segunda-feira, 30 de setembro de 2024

CIDADES PEQUENAS INVIÁVEIS POR FALTA DE RENDA

 

História de Mariana Alvim – Enviada da BBC News Brasil a Borá (SP)

Antes distrito de Paraguaçu Paulista, Borá tornou-se município em 1965

Antes distrito de Paraguaçu Paulista, Borá tornou-se município em 1965© BBC

“Você já se perdeu por aqui?”, brinca Augusto Manuel Merci, 66 anos, sobre o tamanho da cidade de Borá (SP), onde ele mora e tem um bar.

O lugar é o segundo município com menor população do Brasil, com 907 habitantes, atrás de Serra da Saudade (MG), que tem 833 moradores segundo o Censo Demográfico 2022.

A cidade paulista reproduz um padrão comum aos municípios brasileiros pequenos: uma baixa geração de receitas próprias e forte dependência do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) — uma verba para as cidades prevista na Constituição e repassada da União às prefeituras.

Em média, o FPM foi responsável por 18,5% das receitas correntes dos municípios brasileiros em 2022, de acordo com o estudo “Multicidades 2024”, encomendado pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP).

Entretanto, em cidades com até 10.188 habitantes, o percentual do FPM na receita chega em média a 45,1%.

Em Borá, no ano de 2023, 66% das receitas vieram do FPM.

Em outro extremo, São Paulo, a capital do Estado onde fica Borá, tem o menor percentual no Brasil de participação do FPM na receita, 0,6%.

O FPM é apenas um dos repasses recebidos pelos municípios. Os Estados, por exemplo, também são obrigados a transferir às prefeituras parte do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) (leia mais abaixo).

Por ter uma atividade econômica mais pujante, cidades maiores tendem a recolher maiores volumes de tributos municipais e taxas: os impostos sobre Serviços (ISS); sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), além de contribuições de melhorias, como a Contribuição de Iluminação Pública (Cosip).

Entretanto, há exceções no país, tanto de municípios relativamente pequenos que podem ter maior autonomia financeira, quanto os grandes, que podem ter baixa autonomia.

Segundo um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) com dados de 2022, mais da metade dos municípios brasileiros tem uma situação “crítica” no quesito autonomia para sustentar sua estrutura básica com a própria atividade econômica.

De 0 a 1, sendo 1 a melhor nota, a média dos municípios brasileiros foi de 0,4088 no indicador de “Autonomia” do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF).

O indicador calcula se as receitas correntes fruto da atividade econômica municipal suprem os custos de manutenção da Prefeitura e da Câmara de Vereadores.

De 5.240 cidades analisadas, 55,5% estão na pior classificação, em situação “crítica”; 9,7% em situação “difícil”; 9,1% em situação “boa”; e 25,8% em situação “excelente”.

Um terço dos municípios teve nota zero — ou seja, não tiveram receitas produzidas por sua atividade econômica suficientes nem para sustentar a Prefeitura e a Câmara de Vereadores.

As regiões Nordeste (62,4%) e Norte (42,4%) têm a maior proporção de nota zero, seguidas de Sudeste (15%), Centro-Oeste (11,4%) e Sul (5,9%).

Um dos municípios brasileiros com nota zero é Borá.

Borá é o segundo município com a menor população do Brasil

Borá é o segundo município com a menor população do Brasil© BBC

Na pacata cidade do oeste paulista onde parece ser difícil se perder, os moradores e até a Prefeitura têm a esperança de aumentar a população — e com isso, agitar sua atividade econômica, hoje resumida principalmente a uma usina de açúcar e álcool, uma fábrica de ração animal e uma empresa de biotecnologia que produz itens como fertilizantes.

Augusto Manuel, dono de bar, diz que demora horas até alguém entrar em seu estabelecimento e comprar uma bala que seja. Ele não tem funcionários e complementa a renda com uma lavoura em seu sítio na cidade vizinha.

O proprietário conta que nasceu na região, viveu em Borá entre 1986 e 1993 e voltou de vez em 2013. Ele diz que não tem o que reclamar da saúde e do sossego na cidade, mas acha que ela deveria receber empreendimentos para movimentá-la, como mais fábricas ou até uma vila industrial.

“Precisa trazer emprego. Hoje, o prefeito precisa dar ônibus para as pessoas trabalharem em Paraguaçu [Paulista, município vizinho, com 41 mil habitantes]. Não tem um escritório de contabilidade, não tem banco… Só tem a lotérica. Eu recebo [valores] na maquininha [de cartão] e preciso ir lá em Paraguaçu buscar o dinheiro”, diz Augusto Manoel.

Augusto Manuel diz que gosta do sossego e do acesso a serviços em Borá, mas pede mais empregos

Augusto Manuel diz que gosta do sossego e do acesso a serviços em Borá, mas pede mais empregos© BBC

Borá tem uma unidade básica de saúde (UBS), uma creche e uma escola municipal. Além disso, conta com um balneário público, quadras e até uma academia municipal, com aulas gratuitas.

A babá Rayane Santana, 23 anos, frequenta a academia. Moradora de Borá desde os 3 anos, quando se mudou de Maceió (AL) com os pais, ela conta que a maioria dos amigos já saiu da pequena cidade em busca de outras oportunidades e reconhece que esse pode ser seu futuro também, embora goste da tranquilidade do pequeno município.

Ela faz faculdade de administração por ensino à distância.

“Em Borá, só usina ou prefeitura”, resume a babá sobre as oportunidades de emprego na cidade.

“Mas saúde é uma maravilha. Tudo é bom. Só para os jovens que não tem nada. Pra sair [à noite], tem que ir para as cidades vizinhas.”

Rayane (à direita) e uma amiga frequentam a academia municipal de Borá

Rayane (à direita) e uma amiga frequentam a academia municipal de Borá© BBC

Nas eleições municipais de 2024, há apenas um candidato à prefeitura — o atual mandatário, Luiz Carlos Rodrigues, que busca a reeleição. A BBC News Brasil tentou contato com ele via e-mail, telefone e visita pessoal, mas não foi atendida.

Na eleição atual, há 213 municípios brasileiros que só têm um candidato à prefeitura.

Em Borá, há 27 candidatos para nove vagas de vereador.

Paulo Paiva, economista e supervisor-geral (algo como um chefe de gabinete administrativo) da Prefeitura de Borá, afirma que a administração municipal tem um convênio quase formalizado para levar o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida para a cidade, o que, segundo ele, poderia trazer cerca de 200 habitantes para o município.

Paiva acrescenta que, até 2025, a Prefeitura também prevê contratar um auditor fiscal, o que permitiria fazer um Código Tributário e, com isso, iniciar a formulação da Planta Genérica de Valores (PGV) — a base para definir valores diferentes de IPTU, por exemplo, de acordo com o tamanho e a localidade do imóvel.

Hoje, segundo Paiva, cobra-se uma taxa básica de IPTU de todos os imóveis.

Outras receitas municipais, como ISS e ITBI, acabam não rendendo tanto para o município por conta da pouca atividade de serviços e transferências de imóveis, ele diz.

Cerca de 92% das receitas correntes de Borá em 2023 (aproximadamente R$ 21 milhões) vieram de transferências da União (72,2% das receitas), incluindo o FPM, e do Estado de São Paulo (19,8% das receitas).

Segundo dados levantados pela Firjan a pedido da BBC, a maior parte da receita própria do município em 2023 veio do imposto retido na fonte dos salários de servidores e pagamentos de fornecedores (cerca de R$ 389,9 mil), a que as cidades têm direito.

Já o ISS arrecadou R$ 223 mil para a cidade e o IPTU, apenas R$ 27,9 mil.

O supervisor-geral Paulo Paiva argumenta que o município gera bastante ICMS, Imposto de Renda, Imposto de Exportação e PIS/Cofins. Entretanto, o primeiro é recolhido pelo Estado e os outros, pela União — só depois uma parte de alguns desses tributos é repassada aos municípios, segundo critérios diversos.

“Se você olhar realmente o que é arrecadado dentro do município, ele é subsistente”, argumenta, afirmando que os índices econômicos podem ter falhas e defendendo que a população de Borá tem boa qualidade de vida e acesso a serviços públicos.

Mais de 1.400 novos municípios desde 1988

Moradores de Borá dizem que calma não falta na cidade — mas faltam pessoas

Moradores de Borá dizem que calma não falta na cidade — mas faltam pessoas© BBC

Borá era um distrito de Paraguaçu Paulista e virou município em 1965.

Paiva reconhece que projetos no Congresso que visam diminuir a quantidade de municípios pequenos no Brasil, por exemplo com a fusão de cidades, geram temor na Prefeitura de Borá.

“Se o município vira distrito, a população padece demais. Se a gente virasse distrito de Paraguaçu Paulista, não sei se manteria aqui dentro um ginecologista, um pediatra, três dentistas, dois fisioterapeutas…”, argumenta.

Já Jonathas Goulart, gerente de estudos econômicos da Firjan, acredita que os dados existentes mostram que o problema exige uma solução.

