quarta-feira, 9 de maio de 2018

CRISE DO AÇO COM TAXAÇÃO PELOS EUA - SIDERÚRGICAS QUEREM BENEFÍCIOS DO GOVERNO


Siderúrgicas pressionam governo por maior participação em impostos e mercado local

Luciana Sampaio Moreira









Alexandre Lyra e Sergio Leite

Tendo em vista a derrota iminente da indústria brasileira do aço, no processo de negociação com os Estados Unidos da Seção 232, que prevê taxação extra do produto importado, empresas do setor, por meio do Instituto  Aço Brasil (Brasil Aço), estão se organizando para reduzir os impactos previstos para os próximos anos.
Segundo o presidente da Vallourec Brasil e também do Conselho Diretor do Instituto  Aço Brasil, Alexandre de Campos Lyra, embora o governo federal tenha apoiado integralmente as negociações com o EUA, o que resta ao parque industrial siderúrgico é tentar negociar o sistema de cotas, imposto pelos EUA como saída para o Brasil, incluindo mecanismos que considerem um provável aumento da demanda por semiacabados, nos próximos anos.
De acordo com o plano que está em negociação, os EUA estão considerando a média das exportações realizadas entre 2015 e 2017 para aplicar a redução de 30%, para produtos acabados. Esse é o mesmo critério para os semiacabados. No primeiro caso, a perda será de 20% a 60%, dependendo do tipo do produto. No outro, a redução será de 7,7%.
Minas Gerais é um dos principais polos de produção de aço do país. A Vallourec, por exemplo, exporta quase metade da produção. Um dos pontos em negociação com os norte-americanos é considerar, para a política de cotas, a média de produção apenas de 2017, quando os valores foram maiores.
Em outra ponta, conforme o presidente-executivo do aço Brasil, Marco Polo de Melo, o setor negocia com o governo federal o aumento de 2% para 5% do percentual de devolução do imposto que incide sobre o produto exportado (Reintegra).
Na mesa está também o aumento do conteúdo local nos contratos de petróleo e gás, que significa que as empresas fornecedores no Brasil terão que ter um percentual maior de investimento no país, para aquele produto ou serviço fornecido. 

O dragão chinês

A invasão de produtos siderúrgicos chineses também tem colocado a indústria nacional em risco. Com uma capacidade produtiva excedente de 450 milhões de toneladas apenas de aço - sem falar em metais, máquinas e equipamentos e mão de obra disponíveis - aquele país tem apostado nas exportações.
De acordo com estudo do Aço Brasil, o Brasil importou, em 2017, US$ 2,329 milhões de aço, em negociações diretas. No mesmo período, a entrada do produto no país, de forma indireta, totalizou US$2,918 milhões.

1º Trimestre

No primeiro trimestre deste ano as vendas internas foram de 4,4 milhões de toneladas de aço, um crescimento de 11,4% na comparação com o mesmo período de 2017. O consumo aparente atingiu 5,0 milhões de toneladas, com alta de 9,6% em relação ao 1º trimestre do ano anterior.
Demanda
O presidente da Usiminas e futuro comandante do Aço Brasil, Sergio Leite, afirmou que não vai demorar muito para que os EUA voltem a comprar produtos semiacabados do Brasil. “Vai faltar aço lá e o Brasil é que vai fornecer”, adiantou. É que, conforme dados do Instituto, 81% do material exportado pelo Brasil é de produtos semiacabados, utilizados como insumos para a indústria norte-americana.
Para Leite, o futuro da siderurgia nacional não pode depender apenas das exportações. “Assim como está acontecendo agora com os EUA, os países da Europa também já estão se organizando para proteger a indústria deles. O que vai restar é disputar mercado na África e no Oriente Médio com uma infinidade de empresas”, ressaltou.
Outro projeto que está na mira do setor são as medidas de proteção ao mercado interno. Há um processo de dumping de laminado a quente contra a China e a Rússia que, embora relatado, reconhecido e aprovado em relatório, não foi implementado até o momento por questões políticas, como disse o executivo.
Atualmente, o parque nacional do setor tem capacidade de ocupação de 68,1%, quando o ideal é de 80%. Para Leite, é imprescindível que o próximo presidente da República apresente um programa de valorização da indústria, que, nos últimos 15 anos, registrou queda de 25% para menos que 10% do PIB.
De acordo com o executivo, a indústria do aço nacional não quer tratamento especial, mas isonômico, em relação ao produto importado, pois “40% do custo de produção é impactado pela carga tributária”.
Por isso, o setor também está negociando com o governo federal para ter acesso à devolução de parte dos tributos pagos pela empresa, em função das exportações. O Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadoras (Reintegra) prevê a devolução parcial ou integral dos valores referentes ao custo tributário da cadeia produtiva do setor, para acabados e semi acabados. A partir de 2018, a alíquota passou para 3%.

