domingo, 26 de abril de 2020

FILHOS DO BOLSONARO ESTÃO IMPLICADOS EM CRIMES


Investigações sobre filhos de Bolsonaro podem explicar disputa por direção da PF que tirou Moro do Governo

Afonso Benites 



 


© ADRIANO MACHADO (REUTERS) Flávio e Carlos Bolsonaro, filhos do presidente na diplomação dele em 2018.

Um dia após a queda do ex-juiz Sergio Moro do Ministério da Justiça, ganhou força em Brasília a tese de que o presidente Jair Bolsonaro estava agindo para proteger ao menos dois de seus filhos, o vereador Carlos e o senador Flávio, de investigações tocadas pela Polícia Federal. O objetivo do presidente seria exonerar o então diretor Maurício Valeixo para interferir em apurações que estão em andamento, principalmente no Supremo Tribunal Federal e no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A Corte investiga Carlos Bolsonaro por disseminação de fake news. Enquanto o MPF apura o suposto esquema de apropriação de salário de assessores, a rachadinha, que existia no gabinete do senador Flávio Bolsonaro, quando ele era deputado estadual. Os dois irmãos se filiaram recentemente ao Republicanos, legenda umbilicalmente ligada à Igreja Universal.
O vereador Carlos é apontado no inquérito que investiga a disseminação de fake news como um dos líderes de um grupo que espalha massivamente notícias falsas e boatos pela internet e pelo aplicativo WhatsApp contra opositores do presidente e contra instituições, como o STF e o Congresso Nacional.
Desde a época em que Bolsonaro era deputado, Carlos é o seu estrategista nas redes sociais. Foi ele quem indicou os assessores presidenciais para atuar nesta área e seria o mentor o que ficou batizado em Brasília de “gabinete do ódio”, formado por profissionais responsáveis por defender Bolsonaro nas redes e atacar os adversários. Trata-se de uma usina de notícias falsas com táticas diversionistas que beneficiam Bolsonaro, com apoio inclusive de robôs. Uma pesquisa do início deste mês revelou que até 55% das publicações favoráveis ao presidente no dia 15 de março foram feitas por robôs.
O novo diretor-geral da Polícia Federal, em substituição a Valeixo, que era indicação de Moro, será o delegado Alexandre Ramagem, que hoje é diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Ramagem é amigo de Carlos. Recentemente, o presidente disse a parlamentares que tinha sob o seu poder relatórios da Abin que apontavam que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), estariam articulando o seu impeachment. O documento fora encaminhado por Ramagem. Bolsonaro também admitiu que sempre cobrou informações da Abin para seu conhecimento.
O inquérito que investiga o vereador é tocado pelo STF, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, que conta com o suporte de um grupo de quatro delegados da PF. É sigiloso. Seus detalhes foram revelados pelos jornais Correio Braziliense, na quinta-feira, e pela Folha de S. Paulo, neste sábado. Além dele, há um segundo inquérito que pode envolver o vereador, o que trata dos protestos pró-golpe militar dos quais deputados bolsonaristas e o próprio presidente participaram no dia 19 de abril. Há suspeita de que haja um cruzamento de dados que liguem empresários que financiaram esses atos com a rede de fake news de bolsonaristas.
Na sexta-feira, quando Moro delatou a intenção de Bolsonaro de interferir politicamente na PF, ele deixou claro o intuito do presidente de atuar em apurações no Supremo. Pouco tempo depois dessa revelação, o ministro Moraes decidiu que, independentemente de quem fosse o novo diretor-geral, os delegados que o auxiliam no inquérito das fake news deveriam permanecer em suas funções. É uma tentativa de se blindar da influência presidencial.
Rachadinha e milícias
Em outra frente, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, auxiliado pela PF, avançou na apuração contra o senador Flávio. Reportagem publicada pelo The Intercept Brasil mostra que Flávio teria financiado com parte do dinheiro público confiscado de salários de funcionários do seu gabinete a construção de prédios da milícia no Rio de Janeiro e lucrou com esquema ilegal.
O portal publicou neste sábado documentos que mostram que os empreendimentos de três construtoras da cidade de Rio das Pedras foram feitos com dinheiro de “rachadinha”, coletado no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio. O MP-RJ chegou a essa conclusão depois de cruzar informações bancárias de 86 pessoas suspeitas de envolvimento no esquema ilegal. Além de substituir Valeixo da diretoria-geral, Bolsonaro tinha o intuito de trocar os superintendentes do Rio de Janeiro, responsável pelas apurações envolvendo Flávio, e de Pernambuco.
No pronunciamento que fez na sexta-feira, o presidente Bolsonaro disse que jamais pediu para proteger os seus familiares. “Nunca pedi para blindar ninguém da minha família. Jamais faria isso”. Porém, admitiu que esperava ter algum interlocutor para conhecer investigações em curso.

