quarta-feira, 24 de junho de 2020

TRUMP É A FAVOR DA CONTINUIDADE DOS TESTES DO COVI-19 NOS ESTADOS UNIDOS

Especialistas contradizem Trump no Congresso sobre contenção de testes de COVID-19

 

AFP

 

© KEVIN DIETSCH Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, testemunha perante um painel da Câmara dos Estados Unidos sobre o administração da pandemia pelo governo, em 23 de junho de 2020, em Washington

O principal especialista em doenças infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, disse nesta terça-feira(23) em uma audiência no Congresso que Donald Trump nunca lhe pediu para reduzir os testes de coronavírus, após comentários do presidente neste sentido acenderem alertas.

 

© Pierrick LEURENT Em uma audiência no Congresso dos Estados Unidos, o Dr. Anthony Fauci, principal especialista em doenças do país e conselheiro da Casa Branca, afirmou que a quantidade de testes feitos não será reduzida. No último sábado, Trump disse que quanto mais testes são feitos, mais casos são encontrados. O médico também mostrou esperança no lançamento de uma vacina contra o coronavírus até o ano que vem.

"Nenhum de nós foi instruído a reduzir os testes", disse Fauci a um painel da Câmara de Representantes sobre os esforços para mitigar a pandemia, que matou mais de 120.000 pessoas nos Estados Unidos desde o primeiro óbito confirmado em fevereiro.

"Na verdade, faremos mais testes", acrescentou Fauci.

Ao lado dele, três outras autoridades de saúde que assessoram a Casa Branca também responderam "não" sem hesitação quando um legislador perguntou se o presidente havia pedido para diminuir os exames.

Juntamente com Fauci, também declararam Robert Redfield, diretor dos Centros de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), o secretário adjunto de Saúde, Brett Giroir e o chefe da agência reguladora de medicamentos (FDA), Stephen Hahn.

Ao contrário de Trump, que nunca foi visto em público usando máscara desde o início da pandemia, os especialistas a utilizaram durante toda a audiência, que durou cerca de seis horas, exceto quando precisavam falar ao painel.

- Contradições sobre os testes -

Trump, que busca a reeleição em novembro, levantou uma onda de críticas no sábado, quando, em um comício de campanha em Tulsa, Oklahoma, disse que os testes para detectar o COVID-19 são uma "faca de dois gumes", porque quanto mais são feitos, mais casos são encontrados.

"Quando você faz os testes... Você encontra mais pessoas, mais casos", argumentou.

"Então eu disse ao meu pessoal: 'Reduzam os testes'", acrescentou o presidente, diante de uma plateia na qual a maioria dos participantes não usava máscaras ou respeitava a distância social recomendada para evitar infecções.

Mais tarde, um funcionário da Casa Branca disse à AFP que Trump estava brincando, o que gerou ainda mais indignação entre os críticos do presidente.

Mas nesta terça-feira, o presidente insistiu que seus comentários não foram uma piada.

"Não estou brincando", disse Trump a jornalistas antes de destacar o "sistema de detecção de COVID-19 dos Estados Unidos como" o melhor "do mundo", que, segundo ele, analisou 25 milhões de pessoas.

"Com mais testes, encontramos mais casos", disse Trump, sugerindo ainda que números altos são uma responsabilidade política em ano eleitoral.

"Ter mais casos parece ruim", disse ele. "Mas, na verdade, o que acontece é que estamos encontrando casos".

Seu rival democrata nas próximas eleições presidenciais, o ex-vice-presidente Joe Biden, critica a administração da pandemia por Trump.

"É bem simples: se quisermos salvar o trabalho das pessoas e a vida das pessoas, precisamos de mais testes - e precisamos deles mais rápido. O presidente está desacelerando intencionalmente", escreveu Biden no Twitter nesta terça-feira.

- "Semanas cruciais" -

Muitos estados do país levantaram praticamente todas as medidas de contenção.

No entanto, cerca de 20 estados, principalmente do sul e oeste, registraram picos no número de infectados.

"As próximas duas semanas serão cruciais" para responder a esses surtos "preocupantes", alertou Fauci ao comitê do congresso.

Sem se referir diretamente ao comício de Tulsa, Fauci insistiu que as pessoas "não deveriam se reunir em multidão".

Em "uma manifestação ou comício", deve-se usar uma máscara, acrescentou, enquanto protestos antirracistas ocorrem em várias cidades dos Estados Unidos, após o caso de George Floyd, um afro-americano sufocado até a morte por um policial branco em Minnesota.

Fauci também disse que não falava com o presidente Trump há "cerca de duas semanas e meia".

- "Otimismo prudente" -

Os especialistas do governo, em comunicado conjunto, disseram que os desafios colocados pela pandemia são "históricos" e "significativos" e que essa emergência "provavelmente" se estenderá.

"Ainda estamos na primeira onda" da pandemia, disse Fauci, acrescentando que "certamente haverá infecções por coronavírus neste outono (boreal) e nesta primavera (boreal) porque o vírus não vai desaparecer".

"Estamos cautelosamente otimistas" sobre o progresso das pesquisas para obter uma vacina, disse Fauci, que espera que o tratamento esteja disponível "até o final do ano" ou no início de 2021.

ELEIÇÕES MUNICIPAIS SERÃO ADIADAS PARA NOVEMBRO

Senado aprova adiamento de eleições municipais devido à pandemia



 

Texto aprovado adia o primeiro turno do pleito de 4 de outubro para 15 de novembro e o segundo, de 25 de outubro para 29 de novembro, devido à disseminação da covid-19 no país. Proposta segue para Câmara dos Deputados.

