domingo, 18 de outubro de 2020

FALHAS DO STF NA ESCOLHA DE RELATOR DE PROCESSOS CRIMINAIS

 

Defesa de André do Rap escancara tática para escolher relator no STF; Fux age

A tática é a apresentação de diversos habeas corpus, até conseguir que a ação caísse nas mãos do ministro que mais lhes agradasse

Por ESTADÃO CONTEÚDO

 


Conhecido como André do Rap, André de Oliveira Macedo, 43, é um dos principais narcotraficantes e chefe do tráfico internacional de drogas dentro PCC

A libertação do traficante André do Rap pelo Supremo Tribunal Federal (STF) não serviu apenas para expor a falta de entendimento dos ministros sobre a manutenção da prisão preventiva de criminosos já condenados. O caso jogou luz em outra prática que vinha sendo adotada por advogados de defesa de alguns condenados: a apresentação de diversos habeas corpus, até conseguir que a ação caísse nas mãos do ministro que mais lhes agradasse. A manobra já era de conhecimento dos ministros, mas somente agora foi questionada publicamente.

No fim da sessão de quinta-feira, 15, que definiu, por nove votos a um, que a prisão do líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) deveria ser mantida, o presidente da Corte, Luiz Fux, publicou uma resolução sobre o assunto, com o objetivo de evitar tentativas de transformar o processo de escolha em uma "ciranda" de relatores do STF.

Coube ao ministro Gilmar Mendes dar o tom do problema e a necessidade de mudança nas regras. "Há uma norma no regimento que permite que se faça a desistência que houve neste habeas corpus (de André do Rap), sem que haja a prevenção (termo usado quando o relator de um caso passa a receber todos os demais processos associados ao primeiro). Precisa ser reformado, porque isso, com certeza, leva à possibilidade de fraude", disse Gilmar.

A escolha do relator para casos levados ao STF ocorre por meio de um sorteio informatizado. Pela regra que estava em vigor até quinta, o ministro sorteado recebia, automaticamente, todos os demais processos vinculados ao primeiro. É a chamada "prevenção" O problema é que essa regra tinha diversas exceções. Deixava de existir, por exemplo, quando o autor do processo desistia da ação. Perdia seu efeito também se o relator ainda não tivesse tomado uma decisão sobre o pedido de liminar ou mérito da causa. A resolução de Fux acabou com todas essas exceções.

Agora, quando um relator é definido, ele passa a ser designado para todos os demais processos que tenham conexão com o inicial. A relatoria fica registrada e assim prossegue, mesmo que a defesa apresente um pedido de desistência da ação. O ministro sorteado pode até não ter apresentado qualquer decisão sobre o processo, mas suas digitais já estarão no caso.

Gilmar chegou a afirmar que os advogados do traficante André do Rap protocolaram sucessivos habeas corpus no tribunal, até que um deles caísse com o ministro Marco Aurélio Mello. É corrente a tese de que o magistrado teria um perfil "garantista", isto é, um histórico de decisões focadas em preservar a liberdade de investigados. Marco Aurélio mandou soltar André do Rap.

"Quando a casa é arrombada, é que a gente coloca a porta. Estamos lidando com organizações criminosas com muito dinheiro para pagar bons advogados", resumiu Gilmar. Segundo o ministro, a "clareira" não é ilegal, mas eticamente condenável e os ministros não têm como saber que essa prática está sendo usada.

Em seu voto sobre André do Rap, Gilmar disse que o habeas corpus deveria ter sido distribuído para a ministra Rosa Weber, a relatora dos processos da Operação Oversea. Foi no âmbito dessa investigação, sobre tráfico internacional de drogas no Porto de Santos, que André do Rap foi condenado.

Em junho, a ministra Rosa Weber chegou a questionar o então presidente do STF, Dias Toffoli, se deveria ser a relatora de um habeas corpus apresentado por um outro réu - Marcio Henrique Garcia Santos - dentro do mesmo processo em que André do Rap foi condenado. Santos havia alegado que o relator do caso deveria ser o ministro Marco Aurélio, com base em outro habeas corpus sobre a operação que o ministro havia analisado. Em resposta, porém, Toffoli manteve a relatoria com Rosa Weber.

Um mês depois, a defesa de André do Rap apresentou habeas corpus ao Supremo pedindo a revogação da prisão preventiva. O pedido foi distribuído mais uma vez para a ministra Rosa Weber, no dia 1 de julho de 2020. No mesmo dia, porém, a defesa apresentou pedido de desistência e, em setembro, reapresentou um novo habeas corpus, argumentando que Marco Aurélio, por ter relator outros habeas corpus, deveria ser o relator por "prevenção". Foi o que ocorreu. Com o caso nas mãos, o ministro decidiu pela libertação.

