terça-feira, 5 de janeiro de 2021

QUANTO TEMPO TEM MAIS O NÚCLEO DA TERRA PELA FRENTE

 

Quanto tempo falta até o núcleo da Terra colapsar?

 

ISTOÉ

Na crosta terrestre as temperaturas têm-se mantido relativamente estáveis durante todo o ano. Contudo, mais abaixo, onde se encontra o núcleo da Terra, o cenário pode não ser tão simpático. Os cientistas têm trabalhado arduamente para descobrir quanto tempo mais tem o núcleo da Terra pela frente.

Então, a dúvida que se coloca é quanto tempo falta até que o núcleo do nosso planeta fique sem combustível?

Conforme sabemos, o núcleo da Terra é uma parte essencial para que seja possível habitarmos aqui. Além de outras características, é um dos elementos de proteção com o qual estamos equipados para sobrevivermos à radiação solar.

Então, os cientistas acreditam que o núcleo da Terra excede os 10 mil graus Celsius. Ou seja, atinge temperaturas superiores às encontradas na superfície do Sol.

Segundo alguns estudos, estas temperaturas resultam de um combinar de alguns fatores. Estarão em causa a decomposição dos outrora elementos radioativos, o calor remanescente da formação planetária e o calor libertado à medida que o núcleo externo líquido solidifica perto do seu limite com o núcleo interno.

Além disso, o núcleo da Terra mantém-se quente graças a duas fontes de “combustível” distintas. Por um lado, a energia deixada pela formação do planeta. Por outro lado, a energia nuclear que existe devido à decomposição radioativa natural.

Isto, porque a formação do planeta ocorreu numa altura em que o sistema solar estava repleto de energia. Ou seja, nessa altura a Terra estava repleta de atividade vulcânica.

Contrariamente à crosta e ao manto, que são muito ricos em minerais, o núcleo da Terra pensa-se ser composto quase inteiramente de metal, especificamente ferro e níquel.

 


© Fornecido por IstoÉ Dinheiro

Quanto tempo de vida terá o núcleo da Terra?

Apesar de ser incrivelmente quente, os cientistas estão a tentar perceber quanto tempo aguentará o núcleo da Terra com estas temperaturas exorbitantes. Um grupo da Universidade de Maryland afirma ser capaz de desvendar a questão num horizonte de quatro anos.

Conduzir o movimento tectónico da placa terrestre e alimentar o seu campo magnético requer uma quantidade gigante de energia. Essa energia advém exatamente do núcleo da Terra. Contudo, os cientistas defendem que o núcleo está a arrefecer muito lentamente.

Embora o calor primordial se tenha dissipado em grande parte, existe uma outra forma de calor a aquecer a crosta e o manto da Terra. De forma natural, existem grandes quantidades de material radioativo nas profundezas da Terra, com algum dele a residir em torno da crosta. Durante o processo natural de decomposição desse material, o calor é libertado.

Posto isto, os cientistas sabem que o calor flui do interior da Terra para o espaço. Contudo, não sabem quanto desse calor é primordial.

 


© Fornecido por IstoÉ Dinheiro

Tempo de vida do núcleo da Terra difícil de calcular

Então, os cientistas estão perante dois lados distintos da moeda: se o calor for predominantemente primordial, a Terra arrefecerá mais depressa; se for criado em parte pela decadência radioativa, o calor da Terra irá durar mais tempo.

Neste momento, apesar da quantidade de combustível que resta para alimentar os mecanismos do planeta ser estimada, os resultados diferem bastante. Então, desconhece-se a quantidade de energia primordial e radioativa que efetivamente resta no núcleo da Terra.

Para detetar a quantidade de combustível que resta, os cientistas utilizam sensores avançados para detetar algumas partículas subatómicas. Estas que são geradas a partir de reações nucleares que ocorrem dentro de estrelas, supernovas, buracos negros e reatores nucleares de origem humana.

Assim sendo, os detetores maciços estão enterrados mais de um quilómetro na crosta terrestre. Apesar de ser um trabalho extremamente difícil, o detetor pode identificar as partículas quando estas colidem com átomos de hidrogénio no interior do aparelho.

 

© Fornecido por IstoÉ Dinheiro

Posteriormente à contagem do número de colisões, os cientistas são capazes de determinar o número de átomos de urânio e de tório que permanecem no planeta. Infelizmente, os detetores que existem detetam apenas 16 eventos por ano e tornam o processo demasiado lento. Contudo, os cientistas esperam que o avanço tecnológico venha a alterar esta realidade.

