terça-feira, 12 de janeiro de 2021

FORD FECHA SUAS FÁBRICAS NO PAÍS - 5000 DESEMPREGADOS

 

Mudança global traz dificuldade à indústria automotiva e pressiona montadoras

Para analistas, decisão da Ford mostra dificuldade do setor em se adaptar ao cenário de carros elétricos e híbridos no País, gerando o risco de outras montadoras também deixarem o Brasil

Cleide Silva, Márcia De Chiara e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

 

 

O anúncio de fechamento das fábricas da Ford no Brasil foi um choque e uma surpresa para quase todo mundo. Quem acompanha mais de perto esse mercado, porém, não se surpreendeu tanto assim. Os analistas dizem que a indústria automobilística vem tentando se reinventar no mundo todo, e uma das alternativas é focar nos veículos elétricos e híbridos. A corrida para chegar a produtos viáveis nos mercados globais está deixando para trás empresas e países que entraram tarde, ou ainda nem participam dessa disputa, avalia Cássio Pagliarini, da Bright Consulting.

Esse processo exige elevados investimentos e, no caso da Ford, tudo indica que a matriz não quis ter esse gasto no Brasil. O movimento anunciado ontem é algo similar ao que ocorreu recentemente com a Mercedes-Benz, que em dezembro fechou sua fábrica de automóveis em Iracemápolis (SP).


 

Especialistas alertam para o risco de outras montadoras seguirem o mesmo caminho da Ford. Foto: Ford Media

Em comunicado, a Ford afirma vai concentrar a produção da América Latina na Argentina e no Uruguai. Para Marcus Ayres, sócio-diretor da consultoria Roland Berger, duas razões teriam, na sua opinião, favorecido o país vizinho. Uma delas é que a Argentina produz a Ford Ranger, um dos carros-chefe da companhia. Além disso, a economia argentina é altamente dolarizada, o que facilitaria o repasse de aumento de custos. Hoje, 70% da produção Argentina é exportada.

No Brasil, a situação do setor automotivo já vem em ritmo lento desde a crise de 2014, e foi intensificada pela queda drástica no mercado provocada pela pandemia da covid-19. Não bastasse a situação global, o governo brasileiro não tem demonstrado interesse em definir uma política industrial que indique se o caminho aqui será o de carros elétricos, híbridos ou híbridos a etanol.

“Está faltando uma orquestração política no setor”, diz Pagliarini, que foi funcionário da Ford por 25 anos. Em sua opinião, “há um perigo muito grande” de outras montadoras seguirem a decisão da Ford. “Temos muita capacidade instalada e não cabem tantas fábricas, aqui e no mundo”, afirma.

Velocidade

“O Brasil é um país de infinitas possibilidades, mas no setor automotivo há algumas coisas que precisam se mover um pouco mais rápido para se adequar à nova realidade”, diz Ayres. Ele destaca que os três pilares da indústria automobilística são: posicionamento dos produtos, performance e progresso. “Quanto mais rápido a indústria se mover na ideia desses três pilares para se adequar à nova realidade, mais robusta ela ficará. Se ela ficar parada nessas três dimensões, daí eu não tenho dúvida alguma de que o movimento que vimos com a Ford poderemos esperar para outras montadoras.”

Para Ayres, a decisão da Ford de sair do País não foi uma novidade. Esse movimento já vinha sendo sinalizado desde 2019, com a venda da fábrica de caminhões de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. A estratégia da companhia, que culminou com a decisão de encerrar as operações no País, ocorreu porque uma série de veículos produzidos no Brasil não estavam alinhados com os objetivos globais da empresa, diz. “A Ford está se movendo para ser uma montadora de SUVs (utilitários esportivos), o segmento mais lucrativo, e de veículos elétricos.”