“Para o município existir, ele precisa, pelo menos, gerar receita para financiar sua estrutura administrativa mais básica. Porque senão, esse dinheiro que poderia ser utilizado em educação, em saúde, em diversas coisas, vai ser utilizado para financiar o salário da Câmara de Vereadores e da Prefeitura”, aponta Goulart.

Nayara Freire, especialista em estudos econômicos da Firjan, afirma que houve nas últimas décadas um “aumento muito grande no número de municípios com baixa autonomia”.

“São municípios que não têm nenhuma estrutura para arrecadar impostos e nenhuma atividade econômica suficiente para gerar, de fato, receitas. Então, esses municípios ficaram muito dependentes de transferências, principalmente da União”, explica a especialista.

Desde a Constituição de 1988, o Brasil viu a criação de 1.452 municípios, de acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM).

Uma emenda constitucional de 1996 congelou o processo de criação de novos municípios — mas outra emenda, de 2008, permitiu que processos de criação que já tivessem sido iniciados fossem concluídos.

A União é obrigada pela Constituição a repassar ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM) cerca de um quarto dos valores arrecadados com o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

O FPM é distribuído para os municípios através de uma combinação de características, principalmente o tamanho da população, a renda per capita dos Estados e a diferenciação entre municípios do interior versus capitais.

Pelo modelo atual, que passará por mudanças na reforma tributária (leia mais abaixo), os Estados são obrigados a repassar aos seus municípios 50% do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e 25% do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS).Segundo dados levantados pela FNP a pedido da BBC News Brasil, em 2023, 94,8% dos municípios analisados (5.434 tinham dados disponíveis) tiveram 50% ou mais das suas receitas correntes transferidas por entes externos, seja Estados ou União.

Cerca de 19% dos municípios tinham dependência de 80% ou mais de transferências externas.

Esses repasses incluem não só os impostos já citados, mas também transferências relativas a royalties, ao Sistema Único de Saúde (SUS), ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), entre outros.

O escopo desse dado é diferente do IFGF da Firjan — que opta por considerar os impostos como ICMS e IPVA como fruto da atividade econômica dos municípios, e não como um indicador de mera dependência.

“Em geral, as cidades [mais dependentes] têm um porte populacional mais baixo, estão afastadas da área urbana, especialmente fora de área metropolitana, e não têm atividade econômica muito desenvolvida”, explica Kleber Castro, consultor econômico da FNP.

“As cidades mais autônomas são exatamente o oposto: têm maior atividade, maior concentração populacional…”, enumera.

As diferenças entre as regiões do Brasil têm a ver com o grau de atividade econômica, acrescenta Castro.

Presidente da CNM, Paulo Ziulkoski rejeita a pecha de dependente atribuída a muitos municípios brasileiros. Ele diz que os repasses de ICMS ou FPM, por exemplo, não são benevolência dos Estados ou da União, e sim uma obrigação constitucional.

Por uma série de razões, são esses os entes a administrar os impostos, posteriormente repassando um percentual aos municípios.

“É nosso recurso, somos sócios do negócio. Apenas a administração está a cargo de alguém mais habilitado ou adequado a maximizar o projeto no qual estamos inseridos”, afirma Ziulkoski.

“Poderíamos inverter, nós administrarmos o ICMS e transferir uma parcela pertencente aos Estados. Nós administrarmos o Imposto de Renda e IPI e repassar as parcelas dos Estados e da União. Eles seriam nossos dependentes?”, indaga.

“A tributação sobre imposto de importação é feita pela União porque tem melhores condições técnicas de gerir as entradas nas fronteiras e no país do que os municípios. A mesma linha serve para o Imposto de Renda”, exemplifica.

O presidente da CNM assegura que os municípios estão melhorando sua estrutura para arrecadar impostos, mas destaca que os tributos municipais, para a maioria das cidades, têm uma capacidade de arrecadação limitada.

“O ISS merece que tenhamos a necessidade local de demanda de serviços; o ITBI, de aquisições imobiliárias. Os dois, na maioria dos municípios, são algo pouco significativo em termos de operações”, afirma Ziulkoski.

“Ainda temos o IPTU, mas a maioria dos municípios têm pequenas áreas urbanas. Mesmo que a administração tributária local atue nos limites máximos da eficiência, o fator número de imóveis é limitado e torna aquela soma arrecadada pequena.”

Como melhorar?

Fato é que, de 1988 a 2022, a participação de receitas próprias dos municípios no total de suas receitas aumentou, segundo o estudo “Multicidades 2024”.

Em 1988, a receita própria compunha em média 20,6% da receita municipal total e passou para 35,4% em 2022.

Já a participação das transferências passou de 79,4% em 1988 para 64,6% em 2022.

Kleber Castro, da FNP, afirma que este avanço é fruto do esforço e investimento dos municípios em gestão e modernização da administração tributária.

“Como resultado disso, de forma direta, os municípios conseguem arrecadar. Eles estão cada vez mais exercendo a sua responsabilidade como agente arrecadador — coisa que eles não faziam, ou faziam muito menos, no passado”, explica o consultor financeiro da entidade.

Castro cita também mudanças na legislação que aperfeiçoaram os tributos municipais, como uma lei de 2003 que na prática ampliou o rol de serviços que as cidades podem tributar com o ISS.

Segundo o estudo “Multicidades 2024”, este imposto indireto é a principal fonte de recursos próprios dos municípios (44,4% das receitas próprias, em média) e teve uma alta real de 238,4% na arrecadação entre 2004 e 2022.

Outro fator que favorece a arrecadação do ISS — e, em consequência, a geração de receitas próprias dos municípios — é a crescente participação, nas últimas três décadas, dos serviços na economia brasileira, já que este é um tributo destinado a esse setor.

Mas Castro diz que ainda há espaço para melhora, já que, até hoje, há municípios que não têm estrutura para arrecadar, por exemplo, o IPTU.

“Apesar do crescimento recente, o IPTU é um imposto que está bastante aquém da sua capacidade de arrecadação”, aponta o especialista.

“E muito aquém da sua capacidade de ser utilizado como instrumento de redução de desigualdades. Você pode chegar em uma cidade e verificar quanto se cobra de IPTU de uma casa que custa no mercado R$ 1 milhão. Quando vai ver, o valor é irrisório, às vezes menor do que ele [proprietário] paga no IPVA do carro. Isso é muito comum”, exemplifica Castro.

Por mais desagradável que isso seja, o especialista responde que sim, o caminho para a melhoria da autonomia financeira dos municípios muitas vezes passa pelo aumento de impostos cobrados da população.

“O Brasil precisa de mais divulgação acerca de cidadania fiscal. As pessoas têm que entender que imposto é uma coisa importante, porque um imposto se reverte em benefícios para a população. É doloroso, eu também sou contribuinte, sei como é. Mas é entender que, quando você paga imposto, aquilo de alguma forma está voltando para você ou para outras pessoas que precisam mais”, defende.

“O segundo aspecto é que se a gente deixar de cobrar o IPTU ou algum imposto, certamente o poder público vai precisar cobrar por outro caminho. O município que deixa de ter autonomia vai precisar de recursos dos Estados ou da União que, por sua vez, vão tributar de outra forma o cidadão. Então, de alguma forma essa conta chega.”

Nayara Freire, da Firjan, reconhece que os resultados dos investimentos das prefeituras em áreas que melhorem a vida da população, como saúde e habitação, não necessariamente se refletem direta e rapidamente na autonomia de um município.

Por exemplo, projetos que estimulem o acesso à educação e à capacitação profissional normalmente podem levar muitos anos para resultar em geração de empregos e atividade econômica mais pujante — e essas mudanças também dependem de outros fatores, como a atração de empresas e o contexto econômico da região e do país.

“O desenvolvimento econômico é um caminho sustentável para gerar o equilíbrio das contas públicas. O problema é que o gestor não quer fazer esse trabalho mais longo”, aponta a especialista.

Reforma tributária traz mudanças também para os municípios

Borá ainda planeja implementar sua Planta Genérica de Valores (PGV)

Borá ainda planeja implementar sua Planta Genérica de Valores (PGV)© BBC

Os entrevistados pela BBC News Brasil avaliam que, no saldo geral, a reforma tributária — aprovada no final de 2023 e em fase de regulamentação — traz possibilidades de melhoras para a autonomia dos municípios.

Um dos pontos positivos apontados é a criação de um comitê gestor do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Esse tributo substituirá o ISS e o ICMS e, portanto, ocupará o lugar de impostos que são hoje municipal e estadual, respectivamente.

Os percentuais que os municípios e Estados receberão do IBS ainda serão definidos, mas há um princípio na reforma de que nenhum ente perca arrecadação em relação ao que recebe hoje — podendo haver compensações para evitar isso.

Após um período de transição, em 2033 o ICMS e o ISS serão extintos.

O comitê gestor do IBS será um órgão compartilhado pelos governos locais que vai gerenciar a arrecadação e a repartição das receitas entre Estados e municípios.

Para Paulo Ziulkoski, da CNM, o comitê gestor permitirá uma participação mais ativa dos municípios — que hoje, por exemplo, ficam distantes da gestão do ICMS por parte dos Estados.

