Senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) virou réu no STF por supostas ofensas a senador e ex-deputado| Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Depois de ter cantado a internacional socialista com o Psol, o ex-presidente Lula recebeu nesta terça-feira (3) o apoio do Solidariedade, do deputado Paulinho da Força, que junta-se ao petista na campanha presidencial.
O apoio atenuou um pouco algumas divergências internas no PT depois do fiasco do 1º de maio no Pacaembu. O evento teve pouco público. Nem com a cantora Daniela Mercury conseguiu atrair mais gente. Lula teve que esperar juntar um pouquinho mais de gente para discursar, mas não adiantou muito. Bom lembrar que São Paulo é um termômetro para o país inteiro.
Terceira via derrete A chamada “terceira via democrática” está se desintegrando. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que tem pavio curto, explode a qualquer provocação. Às vezes até sem provocação. Eu costumo dizer que a própria boca dele é seu pior adversário.
E eu fiquei sabendo de uma reunião na segunda-feira (2), em São Paulo, com próceres do MDB. Eles chegaram à conclusão de que não vão a lugar algum com a candidatura da senadora Simone Tebet. E alguns estão recomendando negociar o apoio do partido ao presidente Jair Bolsonaro (PL).
Eu desconfio que algo semelhante vai acontecer com o União Brasil, que juntou o DEM e o PSL, partido pelo qual Bolsonaro se elegeu em 2018. Aliás, foi o presidente que levou votos para o partido e o deixou grande, com grande tempo de rádio e televisão, para quando começar a propaganda eleitoral.
O União Brasil lançou uma chapa com Luciano Bivar como cabeça, mas pouca gente conhece ele e acho que não tem futuro. Por isso, acho que a legenda vai acabar se aliando a Bolsonaro, numa, digamos, volta às origens. E o antigo DEM é óbvio que não vai para Lula.
Falando no ex-presidente, eu vi uma declaração do Sergio Moro contra Lula que só faltou o ex-juiz no fim dizer “vamos apoiar Bolsonaro”. Porque ficou parecendo isso. Achei muito estranha a maneira como ele atacou Lula.
E o PSDB continua dividido entre João Doria e Eduardo Leite. É o eterno balanço em cima de muro dos tucanos, que não sabem para onde vão, vão se equilibrando e não conseguem escolher para que lado cair. Aí é literalmente cair, porque também não tem muito futuro.
Esse é o dilema, na medida em que vai se esgotando o prazo para definições, já estamos a cinco meses da eleição.
Senado discute cheiro de sanduíche
Essa história do Senado convocar o McDonald’s e o Burger King para explicar dois sanduíches é inacreditável. Se tem picanha ou não; se tem costela ou não; só tem o cheiro… Eu acho incrível porque é um assunto que o Procon já resolveu.
O McDonald’s tirou o sanduíche do cardápio e o outro mudou de nome. Agora, em vez de dizer que tem costela, diz que tem carne suína. Pronto, resolvido. Agora levar esse assunto para discussão no Senado, em audiência na Comissão de Defesa do Consumidor?
Enquanto isso o senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) virou réu no Supremo Tribunal Federal na cara dos senadores. Isso porque ele xingou um senador e um ex-deputado.
Ou seja, o artigo 53 da Constituição, que fala da inviolabilidade parlamentar, não vale mais nada. Por quê? Porque senadores e deputados baixaram a cabeça. Onde passa boi passa boiada.
Agora, eles não são mais invioláveis e foi por falta de reação deles, porque está cheio de requerimento no Supremo para chamar ministro da Corte para explicar atos que não têm cheiro de Constituição. Mas eles estão discutindo o cheiro de sanduíche.
