quarta-feira, 13 de julho de 2016

CENTRÃO PODE DEFINIR O SUCESSOR DE EDUARDO CUNHA NA CÂMARA



O que é o poderoso 'Centrão', que pode definir o sucessor de Cunha?

Mariana Schreiber
Da BBC Brasil em Brasília 





O deputado Rogério Rosso (PSD-DF), um dos mais líderes do Centrão na Câmara
Parlamentar em primeiro mandato e até pouco tempo desconhecido no cenário nacional, o deputado federal Rogério Rosso (PSD-DF) desponta como favorito a vencer a disputa pelo comando da Câmara nesta quarta-feira (13).
Por trás de sua possível vitória está o chamado "Centrão" - bloco informal de 13 partidos que soma cerca de 220 deputados (43% do total).
O grupo, que nasceu e cresceu sob a liderança de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje é o polo de poder mais forte dentro da Casa, apesar da franca decadência de seu mentor.
Seus integrantes - PP, PR, PSD, PRB, PSC, PTB, Solidariedade, PHS, Pros, PSL, PTN, PEN e PTdoB - são siglas sem linha ideológica clara, mas que compartilham de valores conservadores. Em sua maioria, o grupo é composto por deputados do "baixo clero", ou seja, com atuação parlamentar pouco relevante.
"O baixo clero é formado por deputados sem grande presença parlamentar, mas numericamente é expressivo. Quando tem um líder que os agrega, acabam desempenhando um papel importante", nota o professor de ciência política da USP José Álvaro Moisés.
O pouco destaque da maioria do Centrão acabou abrindo espaço para a ascensão de um novato na Casa, avalia Antônio Augusto de Queiroz, analista político do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar).
Antes de chegar ao Congresso, Rosso foi governador do Distrito Federal por oito meses em 2010, num mandato tampão. Ele foi eleito indiretamente pelos deputados distritais após a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, ter revelado um esquema de corrupção no governo e derrubado o então governador José Roberto Arruda, seu vice e o presidente da Câmara Legislativa.
Como deputado federal, assumiu em 2015 a liderança do PSD na Câmara. Com o aval de Cunha, acabou escolhido neste ano para presidir a comissão que analisou o pedido de impeachment contra a presidente afastada, Dilma Rousseff - função que lhe deu maior projeção nacional.
"Como o Centrão é muito ruim de nome, gente com discernimento, com capacidade de articulação, o Rosso tem essa experiência e se destaca. Ele foi governador interino do DF, presidiu a comissão de impeachment, é líder de um partido médio para grande, tem a bênção de Eduardo Cunha, então é o sujeito que reúne as melhores condições para continuar dando oportunidade a esse grupo", resume Queiroz.
A eleição será realizada a partir das 16h desta quarta. A disputa também é por um mandato tampão - o vencedor comandará a Câmara apenas até janeiro de 2017, quando terminaria o mandato de dois anos para qual Cunha foi eleito.
Ele renunciou à presidência da Casa na semana passada, numa tentativa de reduzir a pressão pela cassação do seu mandato de deputado.
De blocão a Centrão
A origem do Centrão está no blocão, grupo criado em março de 2014 por Cunha, então líder do PMDB. A composição nasceu do descontentamento com a presidente Dilma, que dispensava pouca atenção à negociação política com o Parlamento.
No seio desse descontentamento estava o represamento no repasse das emendas parlamentares - recursos que os congressistas destinam para investimentos em suas bases eleitorais.
A composição era um pouco diferente - o blocão reunia oito siglas (PDT, PSC, PP, Pros, PMDB, PTB, PR e Solidariedade), que somavam 242 deputados (47% da Câmara). Naquele momento, ao fazer um "enfrentamento" com o governo petista, Cunha aglutinou forças que estavam dispersas, lembra o analista do Diap.
"A partir daí esses parlamentares passam a ser valorizados. Passam a ter relatoria (de projetos de lei), presidência de comissões, a ocupar cargos de vice-liderança", exemplifica Queiroz. A liderança de Cunha à frente do grupo se consolidou ainda mais após as eleições de 2014, quando o peemedebista teria articulado doações de empresas a campanhas de um grande número de candidatos a deputado federal.
Como resultado, em 2015 ele foi eleito para presidir a Câmara em primeiro turno, algo incomum, com apoio de 267 dos 513 deputados.
O feito não deve ser repetido por Rosso. Ele enfrentará nesta quarta outros 16 candidatos e a tendência é que haja segundo turno entre os dois mais votados. O mais provável que seu adversário final seja Rodrigo Maia (DEM-RJ) ou Marcelo Castro (PMDB-PI).
Na visão de Queiroz, o candidato do DEM é o que tem mais chances de bater o favoritismo de Rosso. O fato de Maia ser visto como mais independente de Cunha poderia unir os votos dos partidos de esquerda e da antiga oposição (PSDB, DEM, PPS) contra o Centrão.
Já Castro não teria amplo apoio porque, embora seja do partido do presidente interino Michel Temer, era ministro de Dilma e foi contra o impeachment. "Num segundo turno contra Rosso, Castro não se elege porque aí o Centrão e a base (partidos como PMDB, PSDB, DEM e PPS) vão votar num candidato que não seja hostil ao presidente Temer", analisa Queiroz.
Futuro do Centrão
Se a eleição de Rosso se confirmar, o Centrão deve sair fortalecido. Ainda assim, porém, a continuidade do bloco é incerta.
Para Álvaro Moisés, a vitória de um nome do Centrão indicaria a continuidade de um estilo de comando parecido com o de Cunha, que buscava marcar a independência do Congresso em relação ao Planalto.
"No sentido de procurar ter uma pauta (de votação) própria que não necessariamente é a pauta do governo", nota o professor.
Já Queiroz avalia que a tendência é que o grupo se disperse sem a liderança forte de Cunha. O peemedebista está afastado do seu mandato de deputado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e tende a ser cassado em agosto pelos seus pares, já que a votação será aberta.
Mesmo que Rosso vença a eleição, o analista do Diap não o vê como capaz de manter o Centrão coeso.
Na sua opinião, é mais provável que o Poder Executivo retome o "eixo" da política, principalmente se Temer for confirmado presidente com a condenação de Dilma pelo Senado.
Com isso, a partir de 2017, quando haverá nova eleição para a presidência da Câmara, a tendência seria que o comando passasse para o grupo PSDB-DEM-PPS, observa Queiroz.
"A liderança do Centrão tem que ser respeitada e temida. Eduardo Cunha faz esses dois papéis. Rosso, no limite, seria respeitado. Temido, jamais. Ele não tem o nível de ousadia para quando tiver que enfrentar o governo em favor desse bloco, como Eduardo Cunha enfrentava. É muito difícil achar alguém com essa ousadia."

