quarta-feira, 13 de julho de 2016

ESTANCAR A SANGRIA E TENTAR UMA RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA

Retração chega ao último nível

Editorial Jornal Hoje em Dia 



Os efeitos de uma crise desse nível pela qual passa o Brasil nunca são imediatos. Sempre vão atingindo setores diferentes, de acordo com a sua intensidade e alcance. Quanto mais grave, mais demorada e ampla é a recessão. Consequentemente, maiores são os desafios impostos aos governos para, primeiro, “estancar a sangria”, e, em um segundo momento, tentar uma recuperação paulatina da economia.
Nos últimos anos, o comércio varejista foi um dos maiores símbolos de um tempo bastante vantajoso da economia do país. O ganho de renda da população, a partir de meados dos anos 2000, fez com que o brasileiro procurasse produtos a que antes não tinha acesso, e os empresários souberam tirar proveito disso, o que causou uma explosão de vendas em diversos setores.
Pequenos supermercados se tornaram grandes. Mesmo as redes que se limitavam a três, quatro lojas por cidade, passaram a ter dezenas ou centenas de pontos de venda nas grandes capitais.
Mesmo com a diminuição do ritmo da economia, já no fim do governo Lula e início do primeiro mandato de Dilma Rousseff, o varejo foi um setor que ficou até certo ponto protegido dos solavancos econômicos. Também é completamente compreensível que o brasileiro tivesse certa resistência em abrir mão daquilo que levou tanto tempo para poder ter condições de comprar e levar pra casa.

‘A população não só deixou o supérfluo de lado, mas passa agora a comprar apenas o essencial’

Esse momento demorou, mas, de acordo com a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem, chegou. A queda recorde de 9% em um balanço mensal da Pesquisa Mensal de Comércio, iniciada em 2000 - portanto justamente antes da aceleração mais recente da economia - é a constatação de que o consumidor resolveu brecar o consumo de vez neste momento. E a previsão de um crescimento de 0,5% em 2016 revela que, até o fim deste ano, ele puxará o freio de mão. A conclusão clara é que a população não só deixou o supérfluo de lado, mas passa agora a comprar apenas o essencial, que não está barato.
As consequências disso são inevitáveis e previsíveis. A alta do desemprego deve manter um ritmo constante, gerando uma redução ainda maior no poder de compra da população e uma queda maior nas vendas, em um círculo vicioso.
O pior é que hoje não temos nem uma solução completamente confiável em curso implantada pela equipe econômica do governo. Soma-se a isso um ambiente político conturbado, que deve ter hoje, na eleição para a Presidência da Câmara, mais um capítulo que certamente renderá emoções.
Os próximos meses devem ser de mais privações e dissabores para os brasileiros.


POUCO DINHEIRO NO BOLSO - POUCO CONSUMO



Brasileiro está mais cauteloso e freia o consumo até mesmo nos supermercados

Bruno Moreno



Queda de vendas em supermercados de Minas foi menos acentuada que no país

Mesmo com expectativas otimistas do mercado para a retomada do crescimento econômico, a verdade é que o brasileiro está deixando de consumir. E o consumo é o termômetro da economia. Se no passado recente os supérfluos começaram a ser cortados, agora, o carrinho de supermercado ficou ainda mais vazio.
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o setor de supermercados foi o que mais contribuiu para a queda de 9% nas vendas no varejo no país, quando comparados os meses de maio de 2015 e maio de 2016. O setor apresentava crescimento tímido até maio.
Este foi o pior resultado para o mês desde janeiro de 2000, quando foi iniciada a Pesquisa Mensal de Comércio.
“Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com taxa de -5,6% no volume de vendas em maio de 2016 sobre igual mês do ano anterior, foi a principal contribuição negativa na formação da taxa global do comércio varejista”, aponta o relatório do instituto.
Comparado ao último mês de abril, a redução nas vendas no comércio no Brasil foi de 1%. Além disso, nos primeiros cinco meses de 2016 o acumulado de queda alcançou 7,3%.
Já em Minas Gerais, a variação no mesmo intervalo também foi negativa, mas com um índice menor (-1,8%). Já o comércio varejista em Minas Gerais, de acordo com a pesquisa do IBGE, teve queda de 3,1%.
Supermercados
De acordo com o superintendente da Associação Mineira de Supermercados (AMIS), Antônio Claret, no acumulado do ano até maio, o crescimento do setor é de 3,28%. No entanto, já há indicativos de queda nas vendas, e a previsão é de que em dezembro o balanço seja de um crescimento de 0,5%.
“A gente sentiu no mês de maio uma redução de mais de 2% em relação a abril, e vem caindo desde março. A tendência é continuar caindo. O consumidor está comprando o mais básico, e o básico está com variação de preços indesejável. E isso é muito ruim para todos nós”, argumenta Claret.]

