Após vitória eleitoral, Boris Johnson prepara equipe para o Brexit
AFP
© DANIEL LEAL-OLIVAS Primeiro-ministro britânico
Boris Johnson
Vitorioso após as eleições legislativas no Reino
Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson organiza nesta segunda-feira sua
equipe de governo com o objetivo de remover os obstáculos ao Brexit.
Com uma maioria jamais vista para os conservadores
desde Margaret Thatcher, o líder Tory deve anunciar hoje a reorganização do seu
governo, tendo como prioridade lançar o mais rápido possível as medidas para
permitir a saída do Reino Unido da União Europeia em 31 de janeiro.
Deve ainda se dirigir aos 109 parlamentares conservadores
recém-eleitos entre os 365 assentos conquistados por seu partido na
quinta-feira para exortá-los a trabalhar e alcançar o Brexit, pelo qual 52% dos
britânicos votaram em junho de 2016.
"O primeiro-ministro deixou bem claro que
(...) devemos responder à confiança do público e alcançar o Brexit", disse
uma fonte do governo.
"É por isso que a primeira lei que os
deputados votarão será o acordo para retirar o Reino Unido da União
Europeia", acrescentou.
O primeiro-ministro pretende apresentar aos deputados
antes do Natal, talvez esta semana, o documento negociado minuciosamente com
Bruxelas em meados de outubro, que deveria permitir um divórcio tranquilo após
47 anos de casamento.
Discurso da rainha
© JESSICA TAYLOR Imagem do Parlamento
britânico
Antes de considerar o Brexit, a nova Câmara dos
Comuns vai se reunir na terça-feira para eleger o "speaker"
(presidente). Provavelmente irá reconduzir a trabalhista Lindsay Hoyle, eleita
um mês antes das legislativas.
Ela terá a tarefa de liderar os debates, muitas
vezes animados, sobre o Brexit, assim como o fez o truculento John Bercow.
Cada um dos 650 parlamentares jurará lealdade à
Coroa, um processo que deve levar vários dias.
Finalmente, Boris Johnson poderá detalhar seu
programa legislativo na quinta-feira, durante o tradicional discurso lido
pela rainha Elizabeth II, de 93 anos. Uma vez que o último discurso da monarca
foi há dois meses e com o Natal se aproximando, a cerimônia deverá ser
reduzida.
Boris Johnson defenderá mais uma vez sua
prioridade: concretizar o Brexit.
Também poderá anunciar medidas para melhorar o
serviço nacional de saúde (NHS), como prometeu para romper com a imagem de
austeridade colada ao seu partido. Este serviço gratuito, ao qual os britânicos
são muito apegados, sofreu cortes drásticos sob os governos conservadores nos
últimos 10 anos.
Segundo uma fonte em Downing Street, o governo
planeja anunciar um aumento de 33,9 milhões de libras (40,6 milhões de euros)
no orçamento do NHS.
O primeiro-ministro, por outro lado, descartou a
possibilidade de oferecer à Escócia um segundo referendo sobre a independência
da região, como exigido pela primeira-ministra escocesa Nicola Sturgeon, que
obteve bons resultados nas legislativas com seu partido SNP.
A recusa de Boris Johnson não "encerra o
caso", alertou Sturgeon no domingo na BBC, enfatizando que a Escócia, que
votou 62% em 2016 para permanecer na União Europeia, "não pode ficar
trancada no Reino Unido contra sua vontade".
Uma vez que o Brexit tenha sido alcançado
politicamente em 31 de janeiro, Londres e Bruxelas iniciarão duras negociações
para chegar a um acordo comercial definindo suas relações após o período de
transição programado até o final de 2020.
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