domingo, 30 de agosto de 2020

QUEIMADAS NA AMAZÔNIA INTERFEREM NO ACORDO COMERCIAL ENTRE O MERCOSUL COM A UNIÃO EUROPEIA

 

A morte silenciosa do acordo UE-Mercosul

 

Deutsche Welle

 

 


© Greenpeace Intervenção em Amsterdam demonstra preocupação dos europeus com a preservação da Amazônia

Merkel pôs em xeque o pacto comercial devido às queimadas na Amazônia. Ao ignorarem o alerta, governos sul-americanos deixam claro seu desinteresse na implementação do tratado. Também na Europa o silêncio predominou.

Faz exatamente um ano desde que o presidente francês, Emmanuel Macron, atacou o Brasil pela primeira vez por causa dos incêndios na Amazônia, durante a cúpula do G7 na França. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, disse agora que tem dúvidas sobre se o acordo comercial da União Europeia (UE) com o Mercosul ainda pode ser implementado. O motivo são as queimadas na região amazônica.

As “sérias dúvidas” de Merkel se encaixam na corrente de muitos outros críticos que há um ano vêm exigindo cada vez mais veementemente que o governo brasileiro tome medidas contra o desmatamento. Primeiro foram as organizações ambientais, depois os embaixadores da Noruega e da Alemanha e, finalmente, agora fundos, bancos e empresas que pediram ao governo de Jair Bolsonaro que tome uma atitude.

Mas as reações do governo até hoje são as mesmas: afirma que faz o suficiente para proteger a Amazônia; responde que a Europa e os Estados Unidos já desmataram tudo o que tinham; quer oferecer parques nacionais a empresas privadas estrangeiras, para que elas possam proteger o meio ambiente. Afinal, o que o mundo estaria disposto a pagar pela proteção da floresta tropical?

Os militares, segundo o governo, protegerão a floresta de maneira mais eficaz do que as autoridades responsáveis. É preciso poder garantir aos pobres, como os indígenas da Amazônia, uma vida digna, algo que só seria possível com empresas e através de atividades econômicas. Assim soam os argumentos dos ministros quando comentam o tema.

Na verdade, nada mudou em um ano: nos últimos 12 meses até agosto deste ano, as queimadas aumentaram em cerca de um terço em relação ao mesmo período do ano passado. Portanto, é perfeitamente compreensível que a chanceler federal alemã se junte aos críticos. Suas advertências têm peso.

Até poucos dias atrás, Merkel era uma das mais importantes defensoras do acordo UE-Mercosul dentro do bloco. Ela havia defendido publicamente no ano passado o pacto contra as críticas do Bundestag, a câmara baixa do Parlamento alemão: nenhuma árvore a menos seria derrubada na Amazônia se o acordo não se concretizasse – era essa, mais ou menos, sua argumentação. Com a presidência do Conselho da UE exercida pela Alemanha até o final do ano, muitos esperavam que o acordo pudesse ainda dar um passo adiante em direção à ratificação.

Isso agora se tornou mais difícil. Merkel pode não ter batido o martelo ainda, mas deixou claro que o Brasil precisa se mexer. Assim, ela aumenta a pressão para tentar salvar o acordo comercial. Mas até o fim de dezembro não deve acontecer muita coisa.

Ainda mais surpreendente é o completo silêncio na América do Sul. Nenhum dos quatro governos do Mercosul comentou as críticas da chanceler alemã. Também na imprensa suas críticas encontraram pouca ressonância. A conclusão só pode ser uma: na América do Sul, nenhum dos quatro países parceiros está realmente interessado no acordo. Mesmo nas declarações dos quatro presidentes nas últimas semanas e meses, o acordo não aparece mais sequer de forma secundária.

Isso não é diferente na Europa. Na verdade, seria de se esperar que os interessados no acordo se manifestassem depois das críticas de Merkel. Ou seja, as associações industriais, as empresas de médio porte, as montadoras, os grupos de construção civil, a indústria química – todos aqueles que fazem há 20 anos campanha pela abertura do mercado na América do Sul e pela maior associação econômica mundial. Mas também na Europa o silêncio predominou, com exceção de algumas declarações de protocolo.

Portanto, tudo indica que o acordo entre a Europa e o Mercosul terá uma morte silenciosa.

O que não é algo incomum na América Latina. “Já houve muitos funerais para alianças regionais na América Latina”, disse o uruguaio Enrique V. Iglesias, que foi presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) por muitos anos. “Mas nenhum enterro.”

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MORRE O ATOR PRINCIPAL DO FILME PANTERA NEGRA CHADWICK BOSEMAN

 

Magreza de Chadwick Boseman chamava atenção, mas doença só foi revelada após morte

 

Pipoca Moderna

 

 


© Instagram/Chadwick BosemanUm dos motivos da grande comoção em torno da morte de Chadwick Boseman na sexta-feira (28/8) foi a surpresa dos fãs e de muitos colegas ao descobrirem que ele enfrentava um câncer de cólon há quatro anos.

O ator manteve a doença em segredo durante todo esse tempo, enquanto fazia alguns de seus trabalhos mais famosos, como o blockbuster “Pantera Negra”. Durante a divulgação deste filme, ele chegou a chorar ao contar a história de duas crianças com câncer terminal que não conseguiram resistir para ver a estreia nos cinemas. Em retrospecto, ele claramente se identificou com as jovens vítimas da doença, que tiveram suas trajetórias abruptamente interrompidas.