“Uma das partes arrecadadas será o IBS municipal. E no IBS estadual, onde temos uma participação de 25% [correspondente ao atual ICMS], há uma mudança positiva: este valor virá diretamente do comitê gestor para o município, sem passar pelos cofres dos Estados”, comemora Ziulkoski.

Jonathas Goulart, da Firjan, aponta que a nova estrutura criada pela reforma possibilitará também que alguns municípios arrecadem tributos que hoje nem chegam a ser cobrados.

“Tem muito município que não tem nenhuma estrutura tributária para fazer a arrecadação. Como eles não têm nem a estrutura do município para, por exemplo, arrecadar ISS, eles não arrecadam. Agora, quando essa estrutura passa a ser de interesse do Estado, do governo federal e dos municípios, os municípios vão acabar também recebendo esse recurso”, explica o economista, destacando, porém, que ainda há muitos efeitos imprevisíveis da reforma.

“Por ser um período longo de transição, ninguém sabe exatamente o que vai acontecer”, aponta Goulart.

Outra mudança importante da reforma é a cobrança de impostos no destino (local de consumo) em vez da origem (local de produção) — como ocorre atualmente.

Ziulkoski também vê aí vantagens para os municípios.

“Hoje, somos cobrados em muitos setores para fiscalizar, arrecadar, porém, a formatação de incidência tributária é atualmente concentrada na origem. Assim, por vezes a sociedade vê determinadas ações e atividades econômicas ocorrendo na sociedade local e espera que o produto desta arrecadação ocorra ali, mas não ocorre”, aponta.

Kleber Castro, da FNP, destaca também que, com as novas regras, a Planta Genérica de Valores (PGV) pode ser modificada por decreto dos prefeitos, não necessitando mais da aprovação da Câmara dos Vereadores.

“O prefeito pode tomar essa decisão, ainda que tenha que sustentar isso tecnicamente. Isso é muito importante e pode ajudar a alavancar o potencial de arrecadação do IPTU”, destaca Castro.

Não há previsão de mudanças nos critérios de distribuição do FPM por conta da reforma. Entretanto, a partir de 2027, o Imposto Seletivo (IS) deve substituir o IPI na composição do fundo.

De acordo com análise do estudo “Multicidades 2024”, as possibilidades de perdas de receita no FPM quando houver substituição pelo IS são “relativamente baixas”, já que a reforma prevê a compensação por eventuais perdas.

PAINÉIS SOLARES, TIPOS, QUALIDADE E MODELOS

 

História de Bianca Seabra – TecMundo

Diante da escassez de chuvas e das altas temperaturas que afetam as hidrelétricas no país, os brasileiros estão prestando atenção à conta de luz cada vez mais. Em setembro, a bandeira vermelha adotada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aumentou o custo da energia para R$ 7,87 por 100 kWh.

Embora o aumento promova um consumo consciente e equilibre as finanças do setor, também incentiva os consumidores a buscar alternativas mais sustentáveis e econômicas, como a energia solar!

Na geração de energia fotovoltaica, os painéis solares são os componentes-chave. Com uma diversidade de opções disponíveis, cada tipo de painel solar apresenta diferentes níveis de eficiência.

Mas como escolher o painel solar ideal para sua residência ou empreendimento? Continue lendo para descobrir os principais tipos de painéis solares do mercado!Quais são os tipos de painéis solares?

Existem dois tipos principais de painéis solares comercialmente disponíveis: silício e filme fino. Cada um desses tipos possui modelos que diferem em materiais de fabricação e tecnologia de produção, tornando-os mais adequados para diferentes situações e necessidades.

O painel solar de silício pode ser monocristalino ou policristalino. Quanto aos painéis de filme fino, eles abrangem uma variedade de materiais fotovoltaicos depositados sobre um substrato. A seguir, exploraremos cada um desses tipos de painéis solares em detalhes!

1) Painel solar de silício monocristalino

Os painéis solares de silício monocristalino são considerados a opção mais avançada e eficiente disponível no mercado atualmente. Eles são conhecidos por sua capacidade de gerar uma economia de energia expressiva, variando entre 15% a 22%, graças à alta eficiência de conversão da luz solar em eletricidade.

Essa eficiência superior se deve à tecnologia Mono Perc, que envolve a fabricação de células fotovoltaicas a partir de um único cristal de silício, resultando em maior transparência e alinhamento do cristal.Painel solar de silício monocristalino.

Painel solar de silício monocristalino.

Isso faz com que esses painéis sejam capazes de produzir mais energia elétrica utilizando uma área menor, tornando-os ideais para locais com espaço limitado.

Quanto à aparência, os painéis monocristalinos podem variar em cor, apresentando tons de azul escuro ou quase preto quando possuem revestimento antirreflexo, ou cinza e azul acinzentado sem esse revestimento.

Com uma vida útil superior a 30 anos e uma garantia de 25 anos, os painéis monocristalinos representam um investimento duradouro em energia solar. Além disso, eles têm um desempenho excelente mesmo em condições de pouca luz, o que os diferencia dos painéis policristalinos.

No entanto, é importante considerar que eles costumam ser mais caros e podem não ser a melhor escolha para regiões com temperaturas muito altas, onde sua eficiência pode ser reduzida.

2) Painel solar de silício policristalino

Os painéis solares de silício policristalino são uma alternativa bastante popular e frequentemente comparada com os monocristalinos. Uma de suas principais características é a eficiência de conversão de luz solar em eletricidade, que varia entre 14% a 20%.

Embora essa eficiência seja ligeiramente menor em comparação com os painéis monocristalinos, os modelos policristalinos são reconhecidos pelo seu bom custo-benefício, sendo uma escolha atraente para quem busca economia na instalação de sistemas de energia solar.Painel solar de silício policristalino.

Painel solar de silício policristalino.

Visualmente, os painéis policristalinos possuem uma coloração azul, especialmente quando possuem revestimento antirreflexo, ou um tom cinza prateado quando não possuem esse revestimento. A aparência é resultado do processo de fabricação, onde as células fotovoltaicas são feitas a partir de vários cristais de silício derretidos juntos. 

Uma das vantagens desses painéis é o bom desempenho em locais de altas temperaturas, o que pode ser um fator decisivo em regiões onde o calor é intenso. No entanto, eles apresentam uma vida útil um pouco menor em comparação com os modelos monocristalinos.

3) Células fotovoltaicas orgânicas (OPV)

As células fotovoltaicas orgânicas (OPV) representam uma inovação no campo da energia solar, utilizando um processo de fabricação conhecido como Roll to Roll. Essa técnica permite alcançar uma eficiência de até 11% na conversão de luz solar em energia elétrica, tornando-as uma opção interessante para determinados projetos.

O diferencial das células OPV está em sua composição: elas são feitas a partir de polímeros semelhantes ao plástico, produzidos por meio de técnicas de eletrônica orgânica.Células fotovoltaicas orgânicas (OPV).

Células fotovoltaicas orgânicas (OPV).

Um dos pontos fortes dos painéis solares com células fotovoltaicas orgânicas é a flexibilidade. Durante a produção, as células são impressas em materiais flexíveis, o que confere aos painéis uma maior transparência e adaptabilidade a diferentes superfícies.

Essa característica torna as células OPV uma opção promissora para projetos de grande escala e locais onde a instalação de painéis solares convencionais pode ser desafiadora.

4) Painel solar de silício amorfo (a-Si)

Os painéis solares de silício amorfo (a-Si) se destacam por utilizarem uma técnica de fabricação conhecida como empilhamento. A técnica envolve a combinação de várias camadas de células de silício amorfo, o que resulta em uma eficiência que varia tipicamente entre 6% e 9%.Painel solar de silício amorfo (a-Si).

Painel solar de silício amorfo (a-Si).

Uma vantagem significativa desse tipo de painel é a economia de material: as células de silício amorfo requerem apenas 1% do silício usado nas células de silício cristalino.

Apesar da eficiência, o processo de empilhamento eleva seu custo de produção. Por essa razão, esses painéis são mais indicados para aplicações em pequena escala, onde suas características de design e eficiência possam ser melhor aproveitadas.

5) Painel solar de telureto de cádmio (CdTe)

Os painéis solares de telureto de cádmio (CdTe) se destacam como a única tecnologia de filme fino que conseguiu superar a relação custo x eficiência dos painéis solares de silício cristalino no mercado global.

Esses painéis alcançam uma eficiência que geralmente varia entre 9% e 16%, tornando-os uma opção viável para quem busca um equilíbrio entre desempenho e custo.

Devido à sua eficiência e características específicas, os painéis de CdTe são frequentemente utilizados em grandes instalações solares, como usinas de energia solar em larga escala. As instalações se beneficiam da capacidade do telureto de cádmio de capturar uma ampla gama do espectro solar.Painel solar de telureto de cádmio (CdTe).

Painel solar de telureto de cádmio (CdTe).

6) Painéis solares de seleneto de cobre, índio e gálio (CIS /CIGS)

Os painéis solares de seleneto de cobre, índio e gálio (CIS/CIGS) destacam-se entre as tecnologias de filme fino devido ao seu elevado potencial de eficiência. Uma das vantagens desses painéis é a menor quantidade de cádmio, um material tóxico presente em outras tecnologias como o telureto de cádmio.