Mais de R$ 8 bilhões são gastos anualmente com funcionários em cargos extintos ou em fase de extinção, como os datilógrafos e os ascensoristas. É um desperdício irracional, que pode piorar se a reforma administrativa não for aprovada.| Foto: Unsplash
Reforma administrativa: nome nada chamativo, que parece não ter nada a ver com você. Mas tem. Ela influencia no direcionamento dos recursos que você paga em tributos (impostos, contribuições e taxas). Hoje, será que esses recursos servem para melhorar os serviços públicos que o Estado se propõe a prestar, como atendimento no SUS (Sistema Único de Saúde) e escola pública, ou para pagar privilégios da elite do funcionalismo? No texto de hoje, você saberá por que você (e não apenas o governo brasileiro) precisa da reforma administrativa.
Um desembargador do Tribunal Militar faturou R$ 1,4 milhão graças a indenizações e pagamentos retroativos. Em dezembro do ano passado, uma procuradora do Ministério Público Federal faturou R$ 606 mil só de conversão de licença-prêmio em dinheiro.
Em janeiro deste ano, um desembargador aposentado de Rondônia recebeu R$ 1,1 milhão. Ele foi o juiz com maior contracheque do país no ano passado: recebeu R$ 3.162.766 no ano, R$ 820 mil só em dezembro, e destes, R$ 777.810 de “direitos eventuais”.
Ao todo, em 2021, mais de quatro mil magistrados receberam acima do teto, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Desses, quase 200 tiveram remunerações médias superiores a R$ 100 mil por mês. E os dados provavelmente estão subnotificados: o painel do CNJ com os salários dos juízes omite mais de 60 mil contracheques de todo o país.
Os pagamentos absurdos seriam evitados se a reforma administrativa fosse aprovada com a inclusão de toda a elite do funcionalismo, incluindo membros do Judiciário, Ministério Público, parlamentares e militares, pois ela dá fim aos aumentos retroativos, férias superiores a 30 dias e penduricalhos adicionados aos salários dos servidores.
Porém, a reforma administrativa não serve apenas para acabar com esses pagamentos imorais (podem até ser legais), algo que o PL (6726/16) dos Supersalários também pode ajudar a dar fim. Um dos avanços mais importantes é colocar em prática a avaliação de desempenho dos servidores. Por meio dela, os servidores públicos que forem reiteradamente mal avaliados sofrerão consequências. Isso é essencial para manter e premiar os bons profissionais, que fornecerão melhores serviços à população, e desligar aqueles que não fazem um bom trabalho e não honram os pagadores de impostos.
Além disso, a reforma administrativa também traz um modelo de contratação mais inteligente, com a possibilidade de cargos com datas para início e fim de prestação de serviços. Hoje, R$ 8,2 bilhões são gastos anualmente com funcionários em cargos extintos ou em fase de extinção, como os datilógrafos e os ascensoristas (que pilotam os elevadores). É um desperdício irracional, que pode piorar no futuro se a reforma administrativa não for aprovada: um estudo da Escola Nacional de Administração Pública (Enap) estima que 20% dos servidores civis do governo federal poderão ser substituídos por automatizações e ganhos de eficiência nas próximas décadas.
Longe de soar insensível com os servidores, é preciso entender que o Estado existe para servir a sociedade, e que o interesse público deve estar acima do interesse específico de pessoas ou de uma corporação. É melhor que um datilógrafo procure recolocação no mercado do que você continuar pagando uma conta bilionária. O que você prefere: que os R$ 8 bilhões que pagamos aos servidores de funções extintas sejam investidos na população, como em creches ou na compra de ambulâncias, ou até mesmo na contratação de profissionais que o governo realmente precisa, ou para custear atividades obsoletas?
No ano de 2019, 94,9% da arrecadação do governo federal foi comprometida com despesas obrigatórias, sendo o pagamento da folha dos servidores o segundo maior gasto da categoria, atrás apenas dos gastos com a Previdência. Além disso, um servidor público federal ganha, em média, 96% a mais que o mesmo profissional no setor privado, sendo que o governo mantém o pagamento dessa remuneração para esse servidor e, depois, para os seus pensionistas, por 59 anos.
