sábado, 5 de dezembro de 2020

GOVERNO DIZ QUE REDE DE ÓDIO É UMA ILAÇÃO

 

Governo diz que presta esclarecimentos à Justiça e chama de 'ilação' ligação com rede do ódio

Em nota, Secretaria de Comunicação do governo diz que 'confia que a Justiça prevalecerá' no inquérito dos atos antidemocráticos. Íntegra foi revelada hoje pelo Estadão

Patrik Camporez, Breno Pires e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

 

 

A Secretaria Especial de Comunicação (Secom) do Palácio do Planalto informou que está prestando “todos os esclarecimentos” às autoridades que investigam os atos antidemocráticos. Por meio de nota divulgada na manhã desta sexta-feira, o órgão isenta integrantes da Presidência da República de ligação com o esquema de organização e financiamento de ataques a instituições.

“O governo está prestando todos os esclarecimentos às autoridades e confia que a Justiça prevalecerá”, ressalta o comunicado. “Temos convicção que todos os fatos serão esclarecidos em nome da mesma democracia que tanto nos acusam de desrespeitá-la. A verdade vencerá.”

Estadão teve acesso a 1.152 páginas do inquérito instalado pelo Supremo Tribunal Federal e tocado pela Polícia Federal. A investigação revela, em uma série de depoimentos, que havia um negócio lucrativo de canais por trás dos atos antidemocráticos. Por sua vez, a nota da Secom avalia que o apoio de integrantes do Palácio a canais bolsonaristas, como destaca trechos do inquérito, é “pura ilação” e não tem “qualquer prova cabível e comprovação documental”. “Fazer co-relação com vídeos e conteúdos disponíveis publicamente na rede, em blogs de terceiros, é mero exercício de ficção, querendo impor a esse governo relação com atos antidemocráticos.”

Manifestação contra STF em Brasília.  Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

As ligações entre membros do chamado “gabinete do ódio”, ala ideológica do Planalto, e os canais bolsonaristas foram registradas nos depoimentos colhidos pela Polícia Federal e incluídos no inquérito. “O governo Bolsonaro foi eleito pelas urnas com o voto popular. Associar integrantes do governo à produção de conteúdo antidemocrático é no mínimo irresponsável e beligerante”, avalia a secretaria. “Não há gabinete do ódio. Não há um centavo de dinheiro público em sites antidemocráticos.”

A nota nega ainda que repassou “conteúdo antidemocrático” ou dinheiro aos canais e blogs, que estão sendo investigados. “Jamais a Secom ou integrantes do Palácio do Planalto contribuíram com conteúdos antidemocráticos. Não há apoio do governo e nenhum centavo sequer destinado a qualquer blog ou canal digital, diferentemente de outras gestões  que patrocinaram com verbas públicas sites e blogs de esquerda.”

Uma planilha da própria Secom divulgada em junho último pela CPMI das Fake News do Congresso, no entanto, informou que propaganda sobre a Reforma da Previdência, paga pela secretaria, foi veiculada, entre 6 de junho e 13 de julho de 2019, nos canais Foco do Brasil, Terça Livre e Vlog do Lisboa. Nesse mesmo período, houve 57.044 inserções de VTs da campanha na Folha do Brasil, antigo nome do Foco do Brasil. Além disso, houve mais 1.447 inserções nos Terça Livre e 2.081 no Vlog do Lisboa. A investigação do STF passou a mirar esses canais neste ano.

 

 

BOLSONARO VISITA ACADEMIA DA FORÇA AÉREA EM PIRASSUNUNGA

 

Maus brasileiros querem roubar nossa liberdade, diz Bolsonaro em Pirassununga

Em discurso na solenidade de formatura de cadetes na Academia da Força Aérea nesta sexta, presidente recomendou aos formandos que não se preocupem apenas com a carreira militar, mas 'com tudo ao seu redor'

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

 

PIRASSUNUNGA - Ao discursar durante solenidade de formatura de cadetes na Academia da Força Aérea, em Pirassununga, interior de São Paulo, na manhã desta sexta-feira, 4, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez referência a “maus brasileiros” que querem “roubar nossa liberdade”. Em ambiente militar, ele voltou a lembrar também que as Forças Armadas devem lealdade ao povo brasileiro.

 

Bolsonaro chega ao Aeródromo da Academia da Força Aérea em Pirassununga Foto: Marcos Corrêa/PR

 

Sem deixar claro quem são os inimigos, o presidente recomendou aos formandos que não se preocupem apenas com a carreira militar, mas olhem para supostos perigos que estão ao redor. “Se preocupem, sim, com tudo ao seu redor. Se esmerem cada vez mais no profissionalismo, no bem servir à tua Pátria e, mais do que bem servir à Pátria, se preocupar com tudo, porque não falta sempre alguns maus brasileiros que querem roubar aquilo que é de mais sagrado que existe entre nós, a nossa liberdade.”

Bolsonaro participou da solenidade de formatura de 138 aspirantes da Aeronáutica. Durante quatro anos, os jovens cadetes receberam instruções militares em formação básica. Com a formatura, eles passam a ser considerados “aspirantes aviadores” e seguem para especialização em diversas áreas da Força Aérea Brasileira (FAB).