Com eficiência geralmente variando entre 10% e 12%, alguns modelos disponíveis no mercado brasileiro já ultrapassam a marca dos 13%. Por suas características e desempenho, os painéis solares CIGS são frequentemente utilizados em ambientes industriais.A tecnologia CIS /CIGS ainda está em fase de desenvolvimento.

A tecnologia CIS /CIGS ainda está em fase de desenvolvimento.

7) Painel solar híbrido (HJT)

Os painéis solares híbridos, também conhecidos como heterojunção (HJT), representam uma das tecnologias mais avançadas disponíveis atualmente. Com uma eficiência impressionante que varia entre 21% e 24%, esses painéis combinam o melhor de diferentes tecnologias para oferecer um desempenho superior.

Uma das principais vantagens dos painéis solares híbridos é sua capacidade de gerar mais energia por metro quadrado, além de funcionar de forma eficiente em temperaturas mais altas. Isso os torna ideais para regiões de clima quente, como o Brasil.

No entanto, a tecnologia ainda não está amplamente disponível no mercado, mas promete revolucionar a forma como a energia solar é aproveitada no futuro.Painel solar híbrido.

Painel solar híbrido.Qual o tipo de painel solar mais eficiente?

Quando se trata de eficiência, os painéis solares de silício monocristalino estão no topo da lista. Graças à pureza do silício utilizado em sua fabricação, esses painéis conseguem converter uma maior quantidade de luz solar em eletricidade ocupando menos espaço.

No entanto, a escolha do painel solar ideal para sua necessidade vai além da eficiência. É importante considerar o custo total do sistema, que inclui não apenas o preço dos painéis, mas também o custo de instalação (mão de obra especializada, equipamentos adicionais e dificuldade de realizar o serviço).

Portanto, ao escolher escolher o tipo de painel solar para a sua residência, é fundamental avaliar a relação custo-benefício e a reputação da equipe que irá projetar, instalar e dar suporte no pós-venda do sistema, que deve atender as necessidades e condições específicas.

CONVERSOR SOLAR O QUE É E MODELOS

 

TecMundo – Bianca Seabra

Imagem de: Inversor Solar: o que é e como funciona?

O inversor solar, ou inversor fotovoltaico, é um componente essencial em sistemas de energia solar. Sua principal função é converter a corrente contínua (CC) gerada pelos painéis solares em corrente alternada (CA), que é o tipo de energia que nossos aparelhos domésticos utilizam.

A conversão é necessária para um funcionamento eficiente e seguro de todo o sistema de energia solar. Diante da variedade de sistemas, há diferentes tipos de inversores, cada um projetado para atender a projetos específicos.

Quer entender melhor como funciona um inversor solar e como escolher o modelo ideal para o seu sistema? Continue lendo para descobrir tudo sobre esse equipamento!

O que é inversor solar?

O inversor solar é uma peça presente em qualquer sistema fotovoltaico com a principal função de converter a corrente gerada pelos painéis solares em uma forma de energia usada pela maioria dos aparelhos eletrônicos e sistemas elétricos.

Além de adaptar a energia para uso, o inversor fotovoltaico também otimiza a produção de energia e monitora o desempenho do sistema, garantindo segurança e eficiência.

A eficiência de um inversor solar é expressa em porcentagem.A eficiência de um inversor solar é expressa em porcentagem.Fonte:  GettyImages 

Os inversores podem ser instalados em diversos locais, desde painéis solares até espaços próximos ao quadro de luz, com a condição de que estejam protegidos do calor excessivo e da umidade.

Em instalações comerciais maiores, é comum dedicar uma sala apenas para esses equipamentos, devido ao seu tamanho e à necessidade de manutenção.

Os europeus têm uma longa tradição na produção de inversores solares, trazendo diversas inovações ao mercado. Contudo, inversores de qualidade também são fabricados em países como a China e o Brasil, oferecendo uma variedade de opções para atender a diferentes necessidades.

Como funciona o inversor solar?

O funcionamento de um inversor solar envolve três componentes principais: oscilador, transformador e regulador. Inicialmente, os painéis solares convertem a luz do sol em corrente elétrica, que é conduzida até o oscilador do inversor.

  1. O oscilador atua modificando a corrente contínua, que apresenta uma tensão constante, transformando-a em pulsos de tensão;
  2. Em seguida, a corrente passa pelo transformador, onde ocorre o processo de indução eletromagnética e os pulsos de tensão são transformados em corrente alternada;
  3. Por fim, o regulador assegura que a corrente alternada foi transformada corretamente e ajuda a evitar picos de tensão, que podem danificar os equipamentos.

Essa corrente alternada é o tipo de energia que pode ser utilizada pelos aparelhos elétricos comuns, tornando o sistema fotovoltaico prático e funcional para o dia a dia.

Embora nem todos os inversores apresentem um regulador, sua presença é uma vantagem adicional, aumentando a segurança e a estabilidade do sistema.

Quais são os tipos de inversor para energia solar?

1) Inversor solar on-grid (grid-tie)

Este é o tipo mais comum de inversor solar, conectado diretamente à rede elétrica da concessionária de energia. Sua principal função é injetar a energia gerada pelos painéis solares na rede, possibilitando que os usuários “vendam” o excesso de energia para a concessionária em troca de créditos.

Os créditos podem ser usados posteriormente para compensar o consumo da rede elétrica em momentos em que os painéis não estão gerando energia, como à noite. Quando há queda na rede elétrica, ele desliga automaticamente por segurança.

Além de ser capaz de alimentar a maioria dos equipamentos domésticos, o inversor on-grid também registra informações detalhadas sobre a eficiência do sistema e a quantidade de energia produzida.

2) Inversor solar off-grid

Projetado para sistemas que funcionam de forma independente da rede elétrica, o inversor solar off-grid é ideal para locais remotos ou situações em que não há acesso à rede convencional.

O inversor off-grid converte a corrente contínua das baterias que armazenam a energia gerada pelos painéis solares em corrente alternada, garantindo fornecimento constante mesmo durante a noite ou em dias nublados.

3) Inversor solar híbrido

O inversor solar híbrido combina as funcionalidades de um inversor on-grid e um off-grid. Isso significa que ele pode operar tanto conectado à rede elétrica quanto de forma independente, utilizando baterias para armazenar energia.

A versatilidade permite que o usuário programe o sistema para otimizar o uso da energia solar. Por exemplo, o inversor pode ser configurado para injetar energia na rede nos horários de alto custo e armazenar energia quando o gasto é menor.

4) Inversor solar string (inversor de parede)

O inversor solar string é uma variante do inversor on-grid. Ele conecta vários painéis solares em série a um único equipamento, o que simplifica a instalação e a manutenção do sistema.

Por ser maior que outros modelos, ele é frequentemente chamado de “inversor de parede” e é instalado em uma parede próxima ao quadro de distribuição de energia.

5) Microinversor

Projetado para funcionar com um único painel solar, o microinversor converte a energia de corrente contínua de cada painel diretamente em corrente alternada. Ao operar de forma independente, cada microinversor pode otimizar a eficiência e monitorar o desempenho de cada painel individualmente.

Isso é extremamente útil em situações onde os painéis solares podem ser afetados por sombras de forma desigual, quando é preciso detectar falhas ou facilitar uma expansão do sistema, adicionando painéis conforme necessário.

6) Inversor solar central

Ideal para projetos de grande porte, o inversor solar central funciona de maneira semelhante ao inversor string. Ele é capaz de converter grandes volumes de energia de corrente contínua em corrente alternada, sendo otimizado para operar em ambientes complexos e de alta demanda energética, como instalações industriais e usinas solares.

7) Inversor com otimizador de potência

Este tipo de inversor vem acompanhado de um otimizador de potência, um dispositivo que pode ser conectado ao inversor para melhorar a condução da corrente e evitar perdas durante o processo de conversão.

Maior eficiência do inversor solar significa melhor aproveitamento da energia gerada pelos painéis fotovoltaicos em sua casa.Maior eficiência do inversor solar significa melhor aproveitamento da energia gerada pelos painéis fotovoltaicos em sua casa.Fonte:  GettyImages 

Ou seja, o otimizador de potência oferece uma camada adicional de segurança ao desativar o circuito em caso de detecção de arco elétrico, prevenindo possíveis danos.

Alguns inversores já vêm integrados com otimizadores de potência, enquanto outros podem ser adaptados para incluir esse componente.

Quais cuidados é preciso ter com o inversor solar?

Para manter o inversor solar funcionando bem e por mais tempo, é importante seguir alguns cuidados simples. Primeiro, escolha um inversor confiável e eficiente, com garantia nacional de pelo menos 5 anos, que pode ser estendida para 10 anos.

Procure marcas com boa reputação no mercado para facilitar qualquer troca ou reparo e certifique-se de que o equipamento tenha selos de qualidade, atendendo às normas de segurança.

A instalação deve ser feita por profissionais qualificados para garantir que o sistema de geração solar funcione corretamente. Por fim, fique de olho nos dados do sistema, pois muitos inversores têm monitoramento que mostra a produção de energia e possíveis falhas ao longo dos anos.

