quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

MILITARES REJEITAM STATUS DE GENERAL PARA PMS

 

Militares das Forças rejeitam status de general para PMs

Oficiais criticam medida em projeto de lei; Ministério da Defesa já rechaçou decreto no Rio que deu patente a policiais e bombeiros

 

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

 

 

BRASÍLIA - Os dois projetos de lei que preveem a criação de cargos de general para a Polícia Militar e mandato de dois anos para os comandantes e impõem condições para que governadores possam demiti-los provocaram reação de militares da cúpula das Forças Armadas. “É uma proposta intempestiva, completamente precipitada e sem justificativa real para que esteja sendo apresentada agora, sem uma discussão prévia”, disse ao Estadão general Santos Cruz, demitido da Secretaria de Governo no início da gestão de Jair Bolsonaro e ex-secretário Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça do governo Michel Temer.

O general engrossa o coro dos que defendem uma regra uniforme para as PMs, mas ressalta que as propostas reveladas pelo Estadão “não estão no padrão do que se espera de uma lei orgânica”. Segundo o militar, é inadmissível conceder patente de general, algo exclusivo das Forças Armadas, para policiais. “Dentro de estrutura militar ninguém pode ter mandato, não cabe isso”, afirmou.


Nas polícias, pautas são vistas como defesa das corporações contra ação política Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Em agosto de 2019, o Ministério da Defesa rechaçou a tentativa do governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que numa canetada criou o cargo de general “honorífico” na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros. A pasta considerou o decreto inconstitucional e acionou a Advocacia-Geral da União (AGU), o que levou Witzel a recuar e anular o decreto.

Procurado, o Ministério da Defesa manteve a posição divulgada à época sobre a criação destes postos, quando informou que, de acordo com a Constituição Federal, compete privativamente à União legislar sobre o assunto. “Com base nessa competência privativa, encontra-se em vigor o Decreto-lei n.º 667/1969, que reorganiza as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares dos Estados, dos Território e do Distrito Federal, cujo artigo 8.º define que o maior posto hierárquico nessas corporações será o de Coronel”, diz em nota. Sobre os demais pontos do projeto, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, preferiu não se manifestar, sob a alegação que o texto oficial ainda não está em tramitação no Congresso.

Generais da ativa ouvidos pela reportagem sob condição de anonimato dizem que as PMs são forças auxiliares das Forças Armadas, como está previsto na Constituição, razão pela qual, se os projetos forem aprovados, podem provocar um grave problema de hierarquia. Como exemplo, um general cita que caso seja necessário acionar as Forças Armadas por alguma razão, como a Garantia da Lei e da Ordem, por exemplo, o policial pode não aceitar a ordem do militar por ter uma patente maior ou por se considerar do mesmo nível hierárquico.

Para este militar, esse potencial conflito de autoridade deve preocupar a sociedade em geral, não apenas as Forças Armadas. O temor dos militares é que essa discussão seja tomada pela ideologia e não pela razão e pela necessidade de preservação do Estado brasileiro. Pela lei hoje, um coronel do Exército é sempre mais antigo que um coronel da PM.

“Esse assunto não pode ser discutido de forma superficial”, reiterou Santos Cruz. Na avaliação dos oficiais-generais consultados, há uma gama de problemas com as propostas apresentadas. Consideram que a maioria deles pode atingir princípios básicos da estrutura militar – a hierarquia e a disciplina. Sobre a questão da escolha de comandantes da forma como está proposta, seja por lista tríplice, seja com ressalvas para os governadores poderem demiti-los, dizem considerar inadmissível.

Controle

O Exército controlava as polícias, por meio da Inspetoria-Geral das Polícias Militares (IGPM), até a Constituição de 1988. Depois disso, os governadores passaram a nomear seus comandantes e a IGPM perdeu seus poderes. Atualmente, o controle do Exército sobre as polícias é formal, versa sobre efetivos e armamento, mas não treinamento, formação de pessoal, ingresso na carreira, e promoções, o que ficou a cargo de cada Estado.

