terça-feira, 12 de junho de 2018

COLUNA ESPLANADA DO DIA 12/06/2018


TSE mira registros de Partidos

Coluna Esplanada – Leandro Mazzini 







Três processos e uma representação que pedem o cancelamento de registros de partidos políticos permanecem parados há meses no Tribunal Superior Eleitoral e não devem ser julgados antes das eleições de outubro. O PT é alvo de três ações e de representação apresentada pelo ministro Gilmar Mendes. Outros partidos, também alvos de denúncia, estão na mira do TSE: MDB, PP, PROS, PR, PCdoB, PDT e PSD.
Conclusos
À Coluna, a assessoria do TSE confirma que dois processos e a representação de Gilmar Mendes contra o PT já estão conclusos nos gabinetes dos relatores, ministros Napoleão Nunes Maia Filho e Rosa Weber.
Nas ondas...
Às vésperas das eleições, senadores querem liberar a publicidade paga em rádios comunitárias – parte delas controlada ou influenciada por políticos. O PLS 55/2016, do ex-senador Donizete Nogueira (PT-TO), foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e tramita na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação.
... do din din 
Pelas regras atuais, é vedada a venda de espaços de publicidade para rádios comunitárias formalizadas como associações sem fins lucrativos. Os patrocínios são a principal fonte de renda das emissoras.
É fato
Voto vencido na CCJ, a senadora Marta Suplicy (MDB-SP) afirma que a “intenção do projeto é boa, mas a forma de ajudar as rádios comunitárias está equivocada”. Segundo ela, seria “concorrência desleal” permitir a emissoras isentas de tributos disputar publicidade com as rádios comerciais.
Festança
O pré-candidato à Presidência pelo Partido Novo, João Amoêdo, cita os mais de R$ 16 milhões – gastos pela Caixa em festança realizada em Brasília – ao defender a privatização do banco: “Devemos privatizar para que a sociedade não pague a conta”.
Em Alta
Depois da greve que paralisou o País, o presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros, José da Fonseca Lopes, passou a ser assediado por partidos para apoio declarado a candidatos ao Planalto. Foi procurado recente por emissários do PSL, do pré-candidato Jair Bolsonaro, mas declinou do convite.
Japonês no livro
O Japonês da Federal, o policial Newton Ishii, que ficou conhecido na TV por conduzir presos da Lava Jato por mais de ano, virou tema de livro com bastidores sobre os detidos e o dia-a-dia do agente. A obra do jornalista Luís Carrijo saiu pela Rocco.
Turma do crédito
Relator da CPI dos Cartões de Crédito, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) adianta que irá propor em seu parecer ações para “inibir” o monopólio (verticalização) e a inadimplência para conter os altos juros pagos por consumidores.
Indústria da dívida
O senador pretende concluir e apresentar o relatório em duas semanas. “É importante a gente refletir sobre essa excessiva verticalização dessa indústria de cartão de crédito. Não queremos mexer com os interesses de ninguém, mas precisamos defender os interesses dos consumidores brasileiros”, afirma Fernando Bezerra.
Segunda camisa
Em clima de Copa, o deputado Capitão Augusto (PR-SP) procura os colegas para tentar aprovar seu projeto 9983/18 que obriga os árbitros de futebol e seus auxiliares a declararem por escrito o time para o qual torcem.
Imparcialidade
O texto do inusitado projeto fala em “imparcialidade e independência” e proíbe a atuação dos árbitros e auxiliares em jogos das equipes de sua preferência, “sob pena de nulidade da partida”. Já houve caso de imagem de um árbitro supostamente comemorando um gol do Flamengo viralizou.
Segurança
A difícil missão, a análise mais atual e bastidores do combate o crime: Comandante Militar do Leste e Interventor Federal, o general Walter Braga Netto vai encerrar na quarta o Seminário sobre o tema na Associação Comercial do Rio, promovido por Ângela Costa e Fernando Bomfiglio, diretores da entidade.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

MUNDO AGUARDA ENCONTRO HISTÓRICO ENTRE TRUMP E KIM-JONG-UN


Trump jogará sua cartada mais alta em cúpula com Kim Jong-um

Estadão Conteúdo







Maior aposta de política externa de Donald Trump, a histórica cúpula que ele terá com Kim Jong-un produzirá cenas inimagináveis há três meses e deverá ser marcada por um clima mais amigável do que o registrado no encontro do presidente dos EUA com seus tradicionais aliados do G-7 nos últimos dois dias.

