quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

FINAL DA ERA TRUMP NOS ESTADOS UNIDOS

 

Washington nas convulsões finais da era Trump

Uma presidência que gerou hostilidade e divisões por quatro anos pareceu estar terminando em uma explosão de raiva, desordem e violência

Peter Baker / The New York Times, O Estado de S.Paulo

 

 

Por anos, os críticos do presidente Donald Trump que alertavam sobre os piores cenários foram chamados de alarmistas. Mas o pior cenário parecia estar se materializando nesta quarta-feira, quando os apoiadores do presidente invadiram o Capitólio dos Estados Unidos, forçando a suspensão do processo de formalização de sua derrota nas eleições e a retirada do vice-presidente Mike Pence e dos membros do Congresso.

 

Após extremistas pró-Trump invadirem o Capitólio, o presidente eleito Joe Biden condenou os ataques e pressionou Donald Trump a pedir para que seus seguidores cessem os atos de violência  Foto: Saul Loeb/ AFP

 

Em uma cena notável, que evoca golpes e levantes em países autoritários ao redor do mundo, uma multidão rompeu barricadas de segurança, quebrou janelas e invadiu o Capitólio. Enquanto os parlamentares fugiam, os policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo dentro do palácio da democracia americana e sacaram de armas para proteger a Câmara, gerando um impasse à mão armada. Os manifestantes chegaram ao púlpito do Senado, onde o vice-presidente estivera pouco antes, e ao gabinete da presidente da Câmara, Nancy Pelosi, onde um deles se sentou à sua mesa.

A extraordinária invasão do Capitólio ocorreu pouco depois de um comício no qual Trump incitou seus admiradores a marchar até a sede do Congresso para protestar contra a confirmação dos resultados da eleição que ele perdeu, sugerindo até que se juntaria a eles, embora não o tenha feito. Ainda que não os tenha exortado explicitamente a entrar à força no prédio, o presidente lhes disse que sua presidência estava sendo roubada e ninguém deveria tolerar isso, inflamando paixões que irromperam pouco depois, na outra extremidade da Avenida Pensilvânia.

Trump finalmente pediu calma só depois que a situação piorou. “Estou pedindo a todos no Capitólio dos EUA que continuem em paz”, escreveu ele no Twitter. “Sem violência! Lembre-se, NÓS somos o Partido da Lei e da Ordem – respeitem a Lei e nossos grandes homens e mulheres de uniforme. Obrigado!”.

Mas, de início, o presidente não lhes disse para deixar o Capitólio nem permitir que o processo fosse retomado, e até mesmo os próprios conselheiros de Trump imploraram que ele fizesse mais. “Condene isso agora, @realDonaldTrump”, escreveu no Twitter Alyssa Farah, que acabou de deixar o cargo de diretora de comunicações. “Você é o único que eles vão ouvir. Pelo nosso país!”.

Manifestantes que repetem discurso sobre fraude na eleição acessaram plenário e gabinetes do Capitólio Foto: John Minchillo/ AP

Momentos depois de o presidente eleito Joe Biden entrar ao vivo na televisão para condenar a “sedição” no Capitólio e exigir que Trump aparecesse diante das câmeras, o presidente publicou online um vídeo gravado que trazia mensagens contraditórias. Ele repetiu suas queixas contra pessoas “muito más e muito malvadas”, ao mesmo tempo em que disse a seus apoiadores que era hora de se retirar, sem condenar suas ações.

“Eu sei que vocês estão feridos”, disse ele. “Tivemos uma eleição que foi roubada de nós. Foi uma eleição esmagadora e todo mundo sabe disso, principalmente o outro lado. Mas vocês têm de voltar para casa agora”. Ele acrescentou: “Nós amamos vocês. Vocês são muito especiais”.