ESTANCAR A SANGRIA E TENTAR UMA RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA

Retração chega ao último nível

Editorial Jornal Hoje em Dia 



Os efeitos de uma crise desse nível pela qual passa o Brasil nunca são imediatos. Sempre vão atingindo setores diferentes, de acordo com a sua intensidade e alcance. Quanto mais grave, mais demorada e ampla é a recessão. Consequentemente, maiores são os desafios impostos aos governos para, primeiro, “estancar a sangria”, e, em um segundo momento, tentar uma recuperação paulatina da economia.
Nos últimos anos, o comércio varejista foi um dos maiores símbolos de um tempo bastante vantajoso da economia do país. O ganho de renda da população, a partir de meados dos anos 2000, fez com que o brasileiro procurasse produtos a que antes não tinha acesso, e os empresários souberam tirar proveito disso, o que causou uma explosão de vendas em diversos setores.
Pequenos supermercados se tornaram grandes. Mesmo as redes que se limitavam a três, quatro lojas por cidade, passaram a ter dezenas ou centenas de pontos de venda nas grandes capitais.
Mesmo com a diminuição do ritmo da economia, já no fim do governo Lula e início do primeiro mandato de Dilma Rousseff, o varejo foi um setor que ficou até certo ponto protegido dos solavancos econômicos. Também é completamente compreensível que o brasileiro tivesse certa resistência em abrir mão daquilo que levou tanto tempo para poder ter condições de comprar e levar pra casa.