Mesmo com a aprovação da reforma administrativa e a inclusão da elite do funcionalismo nela, o brasileiro continuará gastando muito com o RH do governo no início. O Brasil gasta mais de 13% do PIB com o funcionalismo público. A União Europeia, em média, gasta 9,9%. Nos EUA, o percentual fica em torno de 9,5%. Precisamos reduzir, pelo menos, 3% do PIB com o funcionalismo público, em até dez anos, para o país ficar mais próximo da realidade dos países desenvolvidos. A reforma não resolveria todos os nossos problemas, muito menos acabaria com o lobby dos servidores públicos poderosos. Mas, sem ela, seguramente, o Brasil continuará tendo serviços públicos caros e de baixa qualidade.
Terceiro executivo a assumir a liderança da Petrobras, Coelho diz entrevista exclusiva ao Estadão que considera injusto culpar a empresa pelo alta dos combustíveis e que vai trabalhar para melhorar a comunicação
Entrevista com
José Mauro Coelho
Mônica Ciarelli e Denise Luna, O Estado de S.Paulo
RIO – Terceiro executivo a assumir o comando da Petrobras no governo do presidente Jair Bolsonaro, o engenheiro José Mauro Coelho defende a atual política de preços da estatal e nega pressão do governo para alterar essa rota. “O presidente Bolsonaro não me pediu absolutamente nada específico. Só pediu para eu conduzir a companhia.”
Em sua primeira entrevista exclusiva, Coelho deixa claro que enxerga como pacificadas as discussões em torno dos reajustes de combustíveis pela estatal. “Acho que o presidente já entendeu muito bem a questão de preço de mercado”, afirma. Além disso, Coelho ressalta que o cenário para o petróleo é de muita volatilidade por conta da guerra na Ucrânia e da pandemia da covid-19. Ao Estadão/Broadcast, o executivo considera injusto culpar a estatal pela alta dos combustíveis nos postos de abastecimento.
O presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, na sede da empresa no centro do Rio. Foto: Pedro Kirilos/Estadão
No cargo há menos de 20 dias, o executivo já identificou que o seu principal desafio à frente da estatal será melhorar a comunicação da empresa com a sociedade. Entre as medidas que pretende adotar nessa direção está o maior uso das redes sociais. “Quer se comunicar com a população? Tem que estar no LinkedIn, no Instagram, no Twitter”, diz. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Como é chegar à Petrobras neste momento, com o mercado de petróleo bastante volátil e os preços dos combustíveis em alta?
O cenário internacional que estamos vivendo é um cenário bastante desafiador. Nós ainda temos dois fatos que afetam bastante o mercado de energia como um todo, que é a questão da própria pandemia de covid, com a gente vendo lockdown na China que está aumentando. Às vezes a gente tende a dizer que a covid já passou, mas ainda tem uma participação importante da pandemia e, claro, tem outro fator muito importante, que é o conflito no Leste Europeu entre Rússia e Ucrânia.
Como esses fatos atingem o mercado brasileiro?
Esses conflitos para o mercado de energia em geral são muito importantes. A Rússia era um dos principais fornecedores de petróleo, gás natural e também diesel para a Europa, e as sanções que são impostas à Rússia afetam muito o mercado internacional. Afetam, por exemplo, o mercado de diesel.
Como está a situação do mercado de diesel no momento?
Os estoques de diesel nos Estados Unidos estão 20% abaixo do que eram há 5 anos. Isso mostra esse aperto entre oferta e demanda e isso faz com que o preço do diesel aumente muito também. Até recentemente, algum tempo atrás, a gente tinha uma correlação muito forte entre o diesel e o petróleo Brent. De uns meses para cá, a gente vê que o petróleo sobe, mas o diesel sobe muito mais, por causa da escassez de oferta. E claro, como tanto o diesel como o petróleo são commodities, isso acaba impactando o mercado doméstico. Hoje nós importamos 27% da demanda de diesel.
Com essa crise, o discurso de que o petróleo estava no fim do ciclo ficou mais distante? Como o senhor vê isso?