Fascinado com a possibilidade de ganhar o Nobel da Paz, caso consiga convencer a Coreia do Norte a abandonar suas armas nucleares, Trump espera que a cúpula seja um "sucesso tremendo" e acredita que alcançará o que ninguém conseguiu.

"Estarei em uma missão de paz", declarou Trump ontem no Canadá, onde ocorreu a cúpula do G-7, acrescentando que navegará em "território desconhecido" quando se encontrar com Kim. Fiel à sua personalidade, atribuiu o potencial resultado do encontro a seu relacionamento com o norte-coreano. "Saberei no primeiro minuto se a Coreia do Norte é séria em relação à paz". Trump avaliou que, "no mínimo", a cúpula iniciará um diálogo sobre desnuclearização.

Muitos analistas são céticos em relação à possibilidade de que as conversas levem Kim a abrir mão do arsenal, a cuja construção dedicou seus primeiros sete anos no poder.

Trump e Kim estarão frente a frente às 9 horas de terça-feira em Cingapura (22 horas de segunda-feira, 11, horário de Brasília), para uma negociação que não tem data para acabar. Na semana passada, o presidente dos EUA disse que as conversas poderiam se estender por dois ou três dias. O cenário será o resort de luxo Capella, na Ilha Sentosa, o que facilitará o trabalho da segurança para isolar os dois líderes.

A expectativa é que ambos concordem com a assinatura de um documento de acordo de paz que coloque fim oficial à Guerra da Coreia, interrompida há mais de seis décadas com um armistício. O conflito durou três anos e colocou em lados opostos a aliança EUA- Coreia do Sul e China-Coreia do Norte.

A assinatura da paz é uma antiga demanda de Pyongyang, que a vê como elemento essencial das garantias de segurança que espera obter dos EUA em troca da promessa de abandonar o programa nuclear. "A cúpula deverá ter uma declaração positiva, mas limitada", avaliou Scott Sagan, professor da Universidade Stanford e um dos principais especialistas em questões nucleares e de segurança dos EUA. "Não haverá propriamente um tratado de paz, que exige a participação de outros países, mas a assinatura de um documento que declare o fim da guerra."

Sagan espera que Kim apresente promessas de desarmamento, que serão respondidas com o compromisso de redução de sanções internacionais. Mas ressaltou que há profunda desconfiança mútua, agravada do lado norte-coreano pela decisão de Trump de abandonar o acordo nuclear com o Irã assinado por seu antecessor, Barack Obama.

"O presidente americano tem expectativas em relação à cúpula muito elevadas, inalcançáveis e não serão concretizadas", opinou Joan Rohfling, CEO da entidade Nuclear Threat Initiative. Em sua avaliação, a cúpula será um fracasso se divergências levarem ao abandono do diálogo.

"Sucesso será uma cúpula em que os dois se comprometam a continuar conversando. Haverá sucesso estrondoso se eles concordarem com alguns princípios que possam ser negociados ao longo de vários meses ou anos." Rohfling ressaltou que a desnuclearização da Península Coreana é algo complexo, que demandará tempo e paciência.

Mas não há dúvida que o encontro terá o peso de um evento com poucos paralelos na história. "É como (Richard) Nixon indo para a China", disse o embaixador americano aposentado Joe Yun, fazendo referência à visita de 1972, o primeiro passo para a normalização das relações de Pequim e EUA.

Ex-representante do Departamento de Estado para políticas relativas à Coreia do Norte, Yun acredita que o encontro será realizado sem incidentes. "Essa é uma cúpula que Trump aguarda há muito tempo, antes mesmo de ser eleito", disse. "Teremos um resultado com credibilidade se houver acordo sobre desnuclearização e garantias de segurança." Tudo isso supõe que Trump e Kim estarão frente a frente, algo que não está totalmente garantido em razão da imprevisibilidade dos líderes. O americano cancelou a cúpula no dia 1.º e, oito dias mais tarde, colocou-a de volta na agenda.
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BRASILEIRO INVENTOR CONTRIBUI PARA O AVANÇO DA CIÊNCIA


Brasileiro inventor de óculos de holograma disputa Prêmio na Europa

Agência Brasil










O engenheiro Alex Kipman é o primeiro brasileiro finalista do Prêmio Inventor Europeu, na categoria de país fora da Europa

