sábado, 27 de junho de 2020

NOTÍCIAS SELEÇÃO DA SEMANA

10 boas notícias: confira a seleção da semana para ler em tempos de coronavírus (até 27/6)

Marina Vaz

 



De Santa Catarina ao Vale do Paraíba, costureiras garantem sua renda com a produção de máscaras de tecido. No Uruguai, um homem resolveu empreender um negócio criativo (e festivo) durante a quarentena. Sabe aquela história de fazer uma limonada, sempre que a vida lhe der limões? É isso.

1. Arte urbana. O VJ Kauê Lima resolveu utilizar a lateral de um prédio em Belém (PA) para difundir a obra de artistas de todo o Brasil. “No começo da pandemia, eu projetava bastante conteúdo político e mensagens de prevenção ao coronavírus; depois, comecei a projetar artes de amigos meus, alguns posts viralizaram e outros artistas entraram em contato”, contou ao Estadão. Foi assim que surgiu o projeto Mostra Tua Arte. “A participação é aberta a todos; todas as artes recebidas são projetadas, fotografadas e postadas nas redes sociais.” E tudo feito pelo próprio Kauê. O projeto cultural já teve duas convocatórias, com 452 e 645 artistas inscritos, respectivamente – a terceira chamada está marcada para o dia 30/6.

2. Mudança de foco. Uma máquina originalmente destinada a produzir absorventes foi adaptada para fabricar, durante a pandemia, máscaras cirúrgicas que serão doadas a hospitais e instituições de saúde de Bragança Paulista, no interior de São Paulo. A ação contra a disseminação do coronavírus, da empresa Santher, vai distribuir cerca de 500 mil itens do tipo.

3. Ciência premiada. Um protótipo de ventilador pulmonar de baixo custo, desenvolvido por pesquisadores do Instituto Federal do Paraná, foi um dos três vencedores do Code Life Ventilator Challenge, desafio que contou com 2.639 participantes de 94 países. Com o apoio da empresa Zetra, o equipamento – idealizado por Carlos Eduardo Araújo, PhD em eletrônica, em parceria com Rogerio Gomes, professor de mecânica – está, agora, na fase de testes para obter a aprovação da Anvisa e, então, começar a ser produzido.

4. Proteção para todos. O programa Viva Comunidade, da Arteris, vai doar 8 mil máscaras de tecido para comunidades vulneráveis e populações indígenas de São Paulo e Santa Catarina. A confecção dos itens também está gerando renda para costureiras autônomas e integrantes da Associação de Moradores de Pedra Branca, localizada na cidade catarinense de Palhoça. Uma curiosidade: os insumos para produzir as máscaras são camisetas (que nunca foram utilizadas, claro) de uma corrida esportiva que é patrocinada pela empresa.

5. Na rua deserta. As primeiras cestas básicas para ajudar as mais de 3 mil baianas que, antes da pandemia, vendiam acarajé e mingau pelas ruas de Salvador, começaram a ser distribuídas. Uma campanha realizada pelo Voaa, plataforma de financiamento coletivo do site Razões para Acreditar, busca dar apoio às profissionais que têm nessas tradicionais receitas a principal fonte de renda para suas famílias. A arrecadação está prevista para se encerrar neste domingo, 28/6 (saiba mais clicando aqui).

6. Parabéns a você. No início desta semana, uma cena atípica tomou conta de uma rua de Montevidéu, no Uruguai. Moradores foram surpreendidos por um “bolo” gigante, que caminhava por lá para celebrar uma festa de 15 anos. Esta foi a forma encontrada pelo dono de uma empresa de publicidade para contornar a crise – criar um novo negócio voltado a aniversários na quarentena. E com direito a mensagens via alto-falante e até uma vela no topo da curiosa fantasia. As informações são da agência AFP.

7. Compromisso docente. Uma professora mexicana que vive na cidade de Apaseo el Grande chamou atenção após uma foto sua ser compartilhada nas redes sociais, como informou o site Televisa News. Para poder continuar orientando seus alunos durante o período de isolamento social, ela adaptou sua caminhonete e a transformou em uma sala de aula itinerante. Na caçamba, instalou uma mesa e duas cadeiras – é lá que ela atende cada estudante individualmente, indo até suas respectivas casas. A segurança da aula particular ao ar livre ainda é reforçada pelo uso de máscaras.