A gente fala muito em transição energética para uma economia de baixo carbono. Essas transições energéticas tendem a ser lentas. Historicamente é lenta, primeiro tivemos a transição da biomassa para o carvão, a primeira revolução industrial. Depois tivemos a segunda, do carvão para o petróleo, que também foi lenta e até hoje o carvão tem importância. Mas nesta, nós temos outra força motriz, que é diferente das outras transições, que eram apenas de substituir uma fonte por outra. Nessa (transição) agora, nós temos a questão das emissões da mudança climática.
O petróleo então não está com os seus dias contados?
Continuo acreditando que ainda por muito tempo vamos continuar precisando do petróleo na matriz energética mundial. Até porque petróleo não é só combustível, petróleo tem uma utilização vastíssima em toda a economia mundial. Ficou muito claro no conflito entre Rússia e Ucrânia que a transição energética deve ser feita com segurança energética.
O senhor chega com o planejamento estratégico já feito. Ele vai ao encontro do que o senhor acredita?
O planejamento estratégico 2022-2026 está em linha com o que acreditamos. Primeiro acreditamos no livre mercado, na livre concorrência. Isso é um ponto importante. Nós acreditamos que o preço de mercado deve ser praticado por vários motivos. Primeiro porque desde 2002 temos preços livres de mercado. Segundo porque entendemos que só a prática de preços de mercado leva à concorrência e essa maior concorrência gera uma serie de benefícios para a população.
Nós estamos há mais de 50 dias sem reajuste de preço, isso inibe a atratividade do refino brasileiro?
Não, essa questão relacionada ao preço dos combustíveis, estamos em um momento de extrema volatilidade. O preço do (petróleo) Brent vai a US$ 130, depois abaixa para US$ 100, fica altamente volátil e o câmbio também está volátil. Então, na Petrobras, acompanhamos a questão do preço dos combustíveis diariamente e, claro, dentro da nossa política de preços. Mas, entendendo também que não podemos ficar passando essas volatilidades, que são conjunturais, então nós acompanhamos tudo isso e, no momento certo, fazemos o reajuste. E quando falo preço de mercado, as pessoas entendem como preço elevado, mas não é isso, pode ser mais baixo e pode ser maior, pode cair ou pode subir.
Mas a volatilidade vai continuar por muito tempo? Como prever quanto tempo vai durar?
A volatilidade depende de muitos fatores que a gente não tem o controle, depende, por exemplo, de como vai evoluir a questão da covid, os lockdowns na China, como vai evoluir o conflito entre Rússia e Ucrânia. Então, são muitas variáveis que estão nessa cesta e acaba que a gente não tem o controle total, a gente vive um momento atípico. Dentro desse momento atípico, você tem que olhar com atenção e não repassar toda a volatilidade para o consumidor brasileiro.
Mas não há necessidade de reajustar o diesel e a gasolina?
A gente está analisando, a gente trabalha internamente diariamente olhando isso. Estamos preocupados com a questão da volatilidade dos preços e, no momento correto da companhia, vamos fazer reajuste sem nenhum tipo de problema, para cima ou para baixo.
Os últimos dois presidentes da Petrobras foram criticados pelo governo exatamente por causa dos preços, por fazerem reajustes. Isso, de alguma maneira, preocupa a sua gestão?
Tenho uma visão muito clara sobre isso. É muito claro para a Petrobras e para o governo que, como uma empresa de capital aberto, listada em bolsa, e por conta de toda legislação existente interna e externamente, a Petrobras deve praticar preços de mercado. A Petrobras hoje é uma empresa extremamente saudável do ponto de vista financeiro, nem sempre foi assim. Em 2014, tinha uma dívida de US$ 160 bilhões por causa de uma política equivocada, uma política relacionada a preços de combustíveis. A empresa foi saneada e hoje é uma empresa robusta e resiliente financeiramente.
Os ex-presidentes da Petrobras receberam mensagens do presidente Bolsonaro reclamando de aumento nos preços dos combustíveis. O senhor já recebeu alguma mensagem relacionada a política de preços?
