segunda-feira, 19 de outubro de 2020

TRUMP ATACA OS CRÍTICOS DO SEU PARTIDO

Trump ataca os "estúpidos" críticos de seu partido

 

AFP

 

Donald Trump atacou o que chamou de críticos "estúpidos" procedentes de seu próprio partido e pediu unidade no domingo, depois de observar o aumento do temor entre os republicanos e as advertências de que podem enfrentar "um banho de sangue" nas eleições de 3 de novembro.

 


© MANDEL NGAN Donald Trump em comício em Janesville (Wisconsin) em 17 de outubro de 2020

Tanto o presidente democrata como seu rival democrata, Joe Biden, fizeram campanha em vários estados cruciais na reta final de uma eleição em que as pesquisas mostram Trump em grande desvantagem.

Durante um comício em Nevada, o presidente atacou Biden e elogiou as políticas econômicas de seu mandato, além de ter comentado a pressão da água dos chuveiros e a camisa do comissário da Liga Nacional de Futebol Americano.

Mas também teve tempo para falar sobre o senador republicano Ben Sasse, de Nebraska, que recentemente afirmou que Trump enaltece ditadores, maltrata as mulheres e usa a Casa Branca como negócio.

Outros republicanos foram enfáticos também ao advertir sobre uma possível derrota nas urnas, como o senador Ted Cruz, que disse que no dia da eleição pode acontecer um "banho de sangue".

"Temos algumas pessoas estúpidas", declarou Trump durante o comício em Carson City, capital de Nevada.

"Temos este cara Sasse, vocês conhecem, que quer fazer uma declaração... Os republicanos devem permanecer mais unidos", completou.

Em plena luta para recuperar o terreno perdido, Trump iniciou uma corrida frenética por vários estados, que o legou no domingo de Nevada a Califórnia, para depois retornar e prosseguir com mais atos de arrecadação de fundos, antes de seguir para o Arizona na segunda-feira.

Pouco religioso, o presidente compareceu na manhã de domingo a um culto em uma igreja evangélica de Las Vegas. Os participantes rezaram por ele Trump depositou várias notas de 20 dólares na cesta de coações, segundo um dos fotógrafos.

Biden, um católico praticante, compareceu à missa ao lado da esposa na região de Wilmington, Delaware, antes de rezar diante do túmulo de seu filho Beau, que morreu em 2015 vítima de um tumor cerebral.

Com uma campanha limitada pela preocupação com a pandemia de covid-19, Biden, de 77 anos, retornou em seguida a Carolina do Norte para alguns eventos.

Em Durham, o ex-vice-prediente democrata, sempre de máscara, discursou em um estacionamento para seguidores que o esperavam em seus carros.

"Escolhemos a esperança ao medo, escolhemos a unidade à divisão, a ciência antes da ficção e, sim, escolhemos a verdade sobre as mentiras", afirmou.

O tradicional debate final entre os candidatos na televisão acontecerá na próxima quinta-feira em Nashville, Tennessee.

O primeiro encontro foi marcado por uma série caótica de interrupções de Trump, réplicas irritadas, enquanto o segundo foi substituído por duas entrevistas realizadas por cidadãos em programas separados, depois que Trump se recusou a debater virtualmente após o contágio pela covid-19.

O debate final acontecerá frente a frente.

bbk-mjs/rs/yow/fp

 

 

MILÍCIAS TOMAM CONTA DO RIO DE JANEIRO

 

Milícias já dominam 57% do território do Rio, aponta estudo

 

Caio Sartori

 


Os grupos milicianos do Rio já controlam 57% do território da capital fluminense. Enquanto isso, as três facções do tráfico carioca têm, somadas, o domínio de 15%. Chama a atenção, portanto, a predominância da milícia na cidade, que também ganha evidência quando é exposto o número de cariocas que vivem sob o controle desses grupos criminosos: um a cada três moradores, ou 2,2 milhões de pessoas.