Apesar de parecer um cenário preocupante, a verdade é que o processo levaria milhares de milhões de anos. Além disso, o Sol irá provavelmente desaparecer muito antes do núcleo da Terra, em cerca de 5 mil milhões de anos.

 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

ESTRATÉGIAS PARA O ANO DE 2021 EXIGE EMPENHO DOS GOVERNANTES

 

Um ‘gambito’ para 2021

País começará o ano herdando um tabuleiro marcado por lances já realizados

Luiz Carlos Trabuco Cappi*, O Estado de S.Paulo

 


A estratégia desenhada para enfrentar os desafios de 2021 exigirá empenho, soma de esforços e agilidade. O cronômetro do jogo cobra ações imediatas. Neste começo de ano, um tempo de esperança e afeto, compartilho uma ideia. Pense no tabuleiro de xadrez, um jogo que tem muito a nos ensinar. O desenvolvimento cognitivo que ele favorece, assim como os valores que propõe, podem mudar, para melhor, nossa maneira de ver as coisas.

O xadrez vive um novo momento de glória com a popularidade da série O Gambito da Rainha. Nela, a protagonista Elisabeth Harmon é tida, desde a infância, como um prodígio dos tabuleiros. A jovem passa os episódios enfrentando grandes mestres e vencendo quase todos – superando barreiras e preconceitos que a tornam uma figura emblemática da falta de inclusão e diversidade no esporte que também é uma profissão. Uma das falas mais interessantes da personagem, num episódio marcante, é que “o xadrez nem sempre é competitivo; ele pode ser simplesmente lindo”.

Nesse jogo, toda informação que precisamos está plenamente disposta no tabuleiro. O resultado da partida dependerá única e exclusivamente da habilidade de cada um. Não existe o “contar com a sorte”. O que há como diferencial é a preparação, o estudo, o conhecimento.

O xadrez começa sempre polarizado: brancas e pretas caminhando em direção ao centro. A jogada chamada gambito da rainha (ou estratégia da dama) consiste em oferecer um sacrifício que envolve a peça de maior mobilidade dentro do tabuleiro, para se ganhar uma vantagem posicional efetiva. Esse movimento pode ser aceito ou recusado pelo adversário, decisão que definirá o rumo da partida. Curiosamente, os sacrifícios em favor de continuar seguindo em frente foram uma constante ao longo de 2020, tanto na esfera pública quanto na privada.

Sempre existiram muitas associações entre as instituições modernas e o papel que caberia a elas no tabuleiro de xadrez. Os reis certamente seriam os governos; as poderosas rainhas, talvez as grandes corporações; os bispos, a mídia que, mais do que nunca, inspira veneração; o cavalo e a torre seriam os exércitos e as forças de segurança; e, evidentemente, os peões representariam os cidadãos comuns.

Não se pode nunca desfazer um movimento no xadrez, mas é possível se recuperar e fazer com que os próximos lances sejam bem melhores. Em 2021, o País começará o ano herdando um tabuleiro marcado por lances já realizados, como o decreto de calamidade pública e a provisão de créditos extraordinários, entre outros. Assim como pelo recuo em alguns quadrantes importantes, como os das reformas tributária e administrativa.

Um bom estrategista no xadrez da economia consideraria imutáveis algumas regras do jogo, como o respeito à meta fiscal, à regra de ouro e ao teto de gastos. Provavelmente movido por um sentimento experimentado pelos melhores enxadristas de que, “se um jogador acredita em milagres, às vezes ele pode operá-los!”.

O jogo de xadrez celebra a importância da ponderação, da engenhosidade e do estudo de jogadas já realizadas, para que não se repitam no presente os mesmos erros cometidos antes. Igualmente, premia a ação executada dentro de um timing específico. A série valoriza, ainda, a importância de despir-se de vaidade. A certa altura, o personagem Harry Beltik, que fora um adversário vencido por Elisabeth quando ela ainda era criança, torna-se seu mentor. E ao vê-la cheia de vícios na vida adulta, trilhando caminhos errados, sentencia: “É tolice correr o risco de ficar louco por vaidade”. E assim, movido por um bem maior, empenha-se em trazê-la de volta à realidade e dar novo rumo à partida. Sempre em nome da beleza do jogo.

São esses valores que merecem uma reflexão cuidadosa para enfrentarmos os próximos lances de 2021. E, como diria a protagonista, ao final do último episódio: “Let’s play!”.

*PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO BRADESCO. ESCREVE A CADA DUAS SEMANAS

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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