sábado, 29 de agosto de 2020

AUXÍLIO EMERGENCIAL SERÁ PRORROGADO ATÉ O MÊS DE DEZEMBRO/2020

 

Bolsonaro deve prorrogar auxílio por mais 4 meses

 

Jussara Soares e Idiana Tomazelli

 

 


BRASÍLIA - O governo deve prorrogar o auxílio emergencial até dezembro deste ano, com quatro parcelas de R$ 300, valor defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, segundo apurou o Estadão com fontes das alas política e econômica do governo.

O anúncio do Renda Brasil, programa social que substituirá o Bolsa Família e será a marca social do governo Bolsonaro, ficará para um segundo momento para que o ministro da EconomiaPaulo Guedes, tenha mais tempo para encontrar espaço para acomodar o novo gasto dentro do teto, que limita o avanço das despesas à inflação.

© Gabriela Biló/Estadão Quem dá o 'timing' sobre a prorrogação do auxílio e a criação do Renda Brasil é a política, disse Guedes.

presidente quer um plano que não inclua a revisão ou a extinção de outros benefícios, como o abono salarial, uma espécie de 14º salário pago a trabalhadores com carteira com salário até R$ 2.090 e que custa cerca de R$ 20 bilhões ao ano. O abono é considerado ineficiente pela equipe econômica, mas a proposta foi rejeitada pelo presidente em reunião na terça-feira, 25. No dia seguinte, em viagem a Minas Gerais, Bolsonaro avisou que não vai “tirar de pobres para dar a paupérrimos”.

Na primeira referência pública de Guedes às críticas do presidente, o ministro – que chegou a ser alvo de rumores de que pediria demissão – disse que tomou um “carrinho” de Bolsonaro nesta semana. “Ainda bem que foi fora da área, senão era pênalti”, brincou Guedes em uma live organizada pelo setor do aço. Ontem, o ministro e Bolsonaro se encontraram fora da agenda oficial dos dois.

Técnicos discutiam ontem uma revisão no seguro-defeso, pago a pescadores artesanais no período de reprodução dos peixes, quando a pesca é proibida. Para acabar ou restringir o programa, que tem um custo de R$ 2,5 bilhões por ano e é sempre criticado por ter alto índice de fraudes, é preciso aprovar um projeto de lei – o que exige menos apoio do que os três quintos necessários para mudar a Constituição e mexer no abono. No entanto, governos anteriores também fracassaram nas tentativas de modificar o seguro-defeso.

Pouso suave

Enquanto não aponta a fonte do novo programa, a ideia do governo é que a extensão do auxílio seja uma transição para um “pouso suave” no novo Renda Brasil. Os técnicos da área econômica continuam debruçados sobre as alternativas para liberar espaço no Orçamento para o Renda Brasil e não desistiram nem mesmo de tentar convencer o presidente a propor alguma mudança no alcance do abono salarial atual. A ideia é tentar emplacar a mesma alteração proposta na reforma da Previdência, que restringia o abono a quem ganha até um salário mínimo (R$ 1.045). A medida também foi rejeitada pelo Congresso.

Ontem, o ministro da EconomiaPaulo Guedes, disse que quem dá o “timing” sobre temas como a prorrogação do auxílio emergencial e a criação do Renda Brasil é a política. Segundo ele, a equipe econômica tem simulações prontas sobre os gastos que os benefícios vão acarretar.

“Eu sempre repito que o timing quem dá é a política. Nós temos as simulações todas preparadas, agora o timing, o nível de auxílio emergencial, de Renda Brasil, tudo isso são decisões políticas”, afirmou Guedes na portaria do ministério. Ele foi questionado se o Renda Brasil começaria a ser pago já no início do ano que vem. “Talvez antes, talvez no começo do ano que vem”, respondeu.

Sobre o auxílio emergencial, o ministro disse que “a gente sabe que R$ 600 é muito e R$ 200 é pouco”. “Estamos tentando acertar os números. Mas está tudo claro, tudo tranquilo.”

O auxílio emergencial foi criado originalmente para durar três meses (tendo como base os meses de abril, maio e junho). Depois, o governo prorrogou por duas parcelas (julho e agosto) por meio de decreto. O valor de R$ 600 foi mantido em todo esse período. Para mexer no valor, será preciso editar uma Medida Provisória (MP), que tem vigência imediata.