‘A população não só deixou o supérfluo de lado, mas passa agora a comprar apenas o essencial’

Esse momento demorou, mas, de acordo com a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem, chegou. A queda recorde de 9% em um balanço mensal da Pesquisa Mensal de Comércio, iniciada em 2000 - portanto justamente antes da aceleração mais recente da economia - é a constatação de que o consumidor resolveu brecar o consumo de vez neste momento. E a previsão de um crescimento de 0,5% em 2016 revela que, até o fim deste ano, ele puxará o freio de mão. A conclusão clara é que a população não só deixou o supérfluo de lado, mas passa agora a comprar apenas o essencial, que não está barato.
As consequências disso são inevitáveis e previsíveis. A alta do desemprego deve manter um ritmo constante, gerando uma redução ainda maior no poder de compra da população e uma queda maior nas vendas, em um círculo vicioso.
O pior é que hoje não temos nem uma solução completamente confiável em curso implantada pela equipe econômica do governo. Soma-se a isso um ambiente político conturbado, que deve ter hoje, na eleição para a Presidência da Câmara, mais um capítulo que certamente renderá emoções.
Os próximos meses devem ser de mais privações e dissabores para os brasileiros.


POUCO DINHEIRO NO BOLSO - POUCO CONSUMO



Brasileiro está mais cauteloso e freia o consumo até mesmo nos supermercados

Bruno Moreno



Queda de vendas em supermercados de Minas foi menos acentuada que no país

Mesmo com expectativas otimistas do mercado para a retomada do crescimento econômico, a verdade é que o brasileiro está deixando de consumir. E o consumo é o termômetro da economia. Se no passado recente os supérfluos começaram a ser cortados, agora, o carrinho de supermercado ficou ainda mais vazio.
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o setor de supermercados foi o que mais contribuiu para a queda de 9% nas vendas no varejo no país, quando comparados os meses de maio de 2015 e maio de 2016. O setor apresentava crescimento tímido até maio.
Este foi o pior resultado para o mês desde janeiro de 2000, quando foi iniciada a Pesquisa Mensal de Comércio.
“Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com taxa de -5,6% no volume de vendas em maio de 2016 sobre igual mês do ano anterior, foi a principal contribuição negativa na formação da taxa global do comércio varejista”, aponta o relatório do instituto.
Comparado ao último mês de abril, a redução nas vendas no comércio no Brasil foi de 1%. Além disso, nos primeiros cinco meses de 2016 o acumulado de queda alcançou 7,3%.
Já em Minas Gerais, a variação no mesmo intervalo também foi negativa, mas com um índice menor (-1,8%). Já o comércio varejista em Minas Gerais, de acordo com a pesquisa do IBGE, teve queda de 3,1%.
Supermercados
De acordo com o superintendente da Associação Mineira de Supermercados (AMIS), Antônio Claret, no acumulado do ano até maio, o crescimento do setor é de 3,28%. No entanto, já há indicativos de queda nas vendas, e a previsão é de que em dezembro o balanço seja de um crescimento de 0,5%.
“A gente sentiu no mês de maio uma redução de mais de 2% em relação a abril, e vem caindo desde março. A tendência é continuar caindo. O consumidor está comprando o mais básico, e o básico está com variação de preços indesejável. E isso é muito ruim para todos nós”, argumenta Claret.]

Juros, inflação e desemprego dificultam recuperação

 diminuição do consumo do brasileiro no comércio é consequência direta da alta do desemprego, que alcança 11,2% no país; da inflação acumulada em 9,32% nos últimos 12 meses e da falta de crédito com as altas taxas de juros praticadas no país. A taxa Selic está em 14,25% e os juros do cartão de crédito alcançam o recorde de 447,4% ao ano.

“O que a gente sente é que a crise ainda está rondando o setor de alimentos e o de supermercados. O setor de supermercados tende a ser o último a ser atingido, mas o pé no freio já está acontecendo. O consumidor está tendo que trocar o hábito de consumo, e isso até ajuda a controlar o mercado”, afirma o superintendente da Associação Mineira de Supermercados (AMIS), Antônio Claret.

Esses índices contribuem para que a crise econômica ainda não dê indícios de que irá terminar em breve. Na opinião de especialistas, o chamado fundo do poço só deve chegar em setembro, após o encerramento do processo de impeachment. “Infelizmente ainda tem essa instabilidade política, que inibe novos investimentos no mercado. A queda já soma 14 meses, mas deve completar, pelo menos, 18 meses”, avalia o vice-presidente da CDL, Marco Antonio Gaspar.

