quarta-feira, 11 de novembro de 2020

BOLSONARO TRANSFORMA A VACINAÇÃO NUMA DISPUTA ELEITORAL

 

A morte da decência

Se Jair Bolsonaro não tivesse transformado a pesquisa e a produção de vacinas contra a covid-19 numa disputa eleitoreira, teria descido aos porões da indecência?

 

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

 

 

 

Os padrões de decência do presidente Jair Bolsonaro, mais do que sua flagrante incompetência, marcam indelevelmente a sua condução do País em meio à maior emergência sanitária de que se tem notícia em mais de um século. Quis o destino que, além da pandemia de covid-19, mal concomitante se abatesse sobre a Nação: o infortúnio de ser governada por alguém sem a mínima noção do bem comum num dos momentos mais dramáticos de sua história.

Não é o ideal, mas, nas horas graves, um presidente incompetente sempre pode se acercar de auxiliares capazes antes de tomar decisões quando, a despeito de lhe faltar técnica, lhe sobram humildade, espírito público e genuína compaixão por seus concidadãos. Mas este não é o caso de Bolsonaro, a quem faltam esses atributos tão elementares para qualquer presidente da República digno do cargo.

Em mais uma demonstração cabal de seu absoluto desprezo pela vida e pelo bem-estar dos brasileiros, Bolsonaro não escondeu o júbilo pela interrupção dos testes da Coronavac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no dia 9 passado. A agência informou a ocorrência de um “evento adverso grave” como justificativa para interromper os testes da fase 3, que têm se revelado bastante promissores.

Antes de estar claro em que circunstâncias se deu o “evento adverso grave”, o presidente Jair Bolsonaro usou o Facebook para inflamar sua rinha particular com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Sem qualquer evidência que corroborasse suas alegações, bem a seu feitio, Bolsonaro escreveu que a Coronavac provocaria “morte, invalidez, anomalia”. Trata-se de uma mentira, uma desabrida irresponsabilidade que mostra que não há limites para Bolsonaro quando o que está em jogo são seus interesses particulares. Dane-se o interesse público.

Escrevendo em terceira pessoa e naquele seu idioma que se assemelha ao português, o presidente prosseguiu afirmando que “esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O Presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”. Ganha o que, senhor presidente? Tanto o teor como a forma da mensagem abjeta indicam que ali também ia um comando de Bolsonaro, diligentemente obedecido, para que seus camisas pardas disseminassem o discurso por meio das redes sociais.

Depois se soube que o “evento adverso grave” foi a morte trágica de um voluntário que participava dos testes com a Coronavac em São Paulo. A Secretaria de Estado da Saúde considera “impossível” que o fato esteja relacionado com a vacina. Mais indigna, portanto, foi a manifestação inoportuna do presidente Bolsonaro. Primeiro, por se jactar de um fato que envolve a morte de uma pessoa. Segundo, por comemorar a interrupção dos testes de uma vacina contra o novo coronavírus enquanto a esmagadora maioria do País anseia por ela e lamenta o ocorrido.

A interrupção dos testes de uma vacina quando há um desvio dos resultados esperados é procedimento comezinho na comunidade científica. Recentemente, os testes com a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca também foram suspensos pela Anvisa, após ter sido constatado um efeito colateral em um voluntário. Tão logo ficou esclarecido que seria seguro prosseguir com o estudo, os testes foram retomados. Portanto, a interrupção dos testes é algo que diz mais sobre a segurança do processo de desenvolvimento de uma vacina do que sobre sua possível ineficácia.

Ainda é cedo para que se faça um juízo dos critérios que levaram a Anvisa a determinar a suspensão dos testes com a Coronavac. O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, e o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, disseram-se surpresos com a decisão da agência, que não teria se pautado pelo rigor científico. A agência reguladora, obviamente, afirma o contrário. Fica no ar a questão: se o presidente Jair Bolsonaro não tivesse transformado a pesquisa e a produção de vacinas contra a covid-19 numa mesquinha disputa eleitoreira, teria ele descido aos porões da indecência?

 

 

BIDEN DIZ QUE É UMA VERGONHA TRUMP NÃO RECONHECER A DERROTA

 

É uma vergonha para ele, diz Biden sobre recusa de Trump em admitir derrota

Em uma entrevista coletiva, presidente eleito diz que bloqueio da atual administração não afetará o trabalho de sua equipe de transição para preparar novo governo

 

Redação, O Estado de S.Paulo

 

 

WILMINGTON, EUA - O presidente eleito dos Estados UnidosJoe Biden, assegurou em uma entrevista coletiva nesta terça-feira, 10, que a decisão do atual governo Donald Trump de bloquear a cooperação com sua equipe de transição não terá muita consequência. “Já começamos a transição. Nada vai interromper o processo”, afirmou o democrata.

