terça-feira, 8 de dezembro de 2020

INGLATERRA COMEÇA VACINAR A SUA POPULAÇÃO CONTRA O COVID-19

 

Britânica de 90 anos é a primeira pessoa no mundo a receber a vacina da Pfizer fora da fase de teste

Margaret Keenan recebeu a injeção no hospital local de Coventry, centro da Inglaterra, no início desta terça-feira; Reino Unido é o primeiro país do Ocidente a vacinar a população

Redação, O Estado de S.Paulo

 

 

Reino Unido começou a aplicar a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica Pfizer e a empresa de biotecnologia BioNTech nesta terça-feira, 8. O país é o primeiro do Ocidente a vacinar a população em geral. No início da fila estava Margaret Keenan, uma avó britânica de 90 anos que se tornou a primeira pessoa no mundo a receber a vacina da Pfizer contra a covid-19 fora de um ensaio clínico após sua aprovação.

"Eu me sinto privilegiada por ser a primeira pessoa vacinada contra a covid-19", disse Keenan, que recebeu a injeção em seu hospital local em Coventry, centro da Inglaterra, às 6h31min (3h31min de Brasília), uma semana antes de ela completar 91 anos. "É o melhor presente de aniversário antecipado que eu poderia desejar, porque significa que posso finalmente esperar passar um tempo com minha família e amigos no ano-novo depois de estar sozinha na maior parte do ano."


Margaret Keenan, de 90 anos, é a primeira paciente no Reino Unido a receber a vacina Pfizer-BioNTech contra a covid-19, administrada pela enfermeira May Parsons no University Hospital, Coventry, Inglaterra Foto: Jacob King / Pool via AP

"Não tenho palavras para agradecer a May e à equipe do NHS (Serviço Nacional de Saúde) que cuidaram muito de mim, e meu conselho para todos que tiverem a oportunidade de se vacinar é: tomem (a vacina). Se eu posso ser vacinada aos 90, você também pode!"

O segundo na fila da vacinação era William Shakespeare, de 81 anos, o primeiro homem a receber a imunizante no país. Usuários das redes sociais não deixaram passar despercebido o homônimo do poeta e dramaturgo inglês, conhecido por obras como Romeu e Julieta. "Os Dois Cavalheiros do Corona", brincou um internauta ao fazer referência a uma das peças de Shakespeare, Os Dois Cavalheiros de Verona.

 


William Shakespeare, de 81 anos, recebeu a vacina da Pfizer na manhã desta terça-feira, 8  Foto: Jacob King/EFE

Gill Rogers, de 86 anos, também foi vacinada nesta manhã. Ela perdeu o marido em abril, vítima da covid-19. Rogers disse que quando recebeu a ligação no final de semana perguntando se ela gostaria de ser vacinada nesta terça-feira, ela imediatamente disse sim: “Não vou mais me preocupar tanto, vou poder voltar a entrar em lojas com mais frequência e, com sorte, poderei até usar o transporte público”.

De acordo com o ministro da Saúde, Matt Hancock, o país espera vacinar milhões de pessoas antes do Natal. Em entrevista à BBC, ele disse que milhões de doses devem chegar ao Reino Unido antes do final do ano.

O primeiro-ministro Boris Johnson agradeceu ao Serviço Nacional de Saúde (NHS), aos cientistas e a todos os voluntários que participaram do desenvolvimento da vacina. "Vamos vencer isso juntos", disse ele em uma publicação no Twitter. Em visita a um hospital de Londres na manhã desta terça-feira, Johnson disse que "é incrível ver a vacina saindo, é incrível ver este tremendo impulso para toda a nação, mas não podemos relaxar. Não derrotamos o vírus".

Na Irlanda do Norte, a primeira pessoa a receber a vacina foi a freira Joanna Sloan, que vai liderar a vacinação em Belfast. O País de Gales também começou a imunizar a população nesta terça-feira.

 

A freira Joanna Sloan recebeu a vacina da Pfizer no Royal Victoria Hospital, em Belfast Foto: Liam McBurney/Associated Press

A Agência Regulatória de Produtos de Saúde e Medicamentos do Reino Unido (MHRA) liberou o uso emergencial da vacina na semana passada. Os resultados da fase final de testes da BNT162b2 apontaram eficácia de 95%. O imunizante tem como base a tecnologia conhecida como RNA mensageiro, que utiliza parte do material genético do vírus e instrui as células a produzir anticorpos. Os cientistas ainda não sabem por quanto tempo a imunidade pode durar. O CEO da BioNTech, Ugur Sahin, disse esperar que o efeito da vacina dure por um ano.