Comércio em BH

O comércio em Belo Horizonte tem diminuído a sua intensidade da queda, mas ainda apresenta índices negativos. Pesquisa divulgada ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BH) mostra que a queda em maio foi menor do que a de abril (veja infográfico)[/TEXTO].
No entanto, Marco Antonio Gaspar avalia que ainda não é possível comemorar.
“O grande problema é que os números não estão se mostrando positivos para o próximo semestre em matéria de desemprego e inflação, por exemplo. Isso não dá novos ares para a nossa economia. Mas, em contrapartida, o segundo semestre tem faturamento melhor porque tem o 13º salário e o Natal”, avalia o vice-presidente da CDL. 




ELEIÇÃO DO PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS DO BRASIL AINDA HOJE



Câmara elege hoje nove presidente em disputa acirrada; veja quem está no páreo

Da Redação Jornal Hoje em Dia 




RECEIO – A escolha de Marcelo Castro foi recebida com irritação por Temer, que vê com desconfiança sua proximidade com o PT

A eleição para a presidência da Câmara dos Deputados hoje promete bater recorde de candidaturas. Até o final da tarde de ontem, 11 deputados já haviam formalizado o registro para disputar o mandato tampão até fevereiro de 2017, quando o presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha, deixaria o cargo. Os interessados em disputar a vaga têm até o meio-dia de hoje para fazer se inscreverem.
A eleição está marcada para começar as 16 horas de hoje e deve entrar pela madrugada de quinta-feira. Até uma hora antes do pleito, os candidatos inscritos podem desistir de concorrer à vaga. A Câmara usará urna eletrônica na eleição de seu novo presidente. Conforme estabelece o regimento da Casa, o voto será secreto.
Um sorteio definirá a ordem dos candidatos na votação, e essa sequência também valerá para a ordem dos discursos no plenário. Cada candidato terá 10 minutos para pedir o voto dos colegas.Para ser eleito, o deputado precisará da maioria absoluta: 257 votos. Caso ninguém consiga atingir esse número, haverá segundo turno. Em caso de empate, tanto no primeiro quanto em um eventual segundo turno, a disputa será decidida obedecendo aos seguintes critérios: maior número de mandatos e parlamentar mais idoso.

Os candidatos com maior chance são Rodrigo Maia (DEM-RJ) - não havia registrado a candidatura até o início da noite de ontem, Rogério Rosso (PSD-DF) e o ex-ministro da Saúde Marcelo Castro (PMDB-PI).
O presidente interino, Michel Temer, afirmou que a decisão da bancada peemedebista de lançar candidatura própria para a sucessão da Câmara dos Deputados demonstra que o governo federal não tem interferido na disputa parlamentar.
Em uma derrota do Palácio do Planalto, a bancada do partido do presidente interino decidiu apoiar o nome de Marcelo Castro (PMDB-PI), ex-ministro de Dilma Rousseff, para o comando da Casa Legislativa.
O governo interino trabalhava para que a sigla não lançasse candidatura própria, evitando pulverizar ainda mais a disputa parlamentar na base aliada, mas não teve êxito.
A escolha do nome foi recebida com irritação pelo presidente interino, que vê com desconfiança a proximidade de Marcelo Castro com o PT, partido de oposição ao governo federal.
O receio de assessores e auxiliares presidenciais é de que a candidatura tenha surgido de um jogo combinado do peemedebista com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), disse ontem acreditar que o bom senso vai prevalecer na eleição para a Presidência da Câmara, segundo informou a Agência Câmara.
“O ideal nem sempre nós temos”, afirmou, ao ser questionado por repórteres se não seria ideal, para o governo do presidente interino da República, Michel Temer, que houvesse um número menor de postulantes ao comando da Câmara. “O bom senso vai prevalecer. A Casa precisa se reencontrar e contribuir cada vez mais para o país. É um bom momento para avaliação, para compreender que o Brasil é maior do que a crise”, declarou.
Sobre o grande número de candidatos, Maranhão também comentou: “A democracia permite que todos se manifestem, que todos desejem (disputar o cargo). Esta Casa é plural”.

Confira os candidatos:





AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...