domingo, 22 de novembro de 2020

HACKERS FIZERAM ESTRAGO NO STJ

 

Após ataque hacker, notas de cursos do STJ desaparecem e alunos ficam sem certificado

Inscritos foram surpreendidos com e-mail informando o cancelamento das aulas e a impossibilidade de recuperar dados com atividades já realizadas

 

Patrik Camporez, O Estado de S.Paulo

 

 

BRASÍLIA - A invasão hacker ao sistema informatizado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), há duas semanas, fez com que dados e informações de alunos que realizam cursos online na Corte sumissem. Os estudantes, a maior parte deles advogados, tiveram as notas de provas bloqueadas  pelo invasor e todo o registro de atividades realizadas até a data do ataque desapareceram do sistema do tribunal, que não conseguiu recuperar essas informações.

Os cursos ofertados pela Escola Corporativa do STJ (Ecorp) são gratuitos e abertos a quem tiver interesse. As aulas são ministradas à distância, por meio de uma plataforma online, e não valem como pós-graduação ou qualquer tipo de especialização. Servem apenas para aprimoramento profissional, por isso o público alvo costuma ser advogados que atuam na Corte.

 

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília  Foto: Dida Sampaio/Estadão

No dia 3 de setembro deste ano, por exemplo, o tribunal abriu 500 vagas para um curso denominado “A eficiência dos precedentes judiciais no STJ”. Na última quarta-feira, 18, os inscritos foram surpreendidos com um e-mail informando o cancelamento das aulas e que não foi possível recuperar os dados com as atividades já realizadas pelos alunos. Dessa forma, os certificados não teriam como ser emitidos.

A advogada Lílian Priscila dos Santos Borba estava inscrita no curso. Na quarta-feira, 18, ela recebeu, por e-mail, o seguinte aviso do STJ: “Caros alunos, é com pesar que lhes trago más notícias”, iniciava a mensagem.

Como atua na Corte em processos na área criminal, Lílian chegou a cogitar que a mensagem pudesse ter relação com o possível vazamento de dados de clientes, mas logo percebeu que o comunicado era referente ao curso em que, dias antes, ela havia se inscrito.

“Infelizmente o curso teve de ser cancelado pois não houve como recuperar os dados das atividades realizadas ou notas dos alunos. Pedimos aos alunos que conseguiram pegar o certificado que nos enviem o PDF para que possamos aferir o QR code e emitir um novo certificado com as informações corretas. Não haverá como emitir certificado para quem não chegou a emitir o documento”, concluía o aviso disparado para os alunos.

Para conseguir se inscrever, a advogada precisou fornecer seus dados pessoais e diversas informações adicionais ao sistema do STJ. Tudo foi sequestrado pelo hacker por meio de criptografia. “Essa situação é danosa não só pelo potencial de acesso aos dados, mas pelo silêncio dos envolvidos. É muita informação sensível”, diz ela, criticando a “falta de transparência do STJ” com relação aos dados que foram roubados pelo hacker.

O curso sobre precedentes judiciais foi disponibilizado para o público em geral e seria realizado na modalidade autoinstrucional (sem tutoria).  No site do STJ, consta que o curso tinha como objetivo tornar os participantes “aptos a aplicar conhecimentos teóricos e práticos sobre o sistema de precedentes estabelecido pelo Código de Processo Civil de 2015, sob a perspectiva de atuação do STJ na formação, divulgação e publicidade de precedentes qualificados”.

As aulas ficaram disponíveis no portal do Centro de Formação e Gestão Judiciária do STJ, de 5 a 30 de outubro. Para ser aprovado, o participante devia alcançar, no mínimo, 70% do total dos pontos das atividades avaliativas. Mesmo quem se esforçou para obter as notas, no entanto, não poderá obter o certificado, já que todos os registros do sistema desapareceram.