Juros, inflação e desemprego dificultam recuperação

 diminuição do consumo do brasileiro no comércio é consequência direta da alta do desemprego, que alcança 11,2% no país; da inflação acumulada em 9,32% nos últimos 12 meses e da falta de crédito com as altas taxas de juros praticadas no país. A taxa Selic está em 14,25% e os juros do cartão de crédito alcançam o recorde de 447,4% ao ano.

“O que a gente sente é que a crise ainda está rondando o setor de alimentos e o de supermercados. O setor de supermercados tende a ser o último a ser atingido, mas o pé no freio já está acontecendo. O consumidor está tendo que trocar o hábito de consumo, e isso até ajuda a controlar o mercado”, afirma o superintendente da Associação Mineira de Supermercados (AMIS), Antônio Claret.

Esses índices contribuem para que a crise econômica ainda não dê indícios de que irá terminar em breve. Na opinião de especialistas, o chamado fundo do poço só deve chegar em setembro, após o encerramento do processo de impeachment. “Infelizmente ainda tem essa instabilidade política, que inibe novos investimentos no mercado. A queda já soma 14 meses, mas deve completar, pelo menos, 18 meses”, avalia o vice-presidente da CDL, Marco Antonio Gaspar.

Comércio em BH

O comércio em Belo Horizonte tem diminuído a sua intensidade da queda, mas ainda apresenta índices negativos. Pesquisa divulgada ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BH) mostra que a queda em maio foi menor do que a de abril (veja infográfico)[/TEXTO].
No entanto, Marco Antonio Gaspar avalia que ainda não é possível comemorar.
“O grande problema é que os números não estão se mostrando positivos para o próximo semestre em matéria de desemprego e inflação, por exemplo. Isso não dá novos ares para a nossa economia. Mas, em contrapartida, o segundo semestre tem faturamento melhor porque tem o 13º salário e o Natal”, avalia o vice-presidente da CDL. 




ELEIÇÃO DO PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS DO BRASIL AINDA HOJE



Câmara elege hoje nove presidente em disputa acirrada; veja quem está no páreo

Da Redação Jornal Hoje em Dia 




RECEIO – A escolha de Marcelo Castro foi recebida com irritação por Temer, que vê com desconfiança sua proximidade com o PT

A eleição para a presidência da Câmara dos Deputados hoje promete bater recorde de candidaturas. Até o final da tarde de ontem, 11 deputados já haviam formalizado o registro para disputar o mandato tampão até fevereiro de 2017, quando o presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha, deixaria o cargo. Os interessados em disputar a vaga têm até o meio-dia de hoje para fazer se inscreverem.
A eleição está marcada para começar as 16 horas de hoje e deve entrar pela madrugada de quinta-feira. Até uma hora antes do pleito, os candidatos inscritos podem desistir de concorrer à vaga. A Câmara usará urna eletrônica na eleição de seu novo presidente. Conforme estabelece o regimento da Casa, o voto será secreto.
Um sorteio definirá a ordem dos candidatos na votação, e essa sequência também valerá para a ordem dos discursos no plenário. Cada candidato terá 10 minutos para pedir o voto dos colegas.Para ser eleito, o deputado precisará da maioria absoluta: 257 votos. Caso ninguém consiga atingir esse número, haverá segundo turno. Em caso de empate, tanto no primeiro quanto em um eventual segundo turno, a disputa será decidida obedecendo aos seguintes critérios: maior número de mandatos e parlamentar mais idoso.

Os candidatos com maior chance são Rodrigo Maia (DEM-RJ) - não havia registrado a candidatura até o início da noite de ontem, Rogério Rosso (PSD-DF) e o ex-ministro da Saúde Marcelo Castro (PMDB-PI).
O presidente interino, Michel Temer, afirmou que a decisão da bancada peemedebista de lançar candidatura própria para a sucessão da Câmara dos Deputados demonstra que o governo federal não tem interferido na disputa parlamentar.
Em uma derrota do Palácio do Planalto, a bancada do partido do presidente interino decidiu apoiar o nome de Marcelo Castro (PMDB-PI), ex-ministro de Dilma Rousseff, para o comando da Casa Legislativa.
O governo interino trabalhava para que a sigla não lançasse candidatura própria, evitando pulverizar ainda mais a disputa parlamentar na base aliada, mas não teve êxito.
A escolha do nome foi recebida com irritação pelo presidente interino, que vê com desconfiança a proximidade de Marcelo Castro com o PT, partido de oposição ao governo federal.
O receio de assessores e auxiliares presidenciais é de que a candidatura tenha surgido de um jogo combinado do peemedebista com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), disse ontem acreditar que o bom senso vai prevalecer na eleição para a Presidência da Câmara, segundo informou a Agência Câmara.
“O ideal nem sempre nós temos”, afirmou, ao ser questionado por repórteres se não seria ideal, para o governo do presidente interino da República, Michel Temer, que houvesse um número menor de postulantes ao comando da Câmara. “O bom senso vai prevalecer. A Casa precisa se reencontrar e contribuir cada vez mais para o país. É um bom momento para avaliação, para compreender que o Brasil é maior do que a crise”, declarou.
Sobre o grande número de candidatos, Maranhão também comentou: “A democracia permite que todos se manifestem, que todos desejem (disputar o cargo). Esta Casa é plural”.