Os críticos do presidente o culparam por encorajar a reação violenta ao dizer aos americanos, repetidas vezes, que a eleição foi roubada, sendo que, na verdade, não foi. “Foi o presidente que provocou tudo isso hoje, essa insurreição”, disse a um repórter o senador Mitt Romney, republicano de Utah, enquanto era conduzido com outros congressistas a um local seguro que as autoridades pediram que não fosse revelado.

O deputado Adam Kinzinger, republicano de Illinois, que faz críticas abertas ao presidente, foi ainda mais longe, acusando os partidários do presidente de tentar a derrubada violenta do governo. “É uma tentativa de golpe”, escreveu ele no Twitter.

Embora Washington tenha visto muitos protestos ao longo dos anos, até mesmo alguns que se tornaram violentos, a convulsão de quarta-feira foi diferente de tudo que a capital jamais viu durante uma transição de poder nos tempos modernos, literalmente interrompendo a aceitação constitucional da vitória eleitoral de Biden. Uma presidência que gerou hostilidade e divisões por quatro anos parecia estar terminando em uma explosão de raiva, desordem e violência.

“Nós nunca vamos desistir”, declarou Trump na “Marcha Salve a América”, no Parque Ellipse, pouco antes da revolta, seu último esforço para justificar sua tentativa fracassada de derrubar a eleição democrática com falsas alegações de fraude, as quais foram refutadas por autoridades eleitorais, juízes e até mesmo por seu próprio procurador-geral. “Nós nunca vamos ceder. Isso não vai acontecer. Você não aceita (o resultado) quando tem roubo. Nosso país disse chega. Não vamos aceitar mais, é disso que estou falando”.

Enquanto a multidão no Parque Ellipse gritava “Lute por Trump! Lute por Trump!”, o presidente criticava os membros de seu partido por não fazerem mais para ajudá-lo a se apegar ao poder, contrariando a vontade do povo. “Tem muito republicano frouxo”, ele rosnou e então jurou se vingar daqueles que considerava insuficientemente leais. “Você tem de enfrentar esses caras nas primárias”, disse ele.

Ele destacou o caso do governador da Geórgia, Brian Kemp, um republicano que o irritou por não intervir na eleição, chamando-o de “um dos governadores mais idiotas dos Estados Unidos”. E também atacou William Barr, o procurador-geral que não validou suas reclamações eleitorais. “De repente, Bill Barr virou outra pessoa”, reclamou ele.

Outras pessoas que fizeram discursos, entre elas seus filhos Donald Trump Jr. e Eric Trump, criticaram os parlamentares republicanos por não defenderem o presidente. “As pessoas que nada fizeram para impedir o roubo – nós aqui temos de mandar uma mensagem para essas pessoas”, disse Donald Trump Jr. “Este não é mais o Partido Republicano dessa gente. É o Partido Republicano de Donald Trump”.

Para muitos republicanos, este era o problema. Quando a presidência começou a escapar das mãos de Trump, os republicanos foram se voltando cada vez mais contra ele, preocupados com as eleições de terça-feira na Geórgia, as quais pareciam favorecer os democratas, e com os votos que ele estava forçando os parlamentares a obter contra os resultados de uma eleição democrática.

Até mesmo Pence e o senador Mitch McConnell, do Kentucky, líder republicano que há quatro anos está entre os mais leais partidários de Trump, finalmente romperam com ele de maneira decisiva. Pence se recusou a cumprir a exigência do presidente de usar seu papel como presidente da contagem do Colégio Eleitoral para rejeitar votos de delegados para Biden. E McConnell fez um discurso enérgico repudiando o esforço de Trump para anular a eleição.