© Agencia Brasil/T. Rego Adiamento conta com respaldo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

 

O Senado aprovou na noite desta terça-feira (23/06) o adiamento das eleições municipais deste ano devido à pandemia do novo coronavírus, transferindo o primeiro turno do pleito de 4 de outubro para o dia 15 de novembro. A data do segundo turno, antes previsto para 25 de outubro, será dia 29 de novembro.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi votada em sessão remota em dois turnos, tendo sido aprovada por 67 votos a 8 na primeira rodada e por 64 votos a 7 na segunda. Agora o texto segue para Câmara dos Deputados. Por se tratar de uma PEC, são necessários três quintos de votos favoráveis em dois turnos – no Senado, isso representa 49 votos; na Câmara, 308 votos.

O adiamento conta com respaldo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Caso for aprovada na Câmara, a proposta vai à promulgação pelo Congresso, sem precisar de sanção do presidente Jair Bolsonaro.

Os senadores rejeitaram, por 56 votos a 14, um destaque do Podemos para a instituição do voto facultativo no pleito. Também derrubaram por 53 a 16 um destaque do Progressistas (PP) propondo a mudança da data das eleições para outubro de 2022 e, portanto, a prorrogação de mandatos de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores por dois anos. Outros dois destaques foram retirados pelo PT e Cidadania, que o haviam proposto.

A PEC foi relatada pelo Senador Weverton Rocha (PDT-MA). O relatório confere ao TSE a prerrogativa de definir os horários de funcionamento das sessões eleitorais, assim como eventuais medidas de distribuição dos eleitores nas sessões para minimizar os riscos de aglomeração nos dias de votação.

O relator também atendeu a um pedido do presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, e deixou uma espécie de "janela" que possibilita ao tribunal fazer nova mudanças na data das eleições, de forma pontual, em municípios que ainda não apresentem condições sanitárias adequadas.

Se a nova remarcação for necessária em todo um estado, a autorização para a medida deverá ter o aval do Congresso Nacional. Esses adiamentos só poderão ocorrer até 27 de dezembro. Além disso, o TSE também poderá ampliar hipóteses de justificativa eleitoral casos a epidemia não desacelere e eleitores não se sintam seguros a sair para votar.

Weverton passou a última semana conversando com médicos, epidemiologistas e membros do TSE, como o presidente da Corte, além de líderes da Câmara e do Senado. O Senado promoveu duas sessões de debates sobre o tema. A primeira teve a participação apenas dos senadores. A segunda teve também a participação de Barroso e de especialistas da área de saúde, bem como de advogados e do presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Glaudemir Aroldi.

Após ouvir todas as opiniões por vários dias, Weverton finalizou seu relatório. Ele alterou a proposta original da PEC 18, que propunha a realização do primeiro turno no dia 6 de dezembro. "Essa ideia não saiu daqui do Senado. Fomos provocados pela realidade que estamos vivendo. Não se trata de uma questão política, se trata de uma questão sanitária", disse Weverton durante a sessão de hoje.

Alguns senadores apresentaram emendas para o relatório, como a instituição do voto facultativo no Brasil. O relator rejeitou a proposta. "Tomar essa providência nesse momento poderia representar sério desincentivo à participação dos eleitores”, argumentou Weverton.

Também houve senadores que sugeriram o adiamento das eleições por dois anos, com a consequente prorrogação do mandato dos atuais prefeitos e vereadores, para estabelecer a coincidência de mandatos destes com governadores, deputados estaduais, federais, senadores e o presidente da República.

"Há incertezas científicas em relação a essa pandemia. E há certezas, como o isolamento social como sendo a melhor forma de prevenção. Isso me põe a afirmar que a realização de eleições este ano são uma temeridade", disse o líder do Democratas, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Nesta segunda-feira, durante a segunda sessão de debates, o presidente do TSE já havia expressado sua temeridade em relação a ideia de não se fazer eleição em 2020. Barroso esclareceu que há um problema constitucional nessa prorrogação de mandatos, uma vez que a periodicidade dos mandatos é uma cláusula pétrea da Constituição, ou seja, não pode ser alterada.

"A única possibilidade de se prorrogarem mandatos é se chegarmos ao final de dezembro e as autoridades médicas nos digam 'isto é dramático do ponto de vista de saúde pública'. E aí, diante da emergência, a gente delibera com a emergência”, disse Barroso, na ocasião.

O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), seguiu o raciocínio do magistrado. Para ele, o Congresso não pode "aproveitar a carona do vírus para dar mais dois anos de mandato" a prefeitos e vereadores. Weverton também não acolheu essa ideia. No entanto, defendeu que se o cenário epidemiológico estiver caótico a ponto de médicos não recomendarem eleições em novembro ou dezembro, o Congresso terá respaldo para discutir a prorrogação de mandatos.

Na segunda-feira, o epidemiologista David Uip afirmou que o adiamento das eleições em dois meses – prazo mais longo do que o que acabou sendo aprovado – poderia salvar milhares de vidas. Uip participou da sessão de debates no Senado dedicada a debater a PEC.

"Passados quatro meses, nada indica que estamos ultrapassando o pico da epidemia. Na verdade estamos diante do recorde de mortes, principalmente registrado nas últimas semanas", ressaltou o epidemiologista. "Esse prazo de dois meses [de adiamento] evitará centenas, milhares de mortes. Essa epidemia é grave, atinge brutalmente 20% dos infectados", disse Uip.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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