Eu te digo o seguinte, o presidente Bolsonaro não me pediu absolutamente nada específico. Só pediu para eu conduzir a companhia. É isso que nós estamos fazendo. Não tem uma questão relacionada a preço dos combustíveis, nada disso. A missão é bem conduzir a companhia. Claro que tem uma questão que eu diria que é minha mesmo, de melhorar a comunicação. Acho que isso é fundamental. A população tem que entender que, da mesma maneira que o pãozinho aumenta, o óleo de soja bateu quase 16 reais o litro, o tomate e a cenoura nem se fala, assim é o petróleo.
Entendo, mas eles receberam mensagens de Whatsapp quando reajustavam o preço. A minha pergunta é se o senhor se preocupa em receber esse tipo de mensagem.
O presidente já entendeu muito bem a questão de preço de mercado. Li uma reportagem recente que o presidente fala claramente assim: o governo tem que ter soluções para os preços dos derivados. Acho perfeito. Ele colocou perfeitamente ali. O governo precisa criar os mecanismos e instrumentos para (minimizar os efeitos de) casos de aumento de preço dos combustíveis em momentos atípicos como este que vivemos.
A preocupação do governo com o rumo dos preços dos combustíveis não pode interferir na política da Petrobras?
A Petrobras tem que praticar os preços de mercado e, por outro lado, é legítimo o governo federal se preocupar com os preços elevados de combustíveis. Isso acontece em todo o mundo. Vemos os Estados Unidos preocupados com o preço elevado, a Europa preocupada com os preços elevados. É legítimo. E por quê? Porque o preço elevado dos combustíveis afeta toda a economia e o cidadão brasileiro. Um ponto que quero deixar claro é relacionado ao preço dando o exemplo da gasolina. O preço médio da gasolina hoje é de R$ 7,27 por litro e note que a parte da Petrobras nesse total é de R$ 2,84 ou 39% do preço da gasolina para o consumidor.
Quais os outros fatores que compõem o preço?
Existem várias outras parcelas que compõem a gasolina, no caso o etanol anidro, que é adicionado, os tributos federais, as margens de distribuição e revenda e uma das parcelas muito importantes é do tributo estadual (ICMS), que na média do Brasil significa R$ 1,73 por litro, ou 24% do preço que chega para o consumidor. E isso é uma média, pode chegar a 34%. No caso do imposto federal, está zerado no diesel até 31 de dezembro e no Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), zerado indefinidamente.
Apesar de o governo ter essa visão, seu antecessor fez até vídeos tentando explicar, mas a população não absorvia e o próprio governo também não.
O governo, como o acionista majoritário da empresa, faz as mudanças no momento que ele acha necessário, quando precisa de outro perfil. Mas a minha visão é de que é legítima a preocupação dos preços elevados de combustíveis e eu vejo de forma muito clara isso. A Petrobras vai praticar preço de mercado, o governo está preocupado com isso. E o governo está buscando alternativas para que esses aumentos de preços impactem menos o cidadão brasileiro.
O governo chegou a falar de usar o dividendo da Petrobras para colocar em um fundo para subsidiar os combustíveis. Qual a sua opinião sobre essa possibilidade?
Enxergo que é muito positivo o governo pensar em mecanismos, instrumentos, para minimizar o impacto dos preços para o consumidor final. E aí tem várias formas do governo constituir, se for o caso, pode ser com os dividendos da Petrobras, pode ser parte dos royalties e participação especial, pode ser a comercialização do óleo da União dos contratos de partilha de produção, enfim, tem formas de arrecadação que podem constituir esse fundo, mas depende de avaliação do governo de qual o melhor instrumento e as fontes que vão alimentar esse instrumento.
O senhor foi indicado pelo atual governo e estamos a poucos meses das eleições presidenciais. Se o senhor saísse em 2023, o que gostaria de deixar como legado de sua gestão?
Tem alguns pontos que são importantes. Não é uma crítica a nada, é perfil, cada um tem seu perfil. Em termos de planejamento estratégico, estou muito alinhado (com a antiga gestão). Eu penso muito igual ao que está no planejamento estratégico da Petrobras. Um legado importante que temos que deixar é a questão da comunicação. (…) O povo brasileiro tem que entender esse assunto complexo do petróleo até pela importância que a Petrobras tem. Essa comunicação é fundamental.
