sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

BANQUEIRO JOSÉ SAFRA FALECEU

 

O silêncio do banqueiro José Safra

Sonia Racy

 

 


Joseph e Vicky Safra. Foto: Sonia Racy/Estadão

Joseph Safra ocupava privilegiado lugar na tradicional lista dos bilionários globais da revista Forbes. Entretanto, na lista dos que não aparecem em público e muito menos concedem entrevistas, o banqueiro conquistou, talvez…o primeiríssimo posto. Consequência deste silêncio, a fortuna da família Safra acabou alimentando lendas. Muito se fala sobre seus negócios, mas nada sai da boca dos próprios. Foi com muita determinação que consegui convencer “seu José” – como ele era chamado por todos no trabalho, bem como pelos amigos – a me conceder duas entrevistas gravadas, depois de anos e anos de conversas em off (jargão usado pelo jornalismo, quando a fonte da informação não pode ser revelada). Uma foi feita em 2000 e outra em 2010. O “calado” patriarca, casado com a sempre presente Vicky por 50 anos, pai de quatro filhos e 14 netos, nunca gostou mesmo é…de falar. Sempre foi homem de poucas e decisivas palavras.

A primeira entrevista bateu meu recorde de tempo corrido: foram mais de cinco horas de gravação de uma vez só. Um processo de negociação – pergunta por pergunta – sobre o banco, perspectivas e mundo. Na segunda entrevista, o timing melhorou um pouco. Foram só…quatro horas. O mercado financeiro internacional se afogava na crise dos subprimes, depois da quebra da Lehman Brothers, e o mundo buscava saídas urgentes. Descobri, logo de cara, que a tarefa não seria muito mais fácil comparada à primeira entrevista. Perguntei: Para onde vai essa crise? A resposta: “Vai se resolver”. “Só isso, seu José? Tenho disponível uma página de jornal inteira!” O banqueiro me respondeu: “Que mais quer que eu diga?” Os leitores podem imaginar como se deu a longa e custosa conversa.

Minha relação com o banqueiro vem de anos de bate-papos informais, que aos poucos foram se solidificando em confiança mútua. As primeiras conversas começaram em março de 1995, quando o Brasil resolveu flexibilizar o sistema de câmbio fixo. Persio Arida, presidente do BC, queria abrir a banda cambial, até então fixa. Seu diretor no BC, Gustavo Franco, não. O então ministro da Fazenda Pedro Malan se absteve diante das opções dos seus economistas formuladores do Plano Real. Sobrou para o presidente Fernando Henrique Cardoso, que, salomonicamente, optou por fórmula que acabou questionada pelo mercado. Tão questionada que, no dia do anúncio da mudança, o BC perdeu US$ 8 bilhões em reservas em 24 horas.

Fui informada de que o Banco Safra havia agido rapidamente para se proteger e trocado milhões de reais por dólares. Na busca de confirmação para essas operações cambiais, procurei o banco que…sequer tinha uma assessoria de comunicação. Total insucesso. Pouco tempo depois, me disseram que seu José iria me receber. Algo inimaginável para qualquer jornalista com um mínimo de informação sobre os Safra. Data marcada, cheguei ao prédio, na esquina da Av. Paulista com Rua Augusta, bastante ansiosa. E, ao aterrissar no 24.º andar, me deparei com uma sala imensa, cercada de objetos de arte do mundo inteiro decorando o ambiente. Entretanto, cá entre nós, o que me chamou mesmo a atenção foi uma belíssima série de gravuras do Vaticano, de Rafael. “Sou judeu religioso, mas aceito todas as religiões”, justificou o banqueiro.

Conheci ali um senhor educadíssimo, cerimonioso, de fala mansa e tom ameno. Muito diferente do que esperava, ante as descrições que circulavam pelo mercado financeiro. Essas davam conta do discreto banqueiro como muito “agressivo”. Ouvi ali sua história sobre as operações cambiais, prometendo não identificar a fonte de informação. Redigi nota na coluna Direto da Fonte, publicada no Estadão (onde estou até hoje). E, a partir de então, comecei a apreender que seu José não mentia. Podia até omitir. Mas me tirar da pista da notícia, nunca.

Certa vez ele me ligou para me perguntar sobre o que eu estava achando do comportamento do mercado de câmbio. Perplexa, não sabia o que dizer ao maior conhecedor do mercado de câmbio mundial. Depois, pesquisei, discretamente, com alguns interlocutores, sobre essa sua atitude. Fui informada de que o banqueiro costumava buscar opinião até…do ascensorista do banco, quando achava que desta troca aprenderia algo novo. Trata-se de atitude muito diferente em um ambiente onde o sucesso é termômetro para certezas contundentes. Percebi que, a partir desta ronda de pesquisas incomuns, o banqueiro tirava suas deduções se antecipando aos mercados sequencialmente. O dinheiro, cheguei à conclusão observando seu José, está nos… detalhes.