“Se esta eleição fosse derrubada por meras alegações do lado perdedor, nossa democracia entraria em uma espiral mortal”, disse McConnell em um discurso antes de os manifestantes invadirem o Capitólio. / Tradução de Renato Prelorentzou

 

CONGRESO AMERICANO CONFIRMA VITÓRIA DE BIDEN

 

Congresso confirma vitória de Biden após ataque de extremistas pró-Trump ao Capitólio

Em sessão conjunta, Câmara e Senado confirmaram o resultado apresentado pelo colégio eleitoral em favor do presidente eleito; Trump admite fim do mandato e fala em 'transição ordenada'

Redação, O Estado de S.Paulo

 

 

WASHINGTON - O Congresso dos Estados Unidos ratificou nesta quinta-feira, 7, a vitória do democrata Joe Biden na eleição presidencial no ano passado. Em uma sessão que se estendeu por toda a madrugada, retomada após a invasão do Capitólio por extremistas pró-Trump, os parlamentares confirmaram os resultados apresentados pelo colégio eleitoral e formalizaram a vitória da chapa Biden-Harris. Após o fim da sessão, Trump admitiu o fim do mandato e prometeu uma "transição ordenada".

Com a confirmação do resultado apresentado pelos Estados - que apontou vitória da chapa democrata com 306 delegados conquistados -, não há mais nenhum obstáculo formal no caminho de Biden até a Casa Branca. A data da posse do novo presidente e de sua vice, Kamala Harris, está prevista para o dia 20 de janeiro.


O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, durante a certificação do resultado da eleição presidencial. Foto: EFE/EPA/J. Scott Applewhite / POOL POOL

A sessão no Congresso foi retomada seis horas depois que uma multidão de extremistas pró-Donald Trump invadiu o Capitólio após um discurso em que o presidente americano prometeu nunca admitir sua derrota, em desafio ao rito parlamentar que confirmaria a vitória democrata.

O grupo interrompeu a certificação dos votos. A polícia precisou retirar o vice-presidente Mike Pence, que presidia a sessão, e os demais legisladores do prédio em um cenário de violência que abalou um pilar da democracia americana e deixou ao menos quatro mortos.

A agitação levou a prefeita de Washington, Muriel Bowser, a declarar toque de recolher em toda a cidade das 18h de ontem até às 6h de hoje. Mais tarde, disse que o estado de emergência na cidade ficaria em vigor até o dia da posse de Biden, em 20 de janeiro.

Manifestantes pró-Trump invadem o Congresso dos Estados Unidos durante uma sessão que certificaria os resultados das eleições presidenciais Foto: REUTERS / Shannon Stapleton

Biden fez um pronunciamento contundente contra a violência. Ao mesmo tempo, os democratas conquistavam a maioria do Senado com as duas vitórias dos candidatos que disputaram o segundo turno na Geórgia.

Por volta das 23 horas, depois de as autoridades terem conseguido limpar o Capitólio e seus arredores, Pence, autorizou a retomada dos trabalhos pelas duas casas do Congresso, para a continuidade do processo de ratificação do resultado das eleições.

A sessão passou longe de ser o ato simbólico que costuma ser. O resultado foi validado após uma madrugada de trabalho marcada pelas objeções apresentadas por aliados de Trump nas sessões da Câmara e do Senado. Resultados de Estados como Arizona e Pensilvânia foram contestados pelos parlamentares fiéis ao presidente, mas as objeções foram rejeitadas.

Após a rejeição da objeção ao resultado eleitoral da Pensilvânia na Câmara, já na manhã desta quinta, a sessão conjunta das duas Casas Legislativas foi retomada.

Sob a condução de Pence, a sessão ocorreu sem nenhuma nova objeção. Em um curto espaço de tempo, o resultado de mais de 10 Estados foi confirmado pelo Congresso, certificando a vitória da chapa Biden-Harris.

Trump aceita o fim do mandato e promete "transição ordenada"

Momentos depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitou sua derrota e e prometeu uma "transição ordenada" após o Congresso ratificar a vitória de Biden.

"Embora eu discorde totalmente do resultado da eleição e os fatos estejam do meu lado, no entanto, haverá uma transição ordenada em 20 de janeiro", disse Trump em um comunicado distribuído no Twitter por um de seus principais assessores, Dan Scavino.

