quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

VINAÇÃO DA POPULAÇÃO CORRE RISCO POR FALTA DE SERINGAS

 

Seringas vazias?

Risco de aparelhamento de Saúde e Anvisa é o Brasil e você, brasileiro, ficarem sem vacina

Eliane Catanhêde, O Estado de S.Paulo

 

 


Depois de duas semanas de férias, a coluna volta com uma dúvida: os generais MourãoFernandoHelenoBraga NettoRamos Pujol vão permitir que o presidente Jair Bolsonaro aparelhe a Anvisa e deixe o Brasil ser pego de calças curtas e seringas vazias? E que você, brasileiro, não seja vacinado?

Mesmo bolsonaristas renitentes, que negam a realidade e se recusam a ver o que está acontecendo, começam a se preocupar. Bolsonaro chegaria a tanto? Como ele ultrapassa todos os limites, o tempo todo, a resposta é preocupante: sim, e ele já se mostrou capaz de priorizar suas guerrinhas políticas em detrimento da vacina.

 

Uma coisa é dar de ombros para parceiros internacionais, Amazônia, Cultura, Meio Ambiente, Educação e até mesmo, por incrível que pareça, Saúde. Isso tudo pode parecer “abstrato” e “distante”, acionando o “não tenho nada a ver com isso”. Mas quando se trata de vacinas, é algo objetivo, direto, nem bolsonarista resiste.

É como se Bolsonaro tivesse um prazer mórbido de confrontar, chocar, sempre testando limites. Como tudo na vida tem limite, ele precisa desesperadamente manter o apoio do Centrão e tirar do deputado Rodrigo Maia (DEM) o controle da Câmara e, particularmente, das dezenas de pedidos de abertura de impeachment. De tanto esticar a corda, um dia ela arrebenta. E a vacina contra a covid-19 pode ser o “turning point”.

Até por isso as instituições precisam estar devidamente sólidas, confiáveis, e foi um erro imperdoável do Supremo aventurar-se pelo terreno pantanoso da reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Que Davi Alcolumbre se prestasse a esse papel, tudo bem, está do tamanho dele. Mas Rodrigo Maia lavar as mãos? E ministros do Supremo taparem os olhos (e o nariz) para jogar no lixo o texto constitucional?

O Supremo tem sido fundamental na defesa da democracia e contra golpistas de Executivo, Legislativo, empresariado, blogosfera. Foi graças à firmeza pessoal e jurídica de um Celso de Mello, um Alexandre de Moraes, que essa gente se recolheu. Ninguém mais vê manifestações contra Congresso e STF, muito menos o presidente atiçando a turba com o Quartel General do Exército ao fundo ou sobrevoando essas aglomerações com o ministro da Defesa, de helicóptero.

Logo, os 11 ministros do Supremo têm que se preservar, de manter a credibilidade da instituição garantidora, por excelência, do Estado Democrático de Direito. Não podem repetir Bolsonaro e priorizar seus próprios achismos e fingir que a Constituição (secundada pelos regimentos internos) não diz o que diz: que é vedada a reeleição para as presidências do Congresso na mesma Legislatura. É grosseiro, não faz jus à inteligência, à responsabilidade e ao compromisso do nosso Supremo com o nosso País.

Sim, Rodrigo Maia cumpre um papel importante, em alguns momentos decisivo, ao botar o pé na porta e estabelecer limites às insanidades e arroubos do presidente, mas não é recorrendo a expedientes também golpistas para lhe dar um novo mandato ilegal que Judiciário e Legislativo terão legitimidade para manter a democracia e o equilíbrio institucional.

O Brasil precisa de Supremo e Congresso fortes, para exigir democracia e defender princípios, avanços, leis e, agora, o acesso da população às vacinas, com planejamento e campanha impecáveis de imunização. Mas, se as instituições aderem a jeitinhos mequetrefes, acabam se embolando com Bolsonaro. Não sobra nada. Ainda mais se as Forças Armadas fecharem bocas, olhos e ouvidos e se tornarem coniventes com ameaças à independência da Anvisa e à segurança dos milhões de brasileiros. Calma, gente! Há que manter a compostura.

*COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA

 

BOLSONARO SOFRE PRESSÃO PELA IMUNIZAÇÃO DA POPULAÇÃO

 

Acossado pela vacina

Bolsonaro enfrenta pressão pelo boicote que promoveu à imunização

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

 


As imagens das primeiras pessoas, na maioria idosos sorridentes e esperançosos, sendo vacinadas no Reino Unido emocionaram quem assistiu televisão neste início de semana, e a chegada do tão esperado imunizante trouxe a cobrança que seria inevitável: e nós, e o Brasil?

Nós somos governados por Jair Bolsonaro, e esta é a razão pela qual o País está hoje lá atrás na corrida global pela vacinação contra o novo coronavírus.

 

O presidente negacionista está sentindo agora o resultado de seu negacionismo desde o início da pandemia: Bolsonaro é hoje um líder acossado pelos cidadãos, ávidos pela vacina, e pelos políticos, que também sentem a cobrança da população de seus Estados. E ela vai crescer e ganhar as ruas.

A imprensa sempre alertou que não adiantava o presidente se comportar como um antivax irresponsável e liberar sua tropa inconsequente, capitaneada por deputados como Bia Kicis, para vomitar sandices nas redes sociais, como aquela segundo a qual vacinas podem alterar o DNA das pessoas. Quando as vacinas começassem a ser ministradas mundo afora a omissão do governo federal ficaria patente.

Mas o que colocou fogo no pavio da pressão sobre Bolsonaro e seu ministro da Saúde, o titubeante e suarento general Eduardo Pazuello, foi o movimento, também político, do governador de São Paulo, João Doria Jr., de fixar uma data para o início da imunização no Estado com a Coronavac (que ainda não apresentou os estudos de fase 3, que comprovam a eficácia, e até agora não tem aprovação nem da Anvisa nem de agências internacionais).

Diante da data de 25 de janeiro, governadores de todos os Estados foram a Brasília cobrar do ministro um plano que não deixe as demais unidades da federação de fora.

Com sua franqueza crua, o prefeito Alexandre Kalil (PSD), reeleito em primeiro turno em Belo Horizonte, vaticinou em entrevista recente ao Roda Viva que Bolsonaro não teria como negar o acesso dos brasileiros à vacina quando ela chegasse, qualquer que fosse ela, mesmo a “chinesa” Coronavac: “Isso é crime! É impeachment!”.

É o medo do impeachment e de uma queda ainda maior na popularidade que justifica a corrida desengonçada do presidente, de Pazuello e do entorno dantesco por mostrar iniciativa na busca por uma vacina — até agora vale qualquer uma, menos a do Butantan.

Bolsonaro e os filhos, que incentivavam a criminosa pregação antivacina, agora defendem a imunização em suas redes sociais. Sumiram cloroquina, invermectina e outros embustes que eles e até o dublê de ministro da Ciência e astronauta tentaram enfiar goela abaixo de incautos. E com os quais torraram bilhões de dinheiro público em estudos inócuos e compras injustificáveis. Todo esse show de horrores não tem até aqui nenhuma responsabilização judicial.

Mas agora o cerco se fecha. O STF e o Congresso devem adotar medidas nos próximos dias aumentando a pressão sobre o Ministério da Saúde e a Anvisa. Governadores farão fila no Supremo cobrando o dispositivo da “Lei Covid-19” (13.979) para que vacinas sejam validadas pela Anvisa imediatamente, se já tiverem aprovação de uma de quatro grandes agências internacionais.

O prazo de fevereiro para a aprovação das vacinas que o “especialista em logística” (sic) Pazuello deu será encurtado por ele e por Bolsonaro em novas declarações atabalhoadas.

Vacina é uma conquista da civilização. A jornada da Ciência para criar e aprovar em tempo recorde imunizantes com diferentes tecnologias para o novo coronavírus é mais um capítulo emocionante dessa epopeia.