O governo reclamava muito da falta de comunicação da última gestão.
Até por isso. Tem duas coisas que se casam: a comunicação e o trabalho de reacender a chama e o orgulho de ser Petrobras, essa grande empresa nacional. Claro que é nacional, por ter como acionista principal a União, mas também tem os demais acionistas. Então tem que entregar resultados também para os acionistas privados. Mas a Petrobras é um grande ativo do País. Acho importante reacender essa chama.
Na população ou nos funcionários?
Acho que em todos, nos próprios colaboradores, que são muito engajados e geram muito valor. Reacender essa chama na própria população brasileira, que vê na Petrobras um grande ativo e realmente a Petrobras é um grande ativo. Olha tudo que ela recolhe de tributos, o que ela gera de emprego, o que ela gera de renda.
O senhor tem usado muito o Instagram para divulgar essas visitas.
É outra coisa importante a gente mostrar. Muitas vezes falam que a Petrobras não entrega, só vê dividendo, só vê lucro. Não, a Petrobras está preocupada com a responsabilidade social, olha quantos projetos legais.
A Petrobras pretende reforçar os investimentos em publicidade para explicar melhor a empresa para a população?
Claro que a grande mídia é importante, claro que a Petrobras acaba tendo recursos limitados também nessa grande mídia, mas tenho incentivado muito o nosso pessoal aqui a trabalhar com redes sociais. O pessoal já falou que estou muito ativo na rede social. Esse é um movimento importante. É onde a população está hoje, ela entende essa mídia. Temos que nos comunicar nessa mídia. Tenho incentivado. Quer se comunicar com a população ? Tem que estar no LinkedIn, no Instagram, no Twitter.
General que representa Forças Armadas em comissão do tribunal levanta dúvidas sobre votação e apuração; em resposta, Corte diz que já garantiu segurança do sistema eleitoral
Weslley Galzo, O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA — As Forças Armadas enviaram 88 questionamentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nos últimos oito meses sobre supostos riscos e fragilidades que, na visão dos militares, podem expor a vulnerabilidade do processo eleitoral. A maioria das perguntas reproduz o discurso eleitoral do presidente Jair Bolsonaro, que tem colocado em dúvida a segurança das urnas eletrônicas e mantido a própria atuação da Corte sob suspeita.
Os militares enviaram uma sequência de cinco ofícios sigilosos assinados pelo general de Divisão do Exército Heber Garcia Portella, que participa da Comissão de Transparência do TSE. Foto: Wilton Junior/Estadão
As desconfianças foram levantadas apesar de os órgãos de investigação nunca terem detectado fraudes no sistema eletrônico de votação. Ao contrário. No ano passado, a Polícia Federal vasculhou inquéritos abertos desde que as urnas eletrônicas passaram a ser usadas, na década de 1990, e não encontrou sinais de vulnerabilidade do equipamento. Os registros de irregularidades ocorreram, na realidade, quando a votação ainda era em cédula de papel. Depois da adoção das urnas eletrônicas, o TSE passou a submeter o equipamento a teste por hackers e não houve constatação de riscos.
Os militares enviaram uma sequência de cinco ofícios sigilosos assinados pelo general de Divisão do Exército Heber Garcia Portella, que participa da Comissão de Transparência do TSE. Quatro deles já receberam respostas, e um ainda aguarda pela manifestação da Corte. Portella foi indicado para a missão pelo então ministro da Defesa, Walter Braga Netto, hoje cotado para vice na chapa de Bolsonaro. Procurado, o Ministério da Defesa não se manifestou.
Na escalada dos embates com o Judiciário, o presidente expôs um dos temas remetidos pelos militares ao TSE, cujo conteúdo ainda não foi divulgado: a montagem de uma sala de apuração paralela que pudesse ser monitorada pelas Forças Armadas. Hoje, existe um espaço no tribunal onde fica o centro nervoso da totalização dos votos. No dia 27, Bolsonaro defendeu a instalação de “um computador das Forças Armadas, para contar os votos no Brasil”.
