domingo, 4 de dezembro de 2016



Metade da força de trabalho no Brasil terá mais de 50 anos até 2040

Janaina Oliveira 





VULNERABILIDADE – Joaquim Alves, 66, diz que só faz bico e conta com a ajuda de Deus

Até o ano de 2040, metade da força de trabalho no país terá mais de 50 anos. Só que é exatamente nessa faixa de idade que tem crescido uma parcela da população que não consegue espaço no mercado. Sem perspectivas, muitos desistem de procurar emprego. Para piorar, ainda não têm tempo de contribuição para a aposentadoria. É a geração dos “nem nem” maduros, pessoas que nem trabalham, nem estão aposentados.
O termo é uma referência aos “nem nem” jovens, multidão de brasileiros entre 15 e 29 anos que não frequentam a escola ou faculdade e também não exercem uma ocupação profissional.
Segundo a economista Ana Amélia Camarano, uma das autoras do livro “Política Nacional do Idoso, velhas e novas questões”, editado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) recentemente, o contingente de homens entre 50 e 64 anos “nem nem” subiu de 191,1 mil, em 1984, para 1,135 milhão, em 2014.
Em duas décadas, a participação desse grupo no total da população nessa faixa etária saltou de 3,5% para 7,8%. E a tendência, com a crise financeira e a piora do desemprego, é que esse número cresça ainda mais.
Conforme ela descreve, no geral, os “nem nem” trabalharam parte da vida sem carteira assinada, na informalidade, e não conseguem o direito de se aposentar. Muitos já não procuram mais trabalho por desalento, porque acham que não vão mais conseguir.
Outros sobrevivem graças às esposas, que ganharam espaço no mercado de trabalho e, de carona, uma jornada dupla ou tripla. E quase ¼ mora com os pais idosos, que recebem pensão pelo INSS.
A pesquisadora analisou apenas a situação dos homens, mas acredita que o contingente de mulheres “nem nem” também deve aumentar.
“É importante discutirmos a situação dessas pessoas, especialmente em um momento em que o governo fala na reforma da Previdência. Não dá para falar em idade mínima de 65 anos, por exemplo, sem que sejam implantadas simultaneamente políticas públicas de inclusão e qualificação dessa mão de obra”, diz.
Ana Amélia reconhece a necessidade de um ajuste fiscal nas contas públicas. Mas ressalta que é importante pensar sobre a empregabilidade.
“Há muito preconceito com relação à força de trabalho mais velha. Então, uma mudança como a idade mínima não pode vir sozinha, sob risco de virar um problema social e aumentar ainda mais a pobreza”, afirma.
Entre as medidas que a especialista chama de “colchão amortecedor” estão parcerias com empresas privadas para contratação de trabalhadores mais velhos, ações voltadas para a saúde e educação, programas de qualificação e requalificação com enfoque nas mudanças tecnológicas e investimentos na mobilidade urbana.
“Se o tempo de deslocamento até o trabalho já é penoso para o jovem, imagina para quem envelheceu. Sem falar nas condições do transporte público”, diz.
As famílias dos “nem nem” maduros geralmente são mais pobres. Em média, o rendimento domiciliar per capita é de R$ 697,20, o que equivale a cerca de 60% da renda dos lares onde não há homens com esse perfil

Exclusão do mercado se dá cada vez mais cedo no país

Aos 64 anos, Paulo Álvares sofre de artrite e gota e tem dificuldades para andar. Vendia queijos, mas foram raras as vezes em que trabalhou com carteira assinada. Sem aposentadoria e sem emprego, depende do irmão caçula, o professor aposentado Wilson Álvares, 60, para sobreviver.
“É muito triste chegar nessa etapa da vida nessa situação. Já tentei arranjar trabalho, mas ninguém quer saber de dar emprego para velho”, diz ele, que se identificou com o termo “nem nem” da maturidade. “Esse cara sou eu”, brinca ele.
O preconceito que o idoso enfrenta no mercado de trabalho ganhou um capítulo específico no livro de “Política Nacional do Idoso, velhas e novas questões”, editado pelo Ipea.