Como já havia dito há uma semana, quando acompanhou a formatura de alunos da Escola de Especialistas da Aeronáutica, em Guaratinguetá, também no interior, ele disse que os militares devem lealdade ao povo. “Momentos difíceis os nossos povos já enfrentaram no passado e as Forças Armadas sempre estiveram ao seu lado e garantiram o que é mais sagrado em qualquer povo, a sua liberdade, a sua possibilidade de decidir seu futuro.”

O presidente lembrou seu passado militar, recordando que há 43 anos recebeu sua espada de aspirante. “Confesso, muitas das decisões que hoje tomo em grande parte vêm de passagens que tive ao longo da minha vida, não só de academia militar, mas como da vida de aspirante, tenente e capitão do exército brasileiro.”

Antes do discurso do presidente, o comandante da Aeronáutica, Antônio Carlos Moretti Bermudez, lembrou que, em 2020, a FAB tinha sido convocada para importantes missões em defesa do povo brasileiro, como a guerra contra a covid-19, o combate ao desmatamento e a defesa dos povos indígenas da Amazônia e o combate aos incêndios na Amazônia e no Pantanal.

Bolsonaro esteve no evento na companhia do ministro da Defesa, Fernando Azevedo, ministro chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e do ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, todos militares. Os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Coronel Tadeu (PSL-SP) e Marco Feliciano (PSC-SP), faziam parte da comitiva.

Como tem se repetido em outros eventos oficiais, Bolsonaro e integrantes de sua comitiva não usaram máscaras em nenhum momento. O uso do protetor facial é obrigatório por lei no Estado de São Paulo como prevenção ao coronavírus. Os formandos também estavam sem máscara e, embora mantivessem distância durante a cerimônia, se aglomeraram ao celebrar a formatura com familiares e o presidente. Bolsonaro saiu sem falar com a imprensa. Ele seguiu para Salvador, para participar de uma convenção estadual das igrejas evangélicas Assembleia de Deus.

 

PT NA CÂMARA NÃO APOIA CANDIDATO PRÓPRIO NA ELEIÇÃO DO PRESIDENTE DA CÂMARA

 

Na disputa pela Câmara, PT apresentará agenda com reivindicações a Lira e Maia

Partido vê chance menor de apoiar candidato de esquerda, e quer recuperar espaço em comissões e mesa diretora

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

 

 

PT vai apresentar uma agenda de compromissos aos líderes dos dois principais blocos na disputa pela presidência da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Arthur Lira (Progressistas-AL). Na pauta estão pedidos para que a Eletrobrás e os Correios sejam poupados nas privatizações, posição contrária à autonomia no Banco Central, inclusão de um imposto sobre grandes fortunas na reforma tributária, manutenção da autonomia do Congresso em relação ao Palácio do Planalto e o impedimento a retrocessos na área dos direitos civis.

Segundo a presidente do partido, Gleisi Hoffmann (PT-PR), só depois de conversar com os dois blocos a respeito dessa agenda o PT, que tem a maior bancada da Câmara, vai decidir sua posição. Existe ainda, com menos chances, a opção de apoiar um candidato de esquerda.

 

O objetivo do partido é recuperar os espaços em comissões e na mesa diretora perdidos em 2019, quando o não apoiou Maia sob o argumento de que o atual presidente da Casa apoiou o impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, em 2016 – embora  parlamentares petistas, protegidos pelo voto secreto, tenham ajudado a eleger o deputado do DEM.

 


A presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann Foto: Dida Sampaio/Estadão

"Lançar um nome próprio ou apoiar um candidato de esquerda seria para marcar posição. A consequência é que fica sem espaços e condições de melhorar a atividade parlamentar. Queremos garantir a participação proporcional das bancadas", disse Gleisi.

Para a presidente do PT, tanto Lira, líder do Centrão e aliado declarado do governo, quanto Maia, atual presidente e desafeto do Planalto, são de alguma forma alinhados ao presidente Jair Bolsonaro. Portanto, do ponto de vista político, não têm grandes diferenças.

"É claro que não vamos impor nosso programa de governo no Congresso, mas queremos garantir alguma coisa", disse Gleisi.

Outros dois pontos polêmicos foram incluídos na agenda mas a própria presidente do PT vê poucas chances de serem aceitos: colocar em votação pedidos de impeachment de Bolsonaro e permitir a criação de CPIs para investigar a política de relações exteriores comandada pelo chanceler Ernesto Araújo e retrocessos na área ambiental implementados pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Segundo Gleisi, o PT continua contrário à reeleição nas duas casas. "Somos contra. Se o Supremo Tribunal Federal aprovar isso estará cometendo um crime contra a Constituição e um desrespeito ao Congresso. Se é para discutir reeleição que seja do jeito certo, por meio de uma PEC (proposta de emenda à Constituição) no Parlamento", disse ela.

Embora Maia tenha dito que não vai se candidatar à reeleição, mesmo que o STF aprove a possibilidade, a dirigente petista disse ver chances de que ele continue no comando da Câmara.

"Ele (Maia) disse para a gente que não vai, mas alguém vai acabar pedindo para ele ficar", afirmou.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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