sábado, 25 de agosto de 2018

COLUNA ESPLANADA DO DIA 25/08/2018


Delegados da PF aceitam controle externo

Coluna Esplanada 










Os delegados da Polícia Federal aceitam a criação de um órgão de controle externo da instituição. A revelação foi feita ontem pelo presidente da Associação Nacional de Delegados de PF, Edvandir Paiva, em conversa com jornalistas em Salvador. A criação do possível comitê viria no bojo do debate da PEC 412, em tramitação no Congresso Nacional, que dá autonomia administrativa e financeira para a polícia judiciária, mandato para diretor-geral, entre outras antigas demandas da classe. Já a Fenapef, dos policiais federais, acredita não ser preciso a criação de órgão externo.

Um exemplo
“Se o diretor-geral estiver agindo de maneira errada, pode ser retirado do cargo pelo comitê”, prevê delegado Paiva, citando apenas um exemplo. Não é o caso do atual DG.

Outra ponta
Para Luís Boudens, presidente da Fenapef, o Comitê acirraria a batalha de classes com o Ministério Público, que por lei já atua como órgão de controle (mas interno).

Composição
O Comitê externo seria composto por representantes de variadas entidades da sociedade e também de instituições públicas como o próprio MP, argumenta Paiva.

Fundo
Para assegurar o repasse do Fundo Especial de Financiamento de Campanha – mais de R$ 1,7 bi em recursos públicos - os partidos investem pesado nas candidaturas a deputado federal. A partir do ano que vem, só terão acesso ao financiamento as legendas que alcançarem pelo menos 1,5% dos votos válidos para Câmara.


MDB & PT
Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que o MDB, por exemplo, direcionou R$ 1,5 milhão para apoiar candidatos à Câmara. O PT, hoje com maior bancada na Casa (61 deputados), alocou mais de R$ 75 milhões para as candidaturas a deputado federal.

Meirelles
O MDB não destinou um centavo do fundo para a campanha do milionário Henrique Meirelles. Ele próprio não quis. O PT destinou 21,2% para a campanha presidencial. PSDB, 23,33%; PDT, 21,66%; Psol, 29%; e a Rede, 50%.

Seguro
O juiz Sérgio Moro circulou por poucas horas em Salvador com 5 policiais federais –entre eles uma mulher – em uma Pajero blindada.

Protesto
Moro foi alvo de protestos de militantes do PT na porta do hotel e no shopping onde palestrou para delegados federais e convidados ontem.

Força-tarefa
A procuradora Ana Carolina Haliuc Bragança irá coordenar a força-tarefa de combate à macrocriminalidade na Amazônia pelos próximos 18 meses. Formado por outros cinco procuradores, o grupo vai atuar no combate à mineração ilegal, ao desmatamento, à grilagem de terras públicas, à violência agrária e ao tráfico de animais silvestres.

Brics
O advogado Marcus Vinicius Coêlho chefia a delegação brasileira no Fórum Legal Brics, que reúne na Cidade do Cabo, na África do Sul, autoridades do mundo jurídico de Brasil, Rússia, Índia, China e país anfitrião.

Intercâmbio
O evento visa integrar os países do bloco e ampliar o intercâmbio entre advogados e demais profissionais do direito. Marcus Vinicius, que presidiu a OAB Nacional, é o atual presidente da comissão de Direito Constitucional da entidade.

Antenado
Vice-presidente de Assuntos Regulatórios e Institucionais da TIM, Mario Girasole recebe hoje a Medalha do Pacificador do Exército.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

MARACAIBO NA VENEZUELA JÁ FOI CONSIDERADA A ARÁBIA SAUDITA


Venezuelanos fazem fila por carne estragada em Maracaibo

Estadão Conteúdo









A ponte sobre o Lago Maracaibo é uma lembrança de quando a situação do país era melhor

Em Maracaibo, cidade que já foi considerada a Arábia Saudita da Venezuela por sua ampla reserva de petróleo e pela riqueza proporcionada pela commodity, os moradores fazem fila para comprar carne estragada já que não é mais possível refrigerar alimentos em razão da falta de energia constante - realidade da região há mais de 9 meses e que tem piorado recentemente.

Algumas pessoas ficam doentes depois de comer carne podre, mas como elas são vendidas a preços baixos, em muitos casos essa tem sido a única maneira que muitos venezuelanos encontraram para ingerir proteína em um país cada vez mais afetado por uma severa crise econômica.