Reportagem do Estadão publicada nesta semana analisou cada uma das 225 decisões liminares (provisórias) concedidas em habeas corpus e sorteadas para Marco Aurélio em 2020, disponíveis no portal do STF. A informação foi cruzada com nome dos réus com o Banco Nacional de Mandados de Prisão, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ao menos 92 pessoas conseguiram liminares de Marco Aurélio que levaram em conta o vencimento do prazo de revisão das prisões. Atualmente, a polícia tenta prender, novamente, 21 criminosos que se beneficiaram de decisões de soltura dadas por Marco Aurélio, todas nos mesmos moldes que o caso do líder do PCC.

No Supremo, há possibilidade de se trocar relatores. Isso ocorre quando um ministro entende que o caso deveria estar nas mãos de outro colega, por "prevenção". Foi o que aconteceu, por exemplo, em agosto de 2017, quando a ministra Rosa Weber pediu a redistribuição de um habeas corpus do empresário Jacob Barata Filho, conhecido como Rei do Ônibus. A magistrada apontou que o caso fazia parte da Operação Calicute, que tem como relator no STF Gilmar Mendes. Assim, o ministro assumiu a relatoria. No mesmo dia, revogou a prisão preventiva do "Rei do Ônibus."

Não é de hoje que o processo eletrônico de distribuição de processos, responsável por definir a relatoria dos casos que tramitam na corte, é alvo de questionamentos. Em fevereiro de 2017, a ministra Cármen Lúcia, então presidente do Supremo, chegou a informar que contrataria uma auditoria externa para analisar o processo. A promessa, no entanto, não foi cumprida.

Nesta semana, por sugestão de Gilmar, Fux estabeleceu que, a partir de agora, o registro ou a distribuição de qualquer ação ou recurso no tribunal deve gerar "prevenção" para todos os processos a ele vinculados. A resolução passou a prever ainda que eventuais dúvidas ou divergências sobre a distribuição de processos e "a detecção de tentativa de burla à aleatoriedade do sistema serão comunicadas e resolvidas pelo presidente da Corte, mediante decisão fundamentada".

Apesar de ter baixado a resolução sozinho, Fux disse que tratará do tema com os demais ministros da corte, em sessão administrativa, com uma proposta de adequação das normas do regimento interno para tratar da distribuição de ações e recursos. De forma reservada, alguns viram no ato do presidente apenas uma forma de "repetir" regras que já existiam. Gilmar e Fux, no entanto, entendem que fecharam brechas frágeis que transformam a mais alta corte do país em uma cartela de bingo.

Decisões monocráticas

Além da mudança na regra do relator promovida por Fux, a polêmica em torno da soltura de André do Rap levantou o debate sobre decisões monocráticas, aquelas tomadas por apenas um ministro. Na sexta-feira, 16, Fux disse que a Corte deveria tomar apenas decisões colegiadas.

"O Supremo do futuro é um Supremo que sobreviverá sempre realizando apenas sessões plenárias. Será uma Corte em que a sua voz será unívoca", afirmou o presidente do Supremo em seminário organizado pela TV Conjur. "Em breve, nós ‘desmonocratizaremos’ o Supremo Tribunal Federal para que as suas decisões sejam sempre colegiadas", completou, sem dar maiores detalhes de como atingir esse objetivo.

HORÁRIO DE VERÃO FOI ABOLIDO NO BRASIL NO GOVERNO BOLSONARO

 

Horário de verão no Brasil não vai acontecer pelo segundo ano seguido

Alteração nos relógios em dez Estados perdeu eficiência como ferramenta para conter consumo de energia por causa do calor excessivo

Por ESTADÃO CONTEÚDO

 

Com o calorão dos últimos anos, pico do consumo de energia se deslocou para a tarde

 

Pelo segundo ano seguido o Brasil não terá horário de verão, instrumento usado de 2008 a 2018 com o objetivo de economizar o consumo de energia em dez Estados que registram maior luminosidade entre outubro e fevereiro.

Por decreto em abril do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro encerrou o horário de verão após estudo do Ministério de Minas e Energia (MME) apontar que com o fim da mudança temporária o consumidor teria uma economia de R$ 100 milhões.

"Nos últimos anos, com as mudanças no hábito de consumo da população e a intensificação do uso do ar condicionado, o período de maior consumo diário de energia elétrica foi deslocado para o período da tarde, quando o horário de verão não tinha influência. Como a luz traz consigo o calor, o horário de verão também passou a produzir um efeito de aumento de consumo em determinados horários, que já superavam seus benefícios", explicou o MME em nota na época.

A redução da economia do horário de verão começou a ser percebida e questionada em 2017, quando foi registrada uma queda de consumo da ordem de 2.185 megawatts, equivalente a cerca de R$ 145 milhões. Em 2013, a economia havia sido de R$ 405 milhões, caindo para R$ 159,5 milhões em 2016, uma queda de 60%.

