segunda-feira, 16 de novembro de 2020

O BRASIL NÃO DEVE ESCOLHER LADO NA DISPUTA COMERCIAL ENTRE CHINA E ESTADOS UNIDOS

 

"Brasil não deveria escolher lado na disputa entre China e EUA"

 

Bruno Lupion

 

 

Ex-embaixador brasileiro em Washington diz que, no conflito entre superpotências, não há razão para optar por um ou outro. Ideal é preservar autonomia para decidir caso a caso, de acordo com os interesses nacionais.

 

 


© Ng Han Guan/dpa/picture alliance Joe Biden, hoje presidente eleito, e o líder chinês Xi Jiping em 2011

A eleição de Joe Biden para presidente dos Estados Unidos deveria ser usada pelo Brasil como uma oportunidade para repensar a relação do país com a China e reorientar a política externa do Itamaraty, no sentido de uma abordagem pragmática com ambas as potências.

A análise é de Sérgio Amaral, que foi embaixador do Brasil em Washington de setembro de 2016 a junho de 2019, nomeado pelo presidente Michel Temer, e hoje é conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), responsável pelo núcleo sobre os Estados Unidos na entidade.

Em entrevista à DW Brasil, ele afirma que o Brasil não ganha nada se alinhando automaticamente aos Estados Unidos e precisa preservar sua autonomia para decidir caso a caso nessa disputa, de acordo com os interesses nacionais.

"Esse é um conflito entre as duas superpotências e não temos razão para estar a favor de um em detrimento do outro. O que queremos, e os dois são parceiros importantes, é manter uma boa parceria com ambos”, afirmou.

Sua posição contrasta com a adotada por Bolsonaro, em cuja gestão Amaral foi embaixador por seis meses. O presidente já fez seguidas ofensas aos chineses, apesar de eles serem o principal parceiro comercial do Brasil. Os ataques mais recentes se referem à vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Sinovac, cujos testes são realizados em parceria com o instituto Butantan, de São Paulo.

DW: Como o sr. interpreta a vitória de Biden no contexto americano?

Sérgio Amaral: Biden representa, sobretudo, um movimento anti-Trump. E tinha um Partido Democrata que se uniu em torno dele, porque ele apresentava as melhores condições para derrotar o Trump, sobretudo pela sua posição ao centro, o que se mostrou verdade. Biden podia unir as correntes mais progressistas dos democratas, como o grupo liderado por Bernie Sanders e, ao mesmo tempo, tinha acesso fácil aos democratas mais conservadores.

Trump ainda não admitiu sua derrota e ordenou seu governo a preparar o Orçamento de 2021 como se ele tivesse sido reeleito. Que efeito isso tem para a democracia e as instituições americanas?

Essa postura de Trump, de contestar as eleições, é o que ele já vinha fazendo mesmo antes das eleições, e mostra uma quebra de confiança na democracia. Quando o candidato de um grande partido questiona, mesmo antes de ter qualquer fato, a legitimidade das eleições, está contestando a legitimidade da democracia americana.

Biden encontrará dificuldades para governar, porque o país está dividido, existe quase que uma distribuição geográfica dos eleitores em função de bairros e da [divisão] cidade-campo. Será muito difícil o governo, sobretudo se os Republicanos ganharem a eleição ao Senado na Georgia [a ser decidida no segundo turno em 5 de janeiro de 2021].

A consequência para o futuro é saber o que será do trumpismo, que, à semelhança de outros movimentos nacionalistas e populistas, é em boa medida incompatível com a democracia, por assumir posturas nacionalistas extremadas e questionar as instituições da política. A grande questão que fica é o casamento de conveniência entre o Partido Republicano e o Trump, no qual Trump tem os votos e os republicanos oferecem o partido. Até quando esse casamento vai subsistir?

A recusa de Trump em aceitar o resultado eleitoral levará outros líderes de linha política semelhante a fazer o mesmo, como por exemplo Bolsonaro em 2022?

Ele já questionou algumas vezes a urna eletrônica, mas é difícil saber porque daqui até as eleições há um tempo grande. É preciso saber como o governo vai caminhar, quais são as circunstâncias eleitorais, a relação entre os partidos. Mas, a julgar pelo que ele já disse, é possível que ele conteste as eleições sim.

O programa de governo de Biden afirma que o novo governo americano vai identificar e expor (política conhecida como "name and shame") os países que forem "foras da lei" na questão do clima, e há analistas dizendo que o Brasil será o primeiro a entrar nessa lista. O sr. considera isso provável?

Tive com Biden uma longa reunião quando o presidente Temer esteve nos Estados Unidos e ele era vice-presidente do [Barack] Obama. Ele tem amplo conhecimento de política externa, conhece bem a América Latina e gosta do Brasil. Além disso, temos com os Estados Unidos uma relação positiva, tradicional e forte desde a independência do Brasil. Não acredito que ele deliberadamente vá tomar medidas contra o Brasil.