"(A carne) tem um cheiro forte, mas é só enxaguar com um pouco de vinagre e limão", explica Yeudis Luna, pai de três garotos, enquanto compra cortes de carne já escurecida em um açougue nesta que é a segunda maior cidade da Venezuela.

Os venezuelanos enfrentam a pior crise econômica na histórica do país, que tem as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo. Serviço básicos como água encanada e energia elétrica se tornaram luxo para grande parte da população.

O presidente socialista Nicolás Maduro culpa uma "guerra econômica" travada pelos Estados Unidos e outras potências capitalistas pela situação do país. O governador do Zulia, Estado onde fica Maracaibo, Omar Prieto, disse recentemente que a administração trabalha para acabar com os blecautes constantes, mas que ainda não é possível dizer quando a situação será normalizada.

A extensa área portuária de Maracaibo, às margens de um vasto lago, era um dos principais centros de produção de petróleo da Venezuela, de onde saia cerca de metade do petróleo bruto do país, que era embarcado para todo o mundo.

A ponte sobre o Lago Maracaibo é uma lembrança de quando a situação do país era melhor. A estrutura de oito quilômetros de comprimento, construída há cinco décadas, brilhava à noite com milhares de luzes, ligando a cidade ao resto da Venezuela. Maracaibo era limpa e movimentada e tinha muitos restaurantes internacionais.

Hoje, as luzes da ponte não são mais acesas e plataformas de petróleo quebradas se espalham pelo lago, cujas margens estão poluídas. Os centros comerciais outrora luxuosos caíram em ruínas e as empresas internacionais deixaram a cidade.

Nos últimos nove meses, os moradores de Maracaibo tem sofrido com os apagões constantes. E as coisas ficaram ainda pior depois que no dia 10 um incêndio destruiu a principal linha de energia que abastecia essa cidade de 1,5 milhão de pessoas.

As geladeiras se tornaram peças de decoração na maioria casas e as carnes passaram a estragar rapidamente. Pelo menos quatro açougues vendem carne apodrecida em Las Pulgas, o mercado central de Maracaibo.

O açougueiro Johel Prieto conta que a falta de refrigeração fez com que um lado inteiro de uma grande peça de carne apodrecesse. Ele admite que triturou grande parte e misturou com uma peça de carne fresca, na tentativa de mascarar a deterioração.

Uma bandeja de carne moída e de outros cortes acinzentados expostos em seu balcão a céu aberto é alvo das moscas - e de um fluxo constante de clientes. Alguns usam essa carne para alimentar seus cães, mas muitos cozinham para suas famílias, explica Prieto.

"É claro que eles comem a carne - graças a Maduro" diz o açougueiro. "A comida dos pobres é comida estragada."

Do outro lado da rua, em outro comércio, um açougueiro - sem camisa e fumando um cigarro - oferece bandejas de cortes escurecidos."As pessoas estão comprando", afirma José Aguirre, enquanto descarrega um lote de frango estragado.

Luna, um vigia de estacionamento de 55 anos de idade, levou um quilo de cortes bovinos para casa sabendo que estavam em condições inadequadas para consumo.

No ano passado, sua mulher foi para a Colômbia e o deixou com ele os três filhos, de 6, 9 e 10 anos. Segundo Luna, ela não aguentava mais passar fome e, desde então, ele não tem notícias da companheira.

Para preparar a carne, o vigia diz que primeiro a lava com água e depois a deixa de molho durante a noite em vinagre. Ele espreme dois limões e a cozinha com tomate e cebola.

Atualmente, Luna e seus filhos só conseguem comer carne apodrecida. "Estava preocupado que ficariam doentes por causa do mau cheiro", diz o vigia. "Mas só o mais novo teve diarreia e vomitou."

O BRASIL PROTEGE OS CORRUPTOS - SE SAIR DO BRASIL O FBI PEGA


Ex-chefões da CBF que escaparam do FBI seguem tranquilos no Brasil

Agence France Presse








Del Nero chegou ao Brasil a tempo e, nos últimos três anos, assistiu em liberdade à prisão de velhos parceiros