Entender o funcionamento e a importância do inversor solar é o primeiro passo para quem deseja investir em energia solar e aproveitar ao máximo essa tecnologia sustentável.

O FOGO DAS QUEIMADAS É MAIOR DO QUE A CAPACIDADE DO GOVERNO DE COMBATER

 

História de RANIER BRAGON E JOÃO GABRIEL – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Os 13 boletins divulgados desde o final de junho pelo Ministério do Meio Ambiente sobre a crise das queimadas mostram que a escalada do fogo no pantanal, amazônia e cerrado ocorreu em velocidade bem superior ao incremento no combate aos incêndios feito pelos governos federal, estaduais e municipais.

Segundo os documentos, de julho até agora o acumulado da área queimada no pantanal triplicou de tamanho, chegando a 2 milhões de hectares -13,4% do bioma.

Na amazônia, a área queimada mais que dobrou neste mês de setembro -11,7 milhões de hectares, ou 2,8% do bioma. O cerrado já teve 12,3 milhões de hectares queimados em 2024, o que representa 6,2% de sua área total, com aumento de quase 40% só nos últimos 15 dias.

O incremento de brigadistas e aeronaves, tanto do governo federal, mas também dos estados (que compartilham a obrigação legal de combate), também cresceu no período, mas em proporção insuficiente para conter a crise.

No pantanal, da primeira quinzena de julho até agosto (auge da crise no bioma), o número de profissionais federais em campo -do Ibama, ICMBio, Forças Armadas e Força Nacional– cresceu 20%, chegando a cerca de 1.000, enquanto a quantidade de aeronaves foi de 14 para 19 no período.

Atualmente, com o arrefecimento da crise no bioma, o efetivo está na casa dos 800 agentes, com 11 aeronaves -os outros foram deslocados para outras partes do país.

A Folha de S.Paulo questionou Mato Grosso e Mato Grosso do Sul sobre o efetivo empenhado no combate, mas só o segundo estado respondeu. Disse que terminou junho com 70 bombeiros em ação, número que cresceu para 138 neste momento.

Na amazônia, o efetivo federal subiu pouco do final de agosto (quando o número começou a ser divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente) até agora: de 1.468 para 1.608, com 10 aeronaves.

O estado de Tocantins afirmou que o combate ao fogo ainda não havia começado em junho, mas que agora há 355 bombeiros mobilizados. No Amazonas, neste período, o efetivo cresceu de 333 para 706. Já o Pará não respondeu -os três são recordistas de queimadas no Norte.

As médias móveis semanais de área queimada no cerrado começaram a subir de forma acelerada em agosto e atingiram o pico nas primeiras semanas de setembro.

Os boletins do Ministério do Meio Ambiente passaram a divulgar dados sobre o bioma somente no último dia 10. De acordo com o documento, o número de profissionais federais em campo mais que dobrou nesses últimos 15 dias, de 436 para 1.102. São 8 aeronaves em uso (eram 7 no boletim do dia 10).

“Existe uma responsabilidade compartilhada. Jogar toda a contabilidade no número de brigadistas federais não é honesto, é como se toda a responsabilidade de incêndios do Brasil fosse do governo federal, isso não é real”, diz o secretário extraordinário de Controle de Desmatamento do ministério, André Lima.

Segundo ele, 85% do fogo no cerrado e 73% do fogo no pantanal foram registrados em propriedades privadas, cuja responsabilidade de resposta primeiramente é dos estados e municípios –a União precisa cuidar de áreas de preservação e terras indígenas, majoritariamente.

“Se não tiver propriedade privada com suas brigadas, municípios com brigadas locais, bombeiros, estados com corpo de bombeiros, também aumentando o número de gente disponível, não tem condição de o governo federal resolver o problema”, diz ele.

Lima cita o exemplo de São Paulo. Segundo ele, no estado há uma menor cobrança em relação ao governo federal porque “são áreas estaduais e privadas e existe um efetivo, tanto privado, das grandes empresas, como do estado, de bombeiros”.

O governo do Amazonas diz, por outro lado, que atualmente mais de 70% dos focos de calor combatidos pelas equipes estaduais estão em áreas de responsabilidade federal e reclama que já em abril solicitava apoio à União.

Já em Rondônia, o Tribunal de Contas do Estado abriu um processo para apurar possível omissão do governo local no combate ao fogo. A reportagem procurou a gestão regional para comentar, mas não teve resposta.

O Brasil enfrenta em 2024 uma disparada das queimadas em meio à pior seca já registrada no país desde pelo menos os anos 1950.

A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) e o próprio presidente Lula (PT) reconheceram que o governo federal, estados e municípios não estavam preparados para enfrentar a situação.

Além do Ministério do Meio Ambiente, a Folha também procurou as pastas da Justiça, Defesa, Agricultura, Desenvolvimento Regional e a Casa Civil, que coordena as ações.

A Casa Civil destacou a criação da Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas, em 1º de janeiro de 2023, destacando que “as competências de combate aos incêndios florestais e à estiagem não são exclusivas da União” e que “estados e municípios também têm papel fundamental”.

Sobre a estrutura federal, a pasta respondeu que o Ibama e o ICMBio têm mais de 3.000 brigadistas em atuação neste ano e que em agosto foi autorizado incremento temporário em 20 estados, além da contratação pelo Ibama de mais 5 aeronaves.

A pasta destaca ainda a medida provisória que autorizou R$ 137 milhões para combate aos incêndios, entre outros aportes.

A Justiça disse que atua desde maio contra queimadas, com uso de 312 bombeiros da Força de Segurança em 22 municípios da Amazônia Legal e pantanal.

“O ministério aumentou em mais de 400% os repasses para operações de proteção aos biomas e combate aos incêndios florestais, na comparação com todo o ano de 2022”, disse ainda a pasta, que registrou os 52 inquéritos abertos pela Polícia Federal e a atuação da Polícia Rodoviária Federal em patrulhamento intensificado nas margens das rodovias federais.

A Defesa disse que desde o fim de junho cerca de 550 militares têm atuado no pantanal, com o apoio de 161 viaturas, 224 embarcações e nove aeronaves.

Agricultura afirmou que faz parceria com autoridades federais, locais e representantes dos produtores rurais e que está monitorando os impactos das estiagens sobre a produção agropecuária.

Desenvolvimento Regional não respondeu.

O X SÓ VOLTARÁ QUANDO O MINISTRO MORAES QUISER LIBERAR O SEU FUNCIONAMENTO

 

História de Redação – Jornal Estadão

No “Estadão Analisa” desta segunda-feira, 30, Carlos Andreazza fala sobre a possibilidade de volta da plataforma X, que segundo o colunista, só retornará quando o ministro Alexandre de Moraes “estiver a fim”. O X nomeou a advogada Rachel de Oliveira Villa Nova Conceição como representante legal da plataforma no Brasil. A indicação foi comunicada nesta sexta-feira, 20, ao Supremo Tribunal Federal (STF), após o ministro Alexandre de Moraes exigir, em 24 horas, a comprovação do vínculo. Junto à nomeação foram apresentados procurações e documentos.

Outro tema que Andreazza comenta são anulações do ministro Toffoli, que agora engavetou condenações de Léo Pinheiro, delator de Lula na Lava Jato. Uma semana depois de engavetar toda a investigação sobre o empresário Raul Schmidt Felippe Júnior, ministro do Supremo Tribunal Federal decreta ‘nulidade absoluta’ de decisões tomadas contra ex-presidente da OAS.

O colunista volta comentar a situação das apostas online no Brasil, também chamadas de ‘bets’. O governo começa a se preocupar com o tema e quer coibir abusos com supervisão de ‘CPF por CPF’ e apoio do sistema bancário. Segundo Haddad, centenas de casas de apostas do mundo inteiro sem cadastro no governo não terão mais ‘acesso à nuvem brasileira’ e serão proibidas de operar no País.

Entretanto, uma força-tarefa do governo contra vício está na gaveta há 1 ano. O Congresso também avalia mais restrições. O ministério da Fazenda sugeriu criação de grupo de trabalho com Saúde e Esporte para brecar ‘influência deletéria’ de bets sobre apostadores, mas decreto ficou no papel.

BLOQUEIO DO X NO BRASIL COMPLETA UM MÊS

 

Empresa bloqueou perfis de bolsonaristas e indicou representante, mas ainda precisa quitar R$ 10 milhões

Lucas Mendesda CNN 

Bloqueio do X completa um mês sem definição sobre volta | CNN NOVO DIA

A decisão pelo bloqueio da rede social X (antigo Twitter) no Brasil completa um mês nesta segunda-feira (30).

A ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ser efetivada logo no dia seguinte, quando os provedores de internet foram notificados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Trinta dias depois, a plataforma segue suspensa, mas já começou as tratativas para voltar a operar no país.

Nos últimos dias, a empresa apresentou uma mudança de postura e começou a cumprir as exigências feitas por Moraes, inclusive bloqueando perfis de bolsonaristas. Na última quinta (26), solicitou formalmente o desbloqueio ao ministro.

Ao analisar o pedido, no entanto, Moraes levantou o valor total que a big tech ainda deve em multas e condicionou o retorno a três pontos básicos.

