terça-feira, 28 de junho de 2016

OS JUROS ESTÃO PARALIZANDO A ECONOMIA



Juros batem recorde e desestimulam consumo e investimentos no setor produtivo brasileiro

Tatiana Lagôa 






REFLEXOS – Maria Auxiliadora: “Sou lojista há 25 anos e posso dizer que nunca passamos por uma crise tão forte”

Os juros cobrados pelos bancos na tomada de crédito bateram recorde em maio. A taxa média cobrada ficou em 32,7% ao ano, o maior percentual da série histórica, iniciada em março de 2011. Só o incidente sobre o rotativo do cartão de crédito - a modalidade mais cara no país - chegou aos 471,3% em 12 meses, segundo boletim divulgado ontem pelo Banco Central (BC).
Nas operações de crédito pessoal para pessoas físicas, excluindo o consignado, os juros médios somaram 129,9% ao ano em maio. Já os consumidores que tomaram recursos emprestados na modalidade consignada (com desconto na folha de pagamentos), pagaram 29,6% ao ano.
“O brasileiro vive uma situação complicada. Ao mesmo tempo em que a renda foi achatada pela inflação e pelo desemprego, a tomada de crédito também ficou mais cara. E esse é o momento em que as pessoas mais precisam de empréstimos para bancar suas necessidades básicas”, afirma o economista da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Andrew Storfer.
De fato, a tomada de crédito por parte das pessoas físicas teve uma pequena elevação. Os bancos emprestaram para elas R$ 800 bilhões em maio, valor que superou em 0,5% o tomado no mês anterior. Mas esse aumento não significa um aquecimento para o comércio. Apenas indica que as pessoas estão com mais dificuldades para arcar com as despesas básicas.
Segundo o economista da Fecomércio Minas, Guilherme Almeida, a alta dos juros impacta negativamente sobre o consumo, principalmente de bens duráveis, que são mais caros. “O consumidor passa a ficar com temor de se endividar, principalmente em um contexto de crise”, diz.
A presidente da Associação dos Lojistas da Savassi, Maria Auxiliadora de Souza, já sente na prática esses reflexos. “Sou lojista há 25 anos e posso dizer que nunca passamos por uma crise tão forte. E, com certeza, que essa restrição do crédito tem parcela de responsabilidade sobre isso, porque tira dinheiro da praça”, afirma.
Mas não só o comércio sofre com essa realidade. O custo médio dos créditos às empresas, de todos os setores, ficou em 21,9% ao ano em maio, valor 3,1 pontos percentuais maior do que no mesmo período de 2015. Na prática, a alta tem sido mais um fator de desestímulo ao investimento no setor produtivo. “Com o custo do dinheiro mais alto, as empresas investem menos. Para o Brasil, significa um atraso na retomada do crescimento”, afirma Storfer.

CÂNCER DA ECONOMIA - COMBINAÇÃO DAS TAXAS DE JUROS ENTRE BANCOS OFICIAIS E PARTICULARES



Cadeia para os banqueiros

José Antônio Bicalho 



Posso parecer repetitivo, mas na verdade procuro ser persistente em alguns assuntos. Por exemplo, quando abordo o cartel dos bancos e a combinação das taxas de juros. Esse câncer da economia brasileira só será extirpado se for sistematicamente combatido. Faço, então, a minha parte.

Ontem, o Banco Central divulgou o balanço de maio das operações de crédito e o levantamento dos juros cobrados no sistema financeiro nacional (leia matéria da repórter Tatiana Lagôa na página 5). O levantamento mostra que o volume de crédito continua aumentando, as taxas de juros ultrapassaram todos os limites do racional e o spread bancário (a diferença entre o custo de captação e de empréstimo do dinheiro) explodiu.

É incrível como os bancos estão sempre bem. Na bonança, lucram com o financiamento do consumo e dos investimentos. Na crise, compensam a queda na demanda por crédito com taxas de lucro escorchantes, impostas com a desculpa de proteção contra o risco da inadimplência. Uma mentira risível.

Vamos, então, aos números para não parecer perseguição injusta. Primeiro, o volume total de crédito, que cresceu. O movimento parece incoerente com a crise, mas explicarei por que não é.

O volume de crédito atingiu R$ 3,145 trilhões em maio, aumento de 0,1% na comparação com o mês anterior e de 2% na comparação com maio do ano passado. Isso é reflexo do desemprego. Quando um membro da família perde o emprego, toma-se crédito numa tentativa desesperada de manter os compromissos em dia (aluguel, escola, água, luz etc). As famílias estão entrando no cheque especial, no rotativo do cartão de crédito e nos empréstimos bancários para bancar os gastos do dia a dia. Uma loucura suicida, mas muitas vezes a única saída.

O resultado é que o total do crédito para pessoas físicas cresceu 0,4% no mês (maio/abril) e 4,8% em 12 meses (maio/maio), para R$ 1,526 trilhão. Foi o único segmento positivo no crédito. Por conta da crise, os empréstimos para empresas caíram 0,1% e 0,5% nas mesmas comparações, para R$ 1,619 trilhão.