 Ricardo Bacellar, sócio-líder de Industrial Markets e Automotivo da KPMG no Brasil, aponta que a decisão da Ford decorre de uma série de fatores, começando pelo aumento da concorrência, que comprometeu as suas margens de rentabilidade – uma situação que a pandemia ajudou a deteriorar. A necessidade de quarentena, que no período mais rígido fechou concessionárias, obrigou as montadoras a correrem para acelerar os investimentos em digitalização, algo que não foi acompanhado pela Ford.

“Ela acabou afastando os clientes. Várias montadoras optaram pelos lançamentos rápidos em seus canais digitais. Houve uma necessidade de investir muito”, diz.

Atraídas por incentivos fiscais, inúmeras montadoras se instalaram no País de olho em um mercado de pelo menos 3 milhões de veículos por ano. Hoje, as fábricas locais têm capacidade para produzir 5 milhões de veículos por ano. Em 2020, no entanto, foram fabricados 2 milhões e deve levar, segundo projeções, cerca de mais cinco anos para o setor voltar a patamares da pré-pandemia, de cerca de 3 milhões de unidades. Mas, segundo Cássio Pagliarini, “a Ford decidiu não esperar”.

 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

HOMENAGEM AOS SERVIDORES DO BUTANTÃ E DA FIOCRUZ PELO EMPENHO NA FABRICAÇÃO DAS VACINAS

 

Ainda bem que não estamos em guerra!

Nossas autoridades federais terão que ser eternamente gratas aos servidores do Butantã e da Fiocruz

Gonzalo Vecina, O Estado de S.Paulo

 

 

 

Quinta-feira, 07 de janeiro, foi dia de assistir às coletivas. A esperança, aquela em que depositamos as nossas últimas esperanças, me deu forças. Valeu a pena! Temos o reconhecimento da existência de vacinas suficientes produzidas no Brasil. Talvez existam ainda espaços vazios nas falas dos políticos e militares, mas parece que existe um grande acordo - vacinas do Butantã que demonstraram uma eficácia de 78% no geral e de 100% em prevenir casos graves deverão compor um volume da ordem de cerca de 140 milhões de doses em 2021, dependendo de como e de quem fala.

 

"O ministro general reclamou que já anunciou várias vezes a quantidade de vacinas que dispõe, mas não o ouvem."  Foto: Dida Sampaio/ESTADÃO

 

Na esfera federal, 100 milhões, na estadual, 140 milhões. Além disso, na Fiocruz, espera-se uma produção de 210 milhões de doses e mais 2 milhões, para começar, logo em janeiro, que talvez cheguem da Índia para aumentar o número de 10 milhões de doses da Sinovac já em São Paulo prontas para serem usadas. Total: 352 milhões de doses para vacinar 160 milhões (todos os brasileiros com mais de 18 anos, que são a população alvo) com duas doses cada um. Daria até para exportar um pouco. E sem falar a muito falada Covax Facilities da OMS, a qual o general Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, tem muito apreço.

A coletiva paulista foi cheia de respeitos e cuidados, muita emoção e até choros. Devidos provavelmente, à tenebrosa marca das 200 mil mortes, grande parte delas evitáveis se os governantes governassem. A federal também foi cheia de choros, mas por parte dos militares que reclamaram que não são compreendidos. Chororô. O ministro general reclamou que já anunciou várias vezes a quantidade de vacinas que dispõe, mas não o ouvem. Esquece que quando fala uma coisa e o capitão o manda desfalar - caso do trato com o Butantã - ele destrata e, portanto, o falado não valeu.

As duas vacinas disponíveis são seguras e eficazes e têm um volume suficiente para cobrir a população brasileira ao longo do ano de 2021. Poderiam ser mais concentradas no primeiro semestre? Sim, mas não é possível, e será ao longo do ano. Há a discussão de espaçar as duas doses e aumentar a cobertura em um primeiro momento? Sim, mas ainda não está definido e espero que quem defina sejam chamadas inteligências na área de imunização e não os luminares do MS.