Só quem sabia da doença era a família e as pessoas de seu círculo mais íntimo. Bastante reservado, o ator não revelou sequer que tinha se casado com Taylor Simone Ledward nos últimos meses, notícia que só veio à tona do dia de sua morte, quando o porta-voz da família contou que ele faleceu ao lado da esposa.

“Minha vida não é da conta de ninguém, de verdade. Quando falo sobre coisas pessoais, torno-me uma espécie de celebridade. E minha vida pessoal acaba interferindo na parte profissional. Eu sou um ator, e as pessoas me conhecem pelos personagens que eu interpreto. Elas têm uma impressão sobre quem eu sou, mas não sabem realmente tudo”, chegou a dizer, numa entrevista recente.

Apesar disso, sua aparência deixava claro que algo não estava bem com sua saúde. Em fevereiro, durante a cerimônia de entrega do Oscar, chamou atenção por estar bastante magro. E, desde então, não fez mais aparições públicas. Devido à pandemia de covid-19, ele se manteve recluso, em isolamento social, mostrando apenas o rosto em lives na internet.

Mesmo assim, um vídeo publicado em suas redes sociais, em abril de 2020 (veja abaixo), chamou atenção para sua gritante perda de peso. O ator apareceu magérrimo para divulgar a “Operação 42”, iniciativa para ajudar hospitais que atendem comunidades negras durante a pandemia do novo coronavírus, e que foi batizada em homenagem ao filme “42: A História de uma Lenda” (2013), em que ele interpretou Jackie Robinson, primeiro jogador de beisebol negro a participar da liga profissional.

Em junho, fotos de paparazzi flagraram o ator entrando em cadeira de rodas num hospital. O fato não foi esclarecido à época. Em nenhum momento, a doença do ator foi comunicada ou vazada para a imprensa.

Diagnosticado com o estágio 3 do câncer em 2016, Chadwick Boseman enfrentou cirurgias e quimioterapia sem que o público soubesse, esperando superar as dificuldades de saúde para continuar a carreira, que tinha atingido o auge. Entretanto, não conseguiu evitar que doença evoluísse para o estágio 4, terminal.

Mesmo após a morte, Chadwick Boseman continua a reinar. Um dia depois de perder sua sua batalha contra o câncer de cólon, o ator quebrou dois recordes do Twitter.

A rede social anunciou neste sábado (29/8), que o tuíte final postado na conta do astro, anunciando sua morte, tornou-se o post mais curtido e compartilhado de todos os tempos. “Um tributo digno de rei”, acrescentou a conta oficial do Twitter.

Postado por volta das 23 horas (horário de Brasília) de sexta-feira, o comunicado da família do ator já foi retuitado cerca de 3 milhões de vezes e curtido por quase 6 milhões de pessoas, e os números continuam crescendo.

Entre os milhões que retuitaram e curtiram a despedida do intérprete do Pantera Negra, contaram-se várias estrelas de Hollywood, políticos, músicos, esportistas e outras figuras públicas, além de empresas e instituições, como a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA.

 

sábado, 29 de agosto de 2020

QUEREM ACABAR COM A LAVA JATO

 


O embate na PGR

 

Manoel Hygino 

 


A Lava Jato foi a maior operação de combate à corrupção em todo o mundo. As notícias do trabalho desenvolvido pelos promotores e demais que se dedicaram ao projeto, nascido silenciosamente, satisfaziam aos seus autores e orgulhavam o Brasil. A nossa má fama como gestores de dinheiros públicos perdia força.

A Lava Jato passou a ser referência na hora de decisões de interesse nacional. Quando Temer teve de escolher o núcleo palaciano, constatou que cinco dos pretendentes a relevantes cargos eram objeto de investigações pela operação.

A corrupção se generalizara. O empresário Marcelo Odebrecht, em determinada ocasião, declarou que sua empresa era o próprio Estado e que “os irmãos da JBS financiaram 1.850 políticos, elegendo prefeitos, deputados, senadores, governadores e presidentes da República”, como lembrou alhures o jornalista Aylê Salassié Filgueiras Quintão.

O brasileiro tomou conhecimento pela Imprensa, tão criticada e vilipendiada, do festival de dinheiro público - ou seja, dos cidadãos - angariado fraudulentamente e utilizado em campanhas, e mesmo no exercício de cargos de relevo. A palavra “propina” deixou de ser apenas usada para as gorjetas nos restaurantes.

Um instituto de avaliação dos gastos de governo constatou que, em 20 anos, R$ 2 trilhões de recursos públicos foram desviados. A Lava Jato tentou vencer contrários, mas se atirou em um mercado de interesses políticos e de ciumeira governamental.

Eis o momento em que nos encontramos, quando o espaço nos meios de comunicação é tomado pelo noticiário, com muita razão, sobre a pandemia. O procurador-geral da República de hoje descobriu que os agentes de Curitiba, principalmente, teriam se excedido no exercício de seus misteres, ou no cumprimento de diligências. O titular da PGR acha que é “hora de corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure”.

Acha S.Exa. que é chegada a hora de centralizar as ações da Procuradoria em Brasília, depois de ação enérgica e bem-sucedida da Lava Jato. Mas, há, em meio a tudo, possíveis outros motivos, que precisam ser analisados. Um retrocesso, como parece possível, seria altamente prejudicial para a nação e para a própria PGR.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...