E os juros? Na média do sistema bancário, atingiram 32,7% ao ano para empresas e 71,7% ao ano para pessoas físicas, os níveis mais altos da série histórica que começou em 2011.

Mas vamos ao absurdo do absurdo, ao inimaginável, ao roubo descarado: no rotativo do cartão de crédito, a taxa de juros subiu 18,9 pontos percentuais na passagem de abril para maio, para 471,3% ao ano. O rotativo é aquele limite pré-aprovado do cartão de crédito que permite saques no caixa eletrônico. Apesar da taxa, o total dos empréstimos no rotativo do cartão de crédito atingiu, em maio, R$ 26,521 bilhões.

Já no cheque especial, a taxa de juro em maio foi a 311,3%, também recorde, e um aumento de incríveis 79,3 pontos percentuais contra maio do ano passado.

Diante dessas taxas, você conhece algum negócio melhor que emprestar dinheiro no Brasil? Não vale responder venda de cocaína. E qual o motivo desse absurdo? Os bancos dizem que é o aumento da Selic, hoje em 14,25% (contra 471,3% do crédito rotativo), e o aumento da inadimplência (que no cheque especial passou de 14,5% em abril para 14,9% em maio, ou seja, quase nada).

Mentira deslavada. O motivo das absurdas taxas de juros praticadas no Brasil está nos cinco bancos que dominam o mercado, se reúnem e combinam o aumento das taxas. São eles o Itaú/Unibanco, o Bradesco, o Banco do Brasil, o Santander e a Caixa Econômica Federal. E alguns degraus abaixo, o BTG Pactual, o HSBC e o Safra. Como cartel é crime, cadeia seria o mínimo para essa turma.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

ALIADOS DE DILMA - MESMAS PERGUNTAS E MESMAS RESPOSTAS



Aliados de Dilma acusam Senado de 'desinteresse' no processo de impeachment
Estadão Conteúdo




Com parlamentares dando sinais de desinteresse após 11 reuniões para ouvir testemunhas, o Senado deve encerrar na quarta-feira (29) a fase probatória do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Aliados da petista reclamam que os senadores da base do presidente em exercício Michel Temer têm agido com descaso no processo, o que teria se intensificado durante os depoimentos.

Em uma das sessões, o senador Álvaro Dias (PV-PR), favorável ao impeachment, afirmou que o processo é "protelatório". Ele chegou a dizer que os votos já estavam definidos e que a comissão é uma "formalidade". Também houve grande número de ausências - por duas vezes, o quórum da comissão caiu quase a ponto de a reunião ser suspensa. Para haver sessão, são necessários pelo menos cinco senadores.

Coordenada pela senadora Simone Tebet (PMDB-MS), a base aliada de Temer abriu mão de fazer perguntas às testemunhas e chegou a aprovar a dispensa de testemunhas de acusação. "Esse é o único processo que eu conheço em que a acusação abre mão de produzir provas. Mas eles não podem interrogar as testemunhas, porque estariam produzindo provas contra eles mesmos", disse a senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), membro da tropa de choque de Dilma na comissão.

Senadores da base questionam a quantidade de depoentes trazidos pela defesa - ao todo, 40. Os aliados do presidente em exercício argumentam que muitas testemunhas eram desnecessárias e foram trazidas apenas com o intuito de dar mais semanas a Dilma. "A fase de depoimentos foi cansativa e improdutiva em grande parte. Isso porque muitas testemunhas foram escolhidas pela defesa sem nenhum conhecimento, com caráter procrastinador", afirmou o líder do Democratas, Ronaldo Caiado (GO).

Desinteresse
Para Vanessa, porém, há desinteresse. "Eles (a oposição) não têm nenhum pudor de dizer que já está definido, que é uma formalidade. Não fazem perguntas porque não se interessam pelas respostas. Estão usando o processo de impeachment para validar uma decisão que já foi tomada lá atrás."

Ao longo das três semanas de depoimentos, a tropa de choque de Dilma também demonstrou desgaste e chegou a negociar, por duas vezes, um acordo de procedimento para liberar as testemunhas mais rapidamente. Nos bastidores, os petistas assumem a dificuldade de reverter votos na comissão e acreditam que o placar pode estar definido: 15 a 5 a favor do afastamento, como na primeira fase.

FRAUDES E MAIS FRAUDES SÃO DESCOBERTAS



TCU investiga nova fraude na Petrobras, desta vez envolvendo medicamentos

Estadão Conteúdo 



O Tribunal de Contas da União (TCU) investiga a compra irregular de medicamentos por funcionários da Petrobras que lesou a empresa em R$ 6 milhões por mês. A denúncia foi divulgada neste domingo pelo Fantástico, da TV Globo. O programa de compra de remédios, benefício concedido a 300 mil pessoas, representava um gasto de R$ 20 milhões (30% deles sob suspeita de fraude).