SEGUNDA ONDA DE COVID-19 APAVORA OS EUROPEUS

 

SEGUNDA ONDA DE COVID

"Fiquem em casa": europeus se confinam para conter pandemia

Toque de recolher entra em vigor na França neste sábado; limitar os contatos "é a ferramenta mais eficaz", diz Angela Merkel

Por AFP

 


Em Manchester, na Inglaterra, restrições à circulação de pessoas aumenta e mais testes de Covid são feitos


Ruas vazias, bares fechados, encontros de amigos adiados e trabalho remoto, se possível. A imagem se repete em diversos pontos da Europa, onde vários países anunciaram medidas mais drásticas para pôr um freio ao descontrolado avanço do coronavírus.

"Esqueçam as viagens que não são necessárias, as celebrações que não são essenciais. Fiquem em casa sempre que possível", disse a chanceler alemã, Angela Merkel, a seus concidadãos neste sábado (17).

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"O que vai acontecer no inverno, o que vai acontecer no Natal, vai ser decidido nos próximos dias e semanas", alertou.

"Se todos nós reduzirmos agora, significativamente, os encontros fora do núcleo familiar por um certo tempo, poderemos frear e mudar a tendência dessa multiplicação de infecções", frisou.

Merkel reconheceu que é um pedido "difícil", mas necessário, para não saturar os hospitais, continuar a manter as escolas abertas e proteger a economia e o emprego.

Limitar os contatos "é a ferramenta mais eficaz que temos agora para combater a pandemia. E hoje é mais necessária do que nunca", insistiu.

Em uma Europa que acumula mais de 248 mil  mortes e mais de 7 milhões de contágios, a Alemanha foi vista como um exemplo de gestão da pandemia para muitos países vizinhos. Os atuais surtos do vírus confirmam, porém, que não há receitas mágicas.

O país registrou 7.830 casos de coronavírus em 24 horas, um número que não se viu na primeira onda da pandemia, embora na época não houvesse tantos testes de diagnóstico.

Desde que a epidemia atingiu o país, 9.767 pessoas morreram, 33 delas na sexta-feira.

"Todos em casa"

Na França, entrou em vigor neste sábado (17) o toque de recolher decretado pelo governo, válido entre 21h e 6h, em várias regiões do país, incluindo Paris. No total, 20 milhões de pessoas serão afetada.

A regra é simples: "Todos em casa das 21h às 6h", resumiu o primeiro-ministro Jean Castex.

Antes de o toque de recolher começar, à meia-noite, grupos lotados se reuniram na sexta-feira em terraços e restaurantes ainda abertos, tiraram fotos em grupo e brindaram a dias melhores.

"Vamos aproveitar ao máximo (...) Primeiro, restaurante; depois, alguns bares; e agora uma caminhada pela Champs-Élysées com os amigos", disse um estudante de 19 anos.

Nem encontros de família

No Reino Unido, país mais atingido na Europa, com 43.400 mortes, metade da população da Inglaterra - ou seja, cerca de 28 milhões de pessoas - está sob novas restrições a partir de hoje.

Reuniões de familiares e amigos que não moram sob o mesmo teto estão proibidas em Londres e em outras partes da Inglaterra. Na região de Lancashire (noroeste), que junto com Liverpool, são as duas áreas em "alerta muito alto", as restrições são ainda mais fortes.

Na Itália, onde o limite simbólico de 10 mil novos casos em 24 horas foi ultrapassado na sexta-feira, a região da Lombardia (norte), principal foco do surto, fechará seus bares e restaurantes a partir de sábado e suspenderá todos os eventos esportivos.

Na Bélgica, cafés e restaurantes também fecharão a partir de segunda-feira, por um mês, e haverá toque de recolher à noite.

"Semana após semana, os números estão dobrando, aumentando sem freio", disse o primeiro-ministro Alexander De Croo.

A Bélgica registra uma das taxas de mortalidade mais altas do mundo, com 89 mortes a cada 100.000 habitantes.

Limitar os contatos à espera de vacina

A pandemia do novo coronavírus causou pelo menos 1.105.691 mortes em todo mundo e quase 40 milhões de infecções.

Na América Latina e no Caribe, a região mais afetada do mundo, com 377.952 óbitos e quase 10,5 milhões de casos de contágio, o governo do México disse na sexta-feira que propôs aos Estados Unidos estender até 21 de novembro as restrições ao trânsito não essencial na fronteira comum para conter o coronavírus.

Ambos os países mantêm a fronteira de 3.145 quilômetros fechada ao tráfego terrestre não essencial, como no caso de turistas, ou de visitantes ocasionais, embora seja permitida a passagem de mercadorias, trabalhadores, ou estudantes.

O México registra mais de 840.000 casos confirmados do coronavírus e 85.704 mortes, enquanto os Estados Unidos, o país com o maior número de vítimas fatais, tem 218.000 óbitos e 8 milhões de infecções.

Na sexta-feira (16), duas empresas americanas - Pfizer e Moderna - disseram que esperam solicitar aprovação emergencial para suas vacinas contra a covid-19 no final de novembro.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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