Assim que o ex-presidente Lula recebeu
a ordem de comparecimento à Justiça Federal, no aeroporto de Congonhas, em São
Paulo, externou sua repulsa pela constrição de que foi alvo.
Nada mais natural e compreensivo, em
se tratando de um antigo mandatário que, até hoje, conserva a sua arrogância,
como se ainda estivesse no exercício da elevada função a que foi guindado pelo
povo brasileiro.
Em tese, ninguém se conforma em ser
alvo de uma ordem coercitiva, seja qual for o motivo que a determinou.
A partir de então, o líder petista
passou a desferir ininterruptas acusações aos Poderes da República, inclusive
ao Supremo Tribunal Federal, que, no seu entendimento, tem-se acovardado no
cumprimento de sua missão.
Paradoxalmente, é sob a tutela deste
mesmo Tribunal que Lula pretende ficar, temeroso de uma condenação iminente
partida do juiz Sérgio Moro.
O linguajar empregado por Lula nos
últimos dias extravasa os limites da razoabilidade, revelando a sua formação
incompatível com o mandato popular em que foi investido.
Não se concebe que um cidadão, embora
acusado de trapacear no exercício da atividade pública, possa se valer de
adjetivos pornográficos ao se referir às autoridades do país ou a qualquer
outra pessoa que não se iguale à sua maneira de ser.
Os termos de que se vale o novo
ministro da Casa Civil, além de obscenos, prestam-se a transmitir a devassidão
que marca o seu comportamento, como se os seus adversários estivessem
acostumados a conviver com a licenciosidade de que se tornou partícipe.
Daí tornar-se um imperativo resistir a
esses destemperos que não encontram qualquer justificativa, mesmo que Lula
detivesse qualquer razão nas diatribes cometidas, como se o país pudesse
suportar tamanhas e seguidas manifestações de despreparo político – e moral.
Ao longo de nossa República, por maior
que fosse a coragem dos presidentes anteriores, não se tem notícia de que algum
deles precisasse recorrer a esse linguajar de baixo calão, para impor as suas
diretrizes ou resistir aos ataques de seus contendores.
O mais revoltante é o tratamento que
recebe da presidente Dilma Rousseff, fruto de sua artimanha política, que não
se envergonha de louvar o seu criador, inobstante a maneira reles com que se
refere àqueles que se opõem à sua tagarelice, estigmatizada pelo destampatório
e desrespeito à opinião pública.
Esse comportamento vil presta-se, no
entanto, a demonstrar até onde o comandante petista poderá chegar a partir de
agora, no cumprimento de altas funções, atuando como mentor daquela que o
aplaude permanentemente, ainda que temendo a perda do poder que exerce.
Não há como aceitar que um chocalheiro
desse jaez possa desempenhar a missão que lhe foi delegada, cuja finalidade não
é outra senão a de escapar aos rigores da lei, embora surja no palco do
Planalto como a única esperança na salvação da Pátria.
Pobre Brasil, pobre povo brasileiro,
por maior que seja a nossa condescendência e capacidade em admitir um redentor
dessa estirpe.
(*) Advogado e Conselheiro Nato da
OAB; Diretor do IAB e do iamg