Passei a frequentar jantares na casa de Vicky e seu José, no Morumbi. Ele me permitia trabalhar conversando e me apresentando à metade do PIB presente, integrantes do governo das várias esferas – federal, estadual e municipal. E, assim, saía do evento com muita informação nova. A contrapartida: jamais mencionar a festa. No ano passado, entretanto, ele me liberou para clicar, em maio, em NY, o tradicional jantar fechado do banco que historicamente antecede a premiação do Person of the Year. Fotos feitas, montei a página da coluna – não, ele não permitiu fotógrafo profissional entrar – e publiquei, entre outras, foto da sua última aparição pública (ver ao lado).

A chance de participar desses eventos oferecidos pelo banqueiro me abriu portas. Empresários, políticos e outros integrantes do mercado financeiro, ao me verem circulando, se assustavam. A ojeriza que os Safra têm da imprensa é internacionalmente conhecida. Dia seguinte, esses mesmos convidados, ao se depararem com a coluna do Estadão, percebiam que o que eu dizia, “estou aqui em off”, era realidade. A confiança que seu José depositou em mim passou a ser quase uma… credencial. Cabe registrar aqui que a iniciativa privada não é obrigada, como são políticos, artistas e outros, a conversar ou conviver com jornalistas. Ela pode se expressar, se for esta sua opção, exclusivamente por meio de comunicados. Como fazem sempre os Safras.

O filho de Jacob Safra – também banqueiro, nascido em Alepo e sediado em Beirute antes da Segunda Guerra Mundial – diferentemente da maior parte dos tycoons que já passaram por este mundo, nunca analisou sua trajetória como algo que merecesse registro. Não se ouvia da boca do banqueiro palavras como “eu fiz”, “eu ganhei”, “eu “sou”. Ele dizia sim, como me repetiu diversas vezes, que “sempre quis ser como meu pai”.

Engana-se quem acha que seu José – obsessivo, trabalhador e perfeccionista – dedicou sua vida somente a “suar a camisa” para fazer seu banco crescer. Como pai, fazia questão de estar em casa sempre que podia. Chegava por volta das 20 horas, para jantar com todos da família. Este era outro foco perceptível do banqueiro, além do banco. Certa vez, só para dar um exemplo, chegou a esperar acordado um dos seu filhos tarde da noite. Brigou com ele? Não, mas advertiu: “Filho, é perigoso lá fora”.

A ideia fixa na segurança da família é parte dos empresários do mundo de hoje, mas é preocupação antiga dos Safras. E ela se tornou um pedaço do forte controle que o banqueiro tentava exercer sobre tudo que lhe dizia respeito direta ou indiretamente.

Vale registrar que seu José, na ocasião da doença que acometeu Jacob pai, pediu licença da presidência do Safra e dormiu quatro meses no hospital Einstein, onde seu Jacob estava internado, mantendo-se à cabeceira até a despedida final. Não cabem aqui todos os outros exemplos de pessoas doentes que foram acompanhadas pelo banqueiro. Não só com dinheiro, mas também com telefonemas e presença física. Tampouco cabem aqui seus surdos e contínuos atos beneficentes pelo Brasil e mundo afora.

Certa vez, perguntei a que ele atribuía seu sucesso. “É só não emprestar dinheiro para todo mundo que te pede…” Que mais seu José?

Silêncio…

 

 

POLÍCIA FEDERAL COMBATE EXTRAÇÃO DE MADEIRA EM TERRAS INDÍGENAS

 

Ação da PF combate extração de madeira em terras indígenas

 

RedeTV!

 

Grupo contava com a colaboração de indígenas, diz a PF

 


© Fornecido por RedeTV!

Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (15) a Operação Igarapé, tendo como alvo um grupo investigado pela extração ilegal de madeira em terras indígenas.

São cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nas cidades de Ministro Andreazza e Cacoal. As diligências foram autorizadas pela 1ª Vara Federal de Ji-Paraná (RO).

As investigações tiveram início a partir de mensagens encontradas em celulares apreendidos em outra investigação contra um grupo de madeireiros, informou a PF. A extração ilegal ocorreria nas terras Indígenas Igarapé Lourdes e Sete de Setembro.

Segundo a PF, pelas mensagens “foi possível identificar a forma de atuação do grupo, os responsáveis pelos maquinários utilizados no desmatamento e os donos de serrarias receptoras da madeira extraída ilegalmente”.

