domingo, 3 de janeiro de 2021

DESAFIOS DA ECONOMIA PARA 2021

 

Os desafios da economia em 2021

Especialistas apontam que o combate à pobreza e à desigualdade, as reformas estruturais e a questão ambiental estão entre os principais problemas a serem enfrentados este ano

Redação, O Estado de S.Paulo

 

 

O ano que terminou ficará na memória como o mais desafiador da história recente. No campo econômico, enfrentamos uma retração profunda. Vimos empresas falindo e o aumento do desemprego. Em 2021, não teremos a surpresa da covid-19 – mas sim a esperança da vacina. Mesmo assim, os desafios não devem ser menores.

Como mostram os especialistas convidados pelo Estadão, o Brasil entra neste ano com muitos e graves problemas a serem solucionados. Mas o encaminhamento dessas soluções não está claro. O desemprego tende a crescer, após o fim do pagamento do auxílio emergencial, em dezembro. E a desigualdade deve subir ainda mais. As tentativas de se criar um novo programa de apoio, em substituição ao Bolsa Família, acabaram fracassando.

As reformas estruturais são apontadas como fundamentais para a melhora do ambiente econômico, mas o que se antevê são muitas dificuldades para essa agenda – que nunca foi uma prioridade do presidente Bolsonaro.


Desmatamento na Amazônia estará no foco das discussões em 2021 Foto: Alex Ribeiro/Agência para Notícias

O País continuará tendo de lidar com as pressões externas em relação à questão ambiental, que devem aumentar ainda mais com a posse de Joe Biden na presidência dos EUA. O cenário global até pode ser bom: o mundo voltará a crescer, os preços de commodities devem subir, o dólar deve se enfraquecer. Há espaço para o Brasil aproveitar esse quadro. Mas, para isso, será preciso solucionar os problemas internos, que não são poucos.

sábado, 2 de janeiro de 2021

CONSOLO PARA AQUELES QUE PERDERAM ENTES QUERIDOS

 

Aos que perderam entes

Mauro Condé*


“Confrontar a morte é como encarar o sol, é algo doloroso, mas necessário para o nosso processo de desenvolvimento durante o breve período de tempo que vivemos sob a luz” - Irvi D. Yalom

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes livros sobre filosofia.

Eles me levaram para o dia 31 de dezembro de 1940, em Paris, onde fui recebido pelo filósofo e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, Henri Bergson, a quem fui logo pedindo:

Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

-Procure cultivar com carinho os melhores momentos vividos com cada pessoa que não está mais entre nós, como forma de mantê-las vivas para sempre em nossas lembranças.

-A memória e o afeto estão intimamente ligados.

Perspicaz e convincente, Henri Bergson defendeu, em suas obras, teorias sobre o tempo e a memória como parte da nossa essência nesse mundo.

Entre suas várias façanhas, está a lembrança do dia em que ele desafiou Einstein para um debate sobre o tempo e o espaço, durante uma palestra do gênio da física no auditório do Collège de France.

Bergson dizia que basicamente somos o conjunto de todas as nossas memórias agrupadas, ainda que vivendo no tempo presente.
É no presente, na verdade, que construímos todas memórias com as quais dialogaremos no futuro, até o fim da vida.

Ler a obra de Henri Bergson nos motiva a querer criar hoje as melhores memórias possíveis, pois elas serão revisitadas amanhã.
Bergson nos instiga a viver o melhor presente, o melhor aqui e agora, para termos o que lembrar e o termos o que nos orgulhar quando estivermos bem velhinhos.

Aprendi com Bergson e com Guimarães Rosa (“as pessoas não morrem, elas ficam encantadas”) que lembrar de todos os entes queridos, parentes, amigos e conhecidos que já se foram é uma linda forma de homenagem, de mantê-los vivos para sempre.

Todo mundo que se vai desta vida deixa um legado, deixa marcas, deixa lembranças positivas que precisam ser frequentemente regadas e transmitidas para as novas gerações.

Curiosamente, como ocorreu com várias pessoas que morreram nesse ano de 2020, Bergson morreu há quase 80 anos atrás de complicações respiratórias.

Dedico esse artigo a todos os que passaram pela dolorosa experiência de perder algum ente querido para a Covid.

*Palestrante, Consultor e Fundador do Blog do Maluco.