A lista de inquirições apresentadas pelos militares nos últimos meses pode ser dividida em cinco grupos: questionamentos sobre o teste de integridade das urnas eletrônicas; perguntas sobre o nível de confiança nos sistemas de votação e apuração dos votos; solicitação de documentos, listagens, relatórios e outras informações sobre as políticas do tribunal; indagações gerais sobre o funcionamento das urnas; e propostas de aperfeiçoamento da transparência da Corte.
Por meio do general, as Forças Armadas chegaram a questionar o TSE sobre os procedimentos que a área de tecnologia da informação do tribunal usa em caso de invasão aos sistemas. Outra pergunta sensível tratou da frequência com que a Corte verifica se há programas de “invasores” no sistema operacional das urnas.
Os militares ainda levantaram a hipótese de a eleição ser decidida por um número de votos menor do que o eventualmente registrado em urnas que viessem a entrar em pane. Eles questionaram até mesmo o fato de o novo modelo da urna eletrônica, fabricado em 2020, ter uma porta de acesso para pen drive.
Entre as questões está a cobrança para que a Corte adote medidas para prever e divulgar antecipadamente “as consequências para o processo eleitoral, caso seja identificada alguma irregularidade”. O TSE respondeu a cada um dos questionamentos com o detalhamento das soluções previstas na legislação eleitoral e apontou haver soluções até mesmo nos cenários mais remotos.
Sem obter sucesso nessa investida, Bolsonaro passou a atribuir aos militares a função de garantidores da lisura das eleições, missão que vem sendo contestada no TSE e também no Congresso. Partiu da Corte eleitoral, no entanto, a iniciativa de convidar os militares para participar de uma comissão com a possibilidade de contribuir com sugestões para dar ainda mais transparência ao processo eleitoral.
Diante da pressão de Bolsonaro por maior protagonismo dos militares, o ex-presidente do TSE e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso expôs seu descontentamento em uma palestra a estudantes na Alemanha. Ele afirmou que havia tentativa de usar as Forças Armadas para pressionar o processo eleitoral. Em resposta, Bolsonaro subiu o tom contra o Judiciário e passou a defender a apuração paralela.
Das 88 indagações, 81 constavam de um documento sigiloso elaborado pelas Forças Armadas, mas que foi vazado em fevereiro deste ano. A Corte, então, decidiu divulgar os questionamentos e chegou a emitir uma nota com esclarecimentos. O vazamento foi usado politicamente por Bolsonaro, que acusou o tribunal de ignorar as recomendações dos militares, o que foi desmentido pela Corte.
Outras sete manifestações dos militares ainda não foram formalmente divulgadas. Segundo o TSE, isso ocorreu porque chegaram após a conclusão do “Plano de Ação Para Ampliação da Transparência Eleitoral” – que prevê melhorias nos processos da instância superior da Justiça Eleitoral. Em nota encaminhada ao Estadão, a Corte afirmou que “tais questionamentos ainda estão em análise e serão incorporados ao relatório e divulgados em breve”.
Procurado, o Ministério da Defesa não se manifestou.
Com a valorização cada vez mais das soft skills, comete-se o perigoso equívoco de não investir na parte técnica, isto é, no ponto estratégico do negócio. Consequentemente, há um aumento na vala da qualificação
Nos últimos anos, relatórios e pesquisas de consultorias e fóruns do mundo inteiro despejaram suas tendências sobre a importância das soft skills ou competências comportamentais no trabalho. Talvez a lista mais famosa seja a divulgada pelo Fórum Econômico Mundial sobre as 15 habilidades mais importantes para os profissionais até 2025.
Embora haja no seu ranking competências consideradas mais “hard”, como programação, uso de tecnologia e análise de sistemas, foram as habilidades “soft” que propagaram pelos debates, palestras e rodas de conversas mundo corporativo afora. Elas traziam uma perspectiva de que no mundo atual valem mais o comportamento do que o conhecimento mais profundo do negócio.