País que inventou o relógio de pulso, o identificador de chamadas telefônicas e os caixas eletrônicos automatizados, o Brasil teve o talento reconhecido em nível internacional. Desenvolvedor de óculos de realidade virtual que exibem hologramas, o engenheiro Alex Kipman, nascido em Curitiba, tornou-se o primeiro brasileiro finalista do Prêmio Inventor Europeu, na categoria de países de fora da Europa.
A invenção de Kipman destacou-se em meio a mais de 500 inscrições neste ano e foi escolhida para ser um dos 15 concorrentes que disputaram o prêmio do Escritório Europeu de Patentes (EPO, na sigla em inglês), organização internacional com 38 países-membros. Ao todo, foram cinco categorias (indústria, pesquisa, pequenas e médias empresas, países de fora do EPO e reconhecimento da obra), com três finalistas cada.
A vencedora na categoria de Kipman foi a americana Esther Sans Takeuchi, que inventou as baterias compactas presentes em desfibriladores cardíacos e marca-passos. Apesar de não ter levado o prêmio, o engenheiro disse que se considera um vencedor por ter o trabalho reconhecido. Segundo ele, o HoloLens (nome comercial dos óculos de realidade virtual) está revolucionando a interação entre os seres humanos à medida que tem a utilização disseminada.
Kipman explicou que a invenção nasceu de uma interrogação há dez anos sobre o significado da tecnologia. “Não podemos existir sem a tecnologia. E a tecnologia pode deslocar o tempo e o espaço. Por meio da realidade virtual, posso andar em Marte. A realidade virtual até permite que eu converse com alguém que esteja em qualquer lugar do planeta, mesmo 100 anos depois da minha morte. Nossa tarefa é fazer o futuro acontecer, mais, melhor e mais barato”, afirmou.
Presidente do EPO, o francês Benoît Batistelli disse à Agência Brasil que a premiação não se baseou apenas nas inovações, mas principalmente no impacto econômico e social de cada invenção patenteada. “Este não é prêmio para a inovação, mas aos inventores. Eles são heróis do nosso tempo, que trazem soluções para desafios. Criam valor para desenvolverem atividades econômicas, gerarem empregos e mudarem a vida da humanidade”, destacou.
Aplicações
Inicialmente utilizado em jogos eletrônicos, os óculos de realidade virtual aos poucos conquistam a confiança do público, com utilizações que vão de treinamento em empresas a projetos de educação. “Visitei uma faculdade de medicina nos Estados Unidos que começou a usar o HoloLens nas aulas, e o resultado foi fantástico. Em vez de aprenderem anatomia por meio de desenhos e de cadáveres, os alunos aprendem interagindo em tempo real em três dimensões. O conteúdo de meses agora pode ser ensinado em dias”, disse Kipman.
No Brasil, uma empresa de elevadores passou a usar os óculos de realidade virtual para treinar os técnicos que fazem a manutenção, com acesso a manuais por comandos de voz. O dispositivo, no entanto, ganhou outras utilidades, como avaliar o desgaste de cada componente e permitir trocas preventivas. “Antes, os funcionários da empresa tinham que viajar para treinamentos. Hoje, o trabalhador pode se teletransportar e consertar o elevador. Cada etapa da cadeia produtiva ficou melhor por causa da realidade virtual”, constatou Kipman.
O legado, no entanto, não se restringe à produtividade. O engenheiro destacou que os óculos de realidade virtual podem ser usados para romper barreiras entre os seres humanos, citando as pessoas com deficiência. “A realidade aumentada pode fazer todo mundo ter habilidades iguais. Da mesma forma que uma pessoa com deficiência pode sentir coisas que não sentiriam e se comunicar de uma maneira em que não se comunicariam, uma pessoa sem deficiência pode sentir na pele a sensação de ter limitações. Isso cria empatia”.
Desafios
Filho de diplomata, Kipman fez parte do ensino básico e médio no Brasil, mas cursou engenharia nos Estados Unidos. Ele hoje mora nos Estados Unidos, mas começou a desenvolver o projeto do HoloLens enquanto trabalhava na filial brasileira da Microsoft. Apesar das dificuldades na educação no Brasil, o engenheiro disse acreditar que a determinação e o talento do brasileiro inspiram o desenvolvimento de inovações.
“O povo brasileiro é determinado, apaixonado, empreendedor e criativo. Esses são ingredientes para o sucesso. Todos os países têm obstáculos, mas sou utópico e acredito que as pessoas certas, nos projetos certos, com a atitude certa e no tempo certo sempre mudarão o mundo. O que a sociedade brasileira pode fazer é intervir mais e exigir mais para conseguir um lugar melhor”, declarou.
O presidente do EPO disse que a entidade tem uma longa tradição de cooperação com o Brasil e que o país tem melhorado significativamente no registro de patentes. “O desafio para qualquer país inventar e inovar está em desenvolver a interação entre a pesquisa, as universidades e as indústrias. Mas o Brasil tem feito progressos e está usando ferramentas, base de dados, sistemas de busca de patentes muito positivos”, ressaltou Benoît Batistelli.