 

DIFERENTES PROPOSTAS DE GOVERNO DOS DOIS CANDIDATOS DOS ESTADOS UNIDOS

 

Dois candidatos, muitas diferenças

 

Notas & Informações

 

 


O Partido Republicano e o Democrata oficializaram seus candidatos à presidência dos Estados Unidos para as eleições de novembro. As candidaturas de Donald Trump e Joe Biden não apenas trazem propostas políticas diferentes para os EUA, mas representam modos distintos de tratar a democracia e a própria cidadania. Os discursos de encerramento das duas convenções partidárias ilustraram essa disparidade, mostrando o que será decidido nas próximas eleições americanas.

A mensagem central do discurso de Joe Biden foi a promessa de unir os EUA. “Embora eu seja um candidato democrata, serei um presidente americano”, disse, afirmando que, se for eleito, trabalhará para todos os eleitores, tenham ou não votado nele. “Muita raiva, muito medo e muita divisão”, disse Biden a respeito do atual governo.

Em seu discurso, Joe Biden disse que os EUA enfrentam atualmente quatro crises históricas – a recessão econômica, a pandemia de covid-19, o clamor por justiça social e as mudanças climáticas. “É uma tempestade perfeita”, disse. Ao mesmo tempo, o candidato democrata afirmou que o atual governo tem estado muito aquém desses desafios. Citou, como exemplo, a falta de planejamento para enfrentar a covid-19, acusando Trump de ter falhado em sua obrigação mais básica como presidente dos EUA, a de proteger os americanos da doença. O país tem 5,8 milhões de infectados e 180 mil mortos em decorrência do vírus.

A respeito da questão racial – que ganhou especial repercussão desde o assassinato de George Floyd, no final de maio, por um policial –, Biden falou da “mancha do racismo” em “nosso caráter nacional”. Uma das propostas do candidato democrata é a realização de uma reforma do sistema de justiça, com o objetivo de reduzir o número de pessoas encarceradas e eliminar disparidades em função de raça e de gênero.

Na questão ambiental, Biden assumiu o compromisso de desenvolver uma economia de energia limpa, também como oportunidade de crescimento econômico e de geração de empregos. Uma das medidas anunciadas é o retorno dos EUA ao Acordo do Clima de Paris, denunciado pelo atual governo em 2017.

Por sua vez, o presidente republicano Trump parece dobrar a aposta no conflito, na desinformação e no medo. Se em 2016 Donald Trump chegou à presidência dos EUA prometendo deportar todos os imigrantes ilegais e construir um muro na fronteira com o México, agora ele apresenta Joe Biden como ameaça nacional. “Biden não é o salvador da alma americana, ele é o destruidor dos empregos americanos, com o risco de ser o destruidor da grandeza americana”, disse Trump no discurso de encerramento da convenção do Partido Republicano.

Em sua fala, Trump recorreu à desinformação. Disse, por exemplo, que, se a oposição ganhar as eleições, o governo vai tirar recursos da polícia, demolir os subúrbios, confiscar armas e nomear juízes que não respeitarão as liberdades constitucionais. “Essa eleição vai decidir se salvamos o sonho americano ou se deixamos uma agenda socialista demolir nosso querido destino”, disse Trump. Assegurou ainda uma vacina contra o coronavírus até o fim do ano “ou antes”.

Diante das campanhas e das duas plataformas, é evidente que se pode apontar inconsistências e fragilidades nas propostas de Joe Biden, que está longe de ser um candidato perfeito. No entanto, há uma diferença fundamental a distinguir as duas candidaturas – a postura em relação à política. Donald Trump trata o adversário como um inimigo a ser abatido com mentiras e distorções. Essa falta de compromisso com a realidade é uma ofensa à democracia. O eleitor deve ser convencido, e não enganado.

É uma pena que o Partido Republicano, com tão rica história em defesa das liberdades e da democracia, esteja enredado nesse amesquinhamento da política e da vida pública promovido por Donald Trump. Não por outra razão, importantes lideranças republicanas manifestaram apoio a Joe Biden. Mais do que abraçar as propostas democratas, tal atitude é uma defesa da civilidade e da democracia. Numa eleição, há pontos inegociáveis. O respeito ao cidadão é um deles.