 

CÂMARA DOS ESTADOS UNIDOS VOTA HOJE IMPEACHMENT DE TRUMP

 

Vice dos EUA rejeita acionar emenda para afastar Trump e Câmara deve votar impeachment nesta quarta

Democratas tinham dado 24 horas para que ele invocasse emenda capaz de destituir presidente por incapacidade; republicanos já não defendem o titular da Casa Branca como ocorreu na ação de 2019

Redação, O Estado de S.Paulo

 

 

 

WASHINGTON - O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, informou nesta terça-feira, 12, que não acionará a 25ª Emenda à Constituição para afastar o presidente Donald Trump do cargo. A decisão foi comunicada em uma carta à presidente da Câmara, Nancy Pelosi. "Não acredito que tal curso de ação seja do melhor interesse de nossa nação ou consistente com a Constituição", escreveu ele.

Pence comunicou sua decisão depois de ter ignorado o prazo inicial de 24 horas dado pelos democratas para acionar tal medida. Apesar da negativa do vice-presidente, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, dominada pelos democratas, aprovou na noite desta terça-feira uma resolução instando Pence a invocar a 25ª Emenda. Um republicano, o congressista Adam Kinzinger, foi o único de seu partido a aderir à maioria democrata.


Presidente americano, Donald Trump, diante do muro da fronteira dos EUA com o México: ele trata a barreira como uma promessa de campanha cumprida no seu mandato  Foto: Delcia Lopez/The Monitor via AP

O movimento abre caminho para a Câmara avançar rapidamente para aprovar nesta quarta-feira o impeachment de Trump, que ainda deveria passar pelo Senado. O pedido dos democratas era uma forma de pressionar Pence a afastar o presidente de modo menos burocrática. Seria uma resolução mais rápida do que enfrentar todos trâmites do Congresso logo no início do mandado de Joe Biden. Certo de que seus aliados não cederiam, Trump afirmou hoje no Texas – onde visitou um trecho do muro na fronteira com o México – que a chance de invocarem a 25.ª Emenda contra ele era “zero”.

No segundo impeachment que enfrentará, Trump será acusado de “incitar à insurreição”. Na Câmara, uma maioria simples de 218 votos é suficiente para aprovar o pedido – ou menos, se houver ausências no plenário. Os democratas contam com 222 cadeiras.

No entanto, mesmo que a Câmara aprove o impeachment, a Constituição dos EUA diz que o processo para tirar o presidente do cargo também deve ser votado pelo Senado. O trâmite poderia continuar após a posse de Biden, no dia 20. A aprovação no Senado, neste caso, teria o efeito de deixá-lo inelegível.

Para afastar Trump da Casa Branca é preciso o voto de dois terços dos senadores. Para tanto, seria necessário que 17 senadores republicanos votem a favor da remoção. De acordo com o New York Times, os líderes republicanos da Câmara decidiram não fazer lobby para derrubar o pedido de impeachment. Para analistas, trata-se de um sinal de ruptura com o presidente, que luta para obter apoio em suas fileiras para a votação de amanhã.

Embora o deputado Kevin McCarthy da Califórnia, o líder da minoria na Câmara, tenha dito que se oporia ao impeachment e buscaria orientar os republicanos em uma direção diferente, sua decisão de não exigir que os demais votem contra a medida constituiu uma mudança de comportamento com relação ao primeiro processo de destituição contra Trump, que não passou pelo Senado em 2019. Da primeira vez, McCarthy e os líderes da Câmara pressionaram os republicanos para apoiar o presidente em quase todas as questões.

No Senado, um grande aliado do presidente até a semana passada, o senador Mitch McConnell, líder republicano na Casa, também se recusou a defender Trump contra o impeachment. Segundo o New York Times, que cita conversa com assessores próximos aos congressistas, pelo menos 12 senadores republicanos estariam pensando em apoiar o processo de destituição.

No entanto, segundo reportagem do site The Hill, parte dos legisladores republicanos ainda teme que um voto pelo impeachment possa prejudicar seus planos em futuras eleições primárias – a ação não seria bem vista pelos eleitores do presidente –, mesmo achando que Trump tem culpa pelo motim no Capitólio.

Aliados do republicano, conforme o Hill, reconhecem que seu poder político diminuiu, mas avaliam que um Trump enfraquecido ainda mantém uma enorme influência sobre os conservadores fora de Washington, com muitos acreditando nas mentiras divulgadas por ele de que a eleição foi roubada.

O site Politico noticiou hoje que a organização de republicanos Defending Democracy Together, que engloba grupos que fizeram campanha contra o presidente, prometeu arrecadar US$ 50 milhões (R$ 266 milhões) para ajudar legisladores do partido que votarem a favor do impeachment.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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