domingo, 6 de dezembro de 2020

BIDEN LEMBRA O CONGRESSO DOS ESTADOS UNIDOS PARA AGIR NA CRISE DA PANDEMIA CONTRA O DESEMPREGO

 

Biden insta o Congresso dos EUA a agir em face da crise de empregos pela pandemia

 

AFP

 

 

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu ao Congresso que adote um novo plano de ajuda após a divulgação de um relatório que mostra que a taxa de desemprego caiu para 6,7% em novembro, mas a criação de novos postos perdeu força devido ao avanço da pandemia.


© Jim WATSON O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, em Wilmington, Delaware, em 4 de dezembro de 2020

 


© Eric BARADAT Uma placa de protesto em Washington, 9 de agosto de 2020

A economia dos Estados Unidos criou 245.000 empregos em novembro, de acordo com o Departamento do Trabalho, um número bem abaixo das expectativas.

E apesar da taxa de desemprego cair de 6,9% para 6,7% em um mês, a maior taxa desde que a pandemia pulverizou o mercado de trabalho, ainda há 10,7 milhões de desempregados, aos quais se somam pessoas que pararam de procurar trabalho.

Diante desse cenário, Biden, que toma posse no dia 20 de janeiro, alertou para a necessidade de agir imediatamente.

"Se não agirmos agora, o futuro será sombrio. Os americanos precisam de ajuda agora", afirmou o presidente eleito, que apelou ao Congresso para chegar a um acordo rapidamente.

A taxa de desemprego está oito pontos abaixo do máximo alcançado durante a pandemia em abril, mas ainda está 3,2 pontos percentuais acima do nível anterior à chegada do vírus.

“Estas melhorias no mercado de trabalho refletem a retomada contínua da atividade”, afirmaram as autoridades, que qualificaram a sua mensagem ao apontar que o ritmo de melhoria “tem moderado nos últimos meses”.

Os analistas esperavam que 650 mil empregos fossem adicionados ao mercado no mês passado, mas vários economistas já haviam alertado que esse número poderia ser muito menor devido a indicadores de que as contratações estão diminuindo devido ao avanço do vírus.

Esse cenário preocupa os especialistas, já que o vírus avança de forma incontrolável nos Estados Unidos, país com mais mortes pela pandemia, que deixou 210 mil infecções em um dia na quinta-feira.

Outro dado preocupante é o número de desempregados de longa duração - que estão sem atividade há 27 ou mais semanas - e que em novembro aumentou em 385 mil para um total de 3,9 milhões de pessoas.

Como consequência da crise, cada vez mais pessoas estão deixando o mercado de trabalho. De acordo com o relatório, a taxa de contribuição caiu para 61,5% da população em idade ativa, o que representa uma queda de 1,9 pontos percentuais em relação ao nível pré-crise.

- "Cota inicial" -

Esta semana, um grupo bipartidário de legisladores democratas e republicanos apresentou uma proposta de um novo pacote de estímulo no valor de 900 bilhões de dólares para apoiar pessoas desempregadas que esgotaram seus benefícios e economias e muitas empresas que estão em perigo de fechar suas portas.

O chefe da bancada republicana no Senado, Mitch McConnell, entrou na negociação e indicou que está disposto a apoiar um plano menor, de cerca de 500 bilhões, após os 2,7 trilhões de dólares aprovados desde o início da pandemia pelo Congresso.

Biden, que foi senador por mais de três décadas, disse que um acordo emergencial seria uma espécie de "entrada" e que no próximo ano mais ajuda será necessária.

"Se você insiste em tudo, provavelmente não receberá nada de ambas as partes", explicou Biden.

McConnell indicou nesta sexta-feira que teve uma "boa conversa" com a líder da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, com quem também deve negociar uma lei orçamentária que evite a paralisia do governo federal.

"Acho que ambos estamos interessados em obter resultados", acrescentou McConnell.

- "Meses difíceis" -

Para a consultoria Oxford Economics, os dados desta sexta-feira refletem um "esfriamento nas contratações e um número ainda muito elevado de novos desempregados".

Há consenso entre os economistas sobre a necessidade de um novo plano de estímulo econômico.

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, alertou que "alguns meses difíceis" estão chegando.

Gregory Daco, da Oxford Economics, indicou que um novo esquema de auxílio aos desempregados e às empresas seria uma "tábua de salvação" para a economia e alertou que sem esses auxílios a situação poderia piorar.

"Tememos que os próximos meses sejam difíceis para a economia, com riscos de queda devido ao vencimento iminente dos benefícios de desemprego para milhões de americanos e ao fim da moratória sobre os despejos", acrescentou.

 

an/dga/jc

 

VISÃO DA PETROBRAS SOBRE PETRÓLEO É TOTALMENTE DIFERENTE DA VISÃO MUNDIAL

 

Para Petrobrás, petróleo terá espaço por muitas décadas

 

Denise Luna – Jornal Estadão

 

 

RIO - A transição energética para uma economia sem emissões de gases efeito estufa não será rápida, principalmente em países emergentes como o Brasil, na avaliação de Viviana Coelho, gerente executiva de mudanças climáticas da Petrobrás. A função foi criada recentemente pela estatal para reforçar a imagem de sustentabilidade das suas operações, em um momento que investidores pressionam por políticas mais sustentáveis. Ela acredita que o petróleo ainda terá espaço por muitas décadas para produtores eficientes.

