segunda-feira, 23 de novembro de 2020

REFORMAS NO ESTADO BRASILEIRO COM URGÊNCIA

 

Contas públicas e reformas

Com eleições, a agenda do Congresso foi praticamente suspensa. O Ministério da Economia segue agitando bandeira da responsabilidade fiscal, mas sem estratégia

 

Notas&Informações, O Estado de S.Paulo

 

 

Há cerca de um ano o governo inundou o Congresso com um pacotaço de medidas – o chamado “Plano mais Brasil” – para, segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, implementar “um novo regime de responsabilidade fiscal”. No papel, o programa era ambicioso, incluindo três propostas de emenda constitucional (PECs): a “emergencial”, para frear a escalada dos gastos obrigatórios; a do Pacto Federativo, para modernizar e aprimorar a distribuição dos recursos aos Estados; e a da extinção dos fundos públicos, para gerar caixa. Além disso, previa-se uma ampla reforma administrativa – que, bem tímida, chegou só há poucos meses – e um projeto de ajuda aos Estados à beira do colapso fiscal.

A pandemia tornou a adoção dessas medidas ainda mais premente do que antes, mas o governo deixou-se tomar por uma espécie de letargia. A cadeia de produção travou, o desemprego aumentou, a arrecadação caiu e os gastos cresceram. Tanto pior quando a temível “segunda onda” parece se avolumar no horizonte antes que a primeira tenha passado.

E nada saiu do papel. Com as eleições, a agenda do Congresso foi praticamente suspensa. O Ministério da Economia segue agitando a bandeira da responsabilidade fiscal, mas sem nenhuma estratégia, enquanto outros ministros pressionam pelo rompimento do teto de gastos. Em “esplêndido isolamento”, o presidente da República se entregou às negociações fisiológicas para se garantir no cargo, defender a sua prole e promover sua campanha à reeleição.

Mas a matemática é implacável: o País chegará ao fim deste ano com uma dívida pública próxima a 100% do PIB – bem maior do que entre seus pares no bloco dos países em desenvolvimento. O endividamento em si não é o problema. Os gastos emergenciais o tornaram indispensável, e um novo choque do vírus poderá pressioná-lo ainda mais. Mas ele só é sustentável se combinado com esforços para consertar os fundamentos da economia. Isso implica desengessar o Orçamento, proporcionar eficiência ao governo e tornar a tributação mais progressiva e mais favorável à alocação racional de recursos.

Mas não há qualquer programa de ação do governo para viabilizar estas reformas e, assim, as condições de empréstimo se deterioram a cada dia. Com as incertezas sobre a ancoragem fiscal, o câmbio não parou de se depreciar desde o começo do ano, os sinais de inflação despontam (sobretudo para os mais pobres) e cresce o risco de o Banco Central ter de subir os juros.

A flexibilização do teto de gastos para atender a demandas emergenciais seria, em tese, possível. Mas isso precisaria vir acompanhado de um compromisso firme com reformas estruturais. Na prática, o Planalto e seus apaniguados no chamado Centrão buscam flexibilizar o teto apenas para continuar gastando.

“Quando há um governo de má qualidade”, precisou o ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore ao Estado, “é preciso impor a esse governo a restrição fiscal de fora para dentro.” Sem nenhuma confiança em quem está com as mãos no timão, o País não pode se dar ao luxo de abandonar a sua âncora, a saber: o teto de gastos previsto constitucionalmente. “Com a dívida pública ascendendo a 100% do PIB”, alertou recentemente um parecer técnico do FMI, “preservar o teto constitucional de gastos como âncora fiscal é fundamental para apoiar a confiança no mercado e manter contido o prêmio de risco soberano”, ou seja, o risco associado à dívida pública.

A ousadia nos gastos é possível num ambiente de confiança. Mas, realisticamente, nada no Planalto sugere essa confiança. A curto prazo, a única saída para evitar a espiral de depreciação do câmbio, aumento dos juros e o risco de inflação é pressionar o Poder Público para colocar os projetos de reformas na linha de produção, além de cortar gastos.

Como as reformas patinam no Congresso, seja por conveniências corporativas, seja pela desarticulação do governo, a PEC Emergencial torna-se mais emergencial do que nunca: ela garantirá os gatilhos para impedir reajustes salariais, contratações e ações dos Três Poderes que impliquem aumento de despesas acima da inflação. Esses gatilhos darão fôlego de um a dois anos para que se possa discutir uma reforma fiscal consistente.

 

DIAGNÓSTICO FINANCEIRO DE PREFEITURA

 

DIAGNÓSTICO FINANCEIRO DE UMA PREFEITURA

 

Victor Cezarini

 

 

Prezados amigos e amigas, nos últimos meses tive a oportunidade de coordenar a elaboração do diagnóstico financeiro da prefeitura de Belo Horizonte para a campanha do nosso candidato Rodrigo Paiva.

 

As principais conclusões do estudo são:

 

1. Gastos com aposentados e pensionistas são os principais responsáveis pelo o aumento das despesas da prefeitura, tendo crescido 80% nos últimos 5 anos, 2,6x a inflação no mesmo período.

 

2. Para compensar esse aumento de despesa, a prefeitura aumentou consideravelmente os tributos municipais cobrados da população belorizontina. A arrecadação de taxas cresceu 83%, IPTU 78% e ISS 41%. Versus inflação de 31% no mesmo período.