  • pagar uma nova multa de R$ 10 milhões (o valor representa dois dias em que a rede social ficou disponível a usuários no Brasil, desrespeitando a ordem de suspenção);
  • informar se os valores já bloqueados de R$ 18,3 milhões serão mesmo usados para quitar as punições (a quantia refere-se a multas por descumprir decisões de bloqueio de perfis);
  • pagar multa de R$ 300 mil (neste caso, o valor deve ser quitado pela representante legal da empresa, Rachel de Oliveira, que havia sido punida em agosto, junto com a plataforma, pelo descumprimento das ordens de bloqueio).

Na decisão, o magistrado também ressalta que a volta do X depende de a empresa cumprir a lei no Brasil e as decisões do Judiciário.

“O término da suspensão do funcionamento da rede X em território nacional e, consequentemente, o retorno imediato de suas atividades dependem unicamente do cumprimento integral da legislação brasileira e da absoluta observância às decisões do poder judiciário, em respeito à soberania nacional”, disse o ministro.

A suspensão do X foi confirmada pela unanimidade da primeira turma do STF. Recursos apresentados pelo partido Novo e pela Ordem dos Advogados do brasil (OAB) contestam pontos da decisão, como a multa de R$ 50 mil a qualquer pessoa que burlar o bloqueio.

Os casos estão com o ministro Nunes Marques, que ainda não tomou uma decisão.

Condições para voltar

Quando mandou suspender o X, em 30 de agosto, Moraes estabeleceu condições para que a plataforma voltasse a funcionar. São elas:

  • cumprir decisões do STF para suspender nove perfis na plataforma;
  • indicar um representante legal no Brasil, com a devida comprovação de órgãos públicos;
  • pagar todas as multas devidas pelo descumprimento de decisões.

As duas primeiras ordens já foram acatadas.

Já o pagamento das multas foi garantido por meio do bloqueio de contas da plataforma e da empresa de internet via satélite Starlink. Moraes entendeu haver um “grupo econômico de fato” entre as duas empresas. Ambas são de propriedade do bilionário Elon Musk.

O total de R$ 18,3 milhões das duas companhias foi transferido para uma conta da União.

Mesmo com o valor bloqueado, Moraes disse que é preciso que as empresas informem se a quantia será mesmo usada para quitar a multa.

Isso porque, segundo o ministro, o bloqueio representa “garantia do juízo para o adimplemento final da sanção, mas não pagamento final e definitivo das multas aplicadas”.

O ministro cita que há um recurso da Starlink ainda pendente de julgamento, com pedido para que a companhia não seja responsabilizada pelas multas do X.

A plataforma e a representante no Brasil também precisam acertar o pagamento das outras duas multas, citadas no começo deste texto.

Por que o X foi bloqueado?

A rede social foi suspensa no Brasil depois de descumprir de forma reiterada decisões do STF de bloquear perfis na plataforma.

Eram nove contas em questão, que estavam sendo usadas para divulgação de ataques a instituições, de ameaças a delegados da Polícia Federal (PF) e de conteúdos considerados antidemocráticos.

Entre os usuários dessas contas, estão o senador Marcos do Val (Podemos-ES), o blogueiro Ed Raposo e a filha do também blogueiro Oswaldo Eustáquio.

Como forma de evitar punições pela postura, a empresa anunciou o fechamento da sua representação no Brasil. Uma decisão de Moraes estabelecia a prisão da representante da companhia, caso a desobediência às ordens permanecesse.

A empresa foi intimada pelo STF a formalizar seu representante, por meio de publicação no perfil da Corte no próprio X. Caso não indicasse um nome, a consequência fixada era a suspensão da rede social.

Como não houve resposta, Moraes determinou o imediato bloqueio do X.

Na decisão, o magistrado disse que havia “requisitos legais necessários” para a medida. O ministro citou os “reiterados, conscientes e voluntários descumprimentos das ordens judiciais e inadimplemento das multas diárias aplicadas, além da tentativa de não se submeter ao ordenamento jurídico e Poder Judiciário brasileiros, para instituir um ambiente de total impunidade e “terra sem lei” nas redes sociais brasileiras, inclusive durante as eleições municipais de 2024”.

Moraes também afirmou que a rede continuava sendo instrumentalizada “por meio da atuação de grupos extremistas e milícias digitais nas redes sociais, com massiva divulgação de discursos nazistas, racistas, fascistas, de ódio, antidemocráticos, inclusive no período que antecede as eleições municipais de 2024”.

O PODER DA PERSUASSÃO PARA SER INFLUENTE E PERSUADIR OS OUTROS

 

Mulher fazendo palestra para um grupo
Legenda da foto,Quarenta anos atrás, Bob Cialdini publicou um livro inovador sobre o poder da influência. Em nossa era digital, essas regras podem ter se tornado ainda mais poderosas

Article information

  • Author,David Robson*
  • Role,BBC Future
  • 29 setembro 2024

Certo dia, Robert Cialdini estava no seu dormitório na universidade, quando atendeu outro estudante, que vendia assinaturas da revista Sports Illustrated.

“Eu era um aluno que mal comia, não tinha muita renda livre”, relembra ele. “Por isso, não iria comprar a revista.”

Mas o rapaz era persistente. Ele disse que Cialdini estaria perdendo uma venda única, que duraria apenas aquele fim de semana.

Ele destacou que os principais especialistas no assunto tinham excelente impressão sobre a revista. E mencionou casualmente que ele já havia vendido muitas assinaturas para outros residentes.

Cialdini acabou cedendo. E, quando o rapaz saiu, ele se reclinou contra a porta e só então percebeu o que havia acabado de acontecer.

“Eu pensei: ‘você gastou o seu dinheiro e não foi pelas qualidades do produto – foi pela forma de apresentação'”, relembra Cialdini. “E pensei ‘Não é interessante? Não vale a pena estudar?'”

A curiosidade de Cialdini o levaria a escrever o livro O Poder da Persuasão (Ed. Elsevier, 2006), publicado originalmente em 1984.

Combinando a pesquisa acadêmica sobre ciências comportamentais com estudos de casos pertinentes e sua experiência pessoal, seu livro terá possivelmente criado o padrão para autores do “pensamento inteligente”, como Charles Duhigg, Adam Grant e James Clear.

Depois de diversas edições atualizadas, o livro já vendeu mais de sete milhões de cópias, segundo seus editores.

No 40º aniversário de lançamento de O Poder da Persuasão, eu me sentei com Cialdini em um hotel de Londres para discutir a concepção e os impactos causados pelo livro.

Também conversamos sobre como a psicologia da persuasão evoluiu nas décadas seguintes à sua primeira publicação e suas implicações na polarizada sociedade atual.

Os seis princípios da persuasão

Como parte da sua pesquisa, Cialdini decidiu passar algum tempo estudando pessoas que ele definiu como “profissionais da conformidade” – trabalhadores da área de vendas, marketing, recrutamento e levantamento de fundos, cujo sustento depende de mudar a opinião dos outros.

Em muitos casos, este trabalho envolveu entrevistas formais. Em outros, o autor trabalhou “disfarçado”, como candidato a empregos e aprendendo os macetes da profissão com seus colegas.

“Quando você encontra o seu efeito no campo, você sabe que ele é importante”, destaca ele.

Festa da Tupperware nos anos 1950
Legenda da foto,A onda das festas da Tupperware, a partir dos anos 1950, demonstrou que existem pessoas com forte poder de persuasão

Pedi a Cialdini que indicasse uma experiência marcante. Ele conta que acompanhou um vendedor brilhante que oferecia de porta em porta alarmes contra incêndio acionados por calor.

Nas suas visitas, o mentor de Cialdini levava um grande catálogo, detalhando os diferentes produtos, mas sempre deixava no carro. Enquanto os moradores das casas faziam o teste de segurança da residência, ele pedia para pegar as chaves emprestadas para poder ir buscar o livro e voltar para a casa.

“Era a única coisa que ele fazia diferente”, conta o escritor. E, depois de perguntar repetidas vezes, o vendedor acabou explicando seu raciocínio.

“Ele disse ‘Bob, em quem você confia? Você confia nas pessoas que você deixa entrar e sair da sua casa sozinhas e eu queria ficar associado com aquilo'”, relembra Cialdini. “E me lembro de pensar ‘uau, este cara entende o comportamento humano’.”

Depois de três anos comparando as experiências com as pesquisas publicadas, Cialdini identificou seis princípios globais que, aparentemente, orientam qualquer campanha de persuasão. São eles:

  • Escassez
  • Autoridade
  • Prova social
  • Simpatia
  • Reciprocidade
  • Compromisso e coerência

O estudante que vendia a revista Sports Illustrated demonstra perfeitamente três destes princípios.

A venda por tempo limitado cria o sentimento de escassez. É a sensação de que estamos concorrendo por um recurso limitado e o temor de que podemos estar a ponto de perder uma oportunidade.

O estudante também apelou à autoridade, mencionando todos os especialistas que leem a revista. E ele ofereceu a prova social – a evidência de que outras pessoas como nós estão tomando a mesma decisão, descrevendo quantos colegas de Cialdini haviam aceitado a oferta.