A polícia disse que o grupo contava com a colaboração de indígenas, que atuavam para conceder autorizações de entrada nas terras e de alertar sobre a presença de fiscais. Os envolvidos podem ser enquadrados nos crimes de associação criminosa, desmatamento e usurpação de bens da União.

Em seu mais recente levantamento, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) constatou um aumento de 9,5% no desmatamento na Amazônia no período entre agosto de 2019 e julho de 2020, na comparação com o mesmo período anterior.

 

GOVERNO SE RENDE AO CENTRÃO

 

A corda e a caçamba

 

Notas & Informações – Jornal Estadão

 


Na superfície, foi apenas a demissão de mais um ministro irrelevante, o 12.º a cair em menos de dois anos. Mas a saída de Marcelo Álvaro Antônio do Ministério do Turismo depois que este denunciou as movimentações palacianas para saciar o apetite do Centrão deu o tom do envolvimento do presidente Jair Bolsonaro na sucessão da presidência da Câmara, muito mais profundo do que recomenda a prudência.

O ministro caiu depois que se tornou público o teor de uma mensagem postada por ele no grupo de WhatsApp de colegas de Esplanada com pesadas críticas ao ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. Álvaro Antônio acusou o ministro Ramos de se dedicar à negociação de cargos do primeiro escalão com o Centrão para arregimentar apoio ao candidato governista à presidência da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL). Um desses cargos seria justamente o de ministro do Turismo, o que enfureceu Álvaro Antônio e o motivou a chamar o colega Luiz Eduardo Ramos de “traíra”.

Depois de dizer que conhece bem o Congresso, pois é deputado pelo PSL-MG, criticou o ministro Ramos por entrar no gabinete do presidente Jair Bolsonaro “comemorando algumas aprovações insignificantes no Congresso, mas não diz o altíssimo preço que tem custado” – em referência à oferta de cargos no governo em troca de votos. O agora ex-ministro Álvaro Antônio escreveu que, apesar dessas negociações – que se deram num volume “nunca antes visto na história”, segundo ele –, o governo “ainda assim” não conseguiu formar “uma base sólida no Congresso Nacional”. Tanto é assim, segue a mensagem, “que o senhor (ministro Ramos) pede minha cabeça para tentar resolver as eleições do Parlamento”, ou seja, “pede minha cabeça para suprir sua própria deficiência”.

As “eleições no Parlamento” a que se refere o defenestrado ministro é justamente a disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, em fevereiro do ano que vem. A mensagem de Álvaro Antônio, portanto, escancarou o que todos já intuíam: que o presidente Bolsonaro, por meio de seus articuladores políticos, está fazendo de tudo para ter alguma influência sobre o comando do Congresso e jogou suas fichas no deputado Arthur Lira.

A história recente do País mostra que os presidentes que se intrometeram na sucessão do comando do Congresso foram castigados – o caso mais recente, o de Dilma Rousseff, é uma história bastante conhecida e deveria servir como advertência. Aparentemente, contudo, Bolsonaro julga que vale a pena correr o risco, por motivos evidentes por si mesmos: incapaz de organizar uma base sólida seja para governar, seja para sobreviver no cargo, depende cada vez mais dos humores do Centrão, razão pela qual amalgamou seu governo a esse bloco fisiológico a ponto de praticamente tornarem-se indissociáveis – a corda e a caçamba.

É claro que o governo Bolsonaro, no discurso, vai tentar confundir sua rendição total ao Centrão com o interesse nacional. No Ministério da Economia, por exemplo, já se diz que o deputado Arthur Lira merece o apoio de Bolsonaro porque estaria mais alinhado à agenda de reformas, conforme promessas do candidato. Essa versão vale tanto quanto uma nota de três reais.

Em primeiro lugar, o deputado Arthur Lira tem histórico de defesa do aumento de gastos públicos e votou a favor da retirada de Estados e municípios da reforma da Previdência. Como “reformista”, portanto, é cristão-novo: converteu-se ao discurso das reformas, mas nada garante que tenha renunciado à antiga fé na gastança.

Em segundo lugar, se o presidente Bolsonaro estivesse mesmo tão engajado nas reformas teria aproveitado o clima reformista da Câmara sob a presidência de Rodrigo Maia e encaminhado todos os projetos que prometeu na campanha eleitoral. O que se viu, contudo, foi um excruciante atraso, que muitos atribuíram à falta de articulação política do governo, mas que, hoje está claro, se deve muito mais ao desdém com que Bolsonaro trata as reformas.

O discurso de respeito aos interesses do País na sucessão do comando do Congresso, portanto, é apenas pretexto para que Bolsonaro e o Centrão cuidem de suas conveniências particulares, para surpresa de ninguém.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...