Falar de soft skills ficou na moda. E isso pode ser perigoso
Estamos vivendo em um período severo de falta de qualificação. Até um nível de conhecimento superficial sobre diversos assuntos está em falta. Isso não se limita aos cargos ligados à tecnologia. Em todas as áreas sentimos escassez de profissionais preparados. Muitos têm visão de mundo rasa e pouco pensamento crítico (uma competência, aliás, que apareceu na lista do Fórum Econômico Mundial).
A demanda aumenta e os bancos escolares não entregam esses profissionais na mesma proporção que o mercado hoje cobra. Aí, a conta não fecha e, mais uma vez, vai sobrar para a empresa desenvolver esse profissional.
Por muito tempo, as melhores empresas para trabalhar vêm pagando essa conta extra no aprimoramento de seus funcionários. Em 2021, por exemplo, a média de horas de treinamento por colaborador entre as 150 Melhores Empresas para Trabalhar, segundo o ranking Great Place to Work, foi de 3,8 mil, um aumento de 33% em relação ao ano anterior.
O que nos preocupa é o conteúdo desses treinamentos. Ao valorizar cada vez mais as soft skills, cometemos o perigoso equívoco de deixar de investir na parte técnica, no ponto estratégico do negócio. A consequência é um aumento na vala da qualificação.
Durante um workshop para uma plateia de CHROs realizado por uma das empresas mais famosas do mundo, o presidente resumiu em uma frase o grau de expectativa em relação aos seus profissionais: “entre valores e resultados, ficamos com os dois”. Gostamos tanto desse conceito que decidimos incluí-lo na cultura do Great Place to Work Brasil.
O melhor dos dois mundos
Sozinhas, as soft skills não sustentam o desempenho – nem do profissional, muito menos da empresa. Isso também vale, é claro, para as hard skills. É impossível fazer uma gestão de pessoas sustentável baseada apenas em resultados e metas. Portanto, que fique claro: este artigo não pretende transferir o peso que se dá hoje às soft skills para as hard skills, mas, sim, fazer um alerta e propor um ajuste nesse pêndulo.
Passamos anos valorizando apenas a parte técnica, o conhecimento e a experiência do profissional. Quanto mais sólido seu currículo, melhor era sua reputação. O comportamento, a empatia, a flexibilidade, a inteligência emocional e a resiliência foram características acopladas só mais recentemente no conjunto da obra.
O resultado foi um celeiro de líderes técnicos e batedores de metas que são péssimos gestores de pessoas. Não podemos agora fazer o mesmo com as soft skills. Ao valorizar apenas a parte mais emocional e humana da relação, fechando os olhos para aspectos importantes da formação profissional, corremos o risco de criar outro tipo de líder: aquele que é gente boa, mas é superficial, inseguro e incapaz de tomar decisões.
Sabemos que o líder de hoje precisa fazer mais perguntas do que dar respostas. Mas para fazer as perguntas adequadas, além de conhecer as pessoas e o time, é preciso conhecer o negócio. Ter visão de mundo, pensamento crítico e analítico, uma boa formação, algumas horas de voo e entender bem do seu mercado.
Se não entende, tudo bem, mas é preciso ter a disposição de aprender. Aprender muito e sempre.
A essas competências devemos somar as soft skills. Saber ouvir, agregar, engajar, comunicar, envolver e ser, sobretudo, humano. Unir todas essas competências talvez seja o maior desafio da gestão de pessoas atualmente. E para isso é preciso enfatizar menos e dosar mais. Precisamos de habilidades sociais e também das técnicas. É a união delas que fará a diferença na vida das pessoas e dos negócios.
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A introdução da nossa Startup nessa grande empresa, vai assegurar modelos de negócios com métodos mais atualizados, inovadores e adaptáveis, características fundamentais em tempos de crise, porque permite que as empresas se reinventem para continuarem as suas operações.