Por ironia, nos comunicados do STJ sobre o curso estão relacionados procedimentos rígidos que deveriam ser adotados por parte dos estudantes, para assegurar a inviolabilidade cibernética  da plataforma online. Os alunos deveriam realizar diversos procedimentos de segurança, como instalação de um navegador específico, além de adicionar o e-mail em que receberiam as comunicações das aulas na lista de endereços “confiáveis”, caso o aluno utilize algum tipo de antispam na caixa de correio.

A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar o ataque hacker que paralisou as atividades do STJ no dia 4. Na ocasião, o acesso a processos  e informações do tribunal foram bloqueados, afetando cerca de 12 mil julgamentos. A Corte só voltou ao trabalho normal uma semana depois, após recuperar os dados em seus sistemas de backups.

Estadão procurou a assessoria do STJ, que ainda não se manifestou sobre o assunto.

CORREGEDOR DO TRIBUNAL VAI DECIDIR SE ACEITA OU NÃO DENUNCIA CONTRA SENADOR FLAVIO FILHO DO PRESIDENTE

 

Bolsonaro recebe no Planalto corregedor de tribunal que julgará caso de Flávio

Presidente conversou por duas horas com integrante do órgão que vai decidir sobre denúncia contra o seu filho; ao deixar Planalto, corregedor se escondeu atrás de pilastra

 

Jussara Soares e Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

 

 

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro conversou por cerca de duas horas nesta sexta-feira, 20, com o corregedor-geral do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Bernardo Moreira Garcez Neto. O magistrado é integrante do Órgão Especial do tribunal, o mesmo que vai decidir se aceita ou não a denúncia contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos). O filho "Zero Um" do presidente é acusado de comandar um esquema de “rachadinha” em seu gabinete da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), quando era deputado estadual.

O desembargador deixou o Palácio do Planalto por voltas das 16h e não respondeu às perguntas da imprensa. Na saída da sede do governo, Garcez chegou a se esconder atrás de uma pilastra para não ser abordado por jornalistas. Em nota divulgada por volta das 18h20, o Tribunal de Justiça informou que “não foram tratados assuntos relacionados a processos judiciais.”


 

O presidente Jair Bolsonaro e o filho Flávio Bolsonaro. Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO

Oficialmente, o motivo do encontro foi o convite da Presidência, por meio da Secretaria Especial de Modernização do Estado (SEME), para que a Corregedoria do TJ-RJ participe do Comitê de Modernização de Ambiente e Negócios, que tem o objetivo de melhorar os indicadores do Brasil para atrair investimentos. Na versão oficial, Garcez foi chamado ao Planalto para para participar de discussões sobre “registros de propriedades”.

O tribunal acrescentou que no encontro também foi discutida a “importância da Declaração de Nascimento e Declaração de Óbito Eletrônicas (e-DNV/ e-DO) para impedir fraudes”. “O Corregedor e o Presidente trataram ainda de assuntos gerais de interesse da Administração Pública, como os desafios enfrentados pela Primeira Instância do Judiciário durante o período da pandemia. Não foram tratados assuntos relacionados a processos judiciais”, informou a nota.

O relator do caso das “rachadinhas” é o desembargador Milton Fernandes de Souza, responsável por analisar a denúncia para que o tribunal, formado por 25 magistrados, decida se abre ou não o processo contra Flávio.  O mandato de Bernardo Garcez como corregedor termina no fim deste ano.

O filho mais velho do presidente foi denunciado no dia 4 de novembro pelo Ministério Público por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Além dele, também foram denunciados o ex-assessor Fabrício Queiroz e outras 15 pessoas acusadas de participarem do esquema.

Na peça de 290 páginas apresentada ao relator do caso, a Procuradoria aponta que a organização criminosa comandada por Flávio Bolsonaro desviou R$ 6.100.091,52 dos cofres da Assembleia Legislativa do Rio, mediante desvio de pagamentos em favor de doze "funcionários fantasmas".

Dos valores desviados, ainda segundo o MP-RJ, R$ 2.079.149,52 foram "comprovadamente repassados" para a conta bancária de Fabrício Queiroz, o faz-tudo da família Bolsonaro e apontado como operador financeiro do esquema das "rachadinhas’. Já R$ 2.154.413,45 foram disponibilizados à organização criminosa mediante saques elevados de dinheiro em espécie "na boca do caixa".