PRESIDENCIÁVEIS UTILIZAM AS REDES SOCIAIS PARA AS SUAS PROPAGANDAS


Presidenciáveis 'antecipam' horário eleitoral na internet

Estadão Conteúdo









O horário eleitoral só começa no dia 31 de agosto, mas na internet pré-candidatos se antecipam a esse prazo e veiculam em suas redes sociais programas políticos no estilo usado para pedir votos na TV e no rádio. Em busca da confirmação de suas candidaturas, em meio à pulverização de postulantes ao Planalto, a maioria dos presidenciáveis tem apelado para filmes bem produzidos que ainda viram posts patrocinados para ampliar o alcance ou atingir públicos específicos.

Pagar anúncios em redes sociais é mais uma novidade desta eleição. A ferramenta está liberada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde que registrada somente por candidatos, partidos ou coligações - medida que visa a combater fake news por meio de páginas anônimas ou perfis falsos. Faltam regras, no entanto, quando o assunto é prestação de contas. Como se trata de um investimento de pré-campanha, os custos não precisam ser obrigatoriamente revelados.

Se antes a fórmula usada em posts com ou sem patrocínio era mostrar falas dos pré-candidatos em entrevistas ou palestras, captadas sem uma prévia produção, agora a regra é divulgar filmes com roteiro, ilustrações, legendas, locução e até jingles. Flávio Rocha (PRB), por exemplo, convocou a dupla sertaneja Mateus & Cristiano para gravar seu slogan: "Com Flávio Rocha tudo vai ser novo, é a esperança, a vontade do povo".

Adepto do discurso que prioriza a gestão e não a política, Rocha abusa de temas como o empreendedorismo e nacionalismo em seus vídeos. Em linguagem popular e com narrativa dinâmica, as produções são repletas de ilustrações que retratam as principais bandeiras do pré-candidato, como o combate aos privilégios e ao alto custo do Estado.

O PT, que tem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - condenado e preso pela Lava Jato - como pré-candidato à Presidência, também já encomendou um jingle para impulsionar a campanha nas redes sociais. Com qualidade de TV, o filme expõe o caos gerado no País pela crise financeira para vender o nome de Lula como a salvação - para o "Brasil ser feliz de novo." Nenhuma citação às acusações que envolvem o nome do petista ou à origem da crise econômica (mais informações nesta página).

Mesmo sem jingle, os vídeos de Henrique Meirelles (MDB) são os que mais impressionam pelos detalhes, duração e qualidade de cenário e de fotografia. Produzidos como se fossem para TV, os filmes apresentam o ex-ministro da Fazenda do governo de Michel Temer como um homem de sucesso, otimista e que resolve os problemas do País.

"Ano de 2015, pior crise econômica da nossa história. Parecia que o pessimismo dessa vez tinha chegado para ficar. Mas, aí parceiro, adivinha quem chamaram de novo para tirar o País da lama? É, o Meirelles", diz um dos filmes, de três minutos, que mostra o presidenciável sorrindo, brincando com os cachorros (que diz adorar) e cumprimentando jovens.

Segundo Meirelles, o zelo na produção dos filmes é reflexo do rigor com que faz seu trabalho. "Isso vale também para essa estratégia de divulgação. Nesse momento da pré-campanha, preciso de peças que façam meu nome se tornar mais conhecido. Pesquisas mostram que quem me conhece tende a votar em mim", disse o ex-ministro ao Estado. Os vídeos passaram a ser veiculados no momento em que o Brasil enfrenta uma crise persistente, com 13 milhões de desempregados e déficit público estimado em R$ 159 bilhões.