Brasil

Nesta segunda-feira, 7, o Ministério da Saúde informou que avançou em negociações de compra de 70 milhões de doses da vacina. Por ser administrada em duas doses, o total, previsto para 2021, pode imunizar 35 milhões de brasileiros. "Os termos já estão bem avançados e devem ser finalizados ainda no início desta semana com a assinatura do memorando de intenção", disse o ministério. Este documento não obriga o País a adquirir a vacina. A pasta não divulgou previsão de quando a vacinação poderia começar no Brasil.

Outros países

A agência reguladora de alimentos e medicamentos americana (FDA) deve avaliar a liberação da vacina da Pfizer nesta quinta-feira, 10. A Alemanha e outros países da União Europeia dependem da aprovação da Agência Europeia de Medicamentos, que deve acontecer até o dia 29 de dezembro. No Canadá, as autoridades reguladoras devem aprovar a vacina na próxima semana.

Os testes continuam em andamento em 154 locais, incluindo o Brasil, Japão, Alemanha e Estados Unidos, com participantes acima de 12 anos de idade. A fase final de estudos clínicos envolve 44 mil voluntários. /Com informações da Reuters

 

PODE FALTAR SERINGAS NO MERCADO PARA APLICAÇÃO DA VACINA CONTRA O COVID-19

 

Associação de artigos médicos alerta para risco de faltar seringa para vacina da covid no Brasil

Setor não tem estoque e precisa de três a cinco meses para atender a grandes demandas; falta coordenação nacional

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

 

 

RIO - A demora na apresentação de um plano definitivo para a aplicação da vacina contra a covid-19 por parte do Ministério da Saúde pode colocar o Brasil na posição de ter o imunizante, mas não ter seringas em número suficiente para vacinação em massa. O alerta foi feito nesta segunda-feira, 7, pelo superintendente da Associação Brasileira de Artigos e Equipamentos Médicos (Abimo), Paulo Henrique Fraccaro.

O setor não tem estoque de seringas e precisa de três a cinco meses para atender a grandes demandas. Desde julho, segundo Fraccaro, a Abimo alerta o governo para esse problema, mas até agora não recebeu encomendas nem um cronograma. O superintendente diz que a situação pode levar a um atraso considerável nas campanhas de vacinação. “Em julho, levamos essa preocupação ao governo federal”, contou Fraccaro. “Em agosto, o governo organizou uma reunião com os três fabricantes, mas, dai para frente, nada mais aconteceu de concreto. E já estamos em dezembro; isso deveria estar decidido no máximo em setembro.”

 


É recomendado estoque de seringas de três a cinco meses para atender a grandes demandas Foto: Dado Ruvic/ Reuters

Há uma semana, quando apresentou um plano preliminar para vacinação contra a covid, o Ministério da Saúde afirmou que estava abrindo licitação para compra de 331 milhões de seringas. O ministério foi procurado nesta segunda-feira, mas não se manifestou.

Segundo Fraccaro, as três empresas brasileiras que fabricam seringas têm capacidade de produzir de 120 a 140 milhões de seringas por mês. No entanto, essa produção atual já está toda comprometida com a demanda normal do setor. Tampouco há produção excedente para estoque. “Se for necessário, podemos produzir de 18 a 20 milhões a mais de seringas por mês, mas para uma quantidade maior tem de ter todo um planejamento”, explicou Fraccaro. “Já deveríamos estar com esses pedidos nas mãos.”

Coordenação

Um outro problema, segundo o superintendente, é que, diante da indefinição do governo federal, os Estados começam a fazer encomendas por conta própria, sem uma coordenação nacional.

“A minha preocupação é que alguns Estados, já prevendo essa demora de decisão por parte do governo federal, começaram a fazer encomendas”, contou Fraccaro. “Isso é muito confuso porque os Estados querem comprar de uma vez tudo o que vão precisar para o ano todo, e vão sobrecarregar as indústrias de pedidos; o ideal seria termos um pedido do governo federal e um cronograma para a entrega das seringas ao longo dos meses.”

De fato, a responsabilidade pela compra de insumos é dos Estados e dos municípios, como o Ministério da Saúde alegou. No entanto, em uma situação de pandemia e vacinação em massa de toda a população, a organização do governo federal seria crucial para o sucesso da empreitada.

Existe sempre a opção de importar seringas, mas, alerta Fraccaro, os preços já estão mais altos por causa da grande demanda.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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