Por outro lado, Biden tem um forte compromisso com a questão ambiental, será uma das primeiras questões da sua agenda. E neste momento a causa ambiental também tem grande relevância na Europa, basta citar que a Comissão Europeia, ao constituir seu fundo para a recuperação da economia, privilegiou os investimentos nas novas fontes alternativas de energia.

Nos Estados Unidos, haverá uma forte corrente ambientalista que exercerá pressão sobre o Congresso e sobre a opinião pública para que sejam tomadas medidas que reduzam o quanto possível o desflorestamento da floresta amazônica.

Se o governo brasileiro não mostrar preocupação efetiva com o meio ambiente, é mais provável que haja sanções econômicas ou boicotes de empresas e consumidores?

Poderá haver medidas aprovadas pelo Congresso [americano] sim, independente de uma ação do Executivo, como restrição às exportações brasileiras aos Estados Unidos. Agora, o ponto mais importante é que a questão ambiental é, mais do que a demanda de alguns partidos, a utopia do século 21. Da mesma forma que, na minha geração, havia uma utopia social por reformas sociais, agora existe uma utopia ambiental, sobretudo entre os jovens, que rejeitam o consumo de produtos que possam ter tido alguma implicação no desflorestamento. E essas forças atuam sobre as importações, sobre a distribuição e sobre os supermercados. Não precisa nem o governo intervir.

O governo Bolsonaro se esforça para incluir o Brasil na lista de membros efetivos da OCDE, e fez diversas concessões ao governo Trump em troca desse apoio da Casa Branca. A vitória do Biden influencia o futuro desse processo de adesão?

A grande questão era que os Estados Unidos não estavam dispostos a apoiar a candidatura do Brasil para a OCDE. Era o único país que não queria, e os Estados Unidos têm uma força grande na OCDE. Isso bloqueava um consenso de países favoráveis à candidatura brasileira. Mas a candidatura brasileira foi aprovada. Isso significa que se iniciou um longo programa de negociação sobre os protocolos setoriais, com os quais o país que deseja ser aceito como membro pleno precisa concordar e se dispor a cumprir.

Esse processo vai demorar alguns anos, e não há razão para que nenhum país que já apoiou a candidatura do Brasil venha a questionar essa candidatura. O que pode acontecer é que nas negociações surjam dificuldades que não consigam ser superadas. As negociações com a Colômbia levaram seis anos. Mas não acredito que qualquer governo venha a obstar neste ponto em que já se encontra a candidatura do Brasil.

O Brasil demonstrou recentemente interesse em fazer parte da Clean Network, uma aliança de países apoiada pelos Estados Unidos e liderada por Reino Unido e Suécia para que as redes 5G não tenham equipamentos da empresa chinesa Huawei. Como avalia esse movimento do Brasil no final do governo Trump?

O governo Biden possivelmente trará mudanças nas relações com a China. Ele já disse que a postura de Trump foi equivocada, porque as sanções não alcançaram o seu objetivo e apenas aumentarem a tensão em nível mundial. É possível que Biden tenha outra abordagem em relação a esses temas e isso terá um distensionamento nas relações entre a China e o Brasil.

Esse é um conflito entre as duas superpotências e não temos razão para estar a favor de um em detrimento do outro. O que queremos, e os dois são parceiros importantes, é manter uma boa parceria com ambos, e que as nossas decisões reflitam o interesse nacional, e não uma adesão a priori a um dos lados.

Qual é o maior desafio geopolítico atual e quais são as melhores oportunidades para o Brasil nesse cenário?

A grande questão geopolítica da primeira metade do século 21 é a emergência da China e o que isso coloca para a relação com os Estados Unidos. China e Estados Unidos vão plasmar a nova ordem internacional, seja pela cooperação, seja pelo conflito. E é importante que o Brasil busque preservar as suas faixas de autonomia de decisão e, ao mesmo tempo, diversificar as suas alianças, de forma a que não se veja envolvido apenas com uma das duas grandes potências. Essa é a consideração principal para a política externa brasileira.

Autor: Bruno Lupion

 

BARROSO DIZ QUE ATRASO NA DIVULGAÇÃO DOS RESULTADOS DA ELEIÇÃO FOI POR CULPA DO COMPUTADOR

 

Atraso na divulgação dos resultados foi por falha em computador, diz Barroso

 

Ludmylla Rocha

 

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, afirmou neste domingo (15.nov.2020) que o atraso na divulgação dos dados apurados foi causado por 1 problema em “1 dos núcleos de computadores do supercomputador que processa a totalização”.