A questão das seringas certamente será resolvida, não pela inteligência logística dos militares e sim pela capacidade de resposta da indústria nacional. Teremos ainda que resolver a questão do software de vacinação e da campanha de conscientização da população sobre a importância de vacinar. Isso será crítico. Como desmentir o capitão, seu superior, sobre o fato de que quem tomar a vacina não virará jacaré?

Foi muito confusa certa parte da coletiva em relação a obter mais vacinas, chegando a discutir sobre diluentes e vacinas liofilizadas - que, portanto, não necessitam ficar a menos oitenta graus - e sobre como as grandes farmacêuticas tem um comportamento predatório. Isto para se defender da paralisia que o MS viveu na maior parte do tempo.

Digo e repito: nossas autoridades federais terão que ser eternamente gratas aos servidores do Butantã e da Fiocruz, que fizeram a tarefa deles - acharam e viabilizaram as vacinas que permitirão que enfrentemos essa crise sanitária terrível marcada pelo desgoverno. Agora é hora de acordar da inércia e garantir que as vacinas cheguem ao povo.

 

GOVERNADORES QUEREM INICIAR A VACINAÇÃO DA POPULAÇÃO ENTRE OS DIAS 22 E 27/01/2021

 

Governadores querem fechar com Pazuello a data entre 22 e 27 de janeiro para vacinação

Em reunião marcada para terça-feira, Estados vão pedir ao governo federal que campanha inicie em uma mesma data nos 26 Estados e no Distrito Federal.

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

 

 

 

Brasília - Governadores esperam definir um cronograma de vacinação contra a covid-19 em uma reunião com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na terça-feira, 12. O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), afirmou que os Estados vão pedir ao governo federal que a campanha inicie em uma mesma data nos 26 Estados e no Distrito Federal.

"Estou esperançoso que vamos sair desta agenda com uma data para iniciar a vacinação nas 27 Unidades da Federação, dependendo da liberação da Anvisa, de 22 a 27 de janeiro", disse Dias, que coordena a articulação do Fórum Nacional dos Governadores na covid-19, ao Broadcast Político. No sábado, 9, o ministério informou que a vacinação será simultânea em todo o País.


O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, deve ir ao Amazonas na próxima segunda-feira Foto: Gabriela Biló/Estadão

Durante a reunião com Pazuello, os governadores devem pedir para incluir equipes na rede pública e orientar a população sobre possíveis efeitos colaterais da vacina. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia autorizar o uso emergencial de imunizantes, o que garante o início da campanha em grupos prioritários antes da conclusão dos estudos.

A agência começou a analisar o pedido feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para o produto desenvolvido pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca. Por outro lado, A Anvisa informou que não recebeu todos os documentos necessários do Instituto Butantan para analisar a Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o instituto paulista.

Para Wellington Dias, foram dados "passos importantes" na última semana, mas é preciso organizar um observatório nacional para o coronavírus com mutação, em coordenação com os Estados, e ainda articular uma rede de comunicação para evitar "informações distorcidas". O Ministério da Saúde do Japão anunciou neste domingo, 10, que uma nova variante do vírus foi detectada em quatro viajantes brasileiros, do Estado do Amazonas.

Manaus

Diante do aumento de casos graves e mortes por covid-19 no Amazonas, Pazuello confirmou que irá para Manaus nesta segunda-feira, 11. A reunião com os governadores estava prevista para esse dia, mas foi adiada para terça em função da viagem. De acordo com o Ministério da Saúde, o chefe da pasta vai anunciar um reforço ao plano de contingência do Estado.

Dentre as ações da pasta no Amazonas, segundo a assessoria do ministério, estão a reorganização do atendimento nos postos de saúde e hospitais, o recrutamento de profissionais de saúde e a abertura de leitos de UTI, além do envio de equipamentos, insumos e medicamentos. Na capital do Estado, Pazuello vai oficializar a entrega de 10 novos leitos de UTI e 118 leitos clínicos no Hospital Universitário Getúlio Vargas.

 

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...