Segundo ele, o trabalho da sua equipe na preparação do novo governo já começou e há muita coisa a ser feita, afastando a possibilidade de recorrer à Justiça para ter acesso a documentos nessa fase. Mesmo depois de as agências que monitoram há décadas a apuração das eleições americanas declararem Biden eleito, o governo Trump se recusa a reconhecer a derrota. A agência que deveria iniciar os procedimentos de transição ainda não começou os trabalhos.

 

Biden disse que já recebeu o apoio de inúmeros republicanos e entende a posição daqueles que se alinharam a Trump nesse momento, como o líder da maioria republicana Mitch McConnell, que na segunda-feira defendeu o direito do presidente de contestar a eleição. Segundo o democrata, há uma pressão nesse momento dentro do Partido Republicano para se defender Trump, mas ele disse acreditar que terá o apoio de todos a partir de 20 de janeiro, quando assumirá. "Só existe um presidente de cada vez. E agora Trump é o presidente", disse.

Questionado sobre qual a mensagem dele diante da recusa do republicano em reconhecer a derrota, depois que o democrata conquistou mais que os 270 votos no colégio eleitoral necessários para ser presidente, Biden disse ser "uma vergonha" para Trump. "Isso não ajuda em nada em seu legado como presidente", disse.  Perguntado se tinha algo a dizer a Trump, o democrata afirmou, sorrindo: "Estou ansioso para a nossa conversa". É praxe, nos EUA, que o candidato derrotado telefone ao vencedor logo após as agências que monitoram a apuração declararem um vencedor.

 

Presidente eleito Joe Biden fala sobre o Obamacare antes de responder a perguntas de jornalistas  Foto: Jonathan Ernst/Reuters

Biden comentou os telefonemas aos líderes mundiais. "Estou dizendo a eles que os EUA estão de volta", disse. "As boas vindas que recebemos pelo mundo de nossos aliados e amigos tem sido reais. E eu me sinto confiante em recolocar os EUA em um local de respeito, como era antes", completou.

Biden convocou uma entrevista coletiva em Wilmington (Delaware) ao lado de sua vice, Kamala Harris, para se posicionar sobre a audiência da Suprema Corte para avaliar uma nova tentativa do governo Trump de invalidar a Lei do Cuidado Acessível (ACA, na sigla inglês), mais conhecido como Obamacare.

Tanto Biden como Kamala destacaram que o fim do Obamacare nesse momento deixaria milhões de americanos desamparados em plena pandemia de coronavírus, que já tirou a vida de mais de 238 mil pessoas no país. Biden prometeu trabalhar pela ampliação do amparo à saúde no país, mesmo se a lei for revertida. "Essa não é uma questão partidária, é uma questão humanitária", disse Biden.

"Eu não sou ingênuo sobre o fato de que o acesso a saúde é um assunto que dividiu os americanos no passado, mas a verdade é que o povo americano está mais unido do que dividido sobre esse tema, hoje", afirmou o democrata. Para muitos americanos, é uma questão de vida ou morte."

Mas na audiência de hoje, a Suprema Corte indicou que manterá pelo menos a maior parte da reforma da saúde. O processo diz respeito a um pedido do presidente Trump e de outros governos de Estado republicanos para tentar desmantelar o programa.

O tribunal começou a ouvir os argumentos do Executivo sobre a constitucionalidade da lei, aprovada em 2010 e com a qual o governo do então presidente Barack Obama tentou ampliar o seguro médico a pessoas que não tinham condições de pagar.

Do lado de fora do tribunal, um grupo de manifestantes se reuniu para protestar contra qualquer tentativa de acabar com a lei, possibilidade que aumentou depois que Trump designou três juízes dos nove que integram o tribunal superior.

Sem nenhum plano de substituição elaborado pelo governo de Trump, acabar com esta lei poderia ter um impacto devastador para 20 milhões de pessoas que perderiam seu seguro de saúde. A maioria dos americanos, entre democratas, republicanos e independentes, aprova a reforma da saúde.

O debate é marcado pela pandemia que atinge com força os Estados Unidos, o país mais afetado do mundo em termos absolutos, com mais de 10 milhões de casos e mais de 238 mil mortos.

Desde que assumiu o cargo, em 2017, Trump tentou destruir a ACA: primeiramente, acabando com um de seus principais dispositivos e, depois, tentando anular a lei por completo, respaldando uma demanda neste sentido do Texas e de vários Estados liderados por republicanos.

Depois que tribunais e cortes de apelações apoiaram a demanda do Texas, um recurso enviou o caso no início deste ano aos nove juízes da Suprema Corte pela Califórnia e outros Estados que apoiam a ACA.

O debate continua após a derrota de Trump na disputa pela eleição contra o democrata, que era vice-presidente quando Obama impulsionou a lei. O presidente eleito prometeu melhorar o Obamacare no futuro./COM EFE e AFP

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...