Há 18 anos na Petrobrás, a executiva, que até outubro ocupava a gerência de Emissões, Eficiência Energética e Transição para Baixo Carbono, afirma que há mais de uma década a Petrobrás tem a transição energética no radar, com perfeita consciência da tendência de redução da demanda e do preço do seu principal produto, o petróleo. Mas, diferentemente de algumas de suas rivais, a opção, neste momento, é não entrar na produção de energias renováveis e continuar apostando no petróleo.


© Fabio Motta/Estadão Analistas defendem que empresa deve explorar pré-sal o quanto antes

Os esforços são para manter em seu portfólio apenas projetos resilientes ao novo cenário de preços baixos. A seu favor, a empresa tem reservas gigantes da commodity no pré-sal, de baixo custo e baixo teor de carbono, garantindo, no entender de Coelho, uma vida longeva para os negócios da empresa.

“Em todos os cenários da Agência Internacional de Energia, você enxerga a desaceleração do consumo do petróleo, e eventualmente, em algum momento, uma retração nesse mercado. A gente não trabalha com uma data específica para o pico (do petróleo), o que fazemos é tentar ter um portfólio resiliente até para o pior caso. Trabalhamos com curva do preço do petróleo, e este ano revisamos essa curva, o que exige que nossos projetos tenham uma perspectiva de resiliência a US$ 35 (por barril)”, explica. Ela destaca que até os cenários mais agressivos mantêm o petróleo ainda por duas ou três décadas, com demanda significativa em 2040.

Nova geração

Ao mesmo tempo, diz, a empresa lançou em setembro o programa de Biorefino 2030, que prevê projetos para a produção de uma nova geração de combustíveis mais sustentáveis, como o diesel renovável e o bioquerosene de aviação. “Isso foi um exemplo prático de como a Petrobrás busca estar preparada para entrar em mercados que têm competência para ser o melhor player”, explica. “Existe uma transição em curso, mas não a ruptura completa, o petróleo não vai sumir de uma hora para outra, principalmente em países emergentes.”.

A executiva vê uma grande diferenciação no ritmo da redução do uso de combustíveis fósseis entre os países. “Teríamos cenários fracos se a gente não enxergasse que uma das tendências consolidadas do mundo é a expansão da mobilidade elétrica. É um fator que pressiona a redução do mercado. Por outro lado, você vê no Brasil, por ser um País em desenvolvimento, que ainda tem uma previsão de expansão no setor de transporte”, afirma.

Metas de neutralidade de carbono para 2050, como muitas petroleiras têm feito, não fazem parte das pretensões da estatal, por entender que um prazo desse porte passa por muitas condicionantes. “Gostamos de metas bem concretas, que possamos conseguir explicar como vamos chegar lá.”

Opção possível

Para analistas, a decisão da Petrobrás de não entrar na onda de produção de energia renovável, como muitas de suas concorrentes, é, no momento, a opção possível para uma empresa endividada e com grandes reservas de petróleo debaixo da terra.

“A Petrobrás não tem vantagens competitivas em geração renovável, isso ficou claro. O fato de não terem esse foco, porém, não significa que não tenha avançado em temas perpendiculares a essa pauta”, diz Ilan Arbetman, analista de petróleo e gás da Ativa Investimentos, citando o aumento da importância da redução das emissões no recente Plano Estratégico da empresa, que vai descartar projetos que tenham alta emissão de gás carbônico, entre outros avanços.

A descoberta do pré-sal, antes encarada como uma solução para as mazelas do Brasil, hoje representa um volume imenso de petróleo em um contexto de baixo preço e demanda, que pode até afastar investidores no médio prazo, o que torna o momento ainda mais desafiador para a petroleira brasileira. A vantagem, diz a companhia, é que o petróleo do pré-sal é de alta qualidade e com baixo teor de enxofre, e tem sido bem recebido pelo mercado internacional.

Para Renan Sujii, Estrategista Chefe de Investimentos no Grupo Harrison, a gestão da empresa desde Pedro Parente, em 2016, está olhando para dentro e focada na redução do endividamento. Até que isso seja solucionado, diz, será difícil ver a Petrobras diversificando suas operações. Pelo contrário, a empresa está se desfazendo de tudo que não seja petróleo e gás. Mas ele prevê que depois de resolvidos os problemas financeiros, a companhia deve olhar outros setores.

Shin Lai, estrategista da Upside Investor, diz que já há muitos sinais de que a era de declínio do petróleo está em andamento. “A China anunciou meta de emissões zero em 2060, a Inglaterra vai proibir venda de carros novos a gasolina em 2030 e com a eleição de Joe Biden, nos EUA, essa pressão vai ser ainda maior. Tudo isso coloca pressão sobre as petroleiras, ao mesmo tempo em que não podem acelerar a produção porque não tem demanda”, explica.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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