Café

No fim do mês passado, Geraldo Alckmin (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) lançaram quadros fixos na internet. Ambos estrearam, respectivamente, os programas "Café com Alckmin" e "Café com Boulos" para interagir com eventuais eleitores. Mas apesar do nome parecido, o formato escolhido pelas equipes dos pré-candidatos é quase oposto. Enquanto Boulos debate um tema específico ao vivo com internautas, sempre em tom crítico ao governo Temer, o tucano grava conversas amenas em estilo de comercial de TV de dentro de uma padaria - a primeira que serviu de cenário foi a que Alckmin frequenta aos domingos em São Paulo.

Responsável pelas mídias digitais do PSDB, Marcelo Vitorino disse ser proposital produzir vídeos com cara de TV para a internet. "Não tem nada de errado nisso. Os públicos são distintos e não podemos esquecer que muita gente vai assistir essas produções pelo celular, depois de receber via WhatsApp."

Vitorino, que é professor de marketing digital da ESPM, afirma que, a depender da estratégia de cada campanha, parte do material feito para as redes sociais pode ser levado para o horário eleitoral. Os vídeos mais elaborados, no entanto, não mostram Alckmin desafiando ou atacando adversários, a exemplo do que tem feito em tuítes direcionados a Jair Bolsonaro (PSL).

Estrutura

Apesar de contar com uma estrutura mais simples, Ciro Gomes (PDT) não fica atrás. Relata toda a sua trajetória na vida pública - prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, ministro da Integração Nacional no governo Lula -, no filme "Que Ciro é esse?", feito exclusivamente para a pré-campanha. Para colocar de forma mais clara suas ideias, lançou no mês passado o quadro "Pergunte ao Ciro", no qual o presidenciável expõe suas posições sobre temas variados, como economia.

Segundo a assessoria de Ciro, os vídeos que mencionam assuntos mais quentes, como o que trata da saída de Pedro Parente da presidência da Petrobrás, são os mais comentados e visualizados - 269 mil vezes até sexta-feira, sem qualquer patrocínio. O presidenciável ainda não investiu recursos em anúncios no Facebook ou Instagram - o Twitter não permite essa possibilidade.

Na semana passada, a equipe de Bolsonaro postou um vídeo mais elaborado, em preto e branco, com quatro minutos de duração, em que apresenta o deputado de forma sóbria e com um novo slogan: "Bolsonaro, o Brasil a 150 dias de um novo amanhã". Imagens ilustram o dia a dia do parlamentar em seu gabinete e a tietagem de eleitores que o recebem em aeroportos pelo País.

"Maioria força a barra"

Narrativas que apelam à emoção, que fogem da realidade e que não necessariamente relevam características dos políticos que pleiteiam ver seus nomes nas urnas em outubro. Para o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV-SP, os vídeos divulgados pelos presidenciáveis são peças publicitárias, feitas apenas para valorizar a figura dos pré-candidatos e não necessariamente informar o eleitor sobre o contexto político do País.

"A maioria força a barra. Qualquer avaliação mais crítica revela as diferenças entre o que se mostra e a realidade dos fatos. O vídeo da pré-candidatura do Lula, por exemplo, é quase um documentário. Um filme para apaixonados, que relaciona a crise que vivemos apenas ao governo de Michel Temer. É como se Lula, Dilma e o PT não tivessem nada a ver com isso", diz Teixeira.

O professor também cita os posts de Henrique Meirelles, de alta qualidade fotográfica, mas sem comprometimento com a verdade, ao menos toda a verdade sobre a crise econômica. "Ele diz ter tirado o País da lama, o que não ocorreu, e faz isso sem nem sequer citar que era ministro de Temer."

Na análise do cientista político Carlos Melo, independentemente do conteúdo, os vídeos revelam antecipação de campanha. "Os pré-candidatos não estão disputando uma vaga dentro de seus partidos, como ocorre nos Estados Unidos e justifica a definição de pré-campanha. Estão fazendo campanha mesmo, estão disputando posição nas pesquisas para se viabilizarem. Ao meu ver, isso deve ser fiscalizado", diz Melo, que é professor do Insper.

Para o publicitário Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, é legítimo cada pré-candidato querer se promover, se expor nas redes da maneira como quer ser visto pelo eleitorado. "Com essa pulverização de candidaturas à Presidência, quem alcançar o maior número de candidatos leva vantagem. É do jogo da democracia escolher o conteúdo que lhe favoreça".

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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