Entenda o caso
envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro
Renata Evangelista
O nome do
ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, tem dominado os
noticiários nos últimos dias. Nesta terça-feira (23), o caso ganhou
desdobramento com a operação realizada em Belo Horizonte para tentar localizar
e prender a mulher dele, Márcia Oliveira Aguiar.
Mas, afinal, quem é
Fabrício Queiroz e qual a relação dele com a família do presidente Jair
Bolsonaro (sem partido)? O caso Queiroz surgiu no segundo semestre de 2018 após
investigação iniciada com a Operação Lava Jato, que apurava ações irregulares
de deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Conforme o Conselho
de Controle Atividades Financeiras (Coaf) - órgão responsável por identificar
movimentações financeiras -, 75 servidores e ex-funcionários da Alerj fizeram
transações bancárias suspeitas. Entre os investigados estava Fabrício Queiroz
que, na época era assessor de Flávio. O filho do presidente foi deputado
estadual entre 2003 e 2018 e, atualmente, é senador pelo Rio.
O relatório do Coaf
apontou que Queiroz recebia depósitos feitos por pelo menos oito
funcionários que trabalhavam no gabinete do parlamentar. Quando servidores são
coagidos a repassar parte do salário para outra pessoa, o crime é conhecido
como "rachadinha". O montante que Queiroz teria movimentado com o
esquema ilegal gira em torno de R$ 1,2 milhão.
Desde que as
investigações começaram, Queiroz foi convidado a depor no Ministério Público
para esclarecer as suspeitas, mas não compareceu, alegando problemas de saúde.
Assim, ele nunca explicou a origem do dinheiro que teria movimentado em
suas contas.
Uma das transações
suspeitas envolveu o nome da atual primeira dama Michele Bolsonaro. Em sua
defesa, Jair Bolsonaro reconheceu que era amigo de Queiroz há anos e, por isso,
teria feito empréstimos para o ex-assessor do filho.
"Onde está
Queiroz"
A investigação se
tornou pública em dezembro de 2019 e, desde então, a frase "Onde está
Queiroz" dominou as redes sociais. Porém, mesmo sendo suspeito de crimes
de peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e organização
criminosa, a Justiça não havia expedido mandado de prisão contra ele.
O Ministério Público
considerou que Queiroz não aparecia para prestar esclarecimentos para
dificultar as investigações. Na última quinta-feira (18), ele foi preso em um
escritório de advocacia em Atibaia, no interior de São Paulo. O local pertence
ao advogado de Flávio Bolsonaro, Frederick Wassef, que também atua em casos
relacionados ao presidente Jair Bolsonaro. Segundo informações dadas pelo caseiro
da propriedade à polícia, ele estaria no local há mais de um ano.
Wassef afirma que
nunca escondeu Queiroz e, pouco dias após a prisão, deixou a defesa de Flávio.
O advogado diz ser vítima de "conspiração" para prejudicar o
presidente. Queiroz segue preso no Complexo Penitenciário de Gericinó,
conhecido como Bangu 8. Por causa da pandemia de Covid-19, ficará isolado
por 14 dias.
No sábado (20), a
defesa solicitou a prisão domiciliar, mas uma desembargadora do Tribunal de
Justiça do Rio de Janeiro negou. Como o processo está sob segredo de Justiça, a
íntegra da decisão não foi divulgada.