Os dados estão no estudo Mapa dos Grupos Armados do Rio de Janeiro (veja mapa neste link), feito em parceria entre o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF, o Núcleo de Estudos da Violência da USP, o Disque-Denúncia e as plataformas Fogo Cruzado e Pista News. O poderio mensurado pela pesquisa joga luz sobre a rápida expansão dos milicianos, que não se limita a bairros da capital. Eles se espalham cada vez mais pela região metropolitana, especialmente na Baixada Fluminense. Foi no âmbito do combate a esse aumento de capilaridade que a Polícia Civil cumpriu duas operações na semana passada, que resultaram na morte de 17 suspeitos.

 

© Fabio Motta/ Estadão Grupos milicianos do Rio já controlam 57% do território da capital fluminense

No Mapa dos Grupos Armados, também chama a atenção o porcentual superlativo de territórios em disputa: 25% da capital. Apenas 2% da área do Rio não estaria passando por nenhum domínio criminoso ou conflito entre grupos. Os pesquisadores observaram uma nítida mudança no cenário do crime. Se antes o tráfico disputava entre si os territórios, hoje a milícia é quem desponta como principal adversária do Comando Vermelho, enquanto as demais facções têm poderio reduzido. Isso desconstrói a ideia de paz que a milícia historicamente tenta vender ao ocupar locais antes pertencentes ao tráfico.

“Segundo o mapa, as milícias também entram em disputas territoriais violentas e atuam em territórios cada vez mais extensos, onde controlam esses bairros ilegalmente, cobrando taxas extorsivas sobre os mercados de serviços essenciais como água, luz, gás, TV a cabo, transporte e segurança, além do mercado imobiliário”, aponta o pesquisador Daniel Hirata, da UFF.

Considerada atualmente “empreendedora”, a milícia já não se limita a atividades como a venda ilegal de gás e o chamado “gatonet”, por exemplo. Os grupos realizam atividades como grilagem e construção de prédios em áreas irregulares. Foi o que ocorreu na Muzema, zona oeste da cidade, em abril do ano passado, quando 24 pessoas morreram após uma dessas construções desabar.

As cores designadas para cada facção pintam o mapa da seguinte forma: o azul da milícia é predominante em quase toda a zona oeste e no oeste metropolitano, enquanto a Baixada vivencia forte divisão com o Comando Vermelho - que, por sua vez, ainda tem controle da maior parte da zona norte e do leste metropolitano. O grupo mais conhecido do tráfico ainda tem algumas fortalezas na área de maior domínio da milícia, principalmente a Cidade de Deus, cercada por comunidades dominadas por milicianos em Jacarepaguá. O trabalho cartográfico também mostra alguns focos da milícia indo além da região metropolitana. Há registros espalhados pelo Estado, como na Região dos Lagos e na Região Serrana.

Ao apresentar o estudo, os pesquisadores ressaltaram a velocidade com que a milícia conseguiu chegar ao que é hoje. Enquanto esses grupos - formados, na maior parte, por policiais - cresceram nos anos 2000, o tráfico tem um histórico de atuação que remete ao fim dos anos 1970, quando surgiu o Comando Vermelho. “As disputas entre esses quatro principais grupos não impediram o avanço das milícias, o que nos permite afirmar que essa expansão é o fenômeno mais notável dos últimos anos, além de reconfigurar a dinâmica dos conflitos armados em seu conjunto”, apontam.

Para elaborar o mapa e apresentar os dados, o estudo considerou 37,8 mil denúncias recebidas pelo Disque Denúncia que mencionavam o tráfico ou a milícia. A partir disso, fez-se uma triagem de validação, e os relatos passaram por processos de classificação por meio de termos que apareciam com frequência, criando assim uma espécie de dicionário. Esses termos foram analisados sob a ótica de três “agregadores”: controle territorial, controle social e atividades de mercado. É possível, segundo os pesquisadores, que haja alguma imprecisão, dado o grau de dificuldade de se mensurar algo desse porte. A ideia agora é elaborar uma série histórica, tendo como início o ano de 2005, e abrir os dados em uma plataforma disponível para consulta.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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