Esta não é apenas uma questão de conformidade, mas ela também faz parte do processo. “Ela demonstra que a ação é válida e que sua realização é viável”, explica Cialdini.

Já em relação à prova social, hoje podemos observar sua importância em diversos cenários.

Podemos ficar mais dispostos a baixar uma música, por exemplo, se soubermos que ela é popular entre outros ouvintes. E as pessoas ficavam mais propensas a usar máscaras durante a pandemia de covid-19, quando viam os demais fazendo o mesmo.

O princípio da simpatia diz que somos mais propensos a concordar com as sugestões ou exigências de alguém se passarmos a gostar daquela pessoa. Pode parecer óbvio, mas uma rápida análise das provocações existentes nos debates políticos indica que muitas pessoas não colocam esta ideia em prática quando tentam convencer os demais sobre as suas opiniões.

Na primeira edição do seu livro, Cialdini mencionou estudos sobre as “festas da Tupperware” – um modelo comercial em que um membro de uma comunidade pode ganhar comissão promovendo reuniões e vendendo os recipientes de cozinha.

Pesquisas mostraram que, quanto maior fosse a conexão social das pessoas com o anfitrião, maior a probabilidade de que eles comprassem os produtos, independente da sua qualidade ou das suas características.

A reciprocidade é definida pela expressão “uma mão lava a outra”. Mas, no quesito influência, Cialdini demonstrou que favores muito pequenos podem render grandes dividendos.

Um exemplo é o famoso experimento da “Coca-Cola”. Nele, o psicólogo Dennis Regan convidou participantes a visitar o seu laboratório. Sua tarefa era avaliar pinturas.

Em uma etapa do experimento, Joe – apresentado como um dos participantes, mas, na verdade, um assistente de pesquisa – saía do laboratório por um minuto. Em alguns casos, ele voltava com duas garrafas de Coca-Cola, uma para ele e outra para o participante real. Em outros, ele voltava sem nada.

Depois que o experimento supostamente havia acabado, Joe perguntava ao participante se ele gostaria de comprar bilhetes de rifa que ele estava vendendo. E seu comportamento anterior tinha grande influência sobre as decisões do colega.

Quando Joe praticava aquele pequeno ato de generosidade, comprando a garrafa adicional de Coca-Cola, os participantes compravam consideravelmente mais bilhetes.

E o principal é que isso acontecia até quando os participantes ouviam Joe maltratar alguém no início do experimento. Neste caso, a reciprocidade aparentemente superava a simpatia.

Por fim, existem o compromisso e a coerência.

“Quando fazemos uma escolha ou tomamos uma posição, enfrentamos pressões pessoais e interpessoais para pensar e nos comportar consistentemente de acordo com aquele compromisso”, explica Cialdini.

O simples ato de perguntarmos a uma pessoa se ela irá votar, por exemplo, pode aumentar as chances de que ela compareça às urnas. Deixar de votar pareceria inconsistente e causaria uma desconfortável sensação de “dissonância cognitiva”.

O poder da unidade

Nas edições atualizadas do seu livro, Cialdini acrescentou um sétimo princípio: a unidade, que faz com que as pessoas “sejam inclinadas a dizer sim para alguém que elas consideram um deles.”

Ele conta que foi parcialmente inspirado pelo aumento do tribalismo que ele observa na sociedade.

“Sempre considerei a unidade um amplificador: se você tivesse unidade, a escassez ou a prova social seriam mais poderosas. Mas comecei a ver que ela [a unidade] tem uma força independente de qualquer uma das demais.”

Pessoas interagindo
Legenda da foto,As pesquisas de Bob Cialdini mostraram que, quanto mais as pessoas sentem afinidade social por uma pessoa, mais propensas elas ficam a comprar os seus produtos

Cialdini indica um estudo sobre levantamento de fundos em um campus universitário. Nele, uma jovem pede contribuições para uma organização beneficente. “Quando ela começava seu pedido dizendo ‘sou estudante’, as contribuições recebidas aumentavam em 450%”, segundo ele.

Cialdini também conhece a influência da unidade na sua própria vida pessoal.

“Pouco tempo atrás, li no jornal um artigo sobre celebridades que torcem por diversos times de futebol americano e fiquei sabendo que Justin Timberlake e Lil Wayne são torcedores apaixonados do [time] Green Bay Packers”, ele conta. “Imediatamente, passei a apreciar mais a sua música e desejei que eles tivessem sucesso no futuro.”

Perguntei a Cialdini se seus estudos sobre a persuasão o prepararam contra a manipulação de vendedores espertos. Será que ele ainda se considera ingênuo?

Cialdini responde que sua reação aos ataques de sedução das pessoas depende da confiabilidade das informações sendo transmitidas.

“Quando é um golpe, estou preparado para dizer não”, diz ele. Mas, se as informações forem honestas e fundamentadas, “sou mais propenso a dizer sim, pois estes princípios podem nos orientar corretamente”.

Cialdini destaca que é perfeitamente racional verificar se um produto é popular entre outras pessoas, por exemplo, o que aumenta a chance de ter apelo pessoal.

“E eu teria sido insensato se não soubesse qual é o consenso entre as verdadeiras autoridades sobre este analgésico, este automóvel ou esta revista.”

Esta parece ser uma distinção importante. Se usarmos estes princípios honestamente, eles nos levam a fornecer as informações mais relevantes para que alguém tome sua decisão.

“Você é simplesmente informado ou instruído para a conformidade”, segundo ele. E Cialdini defende que toda pessoa que decidir aplicar os princípios de forma desonesta precisará arcar com as consequências.

“Você acabará sendo desmascarado como trapaceiro – e quem irá querer fazer negócios com você de novo?”

Política convincente

Nas décadas que se seguiram ao lançamento de O Poder da Persuasão, o conselho de Cialdini foi muito valorizado pelos líderes corporativos e também pelos políticos.

Ele trabalhou, por exemplo, com o ex-presidente americano Barack Obama e com a ex-candidata presidencial Hillary Clinton. Ele fez parte de um “time dos sonhos”, formado por psicólogos que assessoravam as campanhas presidenciais.

Mulheres jogando futebol
Legenda da foto,Podemos sentir mais simpatia por uma pessoa se descobrirmos que ela também torce para o nosso time ou pratica o mesmo esporte, segundo Cialdini

Uma das mudanças sugeridas pela equipe foi a forma de divulgação das doações da campanha. Em vez de fornecer o total arredondado do dinheiro recebido, eles passaram a informar o número total de pessoas que contribuíram.

“Isso fornece a prova social”, explica Cialdini. “O número informa que existem muitas outras pessoas que decidiram entrar em ação e que você deveria prestar atenção naquilo.”

Ele conta que seus serviços nem sempre foram bem recebidos pelas pessoas próximas aos candidatos.

“Os consultores tradicionais de campanha se sentiram ameaçados por estas informações provenientes da comunidade acadêmica, a que eles não tinham acesso”, segundo ele. “Por isso, às vezes, eles ignoravam algumas das orientações.”

Perguntei a Cialdini como poderíamos promover maior senso de unidade no mundo polarizado de hoje em dia.

Ele não tem soluções rápidas, mas sugere que todos nós podemos fazer um esforço maior para construir pontes com as pessoas que têm opiniões contrárias às nossas.

“Forme os tipos de conexão tradicionalmente associados ao parentesco ou à amizade”, orienta ele. Você pode, por exemplo, convidar um colega para jantar, mesmo se a visão de mundo dele colidir com a sua.

“E você não os trata como convidados. Você os trata como família e pede para eles ajudarem a pôr e tirar a mesa.”

Novamente, isso invoca sentimentos de confiança e “nos permite reduzir a falta de identificação”.

Talvez você imagine que estes diálogos irão gerar conflitos, mas as pesquisas psicológicas indicam que, muitas vezes, formamos melhores laços com nossos “inimigos” políticos do que pensamos.

Cialdini certamente faz parecer fácil e acessível aplicar estes princípios psicológicos no nosso dia a dia.

Saio da entrevista com a sensação de que, agora, consigo entender muito melhor as formas de melhorar minhas comunicações e as estratégias que outras pessoas podem usar para influenciar meu pensamento.

Talvez seja fruto dos seus poderes de influência, mas Cialdini me convenceu de que a psicologia da persuasão é ainda mais relevante hoje em dia do que era em 1984.

* David Robson é o autor do livro As Leis da Conexão: Os Segredos Científicos de Construir uma Forte Rede Social.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Innovation.

FILMES DE CEOS INSPIRAM TRAJETÓRIAS DE SUCESSO

 

Ana Julia Guimarães – Produtora de Conteúdo – StartSe

Inspire-se com trajetórias de sucesso (ou nem tanto)

Walt Disney com os braços cruzados (Fonte: Getty Images)

Chegamos em mais um final de semana. Está passando rápido ou nós estamos muito acelerados? Enfim… Melhor aproveitarmos para descansar – e de preferência, vendo um bom filme com um balde de pipoca nas mãos! 

Você já sabe que, além de emocionar, gerar reflexões importantes e boas risadas, o cinema também pode ser uma ótima forma de ganhar repertório e despertar novas provocações. Pensando nisso e no nosso propósito, que é te inspirar com muita inovação, tecnologia e negócios, aqui vai a nossa recomendação: 

Veja 5 filmes que contam a trajetória dos maiores CEOs do mundo. 