O senador nega as acusações do MP e diz que a denúncia não se sustenta. Segundo a defesa de Flávio, não há qualquer prova que confirme os crimes imputados ao parlamentar.

Prática comum

Em 25 de agosto, Bolsonaro também recebeu advogados do filho Flávio no Planalto. Sem registro na agenda oficial,  o encontro teve a participação do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e do diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem.  Em nota, o GSI afirmou que o objetivo da reunião foi debater supostas “irregularidades das informações constantes de Relatórios de Investigação Fiscal” produzidas por órgãos federais contra o filho.

À época, o procurador-geral da República Augusto Aras enviou petição ao Supremo Tribunal Federal, afirmando que havia sido instaurada uma notícia de fato para apuração preliminar, ‘em tese, na esfera penal’, sobre a reunião.  Segundo o chefe do Ministério Público, se houvesse "indícios razoáveis de possível(is) prática(s) delitiva(s)" pediria abertura de inquérito.

O documento foi elaborado em resposta ao pedido do ministro do STF Ricardo Lewandowski para que a PGR se manifestasse sobre a notícia-crime apresentada pela deputada federal Natália Bonavides (PT-RN). A petista pedia que fosse aberto um inquérito para apurar supostos crimes de advocacia administrativa e tráfico de influência relacionados à reunião.

Bolsonaro já é alvo de um inquérito no Supremo que apura acusação do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro de que ele teria interferido na Polícia Federal para proteger parentes e amigos. "Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar f. minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura”, disse o presidente em reunião ministerial de 22 de abril. Bolsonaro nega a acusação apresentada por Moro, que provocou a abertura de inquérito.

 

BOLSONARO DIZ AO G-20 QUE ADOTOU MEDIDAS CORRETAS CONTRA A PANDEMIA

 

Em mensagem ao G-20, Bolsonaro diz que 'tempo vem provando que estávamos certos sobre pandemia'

Por coronavírus, a reunião de cúpula deste fim de semana do grupo é a primeira em que os líderes farão as discussões de forma virtual

 

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

 

 

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro fez neste sábado, 21, uma defesa do governo no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Em mensagem de vídeo de boas vindas postada nas redes sociais pela organização do G-20 (o grupo das 20 maiores economias do mundo), Bolsonaro afirmou que “desde o início” seu governo ressaltou que “era preciso cuidar da saúde e da economia, simultaneamente”. “O tempo vem provando que estávamos certos”, disse o presidente.

 

Em mensagem ao G-20, Bolsonaro diz que 'tempo vem provando que estávamos certos sobre pandemia' Foto: Twitter/Reprodução

 

Em sua mensagem, Bolsonaro afirmou ainda que os desafios enfrentados em 2020 não têm precedentes na história recente. “A cooperação no âmbito do G-20 é essencial para superarmos a pandemia de covid-19 e retomarmos o caminho da recuperação econômica e social”, disse.

No vídeo, Bolsonaro defendeu ainda a manutenção do “compromisso de trabalhar para o crescimento econômico e a liberdade de nossos povos e a prosperidade do mundo.”

reunião de cúpula deste fim de semana do grupo das 20 maiores economias do globo (G-20) é a primeira em que os líderes farão as discussões de forma virtual por causa da pandemia de coronavírus. No encontro, os líderes tentarão gerenciar duas crises: a da saúde e a da recessão econômica global – ambas, justamente, por causa da covid-19.

Conforme mostrou o Estadão, apesar do aumento de casos e internações por covid-19 em algumas regiões do Brasil, a cúpula do Ministério da Saúde avalia que não é hora de endurecer restrições para o controle da pandemia, como recomendar o isolamento social, ou reforçar a testagem no País. O alerta somente será disparado, segundo relatos feitos ao Estadão por autoridades que acompanham as discussões, quando houver alta consistente no número de mortes.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...