BRASILEIROS EM BUSCA DE SEGURANÇA MIGRAM PARA PORTUGAL


Mais de 80 mil brasileiros migram para Portugal em busca de segurança

Agência Brasil







Em 2018, a nacionalidade lusitana foi concedida a pouco mais de 25 mil pessoas


Basta caminhar alguns minutos pelas ruas de Lisboa para perceber a quantidade de brasileiros por todos os lados. Apenas em 2017, cerca de 870 mil turistas brasileiros visitaram o país. Mas não é só. Os brasileiros são a maior comunidade de estrangeiros residentes em Portugal. Oficialmente, são cerca de 80 mil pessoas, mas especialistas afirmam que este número é bem maior. Os dados foram divulgados pelo escritório de estatística da União Europeia.
Fugir da crise e da violência, buscar qualidade de vida e segurança são apenas alguns dos motivos que estão levando muitos brasileiros a fazerem as malas para viver em Portugal.
A migração de brasileiros para a "terrinha" não é de hoje e já sofreu mudanças significativas. A escritora Ana Silvia Scott, em seu livro Portugueses, relata como a migração mudou os sentimentos entre portugueses e brasileiros nas últimas décadas.
Ana Silvia recorda que, na década de 1980, os brasileiros que chegavam a Portugal eram recebidos com cordialidade e simpatia por uma população cheia de memórias carinhosas do Brasil. Naquela época quase todos os portugueses tinham histórias de parentes que foram para o Brasil.
Em 1977, os portugueses assistiram a novela brasileira Gabriela, adaptada da obra de Jorge Amado, e a trama modificou comportamentos e a rotina dos portugueses. Além da música, as belezas naturais e o futebol. Zico, Falcão, Sócrates e Júnior, craques da "seleção canarinho", eram famosos do outro lado do Atlântico.
No ano de 2000, afirma Ana Silvia em seu livro, que o cenário começou a mudar e o incômodo dos portugueses se tornou evidente. "O sentimento desagradável com relação aos brasileiros surgiu em Portugal devido a intensificação de migrantes de baixa renda e pouca escolaridade".
Enquanto nas décadas de 80 e 90 a migração era em sua maioria de dentistas, publicitários e profissionais da área de informática, insatisfeitos com a instabilidade econômica gerada no governo Collor; nos anos 2000, o perfil preponderante de brasileiros era composto por trabalhadores da construção civil, do comércio, dos restaurantes e do serviço doméstico.
Atualmente houve uma mudança no perfil do brasileiro que migra para Portugal. O que se tem observado é um grande número de pessoas de classe média e alta, que têm optado por viver no país fugindo da violência e da insegurança. Não é raro ouvir relatos como o do engenheiro brasileiro Zwy Goldstein, 60 anos, que optou deixar São Paulo após ter sido assaltado.
A aposentada carioca Lurdes Martins, 66 anos conta que tirava brincos, anéis e colares para andar nas ruas de Ipanema, onde morava. "O contexto brasileiro - social, político e econômico - foi o que me impeliu a emigrar para Portugal. Além da minha admiração pelo país e pelo povo português. A qualidade e o custo de vida é bem melhor que no Brasil. Estou bem feliz aqui", afirma Lurdes.
Ela é bancária aposentada e obteve o visto de "residência temporária" em Portugal. Esse tipo de visto é concedido para estrangeiros que comprovem ter rendimentos para se manter no país. O valor necessário para a obtenção do visto varia de acordo com a quantidade de pessoas da família que se candidatar a viver no país.
O engenheiro Zwy e sua mulher vieram para Portugal com o mesmo visto que Lurdes. Ele conta que, após ter tomado um tiro em uma tentativa de assalto em São Paulo, chegou à conclusão de que não dava mais para viver no Brasil.
"Eu nunca tinha pensado em vir para Portugal, mas comecei a ler matérias que falavam do país. Então resolvi vir com a minha mulher, em março de 2016, para dar uma olhada. Eu adorei isso aqui e, em 24 horas, eu decidi: quero mesmo é ficar aqui, porque é muito legal! Entramos com processo (no Consulado), foi super rápido naquela época e em agosto a gente estava aqui", conta Zwy.
Para o engenheiro a grande vantagem de viver em Portugal é a segurança. "A gente não tem esse tipo de preocupação aqui. Acho incrível isso aqui, não preciso olhar pro lado, não preciso olhar pra trás, não preciso achar que alguém vai aparecer e ferir a gente".
Além disso, para Zwy, a animosidade entre portugueses e brasileiros é coisa do passado. "As pessoas são simpáticas ao contrário do que falavam sempre. Os portugueses recebem muito bem e temos vários amigos aqui. A gente viaja pelo país, que é pequeno, e dá pra ver muita coisa e acaba aprendendo a história do país", conta Zwy, que se diz realizado em Portugal.
Ele afirma que, do Brasil, a saudade é apenas dos amigos, dos lugares pelos quais passou e dos prédios que construiu. No Natal do ano passado, esteve em São Paulo para visitar os parentes e fui novamente assaltado. "Se existia ainda algum resquício de vontade de voltar, não tenho mais nenhuma. A paz que tenho aqui não tem preço".
Residência temporária
Inicialmente, a autorização de residência temporária tem validade de um ano. Após a primeira renovação, o documento deve ser revalidado a cada dois anos. Após seis anos de residência legal, a pessoa pode solicitar a nacionalidade portuguesa.
Para obter a autorização, é preciso fazer como Lurdes, que deu entrada no pedido ainda no Brasil, no Consulado de Portugal. Há uma série de documentos que são exigidos nessa primeira etapa, como comprovante de rendimentos e certidões negativas da Justiça.
Ao chegar em Portugal, é necessário procurar pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) para apresentar documentação complementar e agendar uma entrevista pessoal.
"O meu processo de obtenção do visto foi um pouco complicado, por problemas de comunicação com o Consulado, mas depois que tive apoio de um escritório de ajuda aos migrantes aqui em Lisboa, tudo ficou mais fácil", disse Lurdes.
Outros tipos de autorização de residência
É importante ressaltar que há outros tipos de autorização de residência, como a "Autorização de Residência por Investimento", conhecida como visto gold; a Autorização de Residência Permanente e a Autorização de Residência Não Habitual.
Há ainda diferentes vistos para quem quer residir em Portugal e não tem a cidadania, como os de trabalho ou estudo. Os interessados devem procurar informações específicas sobre os diferentes tipos de visto e as documentações necessárias.
Nacionalidade
Os brasileiros foram os que mais receberam nacionalidade portuguesa no ano de 2016. Neste ano, a nacionalidade lusitana foi concedida a pouco mais de 25 mil pessoas, entre as quais estão 8 mil brasileiros, ou seja, 31% do total.
Entre os brasileiros que adquiriram, em 2016, nacionalidades europeias, 36,3% foram obtidas em Portugal; 27% na Itália e 15,4% na Espanha.