Que no caminho entre o nós e a vacina esteja um governante que tem profundo descaso pela vida é mais um dos infortúnios que o Brasil tem de enfrentar por ter, em 2018, votado majoritariamente em alguém inepto para presidi-lo.

*EDITORA DO BR POLÍTICO E APRESENTADORA DO PROGRAMA RODA VIVA, DA TV CULTURA

 


COLUNA ESPLANADA DO DIA 09/12/2020

 

Pressão

Coluna Esplanada – Leandro Mazzini

 

 


 

Deveu-se à pressão - principalmente das redes sociais, de acadêmicos e juristas - a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que barrou a possibilidade de reeleição dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Após o início do julgamento, na sexta, 4, com quatro votos favoráveis à recondução dos democratas, pesou a repercussão no fim de semana de que a Corte se inclinava para atropelar (“driblar”) a Constituição que veda, expressamente, a reeleição nas duas casas. O placar favorável a Maia e Alcolumbre foi revertido 48 horas depois do início do julgamento, com os votos dos ministros Marco Aurélio Mello, Cármen Lúcia, Rosa Weber, Luís Barroso, Edson Fachin e Luiz Fux (presidente).

Recado 
No voto que selou o resultado contrário à reeleição, Fux reafirmou a crítica que fizera na abertura da Semana Virtual Jurídica e de Gestão Empresarial, em novembro, contra a judicialização da política. 

Atalho 
“Não compete ao Poder Judiciário funcionar como atalho para a obtenção facilitada de providências perfeitamente alcançáveis no bojo do processo político-democrático”, sublinha o voto do presidente do STF.

Bloco
Logo após o resultado do julgamento do STF, deputados alinhados ao presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) retomaram a articulação para tentar formalizar o quanto antes o bloco que, além do DEM, pode contar com MDB, PSDB, PV e Cidadania para a disputa ao comando da Câmara, em fevereiro.

Votos
Caso o bloco se confirme, o próximo passo do grupo de Maia é tentar atrair a oposição - resistente a qualquer candidatura apoiada pelo Palácio do Planalto. Juntos, PT, PSB, PDT, PC do B e PSOL reúnem 132 deputados. São necessários 257 votos dos 513 deputados para garantir a eleição, em primeiro turno, na Câmara.

Apoio 
O MDB, que apoiou Davi Alcolumbre na tentativa de buscar a reeleição, agora espera reciprocidade do democrata para emplacar um parlamentar do partido na sucessão do comando do Senado.

Disputa
Dos nomes que despontam para a disputa, Renan Calheiros (MDB-AL) não tem unanimidade em toda a bancada. O senador Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo no Congresso, é potencial candidato com apoio do Palácio do Planalto.

Auxílio 
A duas semanas do recesso do Congresso, o Governo ainda não tem definida a alternativa para substituir o auxílio emergencial que acaba neste mês. As reformas (tributária e administrativa) e projetos econômicos - com a PEC do Pacto Federativo - também travaram em meio às disputas antecipadas pelas presidências da Câmara e do Senado.

Devolução 
Dos 7 milhões de beneficiários que receberam o auxílio emergencial indevidamente, apenas 200 mil devolveram os recursos que somam, até agora, cerca de R$ 1 bilhão - segundo relatório atualizado do TCU. O Ministério da Cidadania envia cobranças por mensagem de celular para 2,6 milhões de pessoas.

Vazamentos
Ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT-SP) vai cobrar explicações da pasta sobre os recentes vazamentos de dados pessoais de milhões de brasileiros. “É de uma gravidade sem tamanho”, resume.

Racismo
A Justiça determinou que o Atacadão S.A., do Grupo Carrefour, adote medidas contra atos discriminatórios. A ação partiu do MP do Trabalho após uma funcionária de uma unidade, no Rio, denunciar que encontrou o avental que costumava utilizar escrito com a frase: “só pra branco usar”. 

Em alta
O empreendedorismo feminino ganha força em 2020. Pesquisa da startup Me Poupe!, de educação financeira, aponta que 58% dos negócios iniciados durante a pandemia são comandados por mulheres.

 

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...