Segundo o pesquisador Jorge Felix, além de o mercado demandar por mão de obra mais velha em quantidade abaixo da oferta suscitada pelo envelhecimento populacional, quando ele a absorve, a tendência é fazê-lo em condições de precariedade. “O que se vê é a negação das empresas em manter os trabalhadores maduros, sob a justificativa de redução de produtividade ou de corte de custos de produção, pela demissão dos empregados com salários mais altos”, anota o especialista.

De acordo com Felix, a exclusão do mercado, que se dá cada vez mais cedo, explica, em parte, o fato de o trabalhador por conta própria aparecer como segunda condição mais verificada de inserção do idoso no mercado de trabalho.
Joaquim Alves, 66, já trabalhou na lavoura, lavra de diamante, carvoaria e na construção civil, quase sempre sem ser fichado. Hoje, sem espaço no mercado, luta para tentar juntar documentos e obter a aposentadoria. “Faço bico quando aparece e conto com a ajuda de Deus”, diz.
Segundo o pesquisador do Ipea, as metamorfoses do mercado de trabalho verificadas desde as últimas duas décadas do século XX provocaram o aumento da vulnerabilidade do trabalhador em idade cada vez menor, já a partir dos 45 anos, tendo grande impacto na fase pós-laboral da vida.

Para ele, a taxa de empregabilidade dos trabalhadores maduros é fortemente correlacionada ao nível educacional e à capacidade e à vontade política de estabelecer uma espécie de rede nacional com a iniciativa privada. É preciso, portanto, fomentar ações de gestão de pessoal em consonância com o conceito de “sociedade para todas as idades”.





sábado, 3 de dezembro de 2016

CONTRA SENSO - PAÍS POBRE E JUROS ALTOS



Cautela excessiva do BC no corte dos juros é lamentável, diz Mendonça de Barros

Estadão conteúdo








País caminha para perder 10% de PIB per capta em três anos

O economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, disse nesta sexta-feira, 2, que lamenta a cautela excessiva do Banco Central (BC) no novo ciclo de afrouxamento monetário, iniciado com dois cortes seguidos de 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros, a Selic. Durante participação em congresso que reúne nesta sexta empresários da indústria química na zona sul de São Paulo, Mendonça de Barros comentou que, em termos técnicos, a taxa real de juros está muito acima da taxa neutra, aquela que não produz nem inflação nem desinflação. Citando a "boa teoria monetária", o fundador da MB Associados ressaltou que, num ambiente de recessão econômica, o mais correto seria o BC colocar os juros reais abaixo da taxa neutra, "que ninguém sabe exatamente qual é, mas vamos admitir que seja 4%".

Ele considerou ainda que agride ao bom senso uma política monetária que aumenta, em termos reais, a taxa de juros num momento em que o País caminha para perder 10% de PIB per capta em três anos. "E não quero crer que o Banco Central vai seguir dessa forma", disse o economista, antes de defender que o Comitê de Política Monetária (Copom) comece a entregar redução mais acelerada da taxa de juros a partir de janeiro. Por força da recessão e pelo fato de a taxa de juros ter estranhamente subido, Mendonça de Barros considerou que a inflação deverá convergir ao centro da meta (4,5%) no ano que vem. Ele disse que suas previsões estão "mais ou menos" em linha com as simulações do BC que indicam inflação na faixa de 4,3 a 4,7% em 2017.

A desaceleração deve vir da recuperação na oferta de produtos agrícolas e da desinflação nos preços de serviços, comentou o economista, lembrando que há dois anos consecutivos o valor dos aluguéis está em queda. Nesse contexto, Mendonça de Barros ressaltou que a distensão monetária deveria ter ritmo de meio ponto porcentual a cada rodada de corte, o que, na visão dele, deve começar a acontecer na reunião do Copom em janeiro. "Deveria ser algo que levasse os juros para um digito entre o fim de 2017 e inicio de 2018", concluiu.