8. Apoio cinéfilo. A campanha de apoio aos trabalhadores da Cinemateca Brasileira, instituição voltada a preservar a memória do cinema e das produções audiovisuais do País, está em sua reta final (saiba mais aqui). A intenção é ajudar, emergencialmente, os funcionários que estão sem receber seus salários, em meio à crise da entidade e à suspensão de repasses financeiros pelo governo federal. O manifesto em defesa da preservação da Cinemateca já contou com o apoio de artistas como Antonio Pitanga, Bárbara Paz e Fernando Meirelles.

9. Setor sensível. Pensando nos que vivem em regiões dependentes do turismo – e que tiveram seu trabalho impactado pela epidemia do novo coronavírus –, a empresa Elo doou cartões de alimentação pré-pagos para 5.500 famílias que vivem em cidades brasileiras como Porto de Galinhas (PE), Chapada Diamantina (BA), Circuito do Ouro (MG) e Bento Gonçalves (RS). Na segunda etapa da Elo do Bem, a campanha recebe doações a partir de R$ 10, para poder ajudar mais famílias de regiões turísticas.

10. Trabalho garantido. Cerca de 150 artesãs da ONG Orientavida, do Vale do Paraíba (SP), estão produzindo máscaras de tecido durante a pandemia. Até agora, elas já venderam 100 mil itens para diversas empresas – 60 mil só para a Uber, que os distribuiu para motoristas e entregadores.

 

GRUPO DA LAVAJATO PEDE DEMISSÃO

Grupo da Lava Jato pede demissão após busca de dados por aliada de Aras

Poder360

 


© Sérgio Lima/Poder360 O procurador-geral da República, Augusto Aras, em comissão do Senado

 

Procuradores que integram o grupo da PGR (Procuradoria Geral da República) que atua em processos da Lava Jato pediram demissão nesta 6ª feira (26.jun.2020). Assinaram a carta de demissão os procuradores Hebert Reis Mesquita, Luana Macedo Vargas, Maria Clara Noleto e Victor Riccely Lins Santos.

O pedido de demissão coletiva é uma reação à visita da chefe desse núcleo e braço direito de Augusto Aras, a subprocuradora-geral Lindôra Araújo, à força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. A visita ocorreu na 4ª (24.jun) e 5ª feira (25.jun).

Em ofício ao procurador-geral da República, os procuradores do Paraná disseram que a ida de Lindôra ao QG da Lava Jato em Curitiba configurou uma “busca informal” que visava a obter “informações, procedimentos e bases de dados da força-tarefa em diligência efetuada sem prestar informações sobre a existência de 1 procedimento instaurado, formalização ou escopo definido“. Disseram ver o ato com “estranhamento“.

Em nota, Lindôra disse que a visita foi agendada há cerca de 1 mês com o coordenador da força-tarefa no Paraná, o procurador Deltan Dallagnol. Disse que pediu acesso a informações para “solucionar eventuais passivos“.

Não houve inspeção, mas uma visita de trabalho que visava a obtenção de informações globais sobre o atual estágio das investigações e o acervo da força-tarefa, para solucionar eventuais passivos. […] Não se buscou compartilhamento informal de dados, como aventado nas notícias da imprensa, mas compartilhamento formal com acompanhamento de 1 funcionário da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea), órgão vinculado à PGR, conforme ajustado previamente com a equipe da força-tarefa em Curitiba“, disse a subprocuradora-geral.

Lindôra disse que fez o mesmo pedido às forças-tarefas de São Paulo e do Rio de Janeiro. “Os assuntos da reunião de trabalho, como é o normal na Lava Jato, são sigilosos. A PGR estranha a reação dos procuradores e a divulgação dos temas, internos e sigilosos, para a imprensa“, finalizou o texto.

Após o pedido de demissão dos procuradores até então subordinados a Lindôra, as forças-tarefas da Lava Jato no Paraná, em São Paulo e no Rio de Janeiro, bem como a força-tarefa da operação Greenfield, divulgaram nota em solidariedade aos procuradores. Disseram “expressar integral confiança” nos profissionais.

São procuradores da República competentes, dedicados, experientes e amplamente comprometidos com a integridade, a causa pública e o combate à corrupção e enfrentamento da macrocriminalidade. Ao longo de anos, Hebert Reis Mesquita, Luana Macedo Vargas, Maria Clara Noleto e Victor Riccely Lins Santos cooperaram amplamente em importantes trabalhos conjuntos com as forças-tarefas Lava Jato e Greenfield, razão pela qual os seus integrantes expressam seu profundo agradecimento e admiração.