 

 

© Sérgio Lima/Poder360 15.nov.2020 Ministro Roberto Barroso, presidente do TSE, durante visita aos stands de empresas que desenvolvem tecnologia para as eleições do futuro, em Valparaiso (GO)

“O problema que ocorreu deu-se exclusivamente aqui no Tribunal Superior Eleitoral, 1 problema técnico de hardware”, completou.

O tribunal nega, no entanto, que esse problema tenha afetado o resultado das eleições ou ainda seja resultado de fraudes. “A ideia de que a demora possa trazer algum tipo de consequência para o resultado não faz nenhum sentido”, disse.

“No final do dia da votação, a urna imprime o resultado. Ponto. Não há como fraudar”, argumentou. O magistrado reforçou que as urnas não são conectadas à internet e que não há relação com a tentativa de ataque hacker neutralizado pela instituição.

Em relação a esta tentativa, Barroso afirmou que “foi totalmente inócuo”“Sofrer ataques não é privilégio do Tribunal Superior Eleitoral. […] O fato de existirem ataques não tem nenhum significados em si. O que tem significados é saber se esses ataques produziram resultados”, afirmou.

Sobre o vazamento de dados de servidores do Tribunal, que incialmente foi associado à tentativa realizada neste domingo (15.nov), o ministro disse que aconteceu antes de 23 de outubro. Disse ainda que o vazamento foi “sem nenhuma relevância e sem nenhuma consequência para o processo eleitoral”. Tratou-se de dados como nome, endereço e filiação de ministros aposentados, informou.

A respeito do uso do e-Título –aplicativo do TSE que, nestas eleições, permitiu o uso para justificar ausência– afirmou que “a funcionalidade para a justificativa de ausência enfrentou momentos de instabilidade e sobrecarga como nós já havíamos reconhecido”.

Ao longo do dia, o app apresentou instabilidade. Segundo Barroso, foram causadas por novas medidas de segurança adotadas pelo Tribunal por causa do ataque à rede de tecnologia da informação do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ocorrida na 3ª feira (3.nov). Atribuiu o problema também ao grande número de downloads.

Inicialmente, o 1º turno das eleições municipais seria realizado em 4 de outubro, mas foi adiado por conta da pandemia de covid-19. O 2º turno, nas cidades onde for necessário, será em 29 de novembro.

Além do adiamento, outras medidas foram adotadas, como o início das votações uma hora mais cedo e o estabelecimento de 1 horário preferencial  –das 7h às 10h– para idosos. A biometria também foi dispensada para minimizar os riscos de contágio.

Barroso informou que 3.509 urnas apresentaram defeito, 0,88% das utilizadas. Em nenhum município houve necessidade de votação manual.

Os dados de abstenção ainda não estão disponíveis.

 

APROVADO MAIOR ACORDO COMERCIAL COM A CHINA

 

China lidera aprovação do maior acordo comercial do mundo

 

ANSA

 

 

© Ansa Brasil Assinatura do acordo foi feita de forma virtual

(ANSA) - Um grupo de 15 países da Ásia-Pacífico assinou neste domingo (15) o maior acordo de livre comércio do mundo.

O tratado é capitaneado pela China, que consegue ampliar sua influência comercial e reduzir os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos, mas também inclui Austrália, Coreia do Sul, Japão e Nova Zelândia.

Além disso, fazem parte do acordo os 10 membros plenos da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean): Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Singapura, Tailândia e Vietnã.

A chamada Parceria Econômica Regional Abrangente (Rcep, na sigla em inglês) representa cerca de 30% do produto interno bruto (PIB) global e foi proposta pela primeira vez em 2012. A Índia também participava das tratativas, mas decidiu não assinar neste momento por temor de aumentar seu déficit comercial com a China.

"A abertura e a cooperação são o único modo para obter vantagens recíprocas, representando a vitória do multilateralismo e do livre comércio", disse o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, em uma clara resposta ao protecionismo de Donald Trump.

"O bloco de livre comércio dará um novo impulso ao desenvolvimento e à prosperidade regionais e contribuirá para a retomada e o crescimento globais", acrescentou Li.

As negociações progrediram lentamente nos primeiros anos, mas se aceleraram com a ascensão de Trump nos EUA. Uma de suas primeiras ações na Casa Branca foi retirar o país do Acordo de Associação Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), que inclui sete nações signatárias do Rcep: Austrália, Brunei, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Singapura e Vietnã.

O novo acordo compreende 20 capítulos que cobrem desde o comércio de bens até a propriedade intelectual e concorrências públicas. Esse também é o primeiro tratado comercial envolvendo China e Japão, as duas maiores economias da Ásia.

Para sua entrada em vigor, no entanto, é necessária a ratificação por todos os Estados-membros. (ANSA)

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...