 

3. O ISS do município de Belo Horizonte é um dos maiores do país. A alíquota máxima de 5% é cobrado para a maioria dos serviços, e alguns possuem alíquotas de 3% e 2,5%. Além disso, nossa cidade está entre as com maior complexidade para cumprimento de obrigações tributárias de acordo com o ranking da Endeavor.

 

4. Com o constante aumento de tributos, foi possível à Prefeitura de BH manter uma situação financeira razoavelmente equilibrada, com restos a pagar zerado e despesa de pessoal sobre receita líquida de 53% (quando se inclui todos os benefícios), abaixo do limite de 60% estabelecido pela LRF.

OBSERVAÇÃO: Esse diagnóstico deveria ser feito para todas a Prefeituras e preferencialmente antes das eleições para mostrar ao eleitor a situação da sua Prefeitura e servirá para comparar com o que os candidatos prometem.

domingo, 22 de novembro de 2020

NA DOENÇA VOCÊ APELA PARA TODOS OS SANTOS - VAI TOMAR REMDESIVIR OU NÃO?

 

Antiviral remdesivir não deve ser usado no tratamento da covid-19, diz OMS

Painel de especialistas da organização afirma que remédio não teve efeito significativo na melhora dos pacientes

 

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

 

 

 

SÃO PAULO -  A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nota nesta quinta-feira, 19, em que se posiciona contra o uso do antiviral remdesivir no tratamento de pacientes hospitalizados com covid-19. O remédio era visto como um dos mais promissores tratamentos contra a doença no início da pandemia, mas até agora não demonstrou resultados robustos em estudos clínicos.

Em um artigo publicado no British Medical Journal, um painel de especialistas da organização afirma que o uso do remédio não é recomendado pois não há evidência de que ele aumente a chance de sobrevivência ou diminua o risco de ventilação mecânica.

 

"O remdesivir tem recebido atenção mundial como um tratamento potencialmente eficaz para casos graves de covid-19 e é cada vez mais usado para tratar pacientes hospitalizados. Mas seu papel na prática clínica permanece incerto", disse a organização.

Em outubro, o estudo Solidarity, realizado com o apoio da OMS e desenvolvido para testar potenciais drogas contra a doença, já havia concluído que o remdesivir, a hidroxicloroquina e outros dois antivirais tiveram pouco ou quase nenhum efeito sobre os tempos de internação ou chances de sobrevivência de pacientes da covid-19.

No mesmo mês, a agência que regula drogas e medicamentos nos Estados Unidos (FDA) concedeu o registro para o medicamento, autorizando, assim, seu uso em pacientes hospitalizados com coronavírus.


O antiviral remdesivir vem sendo testado no tratamento da covid-19 Foto: Ulrich Perrey/POOL/AFP

De acordo com a OMS, a posição atual de desaconselhar o uso do medicamento é amparada em uma nova revisão de evidências que avaliou o uso de diversos possíveis tratamentos para a covid em quatro estudos clínicos randomizados internacionais que, juntos, envolveram mais de 7 mil pacientes internados.

"Depois de revisar minuciosamente essas evidências, o painel de especialistas da OMS, que inclui especialistas de todo o mundo, incluindo quatro pacientes que tiveram covid-19, concluiu que o remdesivir não tem efeito significativo na mortalidade ou em outros resultados importantes para os pacientes, como a necessidade de ventilação mecânica ou o tempo de melhora clínica", afirmou a organização.

A OMS ressalta que embora não haja, até o momento, evidência da eficácia do remédio, isso não significa que ele não possa ter benefício para alguns pacientes. No entanto, diante da falta de evidências, dos possíveis riscos associados ao uso do remédio e do seu alto custo, o painel de especialistas julgou adequado recomendar que ele não seja utilizado no momento. Mas apoiou a realização de mais estudos clínicos sobre o tema.

Fabricante do remédio questiona posicionamento da OMS

Após a publicação da recomendação pela OMS, a Gilead Sciences, biofarmacêutica fabricante do remédio, divulgou nota em que refuta o posicionamento da OMS e afirma que o uso do remédio em pacientes hospitalizados se baseia nas evidências robustas de múltiplos estudos randomizados e controlados publicadas em periódicos revisados por pares que demonstram os benefícios clínicos de Veklury (nome comercial do remdesivir), como uma recuperação significativamente mais rápida, que pode liberar recursos hospitalares limitados".

A empresa ressaltou ainda que a utilização do remédio está nas diretrizes de organizações confiáveis, como Institutos Nacionais de Saúde dos EUA e a Sociedade de Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Japão, Reino Unido e Alemanha e que já conta com aprovações ou autorizações em aproximadamente 50 países.

De acordo com a Gilead, os benefícios do remédio foram demonstrados em três estudos clínicos randomizados e controlados, incluindo um estudo clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, o padrão ouro para avaliar a eficácia e a segurança de medicamentos experimentais. "O estudo ACTT-1 do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) mostrou que Veklury leva a uma recuperação cinco dias mais rápida em pacientes hospitalizados em geral, e a uma recuperação sete dias mais rápida em pessoas com necessidade de suporte com oxigênio no período basal, em comparação com placebo".

Por fim, a companhia reclamou que o estudo Solidarity, conduzido pela OMS para avaliar essa e outras drogas no tratamento da covid-19, não tiveram todos os resultados disponibilizados nem foram revisados por pares.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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