O BRASIL CADA VEZ MAIS POBRE



Aumenta a população brasileira na extrema pobreza, e cenário pode piorar

Tatiana Lagôa e Janaína Oliveira






Aos 65 anos, o aposentado José Félix da Silva passa por muitas dificuldades para sobreviver com apenas R$ 880 por mês

O achatamento da renda dos brasileiros, provocado pela crise econômica, agrava uma situação já dramática e faz aumentar o número de pessoas em estado de extrema pobreza no país. Dados do IBGE mostram que, se em 2014 este grupo representava 7,9% da população, em 2015, o percentual passou para 9,2%. O cenário poderá piorar ainda mais nos próximos anos com a política fiscal adotada pelo governo Temer, apontam especialistas.
De acordo com o levantamento divulgado ontem pela instituição, 17,8% da população ganhava até meio salário em 2015 e outros 30,3% ficavam na faixa de renda entre meio e um salário. Em síntese, 57,3% dos brasileiros ganham até um salário mínimo que, no ano passado, estava em R$ 788. O rendimento médio no país caiu 7,16% neste período, passando de R$ 1.368 para R$ 1.270. Esse é o menor valor desde 2011.
“Vivemos o reflexo do aumento do desemprego conjugado com a queda na renda. A pobreza é agravada porque quem sofre mais na crise são os trabalhadores menos qualificados e de baixa renda”, explica o vice-presidente do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), Pedro Paulo Pettersen.
Futuro
Especialistas defendem que o desmonte no Bolsa Família, aliado aos efeitos da PEC 55 – que limita os gastos do poder público pelos próximos 20 anos – no salário mínimo poderá empurrar os mais pobres para a miséria. Desde que o peemedebista assumiu a Presidência, 1,123 milhão de cadastros do programa assistencial foram cancelados ou bloqueados (dado de 7 de novembro de 2016).
“O governo propõe fazer o contrário do que seria certo neste momento recessivo. Com mais pessoas sofrendo as consequências da crise, é preciso que haja um aumento do assistencialismo”, observa a coordenadora do Centro de Capacitação e Pesquisa em Projetos Sociais da UFMG, Danielle Cireno Fernandes.
A socióloga explica que, mais do que um programa assistencial, o Bolsa Família ajuda a girar a economia, com a inclusão de brasileiros no universo do consumo. Dessa forma, há um fomento às vendas e, consequentemente, geração de empregos no comércio e na indústria.
Para Pedro Paulo Pettersen, “a PEC dos Gastos vai afetar diretamente a baixa renda porque, se o salário mínimo não subir na mesma proporção que subia antes, haverá agravamento da desigualdade social”.
“Acho que o governo tem um grande problema para resolver. De um lado, precisa mesmo cortar gastos. De outro, precisa fazer de uma forma que não afete o salário mínimo para que os mais pobres não sofram”
Mauro Rochlin
Professor de economia Fundação Getúlio Vargas
Realidade
Os números do IBGE reforçam o que já sofrem, na prática, brasileiros como José Félix da Silva, de 65 anos. A aposentadoria que ele recebe, de R$ 880, mal dá para o básico. “Pelo menos fome não passo, mas está cada dia mais difícil sobreviver. Um pacote de açúcar está custando R$ 12. Essa crise pegou a gente de jeito”, diz ele, que criou 15 filhos trabalhando como pedreiro.
Moradora da ocupação Rosa Leão, na divisa de BH e Santa Luzia, a dona de casa Liergy de Oliveira Silva, de 21 anos, sonha em ter o básico. “O que eu queria mesmo era asfalto na rua e piso no chão da minha casa”, conta. O marido dela está desempregado. “O Bolsa Família seria a salvação, mas a gente não consegue porque mora na ocupação”, lamenta.






VENEZUELA SOFRE CARTÃO VERMELHO DO MERCOSUL



Ministra da Venezuela diz que o país não reconhece suspensão no Mercosul

Estadão Conteúdo 







A ministra de Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodriguez, disse hoje que não foi informada sobre a suspensão de seu pais do Mercosul, por outros membros do grupo. Ela rejeitou a acusação de que a Venezuela não cumpriu com os termos do bloco.

"A Venezuela não reconhece a ação nula conduzida sob a lei da selva, realizada por autoridades que estão destruindo o Mercosul".

As nações sul-americanas suspenderam a Venezuela nesta sexta-feira pelo que chamaram de falha no cumprimento de compromissos feitos quando o país se uniu ao grupo, em 2012.

O ministro de Relações Exteriores da Argentina disse em um comunicado que a Venezuela falhou em cumprir o prazo para adotar certos padrões exigidos para a adesão. Ministros do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai notificaram os Venezuelanos sobre a decisão em uma carta.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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