Quando Marco Polo Del Nero soube que seu sucessor no comando do futebol brasileiro havia sido preso, abandonou às pressas o hotel em Zurique e tomou o primeiro avião rumo ao Rio.
Ele não podia esperar. A cúpula da Fifa desmoronava e a Suíça já não era mais território seguro.
Del Nero chegou ao Brasil a tempo e, nos últimos três anos, assistiu em liberdade à prisão de velhos parceiros, incluindo do próprio José Maria Marin, condenado na quarta-feira a quatro anos de prisão nos Estados Unidos pelo recebimento de 6,6 milhões de dólares em propinas.
Embora o juri acusou Del Nero de ter recebido metade desse valor, o ex-presidente da CBF se vê amparado pela legislação brasileira, que só permite a extradição de um de seus cidadãos em caso de envolvimento com o narcotráfico. É o mesmo caso de Ricardo Teixeira, que durante 23 anos comandou a CBF.
Quando foram acusados formalmente pelos Estados Unidos - em dezembro de 2015 - ambos já estavam em suas residências no Rio.
Como eles, suas propriedades sobreviveram à devassidão daqueles anos dourados em que, segundo as investigações, multiplicaram seus patrimônios com as propinas recebidas pela venda de direitos televisivos da Copa América e da Libertadores.
Tempos em que os agora septuagenários passeavam em iates ao lado de exuberantes modelos, capas das revistas 'Sexy' ou 'Playboy'.
A ação policial de Zurique acabou com os luxos à luz do dia e com a possibilidade de viajar sem serem presos, mas não com as comodidades de quem comandou durante quase três décadas o futebol mais famoso do mundo.
"Eles agora evitam aparecer, mas não perderam de forma nenhuma o padrão de vida que tinham. Continuam usufruindo", garantiu à AFP o jornalista Juca Kfouri, que há anos denuncia os excessos dos ex-dirigentes da CBF.
'Promiscuidade'
O escândalo de corrupção no futebol encontrou um já aposentado Ricardo Teixeira, três anos depois de sua súbita saída da CBF, assediado pelos escândalos e longe da proteção de falecido ex-sogro, o influente ex-presidente da Fifa João Havelange.
Marin sucedeu Teixeira no comando da CBF. Em seguida foi a vez de Del Nero tomar o poder em 2015. E sequer a prisão do antecessor impediu o poderoso advogado paulista de seguir no cargo até dezembro daquele ano, quando a Fifa o suspendeu primeiro temporariamente e logo à vida.
Pouco importava o assédio dos Estados Unidos, ou que seu estreito colaborador Marin - agora com 86 anos - estivesse preso, ou que uma CPI no Senado em Brasília, presidida por Romário, revelasse todos seus delitos: no Brasil, Del Nero segue livre e clama inocência.
"Ao longo dos anos, a promiscuidade entre a CBF e a política brasileira foi muito elevada. Eles ainda colhem os frutos de uma relação do passado que gerou algum tipo de blindagem", explica o jornalista Jamil Chade, autor do livro 'Política, propina e futebol'.
E a chamada 'bancada da bola', seu lobby no Congresso, não falhou quando os ex-dirigentes mais precisaram.
A CPI foi concluída sem apresentar denúncias e somente um relatório alternativo apoiado por Romário levou a uma investigação judicial que transita sob segredo, após nove meses parada.
Assim como o pedido de prisão de Ricardo Teixeira formulado no ano passado pela Espanha, que o acusa de participar no caso que levou à prisão o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell.
Separação
Com tudo jogando contra fora do Brasil, Del Nero se tornou para muito o "Marco Polo que não viaja", desde aquele fatídico 27 de maio de 2015.
Também não sobrou rastro da relação com seu "gêmeo" Marin, como os descreveu uma testemunha durante o julgamento. Sua precipitada saída da Suíça, deixando para trás a octogenária esposa do amigo, os separou definitivamente.
"Marin era o dirigente que fazia os brindes, enquanto Marco Polo comandava tudo", explicou o advogado de Marin durante o julgamento.
Não é o único que garante que Del Nero continua mandando no futebol brasileiro, apesar do banimento da Fifa.
"A casa dele continua a ser frequentada pelo mundo do futebol, pelos dirigentes da própria CBF e das federações estaduais, tanto que ele teve influência decisiva para fazer deste Rogério Caboclo o próximo presidente da CBF", lembrou Kfouri.
Ricardo Teixeira também não parece muito preocupado, citado no julgamento como um dos pilares do sistema de corrupção desvendado, ao lado do paraguaio Nicolás Leoz e do falecido Julio Grondona, chefão do futebol argentino durante anos.
Investigado também na Espanha, na Suíça e em Andorra, Teixeira sabe que não deixará o Brasil tão cedo.
"Tem lugar mais seguro que o Brasil? Qual é o lugar? Vou fugir de quê, se aqui não sou acusado de nada? Você sabe que tudo que me acusam no exterior não é crime no Brasil. Não estou dizendo se fiz ou não", declarou o próprio Teixeira à Folha de São Paulo no ano passado.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...