Ruy Freitas*
Quem viveu os célebres anos de 80 e 90 curtiu a explosão do rock brasileiro, comemorou o nascimento do primeiro bebê de proveta no Brasil e assistiu à popularização da internet. Entre os memoráveis fatos ocorridos nestas duas décadas não podemos deixar de ressaltar o Plano Real. Criado em 1994, ele colocou fim à hiperinflação, que atormentou o brasileiro por cerca de 15 anos com índices que beiravam 85% ao mês. Empresas falidas, desemprego e redução do poder de compra, entre outras consequências, foram amenizadas, trazendo paz ao nosso sono.
Retornando aos dias de hoje, podemos dizer que 2015 nos trouxe a lembrança, no que tange à inflação, do que foi esse período. Encerramos o mês de dezembro com um índice que supera os 10% no acumulado do ano, o que não acontecia desde 2002.
O número é pequeno se comparado aos recordes da hiperinflação, mas é suficientemente grande para contribuir com que nossa moeda despenque frente ao dólar e os preços dos produtos aumentem a ponto de desvalorizar novamente nosso poder de compra.
E os novos empresários brasileiros, será que eles estão preparados para lidar com esse fantasma que já não assombrava há mais de 20 anos?
A inflação com dois dígitos está de volta e a expectativa é que ela continue alta. Aos empresários brasileiros sugiro mudarem a atitude na forma de gerir. Nós, empresários, “surfamos na onda” da estabilidade da moeda desde o Plano Real e no crescimento dos últimos anos.
Teremos pela frente 2016 e 2017, tempos de “vacas magras”, conforme especialistas em economia. Os aumentos de custos estão vindo com força, por todos os lados, e estes refletem diretamente no preço final do produto. Com esses aumentos as empresas podem perder mercado.
Reduzir a margem de lucro seria uma saída, mas, que margem? Muitos hoje operam no limite.
O cenário pede foco em três principais pontos. O primeiro é inovar, de verdade, no posicionamento dos 4Ps do marketing. Por exemplo, criar novos Produtos, adequar o Preço à realidade mercadológica, conquistar novas Praças e realizar uma Promoção de forma diferente.
Segundo, optar por aqueles colaboradores que têm visão empreendedora, por causa do dinamismo e da rapidez que o momento exige. Terceiro, olhar “pra dentro do seu negócio”, para os custos, e cortá-los, sem dó e rápido, muito rápido, pois faltará caixa futuramente com a desvalorização da moeda.
Vale lembrar, que é muito importante nesse período de crise evitar deixar o dinheiro parado, sem aplicações, e qualquer real que sobrar, guarde, pois o “colchão” valerá muito “amanhã”, dará sustentabilidade na falta de clientes e mercados por causa da recessão, que, infelizmente, volto a repetir, tende a piorar.
O aumento da inflação não é culpa nossa, reconhecemos que os significativos aumentos de preço de produtos, como os derivados de petróleo e energia elétrica, desencadearam todo o processo, além do momento político brasileiro.
Mas, a habilidade de lidar com todas as conse-quências desses fatos é nosso grande desafio. Por esse motivo, empresário, mude sua atitude na forma de gerir. Agora, a “onda que temos para surfar é outra, é mais alta e pode nos derrubar”. A sua atitude é que fará a diferença, nada mais!
* Sócio e consultor na RF Consultores