A compra só podia ser feita pelo beneficiário, em farmácias credenciadas, com receita em seu nome e cartão do plano de saúde da empresa. Foram identificadas mais de 13 mil receitas irregulares em seis meses. Em razão dos desvios, o programa foi suspenso em setembro.

Ao Fantástico, a estatal petrolífera informou que os funcionários que cometeram irregularidades podem perder seus cargos e ter de ressarcir a empresa dos valores gastos indevidamente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

OU DÁ OU DESCE



Senadores mostram a Temer 'fatura' do impeachment

Estadão Conteúdo 




Um dos "resultados" da articulação de Temer é Gustavo Perrella, que foi indicado por seu pai, Zezé Perrella, para assumir a Secretaria Nacional do Futebol e a Defesa dos Direitos do Torcedor

Do apoio do Planalto em disputas locais a indicações para cargos em estatais e até para o comando do BNDES - o maior financiador de empresas do País -, o presidente em exercício Michel Temer está sendo pressionado por senadores em troca de apoio no julgamento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. A votação final está prevista para acontecer até o fim de agosto.

Por causa do assédio, Temer tem recebido parlamentares no Palácio do Jaburu para almoços, jantares e reuniões, marcados muitas vezes fora da agenda oficial. Nos encontros, escuta mais do que fala. "O Temer está comprando a bancada. É uma compra explícita de apoio", disse o senador Roberto Requião (PMDB-PR), peemedebista contrário à saída de Dilma.

Para interlocutores do governo no Senado, o "movimento" nada mais é do que uma lista de demandas. O caso mais pitoresco, segundo relatos de três senadores próximos a Temer, é o de Hélio José (PMDB-DF). Ele pediu 34 cargos, entre os quais a presidência de Itaipu, Correios, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e até o comando do BNDES.

O senador foi convencido por colegas da inviabilidade dos pedidos e do risco político que correria em sua base se apoiasse Dilma. Não levou nada e ainda decidiu votar pelo afastamento.

O senador Romário (PSB-RJ), que votou pela admissibilidade do impeachment, ficou indeciso sobre o afastamento definitivo poucos dias depois. A dúvida foi comunicada ao Planalto acompanhada de uma fatura. Ele pediu o comando da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e uma diretoria em Furnas. A primeira vaga já havia sido prometida para a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP). Cadeirante e militante histórica, ela queria emplacar um nome da área. Romário ganhou apenas o cargo, que ficou com a ex-deputada Rosinha da Adefal.

Ex-presidente do Cruzeiro, o senador Zezé Perrella (PTB-MG) conseguiu pôr seu filho, Gustavo Perrella, na Secretaria Nacional do Futebol e de Defesa dos Direitos do Torcedor.

Em outra frente de pressão, Temer é cobrado a se posicionar politicamente em disputas locais. O caso mais emblemático é o do Amazonas, onde o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), aliado do senador Omar Aziz (PSD), é adversário do senador Eduardo Braga (PMDB). Todos são aliados de Temer e estarão em lados opostos na eleição municipal.

O senador peemedebista reivindica o apoio do presidente em exercício para seu candidato, Marcos Rota. Já Aziz quer que Temer ajude Virgílio. No Placar do Impeachment do Estado, Braga consta como indeciso e Aziz não quis responder.

Temer enfrenta o mesmo dilema no Paraná, onde dois aliados, o governador Beto Richa (PSDB) e o senador Álvaro Dias (PV), são adversários políticos e disputam influência em Itaipu.

Contas

Pela estimativa do Planalto, a cassação de Dilma está nas mãos de 15 senadores. Hoje, 38 se posicionam a favor do impedimento - são necessários 54. O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, se recusa a revelar a "estratégia" para evitar a volta da petista. "Não vou revelar nomes, mas temos um controle diário dentro do Senado. Temos informação do movimento de todos, até mesmo daqueles que se dizem indecisos", disse, em um almoço com empresários na semana passada.

O titular da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, confirmou que tem dialogado com senadores que buscam espaço no governo. "As conversas estão sendo republicanas e não está havendo essa pressão que se imagina, não", afirmou.

As articulações são criticadas pela oposição. "Quando há um processo de julgamento de uma presidente, há uma alteração da condição do senador, que vira juiz. No período do julgamento, ele não pode negociar posição com cargo", disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

Senadores que estiveram com Temer disseram que não trataram do afastamento. "Ele não tocou no assunto. Eu disse que ele precisava de uma agenda para os excluídos e perguntei quem iria pagar pelo ajuste", disse Cristovam Buarque (PPS-DF), indeciso sobre o voto final e que também visitou Dilma. Na admissibilidade, ele votou contra a presidente.

Hélio José relativizou suas demandas. Ele disse que sugeriu nomes "apenas quando foi consultado" e considerou um "folclore" a lista de cargos que teria apresentado. A assessoria de Romário afirmou, por meio de nota, que não houve negociação por seu voto no impeachment e negou a demanda por uma diretoria em Furnas. Procurados, Perrella, Braga e Aziz não foram localizados. Álvaro Dias disse que "quer distância" de cargos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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