TRUMP ABRE MAIS UMA POLÊMICA SOBRE O ACORDO NUCLEAR COM O IRÃ


Trump retira EUA do acordo nuclear com Irã

Estadão Conteúdo







"Se eu permitir que esse acordo continue, logo haverá uma corrida de armas nucleares no Oriente Médio", afirmo Trump

O presidente americano Donald Trump anunciou nesta terça-feira (8), que vai retirar os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã, assinado em 2015, durante o governo de Barack Obama. "Se eu permitir que esse acordo continue, logo haverá uma corrida de armas nucleares no Oriente Médio", afirmou o presidente.

O pacto foi estabelecido entre Irã, EUA e potências mundiais e recuou na maioria das sanções econômicas impostas a Teerã, desde que o país obedecesse determinações para limitar seu programa de armas nucleares.

Trump falou ainda nesta terça-feira com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com o líder chinês Xi Jinping sobre sua decisão. O gabinete de Macron afirmou que os dois conversaram sobre "paz e estabilidade no Oriente Médio", mas não forneceu detalhes. O presidente francês é forte apoiador da manutenção do acordo e tentou persuadir Trump a manter a negociação durante visita a Washington em abril.
Rússia expressa preocupação com anúncio dos EUA sobre programa nuclear do Irã

O governo da Rússia advertiu que uma "situação muito séria" pode surgir, caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anuncie mais tarde nesta terça-feira (8) que retirará seu país do acordo nuclear internacional do Irã. Porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitry Peskov fez as declarações mais cedo, antes do anúncio planejado por Trump na Casa Branca.

Peskov afirmou que "nem é preciso dizer que surgirá uma situação muito séria", caso os EUA se retirem do acordo nuclear de 2015 entre o governo de Teerã e as potências globais. A Rússia foi uma das potências envolvidas no acordo, segundo o qual o Irã limitou seu programa nuclear em troca da retirada de sanções econômicas. Fonte: Associated Press.

UE reafirma apoio a acordo nuclear com Irã


Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificou que o Irã cumpre suas obrigações

A União Europeia ressaltou seu apoio ao acordo nuclear com o Irã, no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se prepara para anunciar mais tarde seu veredicto sobre o futuro da iniciativa. Porta-voz da Comissão Europeia, Maja Kocijancic disse nesta terça-feira, (8) que "o acordo funciona e continua o nosso compromisso em implementá-lo".

A porta-voz afirmou que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificou dez vezes que o Irã cumpre suas obrigações. Trump e o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmam que o governo de Teerã mentiu sobre suas ambições nucleares e não é confiável.

Kocijancic disse que "este não é um acordo baseado na confiança, mas em fatos". A chefe da política externa da UE, Federica Mogherini, ajuda a supervisionar o modo como o Irã e outras potências globais implementam o acordo e resolvem quaisquer disputas. Fonte: Associated Press.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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