 

DENÚNCIA CONTRA O GOVERNADOR AFASTADO DO RIO DE JANEIRO WILSON WITZEL

 

Leia a íntegra da denúncia da PGR contra Wilson Witzel

 

Poder360

 

 


© Sérgio Lima/Poder360 Wilson Witzel foi afastado do governo do Rio depois de denúncia da PGR

A PGR (Procuradoria Geral da República) denunciou nesta 6ª feira (28.ago.2020) o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), a primeira-dama, Helena Witzel, e outras 7 pessoas por corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Leia a íntegra (8 MB) da denúncia apresentada ao ministro Benedito Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que ainda nesta 6ª feira (28.ago) determinou o afastamento de Witzel do cargo de governador do Rio por 180 dias.

No documento, a subprocuradora-geral da República Lindôra Maria Araujo diz que o governador utilizou-se do cargo para estruturar uma organização criminosa que movimentou R$ 554.236,50 em propinas pagas por empresários da saúde ao escritório de advocacia de sua mulher.

O casal foi denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na forma de crime continuado, reiterado por 25 vezes.

Ao apresentar a denúncia, Lindôra Maria Araujo pediu a condenação dos acusados, a decretação da perda do cargo público de Wilson Witzel e o pagamento de indenização mínima de R$ 1.108.473 aos cofres públicos.

No documento, a subprocuradora-geral apresenta provas de que o governador liderou, de março a maio deste ano, 3 grupos empresariais –que representam 4 empresas– que disputavam o poder no governo do estado mediante o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Esses grupos lotearam algumas das principais pastas estaduais –a exemplo da Secretaria de Saúde– para implementar esquemas que beneficiassem suas empresas.

Segundo a denúncia, em troca do apoio do governador, os empresários firmavam contratos fictícios com o escritório de advocacia de Helena Witzel, o que permitia a transferência indireta de valores pagos por Mário Peixoto e Gothardo Lopes Netto a Wilson Witzel.

O acervo probatório engloba comprovantes de pagamentos, quebra de sigilos fiscal, bancário e telemático, além de relatos de colaboradores, entre outros fatos. O conteúdo exposto ao STJ revela sofisticada organização criminosa instalada no Rio de Janeiro, repetindo esquema criminoso praticado pelos últimos 2 ex-governadores do Rio, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

Foram denunciados, neste primeiro momento:

  • o governador afastado Wilson Witzel;
  • a mulher de Witzel, Helena Witzell
  • Lucas Tristão;
  • Mário Peixoto;
  • Alessandro Duarte;
  • Cassiano Luiz;
  • Juan Elias Neves de Paula;
  • João Marcos Borges Mattos;
  • Gothardo Lopes Netto.

Segundo a PGR, a denúncia inclui parte dos fatos criminosos já apurados, suficientemente comprovados e que deram origem à primeira fase da operação Placebo, deflagrada em 26 de maio deste ano.

Na denúncia enviada ao STJ, a PGR indica que o empresário Gothardo Lopes Netto pagou cerca de R$ 280 mil ao escritório de Helena Witzel para que fosse direcionada a escolha da Organização Social Associação de Proteção à Maternidade e Infância de Mutuípe para a gestão do Hospital Zilda Arns. O pagamento foi feito mediante contrato simulado entre o escritório e o Hospital Jardim Amália, e comprovado por documentos e relatos de testemunhas.

Já no caso de Mário Peixoto, interceptações autorizadas judicialmente indicam que o empresário pagou vantagens indevidas ao governador a fim de que Wilson Witzel revogasse a desqualificação da organização social Instituto Unir Saúde –que pertence ao empresário– e o impedia de participar de contratações com o Estado.

A manobra foi intermediada por Lucas Tristão e permitiu que a empresa voltasse a prestar serviços públicos, conforme ocorrido entre 2018 e 2019, quando a organização social administrava mais de R$ 180 milhões em contratos de UPA (Unidades de Pronto Atendimento) no Rio de Janeiro. Entre os planos do grupo estava a compra de uma rádio para exponenciar o potencial político da organização.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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