O MINISTRO DA ECONOMIA PAULO GUEDES SERÁ O PRÓXIMO A DEIXAR O GOVERNO


Após Moro sair, crise no governo pressiona Guedes

Adriana Fernandes 






BRASÍLIA - Considerado nos bastidores a “bola da vez” da fritura no governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, entrou em atrito com colegas na Esplanada e expôs sua contrariedade com o plano econômico anunciado na semana passada para o período pós-pandemia do coronavírus. Em conversa ríspida com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, no Palácio do Planalto, acusou o ex-auxiliar de atrapalhar a atuação do Banco Central na crise e na política de juros.
O diálogo foi trocado quando os dois ministros, agora desafetos, se encontraram para o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, na sexta-feira, depois da demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e da Segurança Pública. A desavença envolvendo o outro “superministro” do governo coloca mais lenha na fogueira da crise política que o presidente enfrenta.
Depois de Luiz Henrique Mandetta, demitido da Saúde, e de Moro, Guedes entrou no processo de “fritura” deflagrado por uma ala do governo por insistir no discurso de manutenção da sua política de ajuste fiscal. O presidente, como mostrou o Estado, está disposto a dar um “cavalo de pau” no seu governo e aposta no Plano Pró-Brasil, baseado em obras e investimentos com dinheiro público, para recuperar o País na fase pós-pandemia. Essa mudança de rumo envolve ainda a aproximação com parlamentares do Centrão, bloco informal do Congresso que não gosta de Guedes e defende o aumento dos gastos públicos.
Nos bastidores, a área econômica vê uma articulação de Marinho com parlamentares para colocar em Guedes o carimbo de insensível com os pobres. O ministro da Economia tem rebatido as críticas ao dizer a interlocutores que partiu dele próprio a ideia de criação do auxílio emergencial aos trabalhadores informais, combinando com presidente para subir o valor e chegar aos R$ 600.
As especulações no mercado sobre uma possível saída de Guedes aumentaram após as demissões de Mandetta e de Moro terem sido motivadas pela interferência do presidente nas duas pastas. A pergunta que agora se faz no meio político é se Guedes vai aceitar uma ingerência de Bolsonaro em suas ações. Os dois ex-colegas de Esplanada não aceitaram.
Apesar da pressão, o ministro tem dito a interlocutores que não há nenhuma intenção de deixar o cargo, mas também não pretende mudar sua política econômica de aumento dos investimentos via iniciativa privada.
Contraponto
Auxiliares diretos de Bolsonaro reclamam da “visão fiscalista” do Ministério da Economia e da falta de um contraponto econômico dentro do governo, como havia antes da criação do superministério sob a alçada de Guedes.
Após tomar as rédeas da negociação com o Congresso na reforma da Previdência, no ano passado, quando ainda assessorava Guedes, Marinho ganhou a confiança de Bolsonaro. Alçado a ministro, passou a fazer parte de um núcleo de conselheiros mais próximos do presidente.
No encontro de sexta-feira no Planalto, Marinho tentou uma conversa com Guedes, sem sucesso. Segundo apurou o Estado, o ministro da Economia disse ao ex-auxiliar que só conversa com ele no “fórum que ele escolheu”, ou seja, em reuniões ministeriais. “Não tenho nada para conversar com você”, avisou o ministro. Marinho não foi para o embate.
O ministro da Economia chegou a citar que chamaria o presidente do BC, Roberto Campos Neto, também presente no pronunciamento de Bolsonaro, para mostrar o “estrago” que o Plano Pró-Brasil, anunciado sem a equipe econômica, fez no mercado e no valor das empresas brasileiras, trazendo incertezas para o futuro da economia. No dia do lançamento do plano, o dólar subiu, os juros a longo prazo abriram em alta e a Bolsa caiu.
Guedes e sua equipe batizaram, internamente, o plano Pró-Brasil de “PAC do Marinho”, numa referência ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de obras públicas dos governos do PT.
O ministro afirmou a auxiliares que Marinho foi o articulador do programa e foi chamando “um a um” os ministros para comprarem a ideia e emplacar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) “fura teto de gastos”, a regra fiscal que o impede o crescimento das despesas acima da inflação. A interlocutores, o Marinho negou que Guedes tenha falado na sua frente sobre BC e nega o rompimento.
A expectativa em parte do governo é de que haverá uma convergência de ideias em torno da necessidade dos investimentos públicos para a retomada econômica após a crise, o que está sendo feito no mundo todo devido ao aumento da aversão ao risco. O maior exemplo, na avaliação dos defensores desse quadro, é decisão da Boeing de desistir de comprar a Embraer.
Resposta
O Ministério do Desenvolvimento Regional disse que não há indisposição entre Rogério Marinho e Paulo Guedes. O Ministério da Economia não comentou.



AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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