Confira os candidatos:





terça-feira, 12 de julho de 2016

EMPRESÁRIOS DO BRASIL DESCONTENTES COM O GOVERNO TEMER



Para empresários, governo Michel Temer está sendo modesto: 'Absolutamente frustrado'



O presidente em exercício Michel Temer chega nesta terça-feira aos dois meses de governo pedindo calma aos empresários. A ausência de resultados sobre a economia real e de medidas que ataquem questões estruturais tem causado certo desconforto entre representantes de setores que apostaram no novo governo para solucionar boa parte dos problemas do País.
"O momento é de uma gravidade econômica que exige medidas corajosas", disse Flávio Rocha, presidente da varejista Riachuelo e um dos primeiros empresários a criticar a política econômica do governo Dilma Rousseff. "Estou absolutamente frustrado." Para ele, as medidas econômicas de cortes de gastos públicos precisam andar mais rápido.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, também reconhece que os resultados práticos do governo Temer, até agora são poucos. "Gostaria de ver o governo tomando decisões importantes, nas áreas de Previdência, reforma trabalhista, desburocratização. Isso não temos visto muito", diz Andrade.
A equipe econômica, no entanto, só deve adotar medidas mais contundentes para a recuperação da economia depois da votação do impeachment de Dilma Rousseff, programada para o fim de agosto. Por enquanto, o governo evita desagradar ao Congresso Nacional, que dará a palavra final sobre o afastamento definitivo da presidente. Mas a expectativa é que, uma vez definido o quadro político, os investimentos serão destravados.
O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, conta com isso. "Espero que, uma vez definida a questão do impeachment, seja possível avançar na discussão com a sociedade de uma agenda de reformas prioritárias e absolutamente necessárias, em especial, a política e a fiscal, fundamentais para o País voltar a se desenvolver de forma sustentável", disse em nota."Tivemos alguns avanços nesse período, mas os desafios ainda são grandes e há muito a ser feito."
Desde que a presidente Dilma Rousseff foi afastada do cargo, em maio, a confiança de empresários tem apresentado notável melhora sobretudo em termos de expectativas. O otimismo tomou conta, por exemplo, da indústria, que há dois anos acompanha o encolhimento de seu Produto Interno Bruto (PIB).
Os dados da economia real, porém, não reagem na mesma rapidez. O faturamento da indústria segue em queda, e o emprego voltou a níveis de 2006, segundo a própria CNI. "Tem uma melhora no ambiente político. A sociedade está vendo o governo com mais confiança. Mas não há uma mudança na economia em que possamos ver o resultado real disso", diz Andrade. "A reversão ainda não ocorreu."
Na visão do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, a atuação de Temer ainda é um pouco "modesta", em razão justamente da pendência em relação ao impeachment. Mas ele diz que vê "uma vontade grande de acertar" por parte do governo de Michel Temer nesses dois primeiros meses.
O mercado financeiro, por enquanto, está relevando as medidas de afrouxamento fiscal, colocando na conta da "interinidade" de Temer. "Mas, em compensação, vai aumentar a cobrança por medidas de arrocho, se o impeachment for consumado", previu o executivo de um banco estrangeiro.
O economista-chefe do banco americano Morgan Stanley no Brasil, Arthur Carvalho, diz que, na prática, pouco foi feito em dois meses, mas o governo demonstrou que se comunica melhor do que a gestão anterior. Ele destacou que foram feitas importantes sinalizações de condução da economia como a PEC dos gastos, a agenda da privatização e a coragem de se discutir a reforma da Previdência. Os pontos negativos ficaram para a aprovação do aumento dos salários do Judiciário e do Bolsa Família, mas Carvalho destaca que isso pode ter sido uma forma de negociar a aprovação de medidas estruturais importantes.
A aposta do governo é de que a recuperação da economia vai permitir, entre outras coisas, uma melhora do emprego, reduzindo as resistências de medidas impopulares. "Com o crescimento do PIB de 1,2% e a regularização das empresas para recomeçar a contratar, teremos o caminho da retomada do crescimento. O empresário precisa de confiança", disse o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.
Para a presidente da companhia aérea Latam Brasil, Claudia Sender, o que mudou nesses últimos dois meses é que o governo começou a construir "um caminho de confiança no setor privado". "Para as empresas voltarem a investir no Brasil é preciso confiança. Hoje, o que existe é esperança", diz a executiva. Colaboraram Marina Gazzoni, Josette Goulart, Fernando Scheller, Cleide Silva, Adriana Fernandes, Tânia Monteiro, Vera Rosa e Lu Aiko Otta.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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