1- THE FOUNDER (A FOME DE PODER)

Cartaz de lançamento do filme “The Founder” (Fonte: Divulgação)

Você sabia que o McDonald’s nasceu após um simples vendedor perceber que existia um grande movimento de clientes em uma lanchonete de fast food? Pois é. Foi após isso que ele adquiriu sua participação no negócio dos irmãos Richard e Maurice McDonald no sul da Califórnia, transformou a marca e ganhou muito dinheiro! 

Ele se chama Raymond Kroc. O mais arrojado em termos empresariais, que terminaria com as maiores conquistas jurídicas e a mulher mais interessante ao seu lado. 

A história narra cada detalhe de tudo isso! Vale a pena. 

2- BECOMING WARREN BUFFETT (COMO SER WARREN BUFFETT)

Cartaz de lançamento do filme “Becoming Warren Buffett” (Fonte: Divulgação)

O filme narra a evolução de um menino de Nebraska que se tornou um dos homens mais respeitados do mundo, e os heróis que ajudaram a guiá-lo ao longo do caminho. 

Através de vídeos caseiros nunca mostrados antes, Warren Buffett nos mostra qual a sua relação com o mundo financeiro desde a infância e como isso pode ressignificar o valor que vemos no dinheiro. 

A dica aqui é: temos muito a ouvir com quem começou a investir na bolsa de valores aos 11 anos! 

3- GREED – A INDÚSTRIA DA MODA 

Cartaz de lançamento do filme “Greed – A Indústria da Moda” (Fonte: Divulgação)

O filme conta a história glamurosa do bilionário Richard McCreadie, um britânico que governa a indústria da moda há 30 anos.  

Pasmem: ao descobrir sobre uma investigação que pode afetar sua empresa, ele resolve fazer um evento para comemorar seu aniversário de 60 anos na ilha grega de Mykonos. De acordo com a revista Harper’s Bazaar, a história se baseia em Philip Green, no presidente do Arcadia Group, que é dono de marcas como Debenhams e Topshop.

4- WALT BEFORE MICKEY (WALT ANTES DO MICKEY)

Cartaz de lançamento do filme “Walt Before Disney” (Fonte: Divulgação)

Ainda criança, Walt Disney tinha por hábito desenhar os animais da fazenda onde morava. Ao crescer, ele decidiu tentar a sorte como animador na cidade grande. Decidido a ter uma empresa própria, que lhe permitisse trabalhar no que gostasse, ele enfrentou diversos obstáculos até ter a grande ideia de sua vida. 

O filme narra detalhes dessa trajetória. 


 5- THE SOCIAL NETWORK (A REDE SOCIAL)

Em uma noite de outono em 2003, Mark Zuckerberg, analista de sistemas graduado em Harvard, se senta em seu computador e começa a trabalhar em uma nova ideia. 

Seis anos e 500 milhões de amigos mais tarde, Zuckerberg se torna o mais jovem bilionário da história com o sucesso da rede social Facebook. O sucesso, no entanto, o leva a complicações em sua vida social e profissional… 

Cartaz de lançamento do filme “The Social Network” (Fonte: Divulgação)

Gostaram das indicações?

Você sabia que Randi Zuckerberg é irmã mais velha de Mark Zuckerberg e CEO da Zuckerberg Media? Uma empreendedora referência mundial em liderança feminina. Hoje é possível você aprender diretamente dela toda a experiência de décadas nos setores de liderança do facebook.

Eu e o ChatGPT sobre Divulgação Empresarial na Internet

Eu: Moysés Peruhype Carlech

Os empresários hoje fazem as suas compras de mercadorias para os atacadistas através da internet, usa-se muito pouco vendedores hoje em dia, poucas empresas anunciam os seus produtos pela internet e a maioria não. Por qual motivo isso acontece. Aqui no Vale do Aço temos o Marketplace Valeon criado para alavancar as vendas dessas empresas que não divulgam os seus produtos e através do site da valeon marketplace isso é possível por um preço bem razoável e barato. Por que não o fazem? Favor descrever esse assunto.

ChatGPT

Existem várias razões pelas quais algumas empresas podem hesitar em utilizar plataformas online, como o Valeon Marketplace, para divulgar e vender seus produtos. Algumas das razões mais comuns incluem:

Falta de Conhecimento Tecnológico:

Muitos empresários podem não estar familiarizados com a tecnologia necessária para operar uma loja online. Isso pode incluir a criação e manutenção de um site, a gestão de inventário online, e a compreensão de como lidar com transações eletrônicas.

Resistência à Mudança:

Algumas empresas têm uma cultura organizacional tradicional e são resistentes à adoção de novas tecnologias. A mudança para um modelo de negócios online pode ser vista como disruptiva e, portanto, não é implementada.

Custos Iniciais e Investimento:

Embora você mencione que o Valeon Marketplace oferece preços razoáveis, algumas empresas podem perceber a criação e manutenção de uma presença online como um investimento inicial significativo. Elas podem não estar dispostas a alocar recursos financeiros para essa transição.

Segurança e Privacidade:

Algumas empresas podem ter preocupações sobre a segurança de transações online e a privacidade dos dados do cliente. O receio de falhas de segurança pode dissuadi-las de adotar uma presença online.

Foco em Clientela Local:

Empresas que têm uma clientela local consolidada podem não ver a necessidade imediata de expandir para o mercado online. Elas podem acreditar que o modelo de negócios tradicional atende bem às demandas locais.

Falta de Conhecimento sobre Oportunidades Online:

Algumas empresas podem não estar cientes das oportunidades que a presença online pode proporcionar. A falta de educação sobre os benefícios do comércio eletrônico pode ser um obstáculo.

Concorrência com Grandes Plataformas:

Algumas empresas podem hesitar em competir com grandes plataformas de e-commerce, temendo que seus produtos se percam na concorrência com outras ofertas mais populares.

Logística e Distribuição:

A gestão da logística e da distribuição de produtos comprados online pode ser complexa para algumas empresas, especialmente aquelas que não estão preparadas para lidar com o aumento potencial na demanda.

Incentivar e educar as empresas sobre os benefícios de estar online, além de oferecer soluções acessíveis como o Valeon Marketplace, pode ajudar a superar algumas dessas barreiras e incentivar uma maior participação no comércio eletrônico.

Eu

Fale mais sobre educar os empresários a divulgarem mais os seus produtos através do site marketplace da valeon do Vale do Aço.

ChatGPT

Claro, vou abordar alguns pontos que podem ser relevantes ao educar empresários sobre a divulgação de produtos através do site marketplace da Valeon no Vale do Aço:

Consciência sobre o Potencial do Marketplace:

Destaque a importância do marketplace como um canal de vendas eficaz e acessível.

Explique como a Valeon, por ser uma plataforma consolidada na região, oferece visibilidade adicional aos produtos.

Treinamento sobre Uso da Plataforma:

Desenvolva programas de treinamento para ensinar os empresários a criar e gerenciar suas lojas virtuais na Valeon.

Inclua tutoriais práticos sobre a listagem de produtos, precificação, gestão de pedidos e interação com clientes.

Otimização de Páginas de Produtos:

Eduque sobre a importância de descrições detalhadas e imagens de alta qualidade para atrair consumidores.

Enfatize a necessidade de utilizar palavras-chave relevantes para aumentar a visibilidade nos resultados de pesquisa do site.

Estratégias de Marketing Digital:

Ensine estratégias de marketing digital específicas para o marketplace, como o uso de anúncios patrocinados na plataforma.

Explique como as redes sociais e outras ferramentas online podem ser integradas para promover produtos.

Gestão de Comentários e Avaliações:

Incentive a importância de gerenciar feedbacks dos clientes.

Demonstre como boas avaliações podem aumentar a confiança dos compradores e impulsionar as vendas.

Políticas de Atendimento ao Cliente:

Eduque sobre a importância de um excelente atendimento ao cliente.

Destaque como responder prontamente a perguntas e resolver problemas pode impactar positivamente a reputação da empresa.

Monitoramento de Métricas de Desempenho:

Ensine os empresários a utilizar as métricas fornecidas pela Valeon para avaliar o desempenho de suas lojas.

Mostre como ajustar estratégias com base em dados, como taxas de conversão e padrões de compra.

Promoção de Colaboração:

Incentive a colaboração entre empresários para promover produtos complementares.

Destaque a possibilidade de criar ofertas conjuntas ou parcerias estratégicas no marketplace.

Atualização Constante:

Ressalte a necessidade de manter as informações do negócio e dos produtos atualizadas.

Mantenha os empresários informados sobre novas funcionalidades ou ferramentas disponíveis na plataforma.

Apoio Técnico e Consultoria:

Ofereça suporte técnico contínuo para ajudar os empresários a superar desafios.

Considere a possibilidade de fornecer consultoria personalizada para otimizar a presença online de cada negócio.

Ao combinar esses elementos, os empresários estarão mais bem preparados para aproveitar ao máximo as oportunidades oferecidas pelo marketplace da Valeon no Vale do Aço.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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