambition for 1.5° C – Our Only Future, uma das 87 empresas em todo o mundo reconhecidas por liderar o combate às mudanças climáticas.

A companhia também está listada no índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 (ISE) desde 2014 e, em 2020, integrou o Índice Dow Jones de Sustentabilidade nas carteiras Mercados Emergentes e Mundial, única indústria brasileira nesta última categoria.

O negócio da Klabin é inerente ao meio ambiente. Dependemos e defendemos o uso sustentável da nossa matéria-prima e cadeia integrada de produção. A madeira para a fabricação de celulose vem de florestas plantadas em mais de 260 mil hectares, onde 90 árvores são plantadas por minuto, em média.

A empresa também mantém 43% de sua área florestal total para preservação da biodiversidade. Ou seja, outros 240 mil hectares de matas nativas conservadas.

O resultado é que a Klabin tem saldo positivo de 4,7 milhões de toneladas de CO2eq e já reduziu em 60% suas (Escopo 1 + 2) emissões específicas de CO2eq. E conta com matriz energética 89% proveniente de fonte renovável.

Um dos lemas da COP26 é Together for our Planet e, para nós, da Klabin, não poderia ser melhor. Juntos, com iniciativas de sustentabilidade e ciência, temos condições de melhorar a vida no nosso planeta.

*CEO DA KLABIN

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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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