"Eu sempre disse que continuaríamos nossa luta para garantir que apenas os votos legais fossem contados. Embora isso represente o fim do melhor primeiro mandato da história presidencial, é apenas o começo de nossa luta para tornar a América grande novamente!" ele acrescentou, citando seu lema eleitoral.

A reação de Trump veio através de Scavino porque a conta do Twitter do próprio presidente que está deixando o cargo está temporariamente suspensa, devido a mensagens nas quais ele justificou o ataque ao Capitólio por seus apoiadores.

Trump não reconheceu totalmente a derrota em sua declaração, algo que ele prometeu a seus seguidores que "nunca" faria, mas ele admitiu que seu mandato está chegando ao fim e que terá de deixar a Casa Branca em 20 de janeiro.

 

O BRASIL ESTÁ QUEBRADO OU NÃO?

 

OPINIÃO SOBRE A FALA DO PRESIDENTE: O BRASIL ESTÁ QUEBRADO

 

Faissal Hossain Lauar

 

 


É óbvio que o país não está quebrado. Os salários dos aposentados estão em dia, os salários dos funcionários públicos da ativa também. Não se anuncia atrasos de pagamentos. A dívida interna está na faixa de 100% do PIB. Isso não é tão ruim. Países com situação bem melhor que a nossa podem ultrapassar 150%. O serviço dessa dívida está bem mais palatável devido à redução da taxa básica de juros.

Na área internacional, nossas reservas cambiais ultrapassam 400 bilhões de dólares e estão aumentando. O risco-país vem diminuindo (isso é bom) constantemente.

Então por que ele diz que o país quebrou? Foi-lhe feita uma pergunta de quando corrigiria a tabela do imposto de renda. Não conheço todo o teor da resposta. Geralmente a imprensa de oposição omite algumas palavras explicativas do PR.

Na verdade, o país acabou gastando mais de 600 bilhões de reais só com gastos inesperados da Covid. E continua gastando. Ele precisa equilibrar a receita com a despesa. Não pode aumentar impostos porque o congresso não aprova.

Em São Paulo, Doria, que tem o controle da Assembleia legislativa, aumentou significativamente os impostos em comida, insumos agrícolas, remédios e muitos outros produtos. Cassou a gratuidade de transporte público para idosos entre 60 e 65 anos. É um monte de maldades pós eleições.

As despesas de pessoal sobem continuamente todos os anos, mesmo sem conceder aumentos salariais. E elas aumentaram intensamente durante os governos de PT. E ele não pode cortar despesas nesse campo ("não posso fazer nada", isso ele disse) e pouco sobra para investimentos.

Teria de aprovar a reforma administrativa, mas o Supremo já mandou o recado de que não pode reduzir "direitos adquiridos", confundindo direitos com privilégios. Assim a reforma se torna inócua, só válida para novos contratados, se conseguir furar a barreira do mecanismo. Ela já está na câmara, mas não é colocada para apreciação.

É preciso privatizar as estatais. São mais de 500, conforme o ex-secretário da desestatização, Salim Mattar. Novamente o mecanismo não permite isso, nem mesmo o próprio governo. O ministro da infraestrutura, Tarcísio, não permitiu nem a extinção da empresa criada pela Dilma para fazer o trem-bala. Ele é contra.

Teria de fazer a reforma tributária. O mecanismo novamente não permite.

E assim o PR não consegue mesmo fazer muita coisa. Tem o congresso e o judiciário contra qualquer pretensão.

Mas ele realmente não deveria ter dito isso. Deveria fazer como a grande maioria dos políticos: mentir, falar platitudes, dar uma enrolada, sair de mansinho, etc, etc.

Ele não é o presidente dos meus sonhos. Não votei nele. Mas me surpreendeu com a escolha de alguns bons ministros, com a recusa de fazer o "presidencialismo de coalizão" que nada mais é do que o "toma lá, dá cá"

Conseguiu a quase impossível reforma da previdência. Mas seus benefícios foram reduzidos com a inevitável despesa com a Covid.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...