 

LEGISLATIVO SUBSERVIENTE COM OS GOVERNOS

 

Subserviência do Legislativo?

Alinhamento entre os chefes do Executivo e do Legislativo não se traduz em autocracia

Carlos Pereira, O Estado de S.Paulo

 

 

 

Tem existido uma crescente preocupação com a possibilidade de vitória de Arthur Lira (PP), candidato apoiado pelo Presidente Jair Bolsonaro, na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. Esse desassossego não é totalmente destituído de razão, pois o alinhamento político entre chefes do Executivo e do Legislativo sempre traz o risco de subserviência do poder Legislativo ao já extremamente poderoso Executivo no Brasil.

Alguns, inclusive, enxergam que esta suposta subordinação do Legislativo ao Executivo traria perigos reais para a própria democracia brasileira. Essa preocupação ficou explícita no discurso de lançamento do deputado Baleia Rossi (MDB) como candidato de oposição ao governo Bolsonaro à presidência da Câmara. A narrativa construída buscou inspiração no “pai” da democracia brasileira e da “Constituição cidadã”, Ulysses Guimarães, repetindo o mote: “temos ódio e nojo da ditadura”.


O presidente Jair Bolsonaro saúda o deputado Arthur Lira em junho deste ano em Brasília Foto: GABRIELA BILÓ/ ESTADÃO

O cientista político Scott Morgenstern, Professor da Universidade de Pittsburgh, propõe uma tipologia para entender quando legislativos seriam proativos, situação na qual seria a força preponderante no processo de formulação e de aprovação das leis, ou reativos, quando o Legislativo raramente inicia uma legislação, atuando fundamentalmente em negociações ao reagir a iniciativas legislativas preponderantemente do Executivo.

Para Morgenstern, os legislativos na América Latina são de três perfis; 1) subserviente: não oferece qualquer veto ou resistência ao Executivo, inclusive aos seus potenciais desvios; 2) cooperativo: frequentemente concordando com projetos presidenciais, mas geralmente exigindo compromissos ou recompensas em troca do consentimento; e 3) recalcitrante: bloqueia a maioria das iniciativas do Executivo se posicionando como adversário do presidente.

O alinhamento político entre os chefes do Executivo e do Legislativo não é condição suficiente para definir o perfil de atuação do Legislativo. Outros aspectos como sua profissionalização, padrão de carreira dos parlamentares e a proximidade de interesses entre o Executivo e o legislativo exercem papel decisivo no perfil e no padrão de atuação do Congresso vis-à-vis o Executivo.

Legislativos que apresentam pouca profissionalização e baixo índice de reeleição tendem a ser subservientes. Por outro lado, quanto maior a motivação dos legisladores em permanecer no Legislativo e maiores os incentivos à sua profissionalização, mais proativo e influente será o Legislativo. Quando o governo não desfruta de maioria no Congresso, legislativos podem apresentar um padrão cooperativo com o Executivo ou mesmo migrar para o perfil recalcitrante com os interesses do Executivo em caso de polarização entre governo e oposição.

O alinhamento político entre os poderes legislativo e executivo tem sido a regra e não a exceção no Brasil. Todos os presidentes da República que minimamente entenderam o funcionamento do presidencialismo multipartidário, fossem eles de esquerda, de centro ou de direita, atuaram ativamente para que a presidência das casas legislativas fosse ocupada por parlamentares do seu partido, ou, pelo menos, de partidos da coalizão. Portanto, não tem necessariamente nada de antidemocrático em o presidente buscar a congruência de interesses entre o Executivo e o Legislativo.

É precipitado concluir que o Legislativo seria uma “vítima indefesa” dos poderes do presidente, pois, na medida em que esses poderes foram delegados pelos próprios legisladores, podem ser por eles também retirados. Um bom exemplo foi a restrição imposta pelos legisladores em 2001 à reedição indefinida de Medidas Provisórias, que aconteceu quando, pasmem, o presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves (PSDB), era do mesmo partido do Presidente FHC. Ou seja, a despeito de um alinhamento político com o Executivo, o Congresso não se furtou em restringir os poderes do presidente.

*CIENTISTA POLÍTICO E PROFESSOR TITULAR DA ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DE EMPRESAS (FGV EBAPE)

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...