 

MINISTRO DA EDUCAÇÃO NÃO É DOUTOR EM EDUCAÇÃO


Ministro da Educação foi reprovado em tese e não tem o doutorado que divulgava no currículo

Beatriz Jucá




© Fornecido por EL PAÍS O ministro Carlos Alberto Decotelli.


O novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, foi reprovado no exame de qualificação da banca de doutorado na Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, e por isso não tem o diploma do curso, contrariando o que afirmava em seu currículo. A informação é do reitor da universidade, Franco Bartolacci. Ele afirmou ao EL PAÍS que o então aluno “apresentou uma versão escrita que foi julgada desfavoravelmente pelo júri e, portanto, não pôde fazer sua defesa oral”. Mais cedo, o reitor havia usado o Twitter para desmentir parte do currículo de Decotelli apresentado pelo presidente Bolsonaro no anúncio de sua nomeação para comandar o MEC nesta quinta-feira.
Carlos Alberto Decotelli afirma ter concluído doutorado em Administração pela Faculdade de Ciências Econômicas e Estatística da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina. A informação consta no currículo Lattes do ministro e também em várias publicações do Governo Federal sobre o período em que ele ocupou a presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
De acordo com ele, o título da tese defendida foi “Gestão de Riscos na Modelagem dos Preços da Soja” e seu orientador foi o pró-reitor da FGV, Antônio de Araújo Freitas Júnior. No currículo que Freitas mantém na mesma plataforma, o trabalho do ministro não é mencionado na relação de bancas de trabalhos de conclusão de doutorado das quais participou. Também não há qualquer menção de que tenha realizado uma orientação na Universidade Nacional de Rosário. Freitas disse, por meio da assessoria da FGV, que não faria comentários sobre o currículo do ministro.
Após a repercussão do caso, Decotelli mudou alguns dados da plataforma. Substituiu o título de doutor por “créditos concluídos” e retirou o nome do orientador. Neste campo, escreveu: “sem defesa de tese”.

“Nos vemos na necessidade de declarar que Carlos Alberto Decotelli da Silva não obteve a titulação de doutor na Universidade de Rosário que se menciona nessa divulgação”, disse o reitor Bartolacci no Twitter. Em resposta, o Ministério da Educação rebateu a afirmação e apresentou uma cópia do certificado no qual a instituição confirma que o ministro cursou todas as disciplinas no curso. “O Ministério da Educação informa que o ministro Carlos Alberto Decotelli da Silva concluiu, em fevereiro de 2009, todos os créditos do doutorado em Administração pela Faculdade de Ciências Econômicas e Estatística da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina”, diz a nota da pasta.

Certificado apresentado pelo MEC.
Questionado pelo EL PAÍS sobre o certificado apresentado pelo ministro, o reitor voltou a sustentar que Decotelli não tem o título de doutor pela universidade que coordena: “Esse certificado confirma o que dissemos. Ele cursou o doutorado, mas não o concluiu. Falta aprovar a tese, que é a instância final para acessar o título de Doutor, portanto não é um Doutor da UNR”.
Essa não é a primeira vez que ministros do Governo Bolsonaro enfrentam polêmicas por turbinarem seus currículos. O ex-ministro da Educação, Ricardo Velez, apresentava vários “erros” em seu currículo Lattes, como mostrou o site Nexo Jornal. Já o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não é mestre em direito público pela Universidade Yale, título atribuído a ele há anos em seus artigos, conforme revelou o Intercept Brasil após entrar em contato com a instituição. O jornal Folha de S.Paulo também mostrou que a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, não era “mestre em educação”, como afirmava em discursos.
Nesta sexta-feira, foi a vez do recém-nomeado ministro Decotelli ver seu nome envolvido em meio à polêmica. O EL PAÍS voltou a entrar em contato com o Ministério da Educação para ouvir o ministro sobre a reprovação da tese, mas ainda não obteve resposta. Decotelli assume uma das pastas mais importantes do Governo Federal com o desafio de reconstruir pontes implodidas pela caótica gestão de seu antecessor, Abraham Weintraub, ligado à ala ideológica bolsonarista. Oficial da Reserva da Marinha, onde atuou como professor, o novo ministro é um nome que agrada os militares. E não chega a representar tensões com a ala olavista do Governo, pelo seu perfil conservador. Em sua primeira entrevista após ser anunciado pelo presidente Bolsonaro para o cargo, Decotelli prometeu uma gestão técnica.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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